segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Opinião: John Carter (Barsoom #1)

Título Original: A Princess of Mars (1912)
Autor: Edgar Rice Burroughs
Tradução: João Seixas
ISBN: 9789896374082

Editora: Edições Saída de Emergência (2012)

Sinopse:

Quando John Carter da Virgínia, perseguido por um grupo sanguinário de Apaches, se refugia numa caverna do Arizona, acaba por abrir as portas de um universo de ação e aventuras sem igual. Subitamente transportado para um Marte habitado por exóticas princesas, temíveis guerreiros e as mais ferozes feras que a imaginação pode conceber, Carter dispõe apenas da sua honra e coragem para sobreviver num planeta decadente e hostil. Em John Carter, Edgar Rice Burroughs, criador do imortal Tarzan, constrói um mito da era moderna que marcou de forma indelével gerações de leitores e influenciou as obras de incontáveis criadores. Publicado agora pela primeira vez em Portugal numa edição comemorativa do seu centenário, com introdução contextualizada do crítico literário João Seixas, é a oportunidade única de conhecer pela primeira vez um clássico intemporal.

Opinião:

Edgar Rice Burroughs apresenta-nos John Carter como um homem que conheceu durante os seus tempos de juventude. O herói desta trama é, inicialmente, descrito como alguém amistoso, de fácil trato, cativante, inteligente mas também misterioso. É amizade entre os dois que faz com que o veterano de guerra confie alguns dos seus segredos ao autor, que apenas deverão ser dados a conhecer ao público após a sua morte. E é assim que Burroughs fica na posse de um diário onde o Capitão narra as suas grandes e inacreditáveis aventuras.

Com uma escrita simples, rápida e direta, o autor não se prende com grandes floreados ou explicações, o que pode levar, em muitos momentos, a situações demasiado forçadas ou até mesmo previsíveis. John Carter um o herói correto, fiel aos seus valores e que é incapaz de deixar alguém para trás, mesmo que isso signifique o seu sacrifício. Um estereótipo bastante vulgar, onde o leitor deverá ter sempre em mente que se trata de uma narrativa escrita em inícios do século XX.

Contudo, a imaginação do autor é um fator a louvar. Marte surge como um lugar novo, cheio de mistérios e povoado por criaturas diferentes e interessantes. A descrição dos Tharks faz com que seja fácil imaginar a ferocidade da tribo, assim como dos estranhos animais que por ela são dominados. Senhores cruéis que não medem as consequências dos seus atos, fazem lembrar a ganancia humana, sempre atual, que destrói em benefício próprio e sem pensar no futuro. 

Dejah Thoris, a bela princesa marciana com fisionomia humana e pele vermelha, é a tradicional donzela em apuros que rouba o coração ao herói. É ela que leva Carter à tomada de certas atitudes que serão relevantes para o futuro do planeta. Longe de ser uma tradicional senhora incapaz de lutar, Thoris está empenhada em lutar pelo seu povo e pela sua casa, nem que para tal tenha de tomar medidas extremas.

Para além da obra do autor, esta publicação possui ainda uma breve análise elaborada por João Seixas, também tradutor da obra, que se debruça sobre o trabalho de Burroughs. Este texto tem o intuito de desvendar a importância de John Carter para a história da ficção científica, assim como os verdadeiros motivos que levaram o autor a criá-lo. Sem qualquer dúvida, trata-se de uma mais-valia para esta edição.

Uma leitura rápida que, apesar de, aparentemente, não possuir grandes motivos que agarrem a leitura, acaba por cativar o leitor graças à rapidez da ação e imaginação do seu ator. Um livro que vai agradar quem aprecia ficção cientifica e quer conhecer um herói antigo mas que, estranhamente, consegue manter-se atual.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Qual é o livro? #20


 "O parafuso que atravessava a mão de ****** estava ferrugento, e a cabeça de fendas cruzada, não era mais do que um círculo desgastado. Já lhe doíam os nós dos dedos, de tanto forças a chave de fendas para o desapertar. Quando o conseguiu dessatarraxar o suficiente para porsseguir a operação com a prótese de aço que lhe servia de mão, viu que os fios da rosca tinham desaparecido."

Regras da rubrica aqui.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Novidade das Edições Saída de Emergência para janeiro

O Mago - A Serva do Império - Volume 2, de Raymond E. Feist e Janny Wurts

Sinopse: Os tempos mudaram e as formas de poder são hoje mais subtis e traiçoeiras. Nenhum clã pode sobreviver sem conhecer as intrigas do Jogo do Conselho. E todos o sabem. Mara dos Acoma está mais implacável do que nunca. Com a vida do seu filho em perigo e a continuidade da sua Casa ameaçada, a Senhora dos Acoma usa de todos os meios para controlar a crueldade dos seus inimigos. 
Dotada de uma destreza intelectual invulgar, Mara dos Acoma coloca em causa não só as tradições dos Tsurani, como as suas próprias convicções. Neste jogo de sentimentos e poder, poderá não haver um vencedor…


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Prémio Bang! está de regresso


Depois de alguns anos de ausência eis que regressa o Prémio Bang!

Esta iniciativa promovida pelas Edições Saída de Emergência procura distinguir uma obra inédita de literatura fantástica. Uma grande oportunidade para quem tem projectos na gaveta! Afinal, o vencedor não só verá a sua obra publicada em Portugal e no Brasil durante o ano de 2015, como ainda ganhará 3 mil euros.

Podem consultar o regulamento aqui e proceder à inscrição aqui.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Opinião: Antologia de Ficção Científica – Fantasporto 2012

Organização: Rogério Ribeiro 
Autores: António Cardoso, João Paulo Vaz, José Cardoso, Luís Roberto Amabile, Manuel Alves, Rodrigo Silva, António de Macedo, Beatriz Pacheco Pereira, Filipe Homem, Ágata Simões, Afonso Cruz, Bruno Martins Soares, João Ventura, Isabel Cristina Pires, Madalena Santos, João Leal, Telmo Marçal 
ISBN: 9789892317717
Editora: ASA (2012)

Opinião:


Antologia de Ficção Científica – Fantasporto 2012 que surgiu do concurso realizado no evento com o mesmo nome. Este é um livro que reúne 17 contos de autores de três continentes que estão unidos pela capacidade imaginativa e pela língua portuguesa. Com organização de Rogério Ribeiro, o intuito desta publicação é transportar o leitor para um futuro aberto em possibilidades.

O conto vencedor foi Uma Alforreca no Quintal, de António Cardoso, que apresenta uma história bem simples, em que um homem tipicamente português acorda e depara-se com uma estranha espécie de vida no seu quintal, muito semelhante a uma alforreca (o título é praticamente uma sinopse do texto). É, provavelmente, uma das tramas menos elaboradas da antologia, sem reviravoltas e com uma escrita bem fácil de acompanhar, mas isso não a torna particularmente marcante.

Existiram ainda menções honrosas para os autores João Paulo Vaz, José Cardoso, Luís Roberto Amabile, Manuel Alves e Rodrigo Silva.

João Paulo Vaz apresenta A inimaginável materialização de Samira, no qual faz uma reflexão sobre a imaterialização das relações, em sequência da crescente evolução tecnológica, um tema que já foi apresentado por outras perspetivas.

José Cardoso, uma Expedição ao Futuro recheada de diálogos interessantes e humorísticos entre um homem instruído e um rapazinho das ruas de África.

Déjà-vu, por Luís Roberto Amabile, é uma bonita e melancólica história de amor que, infelizmente carece de maior desenvolvimento.

Zê, de Manuel Alves é, provavelmente, um dos contos mais interessantes desta antologia, que agarra o leitor desde o início e faz desejar conhecer melhor a sociedade apresentada.

Rodrigo Silva apresenta A Besta-Fera, um texto com uma reviravolta engraçada, apesar de previsível.

Em O tempo tudo cura menos velhice e loucura, António de Macedo, apresenta um homem que consegue voltar atrás no tempo. O leitor reflete sobre as várias possibilidades da vida, num discurso com rasgos de humor e um tipo de linguagem elaborada que pode não ser facilmente percetível.

O Robot Auris, de Beatriz Pacheco Pereira, apresenta uma máquina desenvolve sentimentos afetivos por quem o rodeia, algo que seria impensável aquando da sua construção. Texto que relembra Inteligência Artificial.

Filipe Homem Fonseca é o autor de O Festival, um texto imaginativo e com uma trama que intricada que pode, por momentos, confundir o leitor.

Ágata Simões volta a dar vida a uma das suas personagens em Virgílio Bentley e o extraterrestre. Conto com um texto humorístico, mas uma história sem grande originalidade.

Em As mãos e as veias, Afonso Cruz aprofunda determinadas temáticas, apesar de parecer que se afasta um pouco do intuito da antologia.

Tsubaki, de Bruno Martins Soares, é uma história que, apesar de não ser original, revela ser uma leitura interessante.

João Ventura apresenta uma realidade muito semelhante à nossa em Fogo!, não fosse o facto de este elemento ser dotado de uma inteligência que desafia e destrói.

O início da leitura de O cão, de Isabel Cristina Pires, não dá a entender onde a autora pretende chegar. O final não convence plenamente, apesar de se entender que era pretendida uma reviravolta que causasse espanto.

Madalena Santos tentou apresentar vários conceitos em O Mistério dos Uivos. A universalidade da música, a revolução das máquinas e a rejeição do próprio são descritos quase como um resumo de uma história que poderia ser mais desenvolvida.

Acordar o Profeta, de João Leal, faz uma mistura entre algumas conhecidas teorias da conspiração e o papel da religião do mundo. Uma história que agarra e que revelar ser uma leitura agradável.

Com uma escrita particular e um humor cativante, Telmo Marçal apresenta As Moças do Campo. Um texto interessante, mas no qual a temática da antologia pode ser encontrada em pouco pormenores.

Com tanta variedade de temas e estilos de escrita, é inevitável que o leitor encontre textos que aprecia em detrimento de outros que não o cativam. Uma leitura que se intercala facilmente com outras maiores e que apresenta alguns conceitos interessantes.