segunda-feira, 29 de julho de 2013

Opinião: S.E.C.R.E.T. (#1)

Título original: S.E.C.R.E.T.  (2013)
Autor: L. Marie Adeline

Tradutor: Maria das Mercês de Sousa
ISBN: 9789896573614
Editora: Planeta (2013)

Sinopse:

A vida de Cassie Robichaud está cheia de tristeza e solidão desde que o marido morreu. Cassie é empregada de mesa no Café Rose, em Nova Orleães, e dorme todas as noites num apartamento de um só quarto, na companhia de um gato.
Porém, quando descobre um diário deixado no café por uma mulher misteriosa, o seu mundo muda para sempre. O diário, cheio de confissões explícitas, choca-a e fascina-a ao mesmo tempo e acaba por levá-la ao S.E.C.R.E.T., uma sociedade secreta que se dedica a ajudar mulheres a realizar as suas fantasias sexuais mais loucas e íntimas. Cassie acaba por mergulhar numa electrizante jornada de Dez Passos, durante a qual tem uma série de fantasias arrebatadoras com homens deslumbrantes, que a fazem despertar e a saciam.
Assim que se liberta das suas inibições, Cassie descortina uma nova confiança e transforma-se, conseguindo a coragem necessária para levar uma vida apaixonada. Ao mesmo tempo atraente, libertador e emocionalmente poderoso, S.E.C.R.E.T. é um mundo onde a fantasia se torna realidade


Opinião:

Nume época em que o romance erótico está em voga, eis que chega S.E.C.R.E.T, um livro escrito sob um pseudónimo.

Iniciada a leitura, conhecemos Cassie, uma mulher madura, vítima de uma história romântica infeliz que a levou a desenvolver insegurança e uma baixa autoestima. Cassie não tem grande esperança em dias mais felizes, muito por não acreditar em si própria. Estas características são facilmente compreendidas pelas leitoras, apesar de terem sido levadas a um certo exagero.

Tal como qualquer mulher insegura, Cassie observa com fascínio aquelas que transmitem confiança e sensualidade de forma natural. Ela quer ser assim, mas não sabe como, tal como a mulher comum quer potencializar as suas qualidades, apesar de não as conseguir reconhecer com facilidade. Mas se a protagonista acreditava passar despercebida, está enganada.

Uma sociedade secreta chamada S.E.C.R.E.T (curiosamente) reconhece as dificuldades de Cassie, os seus atributos e empenha-se em ajudá-la. Desta forma, a protagonista inicia uma jornada inesperada de auto descoberta, onde o prazer e o reconhecimento do próprio corpo são as peças essenciais para superação, aceitação, felicidade e bem estar.

Este é um livro de leitura rápida, muito devido à facilidade de leitura, tanto na apreensão da trama como na compreensão das intenções da autora. O estilo de L. Marie Adeline é directo, mais focado nas aventuras do que nos pensamentos das personagens. Após a aceitação de Cassie nesta aventura, cada capítulo ficará destinado a um passo do plano da S.E.C.R.E.T, o que acaba por estimular a curiosidade. Afinal, existe a vontade de perceber de que forma a autora vai concretizar os desejos da protagonista, uma vez que desde o início se percebe que nem tudo surge como seria esperado.

Cada passo representa uma fantasia e uma evolução. Com o desenrolar da trama, é possível verificar que a confiança de Cassie está a aumentar, o que acaba por se refletir não só no relacionamento consigo própria, mas também com os outros. Mais disponível ao diálogo e a novas experiências, passa de uma fase quase adormecida para uma vida mais completa. Contudo, a entrega da protagonista chega a parecer demasiado fácil para uma mulher que era tão insegura.

Para além da exploração da sexualidade existe também a evolução do campo amoroso. Ao aceitar-se, Cassie passa também a querer ver concretizados os seus sentimentos para com o homem por quem se apaixonou há muito. Contudo, esta relação não é propriamente convincente e o seu desfecho chega mesmo a parecer descabido. Provavelmente a falta de conclusão vai para a vontade da autora de prosseguir as aventuras de Cassie num próximo volume, mas tudo poderia ter sido melhor pensado.

As personagens secundárias parecem demasiado estereotipadas, acabando por pouco ou nada surpreenderem. Will é uma tentativa falhada de galã e Tracina uma vilã fraca.

S.E.C.R.E.T revela-se uma leitura simples, que entretém mas não marca. Livro que carece de profundidade, de um maior desenvolvimento das personagens e de uma interligação de acontecimentos mais plausível.

domingo, 28 de julho de 2013

Opinião: O Livro Negro (Thomas Cromwell #2)



Título Original: Bring Up the Bodies (2012)
Autor: Hilary Mantel
Tradução: Miguel Freitas da Costa
ISBN: 9789722635943
Editora: Civilização Editora (2013)

Sinopse:

Em 1535 Thomas Cromwell é Primeiro-ministro de Henry VIII, e o seu sucesso ascendeu a par do de Anne Boleyn. Mas a cisão com a Igreja Católica deixou a Inglaterra perigosamente isolada e Anne não deu um herdeiro ao rei. Cromwell vê o rei apaixonar-se pela discreta Jane Seymour. A gerir a política da corte, Cromwell tem de encontrar uma solução que satisfaça Heny VIII, salvaguarde a nação e assegure a sua própria carreira. Mas nem ele nem o próprio rei sairão ilesos dos trágicos últimos dias de Anne Boleyn.

Opinião:

A época Tudor sempre me pareceu atrativa. Por isso mesmo foi com grande expetativa que iniciei a leitura deste livro que retrata a queda de Anne Boleyn no ponto e vista de Thomas Cromwell, o Primeiro-Ministro de Henry VIII. Apesar de este ser o segundo livro de uma trilogia, pode muito bem ser lido sem recurso ao anterior.

Logo nas primeiras páginas foi possível verificar que Hilary Mantel é dona de um estilo de escrita muito peculiar. As palavras são usadas de forma artística e os acontecimentos nem sempre são relatados de uma forma direta. E se esta característica lhe concede louvores da crítica, a verdade é que não me cativou totalmente. Existem circunstâncias em que este embelezamento parece forçado, para além de que isso faz com que acontecimentos relevantes passem quase despercebidos e percam parte da sua força.

Esperava que a trama fosse envolvente e impulsionasse a leitura, mas tal não aconteceu.  A maioria dos acontecimentos revelou-se aborrecida, arrastada e pouco motivadora. O facto de saber como tudo iria terminar é que me levou a continuar a ler (o que de certa forma é curioso, pois gosto de ser surpreendida). Este facto pode ter acontecido pela dedicação da autora a pormenores históricos, algo que é de louvar mas que preferia ter visto apresentado de uma forma mais aliciante.

As personagens não foram uma novidade, afinal esta época histórica já foi retratada por diversas vezes na literatura, cinema e televisão, o que nos leva a saber o que esperar. Contudo, esperava uma maior profundidade, senão de todas, pelo menos de Cromwell. Foi interessante assistir às divagações deste homem e às suas recordações, mas a verdade é que ficou a saber a pouco. E se por um lado gostei das diversas facetas do Rei, por outro achei que a sua segunda mulher foi apresentada com limitações.

No geral, o trabalho de tradução está bem conseguido, mas existiram alguns aspectos que me causaram alguma estranheza. Em primeiro lugar o título do livro. Reconheço que a tradução literal não funcionaria, mas esta escolha, apesar da explicação presente na obra, também não me pareceu a mais satisfatória. O outro aspecto refere-se à opção de não tradução dos nomes de algumas personagens, já que se tratam de figuras históricas que foram estudadas por todos nós na escola com os nomes traduzidos. Se em muitas ocasiões sou a favor dos nomes originais, aqui foi-me difícil habituar a ver, por exemplo, Anne Boleyn em vez de Ana Bolena.
 
Neste ponto já é mais do que evidente que esta leitura não foi ao encontro das minhas expetativas. É verdade que se trata de uma forma inovadora de expor a época e ninguém pode acusar a autora de desrespeitar a história. A pesquisa intensa é evidente, mas não me senti de forma alguma arrebatada ou impressionada com a forma que a autora encontrou para descrever as intrigas da corte e os métodos de Thomas Cromwell. Esperava ficar mais envolvida por um livro vencedor do prémio Man Booker Prize e tão elogiado pela crítica.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Eu comprei um Kobo e...

...devolvi-o.
(Sim, foi este modelo)

Estava bastante entusiasmada com a compra pois era algo que eu já queria há algum tempo, mas a nossa relação não correu bem.

Cheguei a casa feliz da vida e comecei logo a ler as instruções. Depois disso, foi ligar ao computador, fazer as instalações necessárias e...aí a coisa começou a correr mal. A primeira meia hora consistiu numa série de erros sem justificação plausível, o que não me agradou. Depois, quando finalmente consegui tratar do assunto e instalar um eBook, chegou a grande desilusão.

Não me senti a ler um livro. Não é que a leitura não fosse possível ou fácil, mas o facto de não estar a passar páginas ou a sentir o peso do livro estava a mexer-me com o sistema nervoso. Li durante um pouco e o sentimento de irritação apenas crescia. Desisti, peguei num livro e senti-me logo melhor.

Eu queria ter gostado da maquineta, juro que queria, mas não gostei. No outro dia, logo de manhã, fui a correr à loja. Disse que a razão da devolução se resumia ao facto de eu ter detestado o Kobo.

Vejo que existe muita boa gente que utiliza eReaders e se sente feliz por isso, mas eu não consegui. Reconheço que existiriam novas possibilidades de leitura, mas não me sinto preparada para começar a ler neste formato. Pode ser que um dia isso venha a mudar, mas por enquanto fico-me pelo método tradicional.

E vocês? Já aderiram aos eReaders?

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Opinião: Os Antiquários

Título Original: Los Antiquários (2013)
Autor: Pablo De Santis
Tradução: Helena Pitta
ISBN: 9789722048835
Editora: Pubicações Dom Quixote (2013)

Sinopse:

Os antiquários vivem escondidos, sempre rodeados por objetos do passado, em velhas livrarias ou lojas de antiguidades. Não suportam as mudanças nem o presente, são colecionadores. Têm a capacidade de evocar nos outros o rosto ou os gestos de pessoas que morreram. Aprenderam a controlar a sede primordial. Mas quando se sentem atacados, o antigo apetite regressa…
A partir de um incidente, Santiago Lebrón ficará contaminado, transformado em mais um antiquário. E enquanto descobre os segredos dessa antiga tradição, conhecerá o amor estranho, poderoso e perturbador provocado pela sede de sangue. Terá também de descobrir as estratégias de sobrevivência num mundo hostil. Entre elas, a obrigação de acabar com a vida daqueles que cedem à sede, para que a tradição possa continuar na sombra.
Reinventando o mito dos vampiros de forma inteligente, e afastando-se das abordagens corriqueiras da literatura do género dos últimos anos, Pablo de Santis volta a deslumbrar-nos com um notável romance onde seres melancólicos, que habitam espaços repletos de nostalgia, e sobretudo de livros, vivem reclusos.

Opinião:

Pablo De Santis apresenta uma visão diferente, mas apoiada em conceitos tradicionais, do mito vampírico com Os Antiquários. A trama decorre durante a primeira metade do século XX, na Argentina.

Santiago Lebrón é o protagonista da trama. Jovem igual a tantos outros, que procura o seu lugar no mundo, começa por ajudar um tio a concertar máquinas de escrever. A morte repentina de um jornalista leva-o a ser convidado a assumir aquele lugar, o que lhe abrirá portas para uma realidade inesperada.

Responsável por uma coluna dedicada ao oculto, Santiago vai perceber que muitas das histórias em que não acreditava são, afinal, verdadeiras. O jovem começa a embrenhar-se nesta realidade, o que o levará a conhecer novas pessoas e, sobretudo, a ter uma maior consciência de quem realmente é.

Nesta narrativa, raramente o autor apresenta os vampiros com este nome. Eles são os antiquários. Os antiquários surgem com base numa infecção transmissível. A transformação leva-os a possuírem uma série de características peculiares:

"Escondem-se da luz. Formam à sua volta um círculo de coisas velhas. São colecionadores por natureza. Fogem da mudança".

Para além disso, sentem ainda a chamada “sede primordial”, que corresponde à alimentação com base no sangue humano. Contudo, estes seres conseguiram desenvolver uma forma de se manterem vivos sem ameaçar a vida humana. Isso levou-os a refugiarem-se cada vez e a parecerem mais eremitas do que os tradicionais vampiros que saem à noite para se alimentarem. Este é um conceito novo e muito cativante.

O protagonista está bem construído e o leitor consegue justificar as suas obsessões. As personagens secundárias possuem profundidade e parecem reais. Destaco Luísa, a mulher amada, e Calisser, o mentor.

Com o decorrer da leitura, torna-se visível que é possível dividir a narrativa em três fases: Santiago jovem e sem consciência do que o rodeia; Santiago quando contacta com o oculto; Santiago quando se transforma. O protagonista evolui ao longo de cada fase, sendo inevitável a comparação com as três fases da vida: juventude, maturidade e velhice.

O estilo de escrita de Pablo De Santis cativa pela sua aparente simplicidade, embelezada por metáforas fluídas. Contudo, a primeira parte poderá parecer demasiado extensa, já que o lado mais místico da obra não é logo revelado.

O final é adequado, mas fica a sensação que ficou muito por explicar e descobrir. O leitor vai desejar ter conhecido melhor os antiquários, a sua origem, evolução, o que os levou a procurar viver de forma pacífica em vez de preferirem a dominação típica de predador-presa. Fica também a vontade de ter conhecido melhor os outros antiquários que foram surgindo ao longo da trama e que conseguiram seduzir através das suas obsessões pelo coleccionismo. Este impulso de guardar tudo acaba por fazer reflectir sobre a necessidade de estes seres terem alguma ordem e poder nas suas existências, uma vez que a vida humana e a liberdade lhes foi retirada.

Os Antiquários revela-se uma leitura agradável e uma lufada de ar fresco para mitologia vampírica.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Comprar o livro pela capa 39: O Império do Medo

O livro desta semana da rubrica "Comprar o livro pela capa" é o Império do Medo, de Brian Stableford e publicado em Portugal pelas Edições Saída de Emergência.

A primeira capa desta obra surgiu em 2008. O branco surge em grande destaque, o que acaba por fazer realçar os desenhos a negro, alusivos aos receios colectivos do século XVII. Destaco ainda os salpicos de sangue que estabelecem a ligação ao tema do vampirismo.


Em 2011, a Saída de Emergência decidiu apresentar uma edição especial desta obra. Como tal, surge uma nova capa, tendo como base um retrato de um  nobre inglês do século XVII (tempo em que decorre a ação do livro) de autoria de Van Dyck. As cores em destaque são o negro, ligado ao mistério, e o vermelho, referência ao sangue.

Apresentadas as duas capas, qual é a vossa prefereida?


Qual a melhor capa?
  
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