quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Opinião: O Regresso dos Deuses - Rebelião

Autor: Pedro Ventura
ISBN: 9789722345163
Editora: Editorial Presença (2011)

Sinopse: 

Após um longo sono de várias décadas, Calédra, a bela guerreira aurabrana, desperta subitamente para uma realidade que lhe é estranha, um tempo que não é o seu. Antiga rainha dos aurabranos, Calédra está destinada a protagonizar uma missão quase impossível - salvar o mundo e os humanos da crescente ameaça do domínio Holkan. Ao longo desta saga extraordinária, são muitos os aliados que Calédra vai encontrando, e muitas as vezes em que enfrenta inimigos terríveis e se vê às portas da morte. Mas o seu espírito inquebrantável promete dar luta aos seus inimigos e cativar-nos desde logo, levando-nos a ler com insaciável voracidade as páginas deste épico vibrante.

Opinião:
O Regresso dos Deuses - Rebelião é uma obra de Pedro Ventura que surge no seguimento de Goor – A Crónica de Feaglar. Contudo, este livro consegue ser independente dos anteriores, uma vez que a tramas são afastadas temporalmente e ainda por serem fornecidas as informações passadas necessárias para entender o enredo.

Pedro Ventura apresenta uma era onda a paz e a prosperidade são uma aparência, uma vez que a existência humana está ameaçada pelo domínio Holkan. É neste clima de tensão que surge uma misteriosa mulher que assume a missão de alterar o rumo dos acontecimentos.

“Que ela não é como nós já eu sei… O que eu não sei é o que ela realmente é…”

Calédra rompe com estereótipos. Ela não é uma donzela, mas sim uma guerreira que luta pelo que acredita. Fria, obscura e líder natural, surpreende as restantes figuras, mas acaba por parecer demasiado distante de quem está a ler. 

A escrita é bastante coerente e as ideias são bem transmitidas. Os diálogos estão bem conseguidos e são credíveis. A existência de um mapa ajudaria o leitor a melhor localizar a acção assim como a melhor entender o espaço que existe na mente do autor.

O leitor irá viajar por uma terra diferente onde surgirão diferentes personagens que irão seguir a guerreira, e é aqui que surgem algumas das mais agradáveis surpresas. O grupo que se junta não parece ser o mais indicado para a missão em curso, mas o leitor logo perceberá que muitas destas personagens não são apenas aquilo que aparentam, o que lhes confere uma dimensão mais humana e realista.

Durante esta aventura são muitos e diferentes os momentos com que o leitor se depara, sendo uns bastante interessantes enquanto outros tornam a leitura mais entediante. Isto, devido às grandes quantidades de informação desnecessárias ou pela existência de episódios que parecem um pouco forçados.

Fica provado que Pedro Ventura é um autor português possuidor de uma boa capacidade escrita e ideias interessantes. 
O Regresso dos Deuses - Rebelião é uma leitura indicada para quem goste do clima épico da fantasia.

Ver mais sobre este livro aqui.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Livros com designs originais

Hoje em dia é normal encontrar-se alguns livros temáticos com formatos diferentes. Contudo, isto era algo incomum no passado, e mesmo hoje existem algumas publicações que ainda nos conseguem surpreender. Vejam aqui alguns exemplos:

Livro redondo, de 1590. Foi feito por encomenda para ser oferecido ao príncipe e bispo Julius Echter von Mespelbrunn. Está neste momento na Biblioteca da Universidade de Würzburg, na Alemanha.




Os livros siameses foram produzidos entre os séculos XVI e XVII.


Livro com capa de madeira. Talvez para os mais distraídos se lembrarem de que o papel é feito?


Mais uma ideia da Alemanha: um livro de receitas cujas páginas são feitas de massa. sim, que isto de ler sobre comida dá fome e o melhor é garantir que todos os ingredientes estão por perto. Só é aborrecido se queremos repetir a receita e já a comemos...


A forma é rectangular, mas as páginas são...transparentes! Um livro criado pelo francês Jeremy Gonzalez e que pode causar algumas dificuldades de leitura.


E se em vez de nos sentarmos na relva de um jardim a ler um livro, porque não ler um que se transforma ele próprio em relva? Publicação espanhola que surgiu para promover o filme "O Livro da Selva 2".


Atenção! Para ler este livro precisa de o destruir! Helen Friel é a responsável por esta edição de um conto de Edgar Alan Poe.

O livro mais pequeno do mundo é japonês e tem o título “Shiki no Kusabana” ("Flores da estação", em tradução livre). Um bom tema para os insectos, as únicas criaturas com o tamanho adequado a esta publicação.


O Dubai é o detentor do maior livro do mundo, "This is Muhammad". Este exemplar tem 5m x 8.06m e nem todas as estantes o conseguem suportar.

domingo, 6 de outubro de 2013

Qual é livro? #10



"- Adeus Caracóis -disse ele, estendendo o braço para puxar gentilmente um caracol dos meus cabelos, que eram tão ruivos como os do meu pai. - Vejo-te no próximo Verão. Tem cuidado contigo, até eu voltar. - Sempre que se ia embora dizia aquilo; sempre o mesmo. Quanto a mim, nunca tinha palavras."


Regras da rubrica aqui.


sábado, 5 de outubro de 2013

Pintar a biblioteca

Há muito que queria pintar as paredes do espaço onde tenho os meus livros e amanhã e isso vai ser possível já amanhã. Como tal, comecei hoje à tarde a tirar tudo o que tinha divisão e... ainda não acabei.



São muitos livros para carregar, todos colocados num espaço onde nada lhes pode acontecer (*espero*) e isto parece não ter fim. Pensava que ia ser mais fácil ou rápido!

Enquanto ando num lado para o outro com livros nas mãos comecei a pensar: como os vou organizar?

Há muito que tinha autores e coleções separados, por isso achei que este podia ser o momento de culmatar essa falha, mas também podia experimentar algo diferente.

Gostava então de saber como estão organizados os vossos livros. Preferem vê-los ordenados por autor? Género? Cor? Preferência?

Quando tiver terminado esta tarefa aviso de qual foi a minha opção. =)

Opinião: Dragões de Um Alvorecer de Primavera ((As Crónicas de Dragonlance #3)



Título original: Dragons of Spring Dawning (1985)
Autores: Margaret Weis e Tracy Hickman
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789896375539
Editora: Edições Saída de Emergência (2013)

Sinopse:

Krynn prepara-se para a batalha decisiva contra os servos de Takhisis, a rainha das Trevas. Os nossos companheiros têm em seu poder as misteriosas e mágicas orbes e lança de dragão, mas será isso o suficiente para resistirem às forças da escuridão?
Uma batalha ainda maior encontra-se por travar no coração de cada um dos heróis. Tanis está dividido entre a perigosa Kitiara e o amor incondicional de Laurana. Raistlin prossegue a sua demanda por mais conhecimento e poder entre os magos de Krynn, mas o preço a pagar é elevado e poderá não sobreviver. Saberá Caramon, o seu irmão, até onde vai a ambição de Raistlin? Tasslehoff aprende, pela primeira vez, a sentir medo pelos seus amigos.
Com o alvorecer, novos segredos e traições, mas também grande coragem e sacrifício, serão revelados. Os deuses são testemunhas de que nada voltará a ser o mesmo em Krynn.

Opinião:

Dragões de Um Alvorecer de Primavera é o emocionante derradeiro volume de As Crónicas de Dragonlance. Nos dois livros anteriores, ficámos a conhecer a ameaça de Krynn e vimos o desenrolar dos preparativos para a grande batalha. Agora é a altura de acompanhar os heróis desta aventura a enfrentarem um desafio maior do que inicialmente imaginavam.

O ritmo da narrativa é rápido, o que impele a leitura mas também faz ficar a sensação, em certos momentos poderiam ter sido melhor explorados ou expostos. Não há espaço para aborrecimento ou momentos mais parados neste volume, mas existem certas circunstâncias que parecem ser ultrapassadas de forma demasiado conveniente, ficando a sensação que não existia um verdadeiro perigo. Mesmo a própria grande guerra assim não o pareceu ser.

É possível verificar uma  evolução nas personagens. É com agrado que se vê o valoroso Tanis a vacilar perante o peso das suas opções e desejos, quando até aqui sempre foi apresentado como um líder a não ser questionado e demasiado estereotipado. O fiel Caramon terá de finalmente colocar-se a si próprio à frente do irmão, o que não se revela uma tarefa simples para ele ou fácil de compreender para o leitor que não consegue perceber a razão de tanto altruísmo. Já Laurana deixa de parecer a menina apaixonada que surgiu no primeiro volume e surpreende ao surgir como uma mulher forte e independente.

O divertido Tasslehoff revela uma nova faceta e, com ela, é possível perceber quando os sarilhos estão realmente a chegar, o que aumenta a carga maléfica de determinadas ocasiões. Contudo, e felizmente, continuam a haver momentos hilariantes entre este kender e Flint, o anão, sendo que existe um mais próximo do final que é verdadeiramente delicioso e comovente.

Raistlin continua a ser uma das figuras mais enigmáticas e cativantes da trama. Mais uma vez, as suas ações voltam a colocar dúvidas sobre os seus verdadeiros desejos sendo impossível o leitor não se sentir dividido quanto a esta personagem que apresenta uma construção surpreendente do início ao fim. Foi ainda bom desvendar alguns mistérios sobre este feiticeiro que estavam ocultados desde o início.

Fizban, por seu lado, volta a aparecer da mesma forma que nos habitou. Idoso misterioso que parece trazer em si demência e poder, volta a dar origem a circunstâncias engraçadas e volta a assumir o papel de salvador em circunstâncias mais complicadas. Contudo, existem revelações que lhe são inerentes que deixam uma sensação de satisfação, agrado e maior compreensão de certos acontecimentos anteriores.

No final, fica a ideia de que o mal nunca pode ser derrotado. A dualidade bem e mal é uma constante, mas as autoras preferem apelar à importância do equilibro, deixando assim este mundo em aberto para mais aventuras. É interessante ver que nem tudo acaba bem e que existe sofrimento mesmo nas últimas páginas, o que fornece um carácter mais forte à história.

Uma trilogia que conclui de forma bastante adequada. O desenrolar dos acontecimentos não apresenta grandes surpresas, uma vez que a trama segue fórmulas já conhecidas, mas as conclusões obtidas e as reflexões que são possíveis realizar ao longo da leitura deixam perceber a razão de esta ser uma trilogia de culto.