segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Comprar o livro pela capa 5 - Os Jogos da Fome

Tal como aconteceu com a versão original, a edição portuguesa de Os Jogos da Fome, de Suzanne Collins, publicado pela Editorial Presença, já apresentou duas imagens. Mais um caso em que há "a capa antes do filme" e a "capa depois do filme".


As duas apresentam fatores em comum. O preto é a cor dominante, sendo que o alfinete do mimo-gaio, tão simbólico na história, assume um papel de destaque, quer por ser um dos poucos elementos quer pela cor viva que chama a atenção.Contudo, enquanto a primeira capa apresenta uma design com linhas mais direitas a segunda, tal como o poster do filme, possui um estilo mais moderno, no qual o alfinete parece irromper em chamas do papel.
As diferenças não são drásticas, mas mudam por completo a capa.

Qual das duas é a mais apelativa? 

 Opinião a este livro aqui.

domingo, 9 de setembro de 2012

Passatempo: Acácia - Os Ventos do Norte

Depois de quatro meses de existência de Uma Biblioteca em Construção, eis que chega o primeiro passatempo do blog.

Para iniciar esta nova fase, nada melhor do que sortear um livro que apreciei muito: Acácia - Ventos do Norte, de David Anthony Durham, das Edições Saída de Emergência (ver opinião ao livro aqui).

Esta é uma boa oportunidade para quem ainda não adquiriu este volume e é fã de fantasia. Para se candidatarem a ganhar este volume só precisam de seguir algumas regras:

- Responder a todas as questões colocadas no questionário;
- Morar em Portugal;
- Só participar uma vez (caso tal não se confirme a participação será anulada);
 - O passatempo terminada no dia 23 de setembro às 23h59. Não serão aceites participações após essa data.

Espero que apreciem esta nova iniciativa.

Passatempo Terminado

Este passatempo não é feito em parceria com a editora Saída de Emergência

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Opinião: A Revolta (Trilogia dos Jogos da Fome #3)



Título original: Mockingjay – The Hunger Games (2010)
Autor: Suzanne Collins
Tradutor: Jaime Araújo
ISBN:  9789722346535  
Editora: Editorial Presença  (2011)
- Talvez seja agora, Katniss.
- O quê? – pergunto.
- O momento em que aprendemos. Talvez estejamos a testemunhar a evolução da raça humana. Pensa nisso
.”
Sinopse:

ATENÇÃO! Contém spoliers para quem não leu os dois livros anteriores.

A Revolta apresenta o fim da trilogia Jogos da Fome, de Suzanne Collins. Se no primeiro livro o leitor fica a conhecer as bases de uma sociedade pós-apocalíptica e as formas de manipulação das populações, e se no segundo começa a testemunhar o início de um movimento revolucionário, o terceiro livro é marcado pela insurreição e suas consequências.

Depois do fim inesperado dos últimos Jogos da Fome, que colocaram em confronto dois vencedores de cada distrito, Katniss descobre que o 12 foi completamente destruído, e que os poucos sobreviventes, entre os quais se encontram Gale assim como a sua mãe e irmã, foram acolhidos pelo 13, que prepara a revolução. Todos esperam que a protagonista desta trama continue a ser símbolo de rebelião, mas para Katniss esta não é uma decisão fácil. Por um lado, Peeta foi capturado Capitólio e, por outro, ela não sabe até que ponto pode confiar nos rebeldes.

Opinião:
 

Este terceiro volume revela ser mais maduro do que os anteriores. Os acontecimentos deixam de ser focados no triângulo amoroso, mas sim nos contornos da rebelião. As preocupações de Katniss continuam a prender-se com o bem do outro em detrimento de si própria. Por isso mesmo, a protagonista permite que os rebeldes a usem como símbolo, papel que desempenha sem entender bem o porquê ou sem sentir que realmente o mereça, afinal. O leitor fica a conhecer a frustração que ela sente por não conseguir ter uma função mais activa no desenrolar dos acontecimentos, assim como a vontade crescente de proteger quem ama. Aqui surge uma reflexão acerca da necessidade humana de adorar algo ou alguém.

Em Os Jogos da Fome (opinião aqui), a autora não faz qualquer menção a um culto ou religião, sendo esta adoração transposta para os vencedores dos mortais jogos anuais. Assim, Katniss, uma mera mortal dotada apenas de uma grande determinação, coragem e bons valores, surge como alguém inspirador, sendo por isso aproveitada pela causa rebelde. De focar que a protagonista não se sente confortável com toda esta situação, mas desempenha o seu papel por um bem maior.

Paralelamente, assiste-se a um outro conflito interno: num confronto, existe um lado certo e outro errado? Katniss rejeita o Capitólio e o seu presidente, mas quando os rebeldes começam a tomar atitudes mais extremas, ela sente-se incomodada e questiona o valor do princípio “os fins justificam os meios”. Deste modo, não consegue gerar plena confiança na causa, uma vez que inocentes continuam a morrer devido às ações de ambos os lados. Ao mesmo tempo, o leitor verifica que as personagens desenvolvem diferentes formas de encararem uma guerra, desde a vingança pura à compaixão.

A autora termina esta trilogia de forma crua e realista. As guerras trazem duras consequências à sociedade, não só pela destruição e pela perda de vidas inocentes, mas pelas marcas que deixam nos sobreviventes. Suzanne Collins foi capaz de dar um fim terrível a algumas das suas personagens mais acarinhadas pelos leitores, e, apesar de isso poder gerar alguma revolta no momento, demonstra que os heróis também sofrem e que ninguém está a salvo. Surge também a questão do eterno retorno, na medida em que é mencionada a propensão que os humanos possuem para voltarem a cometer os erros do passado.

Inicialmente, Os Jogos da Fome podem ter sido apresentados como mais uma série de literatura juvenil. Contudo, a autora revela, ao longo dos seus três livros, uma trama envolvente, cativante e dura, que agrada a um público mais vasto. Uma grande história que termina da forma certa.


Outros livros de Suzanne Collins:
Os Jogos da Fome (Trilogia dos Jogos da Fome #1)
Em Chamas (Trilogia dos Jogos da Fome #2)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Opinião: O Retrato de Dorian Gray

Título original: The Picture of Dorian Gray (1891)
Autor: Oscar Wilde
Tradutor: Margarida Vale de Gato
ISBN:  9789727083916
Editora: Relógio D’Água Editores (1998)
Sinopse:


Dorian Gray é um jovem de extrema beleza e que a todos encanta com a sua juventude. A sua imagem é muito admirada por Basil Hallward, um pintor que convence o jovem a posar para ele, de forma a conceber o seu retrato. Enquanto pousa no atelier do pintor, Dorian conhece Lord Henry Wotton, um bon-vivant cínico e irónico, que seduz o jovem com a sua visão do mundo, onde segundo o próprio, o único propósito da vida consiste na procura da beleza e do prazer.

Influenciado por Lord Henry, ao contemplar o resultado final do seu retrato, Dorian, tal Narciso, apaixona-se por si mesmo, e percebe que a beleza e juventude são efémeras, e deseja, mais do que tudo, trocar a sua imagem fugaz com a do retrato duradouro.

“Que tristeza! Eu serei velho, horrível e disforme, mas este retrato permanecerá sempre jovem…Mas se pudesse ser ao contrário! Se fosse eu que ficasse sempre jovem e o retrato envelhecesse! Era capaz…era capaz de tudo por isso! Sim, não há nada no mundo que não desse! Até a alma!”

Dorian Gray deixa de ser um jovem puro e ingénuo para passar a ser um homem hedonista, amoral, caótico, percebendo, com o tempo, que terá de acarretar as consequências dos seus actos.


Opinião:

O Retrato de Dorian Gray 
é um romance de natureza estética, inserido na sociedade aristocrática de Inglaterra do século XIX. Trata-se de uma obra literária que revela a natureza desta sociedade inerte, ociosa, supérflua e, consequentemente, a degradação dos valores humanos. O mito da eterna juventude é claramente evidenciado: o que é belo é bom e imortal, e o conhecimento, proveniente da experiência de vida, é desvalorizado, pois o que é velho não tem qualidades, provoca sofrimento e traz consigo a morte.

“Agora, onde quer que vá, o senhor deslumbra o mundo…quando a sua juventude o abandonar, também a sua beleza o abandonará, e então tomará a súbita consciência de que mais nenhuns trunfos lhe restam, ou terá de se contentar com esses mesquinhos triunfos que a memória do seu passado tornará mais amargos que derrotas.”

Existe pouca acção e muitos diálogos, o que, juntamente com o aspecto estético, a contemplação e os diálogos filosóficos enaltecidos, dá a entender a crítica a uma sociedade inerte, decadente e superficial, que procura os seus ideais na imagem e na contemplação da arte, em vez de proceder à acção.

Com personagens muito marcantes, O Retrato de Dorian Gray é uma obra deliciosa. Com um forte carácter reflexivo, é possível fazer um paralelo com a sociedade actual onde a busca do sentido da vida resume-se à procura de satisfação pessoal através do consumo, do prazer e do belo, como fuga ao envelhecimento e morte.


Esta pode não ser uma leitura leve, mas é, sem dúvida, imperdível.

domingo, 2 de setembro de 2012

Opinião: O Homem do Castelo Alto

Título original: The Man in the High Castle (1962)
Autor: Philip K. Dick
Tradutor David Soares
ISBN: 9789896372767
Editora: Edições Saída de Emergência (2010)
O Homem do Castelo Alto apresenta uma história alternativa do escritor norte-americano Philip K. Dick, autor de outras narrativas conhecidas como Blade Runner e Minority Report, ambas adaptadas para o cinema.

O romance já tinha sido publicado na colecção Argonauta, da editora Livros do Brasil, dividido em dois volumes, mas a Saída de Emergência decidiu ressuscitar aquele que é para muitos, o melhor livro do autor e vencedor de um prémio Hugo.


Sinopse:

Considerada a obra-prima de Philip K. Dick, apresenta uma versão alternativa da história do século XX. Tudo começa quando, na 2ª Guerra Mundial que termina em 1947, os aliados são derrotados pelas forças alemãs e japonesas, que instauram uma nova ordem mundial em torno de regimes militares opressivos. Em plena década de 60, o mundo está dividido entre estas as duas facções que vivem num clima de guerra fria. A acção passa-se nos Estados Unidos da América, país derrotado e dividido, ocupado a leste pelos alemães e a oeste pelos japoneses.



Opinião:

O autor apresenta um mundo diferente daquele que nós conhecemos, mas possível de ser imaginado. A situação global é bastante diferente daquela que foi verificada na realidade: o Mediterrâneo foi drenado com o objectivo de aumentar o solo fértil, a população de África foi dizimada por motivos científicos e racista, os judeus são perseguidos e é possível observar grandes avanços científicos nas áreas militares e de exploração espacial.

É dentro desta nova ordem que o leitor segue o caminho de cinco personagens bastante reais e humanas e com diferentes origens e visões da situação em que vivem. Philip K. Dick expõe estas personagens embrenhadas no seu quotidiano, revelando de que forma esta ordem afecta as suas vidas e apresenta as dúvidas que podem levar a alcançar um estado de paranóia.

O autor explora com mestria os desenvolvimentos das suas personagens. Se por um lado existe o judeu disfarçado que tenta vingar num negócio próprio, por outro há o japonês fiel ao império que se depara com verdades que o fazem colocar em causa a sociedade em que está inserido. Philip K. Dick consegue entrelaçar todas estas histórias tão díspares de uma forma genial, conseguindo fornecer diferentes pontos de vista que convergem para um único sentido.

Este romance existencialista apresenta os dois regimes opostos de uma forma subtil mas bastante interessante. A Alemanha surge com uma potência impiedosa e carniceira, com um elevado nível tecnológico direccionado para as conquistas no espaço e para o poder militar. O Japão é apresentado como uma sociedade hierárquica, pós-medieval, onde os bons costumes e a tradição milenar do I Ching é sobrevalorizada.

O autor faz ponderar sobre como pequenos detalhes podem mudar o curso da história, explora os limites humanos, mas também questiona os factores da condição humana, uma vez que, no lado japonês existe a questão das hierarquias sociais rígidas, enquanto, no lado alemão, todo aquele que não é útil ao regime é eliminado.

Para além do fabuloso romance de Philip K. Dick, esta edição possui ainda um ensaio muito interessante do jornalista e comentador Nuno Rogeiro sobre o autor e a obra.


O Homem do Castelo Alto é um livro impressionante. Fica a dúvida sobre a certeza ou ilusão da realidade exterior ao Homem, num universo em decadência lenta e progressiva, e a ideia de que um pequeno detalhe pode fazer toda a diferença.