sábado, 5 de julho de 2014

Leitura de fim-de-semana

Entro no fim-de-semana a iniciar um livro muito aguardado: "A Voz", o último volume da trilogia Shadowfell de Juliet Marillier. A acompanhar, uma bebida quente numa chávena digna desta leitura.

E vocês? Quais os livros que vos vão acompanhar nos próximos dias?

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Novidades da Saída de Emergência para Agosto

Começar de Novo, de Nora Roberts
Sinopse: Cilla McGowan, uma típica rapariga da cidade, encontrou uma vida nova na restauração de casas antigas. Quando chega ao maravilhoso vale Shenandoah, na Virgínia, dedica-se salvar a velha quinta que pertenceu à sua avó – uma atriz lendária que morreu há mais de trinta anos.
Cilla mergulha no projeto com todas as suas energias, ocupada e exausta demais para notar no seu vizinho, o artista de BD, Ford Sawyer. Determinada a nãoceder à tradição familiar dos romances falhados, Cilla resiste ao charme de Ford, mesmo quando não consegue evitar algumas fantasias.
Mas a realidade reserva alguns perigos para Cilla. Ao encontrar cartas anónimas no sótão, que apontam para um romance misterioso na vida da sua avó, despoleta um assalto violento. Cilla, com a ajuda de Ford, descobre que há segredos que a tornam um alvo a abater e, se quer evitar desaparecer prematuramente como a sua avó, terá que desvendar o passado para, quem sabe, começar de novo na casa dos seus sonhos…

Isabel, a Condessa Cercada, de Pedro L. Torres
Sinopse: No início do séc. XVI, a expansão portuguesa avança sobre as praças mouras do norte de África, conquistando importantes posições do inimigo. Arzila, grandiosa praça costeira, recebe então um novo capitão, o Conde de Redondo, a quem o Rei D. João III, anos mais tarde, concedeu grandes louvores pelos seus serviços.
Mas como conseguiu este conde resistir aos cercos de um inimigo muito mais numeroso e ainda tomar posições pelo deserto fora? A razão ainda hoje é um mistério, mas rezam as rónicas que o conde gozava de boas relações com um alcaide mouro que entrava sorrateiramente na praça portuguesa.
Com base neste fragmento verdadeiro da História de Portugal, Pedro Torres desenha uma ficção que revela as motivações das misteriosas visitas, o jogo perturbante de paixões e intrigas por detrás das impossíveis conquistas portuguesas. Um jogo doce, elaborado pelas mãos de uma condessa portuguesa, na terra violenta e sensual dos Xarifes…

Desculpe Sr. Nobel, de Maria Helena Ventura
Sinopse: Joana Cabral Cid, jornalista e investigadora forense, viaja até Estocolmo quando a Academia Sueca se prepara para anunciar o vencedor do Nobel da Literatura. O motivo: tentar descobrir quem matou Thomas Moonland, o grande candidato ao cobiçado prémio.
Depois de se encontrar com a psicóloga criminal Klara Drottning, que investiga o estranho homicídio, Joana vê-se envolvida numa investigação paralela e privada. Rapidamente mergulha num clima de insegurança que contraria a imagem idílica que sempre tivera de Estocolmo.
Ainda fragilizada pelo fim da única relação séria da sua vida, Joana procura um colega que conhecera na capital sueca, Kendryck O´Brien. Precisa desse apoio para diluir o medo que sente pela sua vida e, quem sabe, descobrir a teia de conspiração por trás do homicídio.
Mas quando ninguém é quem parece ser, e tão longe da segurança a que se habituou em Portugal, Joana mergulha numa espiral de traição e perda, mas também de esperança por um recomeço onde menos se esperava.


Novidade da Planeta para Julho

Este Homem - Obsessão, de Jodi Ellen Malpas
Sinopse: Neste segundo livro da trilogia continua a história entre o aristocrata Jesse Ward e a jovem designer de interiores Ava O’Shea. 
 Jesse Ward afogou-a com a intensidade e surpreendeu-a com a paixão, mas manteve-a à margem dos seus segredos obscuros e coração partido. 
Deixá-lo era a única maneira que Ava O’Shea teria para se libertar do romance demasiado conturbado. Mas também devia ter desconfiado que era impossível fugir dele. 
Agora Jesse voltou à sua vida, determinado a recordá-la dos prazeres sensuais que partilharam. Ava está também decidida a descobrir a verdade oculta na frieza deste homem. Isso significa envolver-se de outra forma com o Senhor do Solar. E é isso mesmo que ele quer dela...

Disponível nas livrarias a partir de dia 23.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Entrevista a fundadores do projecto literário "Imaginauta"

O Imaginauta é um nome novo e que promete dar que falar. Tem como principal objectivo trazer à luz do dia boas obras independentes que se destaquem no panorama nacional e é apresentado ao mesmo tempo que lança o livro "Comandante Serralves - Despojos de Guerra". Estive à conversa com os fundadores deste projecto literário que deseja fazer a diferença e está aberto a colaborações.
Desde já, agradeço a disponibilidade, prontidão e simpatia dos elementos que compõe o Imaginauta.
  
Uma Biblioteca em Construção (U.B.C.) - Como e quando surgiu a ideia de criar o Imaginauta?
Imaginauta (I) - Lembram-se daquela anedota infantil da pescada, que antes de o ser, já o era? O mesmo se passou com o Imaginauta. Antes sequer de surgir no campo das ideias, já acontecia sob a forma de projectos dispersos… Alguns de nós estiveram envolvidos na fundação da “Lusitânia”, outros na do site “Fantasy&Co”, etc. Nasceu então a vontade de criar uma marca para ligar iniciativas heterogéneas.

U.B.C. - O que o Imaginauta traz de diferente ao panorama literário nacional?
I - Isso é algo que em breve esperamos ouvir do público. Será sinal que estamos a fazer o nosso trabalho bem. O que queremos é fazer surgir coisas que nos apaixonem, que pensamos que possam encher um bocadinho as muitas lacunas que sentimos. Por exemplo, o nosso primeiro produto, o Serralves desbrava certos conceitos que não vemos muito comummente explorados em Portugal. Primeiro de tudo, é uma história com vários episódios que à primeira vista são independentes, mas que se interligam, como é muito comum na banda desenhada de super-heróis ou séries de televisão. Depois, é uma história no espaço, sem medo de se assumir como uma aventura de ficção científica. Por fim, desde o início estamos preparados para expandir este universo em vários formatos.

U.B.C. - Percebe-se que o nome do projecto surgiu da união de duas palavras. Podem explicar o que querem transmitir com a palavra “Imaginauta”?
I - O Imaginauta é um viajante, capaz de atravessar vários planos da imaginação, trazendo-nos os muitos mundos alternativos que visita. Quase dá uma história por si só, não é?

U.B.C. - Quem pode participar e colaborar?
I - Toda a gente está convidada a contactar-nos por correio@imaginauta.com e deixar as suas sugestões, propostas, ideias, sonhos, desejos, obras, críticas, etc… Não temos nenhum djinn distribuidor de desejos, mas somos bons ouvintes e entusiasmamo-nos facilmente. Quem sabe não ocorre alguma sinergia.

U.B.C. - A ficção parece ser a base deste projecto. Existe algum género literário de eleição dentro deste projecto?
I - Confessamos que gostamos de ver brincar com a realidade, dando-lhe uns empurrões, uns esticões, virando-a de pernas para o ar… Mas não nos limitamos, os Mundos pelos quais o Imaginauta passou são muitos, e diversos de mais para estar a tentar arranjar uma caixinha para catalogar cada um. Só no Serralves Começámos com algo que mistura Space Opera com um sentimento pulp e um cheirinho de Hard Sci Fi.

U.B.C. - O Imaginauta dá-se a conhecer e anuncia a publicação de um livro, “Comandante Serralves – Despojos de Guerra”. Isto quer dizer que também será uma editora?
I - Não somos uma editora, de todo. Não temos um catálogo planeado, não nos focamos apenas em livros e não temos uma estratégia orientada para o lucro (mas mais para um orçamento zero).

U.B.C. - Quanto a “Comandante Serralves – Despojos de Guerra”, como surgiu a ideia de fazer um livro a diversas mãos?
I - Surgiu através de um conto, escrito por um dos autores, que teve o privilégio de passar por uma leitura de um editor que deu valiosos conselhos sobre a história. Num deles, ressalvou o worldbuiding e como a história parecia pertencer a um arco maior. Que de certo modo lhe fazia lembrar um episódio de uma série com três ou quatro temporadas. E aí fez faísca. Porque não? Porque não entregar este mundo a outros escritores, dar-lhes a liberdade de explorarem outras perspectiva, de preencher este universo com as suas criações, personagens e acontecimentos? A partir daí, foi só procurar os autores certos e trabalhar, trabalhar, trabalhar, durante mais de um ano.

U.B.C. - Quem são os seis autores que participam neste livro?
I - Para isso, terão de ir às nossas apresentações. Iremos fazer uma no Porto, no Central Comics Fest, dia 12 e outra em Lisboa em data a anunciar também em Julho.

U.B.C. - Onde e quando o livro poderá ser adquirido?
I - Estamos a planear lançar o livro (e talvez alguns extras) em Setembro. Os leitores que quiserem deitar a mão às histórias do intrépido comandante poderão fazê-lo no dia do lançamento, em outros eventos presenciais em que participemos e encomenda on-line em ligação a anunciar.

U.B.C. - Existe a hipótese de fazerem outras colectâneas como a do Comandante Serralves? Qualquer voluntário pode tentar a sorte e participar?
I - Tudo depende da recepção dos leitores. O Serralves ainda tem muitas aventuras para contar, muitas características das personagens e do universo em si para revelar. Existem até alguns “rabos de fora” de propósito para os leitores mais atentos, que poderão ser explorados no futuro. Caso se faça um novo volume de histórias, claro que vamos querer ouvir as vozes dos autores que se enamoraram com o universo apresentado. No entanto, mesmo que não seja lançado nenhum novo volume, nada impede (nada mesmo, força nisso!) de surgirem por aí obras baseadas nos Despojos de Guerra que o Imaginauta possa declarar canónicas. Tudo dentro de um espírito de licenciamento Creative Commons com atribuição de uso não comercial.

U.B.C. - O que esperam obter através do Imaginauta?
I - Muitas horas de trabalho e algumas dores de cabeça compensadas por leitores satisfeitos e um prazer imenso de ver boas obras cá fora. Com sorte e engenho, talvez tornar o Imaginauta uma pedrada no charco.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Opinião: O Império Final (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #1)

Autor: Brandon Sanderson
Título Original: Mistborn - The Final Empire (2006)
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789896376383
Editora: Edições Saída de Emergência (2014)

Sinopse:

Num mundo onde as cinzas caem do céu e as brumas dominam a noite, o povo dos Skaa vive escravizado e na absoluta miséria. Durante mais de mil anos, o Senhor Soberano governou com um poder divino inquestionável e pela força do terror. Mas quando a esperança parecia perdida, um sobrevivente de nome Kelsier escapa do mai.s terrível cativeiro graças à estranha magia dos metais – a Alomancia – que o transforma num “nascido nas brumas”, alguém capaz de invocar o poder de todos os metais.
Kelsier foi outrora um famoso ladrão e um líder carismático no submundo. A experiência agonizante que atravessou tornou-o obcecado em derrubar o Senhor Soberano com um plano audacioso. Após reunir um grupo de elite, é então que descobre Vin, uma órfã skaa com talento para a magia dos metais e que vive nas ruas. Perante os incríveis poderes latentes de Vin, Kelsier começa a acreditar que talvez consiga cumprir os seus sonhos de transformar para sempre o Império Final…

Opinião:

O Império Final, primeiro livro da saga Mistborn - Nascida nas Brumas, consegue prender a leitura desde o início. Percebe-se imediatamente que esta é uma trama composta por mistérios, aventuras e intriga, afinal, as primeiras páginas apresentam-nos uma sociedade com um enorme fosso entre quem está no poder e quem serve, o que despoleta uma sentimento de revolta.

Brandon Sanderson, o autor, faz-nos apoiar a revolução que está a ser preparada, afinal, logo ao início, ficamos perante situações perturbadoras. Afinal, percebe-se que a sociedade do Império Final é dura e esclavagista. Ao acompanhar o sofrimento dos menos favorecidos, vemos com repulsa a forma como eles são tratados e sentimos aversão pela desumanização de humanos que, por nascerem skaa, são considerados abaixo de animais. Contudo, este aspecto acaba por remeter para a realidade, ao enaltecer factos como a discriminação e o uso do outro em benefício próprio.

As personagens que orientam e organizam esta revolta iminente são um dos fortes atrativos desta leitura. Vin acabou por ser uma das figuras que mais prendeu a minha atenção. Ela é uma ladra órfã que sempre viveu nas ruas da capital e, neste livro, passa por uma transformação. É fácil entender a personalidade desta rapariga que sempre teve que lutar para viver, que se sente abandonada e que esconde uma capacidade que não compreende. A sua história justifica aquilo em que se torna, por isso não é de estranhar que seja alguém que tem dificuldades em confiar, alguém que se esconde e teme ser o centro das atenções. Esta fraqueza faz gerar empatia, mas o reconhecimento que também é dotada de força faz acreditar que se pode tornar numa figura crucial.

Kelsier é o agente que faz despoletar as forças de Vin. A partir do primeiro encontro entre estas duas figuras, começam a surgir alterações na ladra que a levam a tornar-se numa rapariga crítica e mais receptiva. A relação ente Kelsier e Vin está bem construída e é baseada em pequenos passos que geram confiança. Mas o papel de Kelsier não se prende unicamente à ligação que tem com Vin. Mais do que tudo, ele é o responsável pela mudança, é um símbolo de esperança e de resistência. Confesso que a minha opinião sobre Kelsier não foi linear, pois nem sempre foi fácil entender as suas intenções e planos. Tinha sempre a sensação de que havia algo para além daquilo que era exposto. Contudo, esta personagem acabou por se revelar complexa e uma boa surpresa.

Quanto às personagens, quero ainda destacar Sazed e Elend. O primeiro conquistou-me pela bondade e lealdade que demonstrou em todos os momentos, mas principalmente por ser o único representante de um povo. Sazed pertence a uma nação que achei muito interessante e sobre o qual ansiava sempre saber mais. Já Elend é uma figura que mostra que existem elementos de certos grupos que fogem às características que lhes são esperadas. Ele é um jovem que questiona o que parece certo e que acaba por revelar uma coragem inesperada.

A noção de inimigo, ao início, é representada pelos nobres, senhores poderosos que usam o seu estatuto para abusarem dos menos favorecidos. A figura do Senhor Soberano não surge logo, mas parece estar sempre presente. Quando ele finalmente surge, é com intensidade que se percebe o porquê do clima de terror. Através de descrições que apelam às emoções, o autor consegue transmitir a força que é emanada do Senhor Soberano e, curiosamente, faz-nos sentir a dúvida e o medo dos skaas.

O ritmo da ação cresce gradualmente, até chegar a um ponto em que é difícil colocar o livro de parte. A execução do plano da rebelião, as dificuldades e obstáculos que vão surgindo e as reviravoltas prendem de tal forma que, a certo ponto, sentimos as alegrias e angústias das personagens. As revelações finais e os derradeiros confrontos foram uma verdadeira delícia. O enredo está muito bem construído, consegue surpreender mantendo a coerência. Gostei bastante da forma como o autor mostra que os mais pequenos podem fazer a diferença e que certas derrotas podem funcionar a favor de uma vitória maior..

Ao início fiquei um pouco reticente com a alomância, uma forma de magia que foi novidade para mim e que tem como base o uso de propriedades provenientes de metais, tais como o ferro, cobre, latão e ainda outros novos como o átio. Contudo, depois de explicado este conceito e de entender as muitas capacidades que esta arte mágica concede, acabei por deixar cair as minhas inquietações e fiquei rendida. Ao início, pode parecer que não vai ser fácil decorar as propriedades que cada metal fornece ou os nomes que são dados a cada utilizador, mas acabou por se tornar algo simples, natural, e rapidamente deixei de necessitar de consultar as notas das páginas finais.

Quero ainda deixar uma nota sobre esta edição. Antes de ter ficado conquistada pela trama, já estava completamente rendida à capa. A editora convidou Luís Melo para fazer a ilustração e o resultado final é muito superior às muitas capas que vi de outras edições. Adorei os elementos usados: a capa de nascido nas brumas que sugere movimento e prende o olhar, a figura feminina cujas características são fiéis à descrição de Vin, a grande cidade e as brumas que a envolvem. Uma excelente aposta.

Apesar de ser o primeiro volume de uma saga, O Império Final consegue chegar a uma conclusão e ainda deixar a história em aberto. Anseio pelo próximo volume e claro que recomendo esta leitura a todos os fãs de bons livros de fantasia.