sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Passatempo: Hotelle - Quarto 2

Em parceria com a Suma de Letras, o blogue Uma Biblioteca em Construção está a sortear um exemplar do livro Hotelle - Quarto 2, de Emma Mars.


Para se habilitarem a ganhar um exemplar deste romance erótico, apenas precisam de:

- Responder a todas as questões colocadas no formulário (podem encontrar as respostas aqui);
- Seguir o blogue e/ou fazer gosto na página de Facebook do blogue, aqui;
- Seguir a página de Facebook da Suma de Letras, aqui;
- Só participar uma vez. Caso tal não se confirme a participação será anulada;
 - O passatempo terminada no dia 10 de fevereiro às 23h59.

Agora é só participar!

PASSATEMPO ENCERRADO!

Notas:
- Este passatempo é realizado em parceria com a Suma de Letras;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente entre as participações válidas através do site random.org;
- Como participação válida entende-se: existir apenas uma por participante com todos os dados do questionário respondidos correctamente;
- O vencedor será contactado por e-mail e anunciado no blogue;
- Este passatempo é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Opinião: Inferno no Vaticano

Autor: Flávio Capuleto
ISBN: 9789897020926
Editora: Guerra & Paz (2014)

Sinopse:

«Inferno no Vaticano» junta os melhores ingredientes num romance que ecoa muitas das tensões que têm atravessado o Vaticano nos últimos anos. O protagonista é o inspector Luís Borges, um português que priva com o Papa, e a acção centra-se na Basílica de S. Pedro, no Vaticano. Tudo começa com a morte macabra e misteriosa de Francesco Barocci, curador do Tesouro. Um assassinato cujos contornos apontam para uma conspiração maior que tem o Papa por alvo e que deixa padres e bispos em pânico.
Uma história de traições e segredos, entrecortada com o encanto sedutor e sensual da escaldante Valeria Del Bosque, simbologista que ajuda o inspector português a desvendar os segredos e maquinações de uma sociedade secreta que está a semear as igrejas de cadáveres. Em «Inferno no Vaticano», o leitor vai deparar-se com uma batalha cruel, florentina, com mais ouro e sexo do que incenso e mirra.

Opinião:

Flávio Capuleto inspirou-se nos mistérios da sede da Igreja Católica para cria "Inferno no Vaticano". Com uma linguagem acessível, capítulos curtos e uma ação rápida, consegue captar o leitor.

Luís Borges é apresentado como o protagonista desta obra, mas acaba por dividir o foco de atenção com outras personagens. O autor optou por dar a conhecer o ponto de vista de diversas figuras, o que dá uma maior visão sobre os acontecimentos, já que o leitor passa a conhecer o lado dos que investigam os crimes e o lado dos autores destes delitos. Esta foi uma boa opção, mas existem momentos que me levaram a questionar a razão de Luís ser a figura central desta obra.

Gostei da exploração das ideias de conservadorismo e espiritualismo dentro do seio da Igreja católica. É um assunto que não me é totalmente desconhecido, mas é sempre bom assistir a uma outra visão sobre as muitas interpretações que podem ser feitas de textos bíblicos e até mesmo de dogmas. Também o tema referente à riqueza desta religião não é novo, apesar de parecer ser apresentado como tal.

A inspiração do autor vai, sem dúvida, ao encontro da situação social e económica atual, o que causa proximidade com o leitor. Contudo, existem certos momentos que podem causar dúvidas, especialmente no foco da situação europeia. No final, existe uma reviravolta que apenas foi ao encontro do que pensei desde o início da leitura, o que não me causou surpresa mas sim alguma estranheza por não ter sido algo abordado mais cedo.

É possível verificar que o autor pensou na construção das suas personagens, mas existem diversos momentos em que estas parecem forçadas. Refiro-me nomeadamente aos diálogos, que não parecem naturais, muito pela forma de tratamento, e que, ao início, parecem servir como forma de fornecer informações que funcionariam melhor dentro do espaço narrativo e descritivo.

Também as relações entre personagens nem sempre foram convincentes, nomeadamente a de Luís Borges com Valeria Del Bosque. A ideia de incluir erotismo numa trama com teor religioso é atraente e as descrições do autor neste campo estão bem conseguidas sem ser necessário recorrer a uma abordagem direta. Contudo, não consegui acreditar na química deste casal, muito por causa dos diálogos e na rapidez com que tudo aconteceu.

O tema pode ser controverso, mas a abordagem de Flávio Capuleto é acessível e perceptível. Este é um livro que carecia de maior desenvolvimento e de certas melhorias, mas que apela a reflexão sobre as diversas formas de encarar a religião, o que só por si é interessante.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Opinião: Em Parte Incerta

Título Original: Gone Girl (2012)
Autor: Gillian Flynn
Tradução: Fernanda Oliveira
ISBN: 9789722525572
Editora: Bertrand Editora (2013)

Sinopse: 

O casamento pode dar cabo de uma pessoa…Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o 5º aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Ele está evasivo, é verdade, e amargo – mas será mesmo um assassino? Entretanto, todos os casais da cidade já se perguntam, se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.

Opinião:

Estava com algumas expectativas quando peguei em Em Parte Incerta, mas o  início da leitura deixou-me algumas dúvidas. A trama começa de forma lenta. A narração é focada numa dinâmica de casal que chegou a um ponto em que os elementos do casal se sentem distantes um do outro e acomodados a essa situação. Este momento causou-me algum incómodo, pois ver um casal que começou muito apaixonado tão afastado e desinteressado abala as esperanças de qualquer romântico.

Após um início mais lento chega finalmente o momento da mudança: o desaparecimento de Amy. A partir daí tudo muda. Gradualmente, a leitura torna-se mais rápida até chegar a um ponto em que se torna impossível parar de ler. O desejo de perceber o que aconteceu e como aconteceu é cada vez maior, e mesmo quando o caso é resolvido aos olhos do leitor surge ainda a curiosidade de ver tudo resolvido. Gillian Flynn realmente mostra que desde o início tinha tudo pensado.

A sucessão dos acontecimentos está impressionante e foi com agrado que por diversas vezes me senti enganada. A autora soube escolher muito bem os momentos de revelação e, a cada um, senti todo a perspetiva sobre personagens a mudar e, como isso, a própria história. Não é fácil adivinhar o que vai acontecer a seguir pois a informação útil não é logo dada, o que não deixa o leitor inclinado para uma direção quando a autora o está a levar para outra.

A personalidade das personagens desta obra não são logo dadas a conhecer na sua plenitude, apesar de inicialmente pensarmos que assim é. A autora mostra que estas figuras, tal como humanos reais, possuem camadas, uma que revelam aos outros, uma que julgam ser e outra ainda que é a sua verdadeira essência. Assim sendo, é com algum choque que se assiste a algumas revelações, o que faz com que a opinião acerca de cada uma das figuras do casal esteja a ser constantemente alterada.

Nick revelou ser a figura mais ambígua desta trama. Nunca soube muito bem o que pensar dele. Por vezes simpatiza com este homem, por outras detestava-o. Amy, por seu lado, deixou-me completamente rendida. A sua inteligência é verdadeiramente uma caixa de surpresas e a forma como a sua situação conduz toda a narrativa é impressionante.

As restantes personagens revelam também uma preocupação da autora de as dotar de humanidade. Com o avançar da trama descobrimos as suas falhas mais acentuadas, mas nem por isso deixamos de sentir ligação com elas. Destaco Go, a irmã de Nick, e Boney, uma agente da polícia.

O estilo de escrita adapta-se aos capítulos que são narrados na primeira pessoa pelos dois elementos do casal de forma alternada. A autora soube transmitir bem a visão masculina e feminina, assim como sentimentos e emoções de cada um deles em cada momento. Este facto leva-nos a sentir mais próximos destas duas personagens.

Em Parte Incerta é um livro que vícia, choca e dificilmente será esquecido. Apesar do início lento, acabei por ficar muito bem impressionada com a trama e com as muitas voltas que esta deu. É um livro que recomendo a todos.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Estreia: A Rapariga que Roubava Livros

Ontem estreou "A Rapariga Que Roubava Livros", uma adaptação cinematográfica sobre a qual tinha uma grande curiosidade e que felizmente já consegui ver.


Senti necessidade de falar um pouco sobre este filme por se tratar da adaptação de um livro que está entre os que mais gostei de ler. Contudo, aviso desde já que este é um texto escrito por alguém que aprecia cinema mas que não entende as questões mais técnicas desta arte. Por isso mesmo, peço as minhas desculpas pelo meu comentário superficial.

Inspirado no livro homónimo, de Markus Zusak, o filme revelou ter uma carga dramática muito forte, mas não tanto quanto acontece no papel. Esperava ver um maior choque entre ideologias e valores dentro da comunidade em que a trama se insere e uma maior exploração da forma como a Segunda Guerra Mundial afetou as povoações deste país, tendo a Rua do Céu como exemplo. Como fã do livro, sai da sala do cinema com um misto de emoções. Por um lado estava aborrecida por a acção ter sido demasiado rápida (por várias vezes dei comigo a pensar "Mas isto já está a acontecer? Então e que vinha antes?") e por muitos momentos terem desaparecido, mas por outro senti que a ideia geral estava lá

Sei ainda que é natural que muita da história tenha de ser cortada de forma a ser possível encaixar tudo num espaço de tempo limitado, e por isso senti falta de muitos momentos e explicações. A grande falha, na minha opinião, acaba por ser a supressão da história criada por Max para a Liesel pois a mensagem que ela continha acabou por não ser tão bem transmitida através dos outros moldes escolhidos pela equipa de realização. Existem ainda algumas ligeiras alterações, mas que pouco ou nada se afastam do intuito principal da obra literária.

Gostei bastante do elenco. Sophie Nélisse, a jovem que interpretou Liesel, é verdadeiramente um doce e conseguiu convencer. Geoffrey Rush e Emily Watson conseguiram dar vida aos pais de Liesel e adorei o facto de, apesar de terem figuras diferentes daquelas que imaginava, conseguiram realmente vestir a personalidade das personagens. Nico Liersch foi uma verdadeira surpresa. Nunca tinha ouvido falar deste rapaz, mas para mim ele realmente foi Rudy e eu já não consigo imaginar a personagem com o aspecto físico anterior. Roger Allam, a morte, apenas deu a sua voz ao projeto, e a sua participação apenas peca por ser menor do que estava à espera. O ator tem realmente uma voz impressionante e a Morte do livro é um narrador que transmite apreciações deliciosas.

É inevitável referir sempre a questão "livro versus filme", apesar de as conclusões acabarem por ser sempre as mesmas. Contudo, foi um filme que gostei de ver e que acho que deve ser visto principalmente por quem não leu e não pretende ler o livro. Quanto aos fãs, acho que a curiosidade vai inevitavelmente vencer, mas penso que, tal como eu, vão sentir a este filme serve mais para recordar os bons momentos que foram passados ao ler a obra de Markus Zusak.

Deixo-vos algumas fotos promocionais:


E agora aqui fica o trailer, para aguçar ainda mais a curiosidade: