Título Original: Memoirs of an Imaginary Friend (2012)
Autor: Matthew Dicks
Tradução: Victor Andrade
ISBN: 9789896573331
Editora: Planeta (2013)
Sinopse:
Um romance perfeito para quem já teve um amigo – verdadeiro ou não. Matthew Dicks inspirou-se no imaginário de uma criança autista que conheceu e criou uma calorosa história de amor e lealdade, narrada por uma personagem improvável: Budo, o amigo imaginário de Max, o menino autista.
Budo é uma voz original e inesquecível, pois é capaz de falar sobre a vida, o amor, a amizade, a infância, a morte, e a paternidade, como uma personagem poderosa e inteligente dentro da cabeça de uma criança autista.
Mas os amigos imaginários só podem existir desde que os seus amigos reais continuem a acreditar neles. Mas um dia Max deixa de acreditar!
E quando Max fica em perigo, mesmo tendo a criança deixado de acreditar nele, Budo arrisca tudo, incluindo a sua existência, para salvá-lo, ou melhor resgatá-lo do que todos à sua volta querem que Max seja e que nunca poderá ser.
Opinião:
As crianças têm uma capacidade única de imaginar e Matthew Dicks soube explorar isso neste livro. Memórias de Um Amigo Imaginário cativou-me de imediato. Não estranhei o tom quase infantil da obra, pois tudo é transmitido de uma forma genuína, pura e forte.
Budo é o narrador e protagonista desta trama. É quase impossível não gostar desta personagem que surge como amigo leal e protetor de Max, um menino autista. Budo apresenta-se como produto da imaginação de Max, mas ao longo da leitura dá a perceber que é muito mais do que isso. Ele possui traços que dificilmente poderiam ser produto da imaginação de uma criança e estes tornam-se mais evidentes em momentos onde é necessário tomar grandes decisões. Isto levou-me a pensar sobre quem seria realmente Budo para o escritor, se apenas um produto imaginário e, por conseguinte, uma parte mais madura, responsável e atenta ao mundo exterior da criança autista ou se uma personagem por si só e mais independente do que julgava.
É através de Budo que nos é permitido conhecer Max. É interessante que em momento algum se fala em autismo no livro, mas é evidente que este é um tema central. Max, como criança que sofre desta disfunção de desenvolvimento, é um rapaz muito fechado, sendo por isso graças ao seu amigo imaginário que ficamos a conhecer melhor os seus pensamentos e personalidade. E que bom é ver esse lado! Achei muito interessante ver de que forma Max lida com os outros e o que sente quando o faz. Os pequenos esquemas que cria para sentir controlo na sua vida, os seus interesses e a forma como lida com questões que podem parecer básicas fornecem-lhe profundidade e deixam o leitor rendido.
Matthew Dicks soube ainda explorar a dinâmica da família de Max, mais uma vez exposta por Budo. O autor criou um núcleo consistente, onde os dois progenitores revelam reações díspares à condição do filho, muito representativas do que acontece em casos reais. Também o ambiente escolar e a forma como professores e alunos lidam com um elemento significativamente diferente mostra que o autismo ainda não é bem compreendido pela sociedade.
Confesso que foi difícil fazer paragens nesta leitura. A trama consegue mesmo agarrar, apesar de, aparentemente, ser tão simples. Contudo, as situações descritas por Budo fazem lembrar um conto fantástico, muito devido à ingenuidade e à pureza inerentes. Também os outros amigos imaginários que surgem suscitam curiosidade, muito devido às suas diferenças e às necessidades que representam. A certo momento existe uma reviravolta que cria tensão e que marca um grande ponto de viragem. O autor consegue então transmitir a ideia de altruísmo e amadurecimento graças a momentos e decisões críticas.
Apesar da linguagem simples, o autor consegue transmitir muitas emoções. Certos momentos conseguem arrancar sorrisos, quer seja devido às situações quer seja a certos elementos do discurso, e outros ainda que fazem entristecer. No final, não me senti completamente satisfeita, não por causa do rumo da história, mas sim por certas situações terem ficado por explicar ou por carecerem de um maior desenvolvimento. Contudo, percebo a razão de tal ser assim.
Memórias de Um Amigo Imaginário é um livro que recomendo. Amoroso e cativante, mostra que as crianças têm muito para nos ensinar e recorda que o amor incondicional pode ser vivido a diversos níveis.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Novidade da Guerra & Paz para janeiro
Inferno no Vaticano, de Flávio Capuleto
Sinopse: «Inferno no Vaticano» junta os melhores ingredientes num romance que ecoa muitas das tensões que têm atravessado o Vaticano nos últimos anos. O protagonista é o inspector Luís Borges, um português que priva com o Papa, e a acção centra-se na Basílica de S. Pedro, no Vaticano. Tudo começa com a morte macabra e misteriosa de Francesco Barocci, curador do Tesouro. Um assassinato cujos contornos apontam para uma conspiração maior que tem o Papa por alvo e que deixa padres e bispos em pânico.
Uma história de traições e segredos, entrecortada com o encanto sedutor e sensual da escaldante Valeria Del Bosque, simbologista que ajuda o inspector português a desvendar os segredos e maquinações de uma sociedade secreta que está a semear as igrejas de cadáveres. Em «Inferno no Vaticano», o leitor vai deparar-se com uma batalha cruel, florentina, com mais ouro e sexo do que incenso e mirra.
Sinopse: «Inferno no Vaticano» junta os melhores ingredientes num romance que ecoa muitas das tensões que têm atravessado o Vaticano nos últimos anos. O protagonista é o inspector Luís Borges, um português que priva com o Papa, e a acção centra-se na Basílica de S. Pedro, no Vaticano. Tudo começa com a morte macabra e misteriosa de Francesco Barocci, curador do Tesouro. Um assassinato cujos contornos apontam para uma conspiração maior que tem o Papa por alvo e que deixa padres e bispos em pânico.
Uma história de traições e segredos, entrecortada com o encanto sedutor e sensual da escaldante Valeria Del Bosque, simbologista que ajuda o inspector português a desvendar os segredos e maquinações de uma sociedade secreta que está a semear as igrejas de cadáveres. Em «Inferno no Vaticano», o leitor vai deparar-se com uma batalha cruel, florentina, com mais ouro e sexo do que incenso e mirra.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Opinião: John Carter (Barsoom #1)
Título Original: A Princess of Mars (1912)
Autor: Edgar Rice Burroughs
Tradução: João Seixas
ISBN: 9789896374082
Editora: Edições Saída de Emergência (2012)
Sinopse:
Quando John Carter da Virgínia, perseguido por um grupo sanguinário de Apaches, se refugia numa caverna do Arizona, acaba por abrir as portas de um universo de ação e aventuras sem igual. Subitamente transportado para um Marte habitado por exóticas princesas, temíveis guerreiros e as mais ferozes feras que a imaginação pode conceber, Carter dispõe apenas da sua honra e coragem para sobreviver num planeta decadente e hostil. Em John Carter, Edgar Rice Burroughs, criador do imortal Tarzan, constrói um mito da era moderna que marcou de forma indelével gerações de leitores e influenciou as obras de incontáveis criadores. Publicado agora pela primeira vez em Portugal numa edição comemorativa do seu centenário, com introdução contextualizada do crítico literário João Seixas, é a oportunidade única de conhecer pela primeira vez um clássico intemporal.
Opinião:
Autor: Edgar Rice Burroughs
Tradução: João Seixas
ISBN: 9789896374082
Editora: Edições Saída de Emergência (2012)
Sinopse:
Quando John Carter da Virgínia, perseguido por um grupo sanguinário de Apaches, se refugia numa caverna do Arizona, acaba por abrir as portas de um universo de ação e aventuras sem igual. Subitamente transportado para um Marte habitado por exóticas princesas, temíveis guerreiros e as mais ferozes feras que a imaginação pode conceber, Carter dispõe apenas da sua honra e coragem para sobreviver num planeta decadente e hostil. Em John Carter, Edgar Rice Burroughs, criador do imortal Tarzan, constrói um mito da era moderna que marcou de forma indelével gerações de leitores e influenciou as obras de incontáveis criadores. Publicado agora pela primeira vez em Portugal numa edição comemorativa do seu centenário, com introdução contextualizada do crítico literário João Seixas, é a oportunidade única de conhecer pela primeira vez um clássico intemporal.
Opinião:
Edgar Rice Burroughs apresenta-nos John Carter como um homem que conheceu
durante os seus tempos de juventude. O herói desta trama é, inicialmente,
descrito como alguém amistoso, de fácil trato, cativante, inteligente mas
também misterioso. É amizade entre os dois que faz com que o veterano de guerra
confie alguns dos seus segredos ao autor, que apenas deverão ser dados a
conhecer ao público após a sua morte. E é assim que Burroughs fica na posse de
um diário onde o Capitão narra as suas grandes e inacreditáveis aventuras.
Com uma escrita simples, rápida e direta, o autor não se prende com grandes floreados ou explicações, o que pode levar, em muitos momentos, a situações demasiado forçadas ou até mesmo previsíveis. John Carter um o herói correto, fiel aos seus valores e que é incapaz de deixar alguém para trás, mesmo que isso signifique o seu sacrifício. Um estereótipo bastante vulgar, onde o leitor deverá ter sempre em mente que se trata de uma narrativa escrita em inícios do século XX.
Contudo, a imaginação do autor é um fator a louvar. Marte surge como um lugar novo, cheio de mistérios e povoado por criaturas diferentes e interessantes. A descrição dos Tharks faz com que seja fácil imaginar a ferocidade da tribo, assim como dos estranhos animais que por ela são dominados. Senhores cruéis que não medem as consequências dos seus atos, fazem lembrar a ganancia humana, sempre atual, que destrói em benefício próprio e sem pensar no futuro.
Dejah Thoris, a bela princesa marciana com fisionomia humana e pele vermelha, é a tradicional donzela em apuros que rouba o coração ao herói. É ela que leva Carter à tomada de certas atitudes que serão relevantes para o futuro do planeta. Longe de ser uma tradicional senhora incapaz de lutar, Thoris está empenhada em lutar pelo seu povo e pela sua casa, nem que para tal tenha de tomar medidas extremas.
Para além da obra do autor, esta publicação possui ainda uma breve análise elaborada por João Seixas, também tradutor da obra, que se debruça sobre o trabalho de Burroughs. Este texto tem o intuito de desvendar a importância de John Carter para a história da ficção científica, assim como os verdadeiros motivos que levaram o autor a criá-lo. Sem qualquer dúvida, trata-se de uma mais-valia para esta edição.
Uma leitura rápida que, apesar de, aparentemente, não possuir grandes motivos que agarrem a leitura, acaba por cativar o leitor graças à rapidez da ação e imaginação do seu ator. Um livro que vai agradar quem aprecia ficção cientifica e quer conhecer um herói antigo mas que, estranhamente, consegue manter-se atual.
Com uma escrita simples, rápida e direta, o autor não se prende com grandes floreados ou explicações, o que pode levar, em muitos momentos, a situações demasiado forçadas ou até mesmo previsíveis. John Carter um o herói correto, fiel aos seus valores e que é incapaz de deixar alguém para trás, mesmo que isso signifique o seu sacrifício. Um estereótipo bastante vulgar, onde o leitor deverá ter sempre em mente que se trata de uma narrativa escrita em inícios do século XX.
Contudo, a imaginação do autor é um fator a louvar. Marte surge como um lugar novo, cheio de mistérios e povoado por criaturas diferentes e interessantes. A descrição dos Tharks faz com que seja fácil imaginar a ferocidade da tribo, assim como dos estranhos animais que por ela são dominados. Senhores cruéis que não medem as consequências dos seus atos, fazem lembrar a ganancia humana, sempre atual, que destrói em benefício próprio e sem pensar no futuro.
Dejah Thoris, a bela princesa marciana com fisionomia humana e pele vermelha, é a tradicional donzela em apuros que rouba o coração ao herói. É ela que leva Carter à tomada de certas atitudes que serão relevantes para o futuro do planeta. Longe de ser uma tradicional senhora incapaz de lutar, Thoris está empenhada em lutar pelo seu povo e pela sua casa, nem que para tal tenha de tomar medidas extremas.
Para além da obra do autor, esta publicação possui ainda uma breve análise elaborada por João Seixas, também tradutor da obra, que se debruça sobre o trabalho de Burroughs. Este texto tem o intuito de desvendar a importância de John Carter para a história da ficção científica, assim como os verdadeiros motivos que levaram o autor a criá-lo. Sem qualquer dúvida, trata-se de uma mais-valia para esta edição.
Uma leitura rápida que, apesar de, aparentemente, não possuir grandes motivos que agarrem a leitura, acaba por cativar o leitor graças à rapidez da ação e imaginação do seu ator. Um livro que vai agradar quem aprecia ficção cientifica e quer conhecer um herói antigo mas que, estranhamente, consegue manter-se atual.
domingo, 12 de janeiro de 2014
Qual é o livro? #20
"O parafuso que atravessava a mão de ****** estava ferrugento, e a cabeça de fendas cruzada, não era mais do que um círculo desgastado. Já lhe doíam os nós dos dedos, de tanto forças a chave de fendas para o desapertar. Quando o conseguiu dessatarraxar o suficiente para porsseguir a operação com a prótese de aço que lhe servia de mão, viu que os fios da rosca tinham desaparecido."
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Novidade das Edições Saída de Emergência para janeiro
O Mago - A Serva do Império - Volume 2, de Raymond E. Feist e Janny Wurts
Sinopse: Os tempos mudaram e as formas de poder são hoje mais subtis e traiçoeiras. Nenhum clã pode sobreviver sem conhecer as intrigas do Jogo do Conselho. E todos o sabem. Mara dos Acoma está mais implacável do que nunca. Com a vida do seu filho em perigo e a continuidade da sua Casa ameaçada, a Senhora dos Acoma usa de todos os meios para controlar a crueldade dos seus inimigos.
Dotada de uma destreza intelectual invulgar, Mara dos Acoma coloca em causa não só as tradições dos Tsurani, como as suas próprias convicções. Neste jogo de sentimentos e poder, poderá não haver um vencedor…
Sinopse: Os tempos mudaram e as formas de poder são hoje mais subtis e traiçoeiras. Nenhum clã pode sobreviver sem conhecer as intrigas do Jogo do Conselho. E todos o sabem. Mara dos Acoma está mais implacável do que nunca. Com a vida do seu filho em perigo e a continuidade da sua Casa ameaçada, a Senhora dos Acoma usa de todos os meios para controlar a crueldade dos seus inimigos.
Dotada de uma destreza intelectual invulgar, Mara dos Acoma coloca em causa não só as tradições dos Tsurani, como as suas próprias convicções. Neste jogo de sentimentos e poder, poderá não haver um vencedor…
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