segunda-feira, 2 de julho de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
Opinião: A Saga Sangue Fresco (de I a V)
Autor: Charlaine Harris
Acompanho "A Saga Sangue Fresco" desde que esta surgiu no mercado nacional através das Edições Saída de Emergência em 2009. Uma aventura com os seus altos e baixos que eu sinto obrigação de acompanhar, muito devido à protagonista carismática que Charlaine Harris criou: Sookie Stackhouse.
Título: Sangue Fresco
Título Original: Dead Until Dark (2001)
ISBN: 9789896371180
Sinopse:
A criação em laboratório de um sangue sintético leva os vampiros a saírem da obscuridade e a revelarem-se aos humanos, o que provoca grandes mudanças sociais em todo o mundo.
Em Bon Temps, uma pequena vila do Loiusiana, parece que nunca acontece nada de interessante, pelo menos até à chegada dos primeiros vampiros. Se muitos ficam reticentes com estes novos habitantes, Sookie fica radiante,uma vez que não consegue ouvir os pensamentos destes misteriosos seres. A tímida empregada de bar vai sentir-se atraída por Bill, um vampiro antigo, mas ao mesmo tempo assiste a uma série de crimes que lançam o pânico pela região.
Opinião:
Este livro é uma introdução ao mundo que Charlaine Harris criou. Numa mistura entre o policial e o fantástico, o objetivo é descobrir o assassino de Bon Temps ao mesmo tempo que se assiste às reações de tolerância ou de discriminação face ao vampirismo.
O leitor fica a conhecer este mundo através do ponto de vista de Sookie, uma personagem completa e dona de um sentido de humor interessante. Todos os que a rodeiam são dotados de personalidades interessantes, à exceção do vampiro Bill, o que é pena, já que este é o vampiro que possui maior foco neste livro, na medida em que vive um relacionamento amoroso com a protagonista. Quanto aos crimes que fazem mover a ação, gostei do facto de a autora não poupar nas mortes e de o autor destes assassinatos não ser previsível.
Um livro que impele à continuação da leitura da restante saga, já que fica a sensação que há muito a descobrir relativamente ao desenvolvimento desta sociedade e muitas mais aventuras a viver.
Título: Dívida de Sangue
Título Original: Living Dead in Dallas (2002)
ISBN: 9789896371371
Sinopse:
Depois de um dos seus colegas de trabalho ser encontrado morto, Sookie é atacada por uma misteriosa criatura que a infeta com um veneno mortal, Salva por Eric Northman, um vampiro tão belo quanto perigoso, a telepata fica com uma dívida para com este ser. Deste modo, a bela empregada de bar terá de ir a Dallas e, com os seus poderes, encontrar um vampiro desaparecido.
Nesta cidade, Sookie conhece a Igreja Irmandade do Sol, fundada por fanáticos que desaprovam o vampirismo e rapidamente percebe que foi atraída para uma armadilha e, mais uma vez, terá de colocar o seu destino nas mãos de terceiros.
Opinião:
As personagens que foram apresentadas anteriormente possuem um maior desenvolvimento neste livro. Destaco Eric, um vampiro muito interessante que tem mais de 1000 anos, que foi um viking enquanto humano e que promete dar muito que falar.
Pela primeira vez, Sookie começa a questionar as verdadeiras intenções dos vampiros que conhece, sobretudo do seu amado, e percebe que apesar da aparência humana não deve contar que estes tenham atitudes que seriam esperadas nos homens que estão realmente vivos. O facto de a telepata estar apaixonada e conseguir encontrar pontos no namorado que a fazem questionar a durabilidade da relação mostra que a protagonista é uma mulher madura.
Apreciei a mudança de cenário da narrativa, mas a verdade é que nem todas as cenas estão bem explícitas, o que leva a leitura a retroceder, de modo a que tudo seja entendido. Porém, trata-se de um desenvolvimento interessante que não foge das expetativas.
Título: Clube de Sangue
Título Original: Club Dead (2003)
ISBN: 9789896371579
Sinopse:
Sookie está preocupada com o relacionamento que tem com Bill. O vampiro está cada vez mais distante e acaba mesmo por desaparecer. Preocupada, a telepata fala com Eric, o chefe do namorado, que pensa saber onde este está.
Sem saber se Bill está bem, a telepata decidi seguir as indicações de Eric e parte para Jackson, no Mississippi, onde conhece Alcides, um lobisomem que a ajuda a infiltrar-se no Clube de Sangue, um local perigoso de encontro de seres sobrenaturais. Depois de se arriscar, Sookie acaba por descobrir o namorado. Contudo, este encontro não é feliz, já que tudo aponta para uma traição.
Opinião:
Charlaine Harris volta a transportar o leitor para uma aventura emocionante ao mesmo tempo que mostra que nem tudo é o que parece ser. É bom ver as reações de Sookie que, antes de mais nada é fiel aos seus valores e não se deixa rebaixar por nada. Assim sendo, as dificuldades que surgem na relação que a protagonista tem com Bill acabam por quebrar a intensa paixão inicial e levam-na a questionar sobre o tipo de futuro que quer para si.
Os lobisomens são introduzidos, tendo como principal representante Alcides, um ser que parece ser de confiança mas que é atormentado pelo passado doloroso, o que lhe confere um caráter mais realista. Ao mesmo tempo, a telepata acaba por perceber melhor como funciona as hierarquias vampíricas, o que revela ser um ponto de grande interesse.
Bill volta a ser uma das personagens mais desinteressantes deste mundo e, sinceramente, a relação que tem com Sookie não convence de todo, na medida em que a telepata vai encontrando pessoas cada vez mais interessantes e completas. Porém, este é um livro que surpreende e agrada mais do que os anteriores.
Título: Sangue Oculto
Título Original: Dead to the World (2004)
ISBN: 9789896371791
Sinopse:
Os acontecimentos do livro anterior ("Clube de Sangue") levam Sookie a terminar o namoro com Bill. De volta à segurança da rotina que tinha antes desse relacionamentos, a telepata encontra Eric nu e desorientado num regresso a casa após o trabalho. Pronta a ajudar o vampiro xerife da região, a empregada de mesa fica incrédula quando percebe que este não se lembra de quem é e está completamente indefeso.
Consciente de que Eric corre perigo de vida, Sookie abriga-o em sua casa e começa a investigar o que poderá ter causado tal mal. Assim, a protagonista vai deparar-se com estranhos e perigosos cultos de bruxas.
Opinião:
Este foi, até agora, o livro que mais gostei de ler de "A Saga do Sangue Fresco". O desinteressante Bill desaparece e Eric passa a ter uma presença constante ao longo da narrativa. Se inicialmente Sookie temia o contacto com este poderoso vampiro, agora, estando ele com amnésia e muito meigo, a telepata não consegue resistir aos encantos do xerife. Assiste-se, assim, ao nascer de uma nova relação, apesar de a telepata estar constantemente a comparar este romance com o anterior.
Quanto a este novo Eric indefeso e carinhoso, parece ter sido o modo de a autora fazer com que a protagonista não temesse uma aproximação ao vampiro, mas a verdade é o Eric sem amnésia é muito mais interessante, devido a todos os segredos que guarda.
O leitor fica a conhecer a bruxaria do mundo criado por Charlaine Harris, que é dominada por mulheres que podem não ter total consciência da verdadeira dimensão dos seus poderes e da forma como estes podem afetar os outros, inclusive inocentes. Assim, surgem batalhas emocionantes travadas por bruxas, vampiros, lobisomens e, claro, uma telepata, que agarram a leitura e a tornam compulsiva.
Título: Sangue Furtivo
Título Original: Dead as a Doornail (2005)
ISBN: 9789896372071
Sinopse:
Sookie acreditava ser a única pessoa na sua família com ligação ao sobrenatural, mas começa a duvidar quando observa estranhas modificações no seu irmão, Jason, quer a nível físico quer no comportamento. A protagonista acaba por descobrir que o irmão foi infetado contra a sua vontade e que está prestes a transformar-se numa pantera.
Para piorar ainda mais a situação, existe alguém que está a matar os metamorfos de Hotshot e estes pensam que o culpado é Jason. Ao mesmo tempo, Alcides pede ajuda à telepata para a nomeação do novo líder da alcateia dos lobisomens, uma vez que este suspeita de batota por parte do outro candidato.
Opinião:
Este é um livro repleto de acontecimentos, o que pode gerar alguma confusão, já que não existe um foco principal. O ritmo da leitura é mantido mais pela escrita simples da autora e pelo facto de os livros anteriores terem agradado do que propriamente pelo enredo presente.
Se nos livros anteriores dava para perceber que Sookie tinha muitos pretendentes, agora existe uma verdadeira confusão neste campo, já que são cada vez mais os homens (ou seres do sexo masculino, já que nenhum é humano) a quererem ser o próximo amor da telepata. Isto acaba por se tornar cansativo.
Outro fator que pode começar a desagradar está relacionado com os constantes ataques à casa de Sookie e as muitas idas da protagonista ao hospital. Percebe-se que esta corre perigo, mas acaba por ser um dado que está sempre presente e que já não gera surpresa.
O ponto de maior interesse acabou por ser mesmo a organização das alcateias e a forma como os novos machos alfa são eleitos. Um livro menos interessante do que os anteriores, mas que mesmo assim é lido num ápice.
Tradução: Renato Carreira
Editora: Edições Saída de Emergência
Editora: Edições Saída de Emergência
Acompanho "A Saga Sangue Fresco" desde que esta surgiu no mercado nacional através das Edições Saída de Emergência em 2009. Uma aventura com os seus altos e baixos que eu sinto obrigação de acompanhar, muito devido à protagonista carismática que Charlaine Harris criou: Sookie Stackhouse.
Sookie é uma personagem que cativa, talvez por, apesar de
todas as suas ligações ao sobrenatural, possuir uma vertente bastante humana
com a qual é fácil estabelecer uma ligação. A trama é narrada na primeira
pessoa, o que facilmente nos dá a entender todas as preocupações que lhe passam
pela cabeça. Num momento está a pensar no encontro que vai ter à noite e logo
no seguinte lembra-se que tem uma conta para pagar. Detesta depender dos homens
que a rodeiam e tem orgulho em ser senhora de si própria. Uma mulher
moderna e senhora de si que, ao longo desta saga, vai viver muitas e inesperadas aventuras ao mesmo tempo que descobre a sua natureza.
O sucesso mundial da saga fez com que a autora assinasse um contrato com a sua editora para escrever 13 volumes, sendo que 11 já foram publicados e já possuem tradução portuguesa. Por esta ser uma coleção longa que já li há algum tempo, apresento-vos um pequeno resumo e breve opinião dos cinco primeiros livros:
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| Volume I (2009) |
Título Original: Dead Until Dark (2001)
ISBN: 9789896371180
Sinopse:
A criação em laboratório de um sangue sintético leva os vampiros a saírem da obscuridade e a revelarem-se aos humanos, o que provoca grandes mudanças sociais em todo o mundo.
Em Bon Temps, uma pequena vila do Loiusiana, parece que nunca acontece nada de interessante, pelo menos até à chegada dos primeiros vampiros. Se muitos ficam reticentes com estes novos habitantes, Sookie fica radiante,uma vez que não consegue ouvir os pensamentos destes misteriosos seres. A tímida empregada de bar vai sentir-se atraída por Bill, um vampiro antigo, mas ao mesmo tempo assiste a uma série de crimes que lançam o pânico pela região.
Opinião:
Este livro é uma introdução ao mundo que Charlaine Harris criou. Numa mistura entre o policial e o fantástico, o objetivo é descobrir o assassino de Bon Temps ao mesmo tempo que se assiste às reações de tolerância ou de discriminação face ao vampirismo.
O leitor fica a conhecer este mundo através do ponto de vista de Sookie, uma personagem completa e dona de um sentido de humor interessante. Todos os que a rodeiam são dotados de personalidades interessantes, à exceção do vampiro Bill, o que é pena, já que este é o vampiro que possui maior foco neste livro, na medida em que vive um relacionamento amoroso com a protagonista. Quanto aos crimes que fazem mover a ação, gostei do facto de a autora não poupar nas mortes e de o autor destes assassinatos não ser previsível.
Um livro que impele à continuação da leitura da restante saga, já que fica a sensação que há muito a descobrir relativamente ao desenvolvimento desta sociedade e muitas mais aventuras a viver.
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| Volume II (2009) |
Título Original: Living Dead in Dallas (2002)
ISBN: 9789896371371
Sinopse:
Depois de um dos seus colegas de trabalho ser encontrado morto, Sookie é atacada por uma misteriosa criatura que a infeta com um veneno mortal, Salva por Eric Northman, um vampiro tão belo quanto perigoso, a telepata fica com uma dívida para com este ser. Deste modo, a bela empregada de bar terá de ir a Dallas e, com os seus poderes, encontrar um vampiro desaparecido.
Nesta cidade, Sookie conhece a Igreja Irmandade do Sol, fundada por fanáticos que desaprovam o vampirismo e rapidamente percebe que foi atraída para uma armadilha e, mais uma vez, terá de colocar o seu destino nas mãos de terceiros.
Opinião:
As personagens que foram apresentadas anteriormente possuem um maior desenvolvimento neste livro. Destaco Eric, um vampiro muito interessante que tem mais de 1000 anos, que foi um viking enquanto humano e que promete dar muito que falar.
Pela primeira vez, Sookie começa a questionar as verdadeiras intenções dos vampiros que conhece, sobretudo do seu amado, e percebe que apesar da aparência humana não deve contar que estes tenham atitudes que seriam esperadas nos homens que estão realmente vivos. O facto de a telepata estar apaixonada e conseguir encontrar pontos no namorado que a fazem questionar a durabilidade da relação mostra que a protagonista é uma mulher madura.
Apreciei a mudança de cenário da narrativa, mas a verdade é que nem todas as cenas estão bem explícitas, o que leva a leitura a retroceder, de modo a que tudo seja entendido. Porém, trata-se de um desenvolvimento interessante que não foge das expetativas.
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| Volume III (2009) |
Título Original: Club Dead (2003)
ISBN: 9789896371579
Sinopse:
Sookie está preocupada com o relacionamento que tem com Bill. O vampiro está cada vez mais distante e acaba mesmo por desaparecer. Preocupada, a telepata fala com Eric, o chefe do namorado, que pensa saber onde este está.
Sem saber se Bill está bem, a telepata decidi seguir as indicações de Eric e parte para Jackson, no Mississippi, onde conhece Alcides, um lobisomem que a ajuda a infiltrar-se no Clube de Sangue, um local perigoso de encontro de seres sobrenaturais. Depois de se arriscar, Sookie acaba por descobrir o namorado. Contudo, este encontro não é feliz, já que tudo aponta para uma traição.
Opinião:
Charlaine Harris volta a transportar o leitor para uma aventura emocionante ao mesmo tempo que mostra que nem tudo é o que parece ser. É bom ver as reações de Sookie que, antes de mais nada é fiel aos seus valores e não se deixa rebaixar por nada. Assim sendo, as dificuldades que surgem na relação que a protagonista tem com Bill acabam por quebrar a intensa paixão inicial e levam-na a questionar sobre o tipo de futuro que quer para si.
Os lobisomens são introduzidos, tendo como principal representante Alcides, um ser que parece ser de confiança mas que é atormentado pelo passado doloroso, o que lhe confere um caráter mais realista. Ao mesmo tempo, a telepata acaba por perceber melhor como funciona as hierarquias vampíricas, o que revela ser um ponto de grande interesse.
Bill volta a ser uma das personagens mais desinteressantes deste mundo e, sinceramente, a relação que tem com Sookie não convence de todo, na medida em que a telepata vai encontrando pessoas cada vez mais interessantes e completas. Porém, este é um livro que surpreende e agrada mais do que os anteriores.
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| Volume IV (2010) |
Título Original: Dead to the World (2004)
ISBN: 9789896371791
Sinopse:
Os acontecimentos do livro anterior ("Clube de Sangue") levam Sookie a terminar o namoro com Bill. De volta à segurança da rotina que tinha antes desse relacionamentos, a telepata encontra Eric nu e desorientado num regresso a casa após o trabalho. Pronta a ajudar o vampiro xerife da região, a empregada de mesa fica incrédula quando percebe que este não se lembra de quem é e está completamente indefeso.
Consciente de que Eric corre perigo de vida, Sookie abriga-o em sua casa e começa a investigar o que poderá ter causado tal mal. Assim, a protagonista vai deparar-se com estranhos e perigosos cultos de bruxas.
Opinião:
Este foi, até agora, o livro que mais gostei de ler de "A Saga do Sangue Fresco". O desinteressante Bill desaparece e Eric passa a ter uma presença constante ao longo da narrativa. Se inicialmente Sookie temia o contacto com este poderoso vampiro, agora, estando ele com amnésia e muito meigo, a telepata não consegue resistir aos encantos do xerife. Assiste-se, assim, ao nascer de uma nova relação, apesar de a telepata estar constantemente a comparar este romance com o anterior.
Quanto a este novo Eric indefeso e carinhoso, parece ter sido o modo de a autora fazer com que a protagonista não temesse uma aproximação ao vampiro, mas a verdade é o Eric sem amnésia é muito mais interessante, devido a todos os segredos que guarda.
O leitor fica a conhecer a bruxaria do mundo criado por Charlaine Harris, que é dominada por mulheres que podem não ter total consciência da verdadeira dimensão dos seus poderes e da forma como estes podem afetar os outros, inclusive inocentes. Assim, surgem batalhas emocionantes travadas por bruxas, vampiros, lobisomens e, claro, uma telepata, que agarram a leitura e a tornam compulsiva.
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| Volume V (2010) |
Título Original: Dead as a Doornail (2005)
ISBN: 9789896372071
Sinopse:
Sookie acreditava ser a única pessoa na sua família com ligação ao sobrenatural, mas começa a duvidar quando observa estranhas modificações no seu irmão, Jason, quer a nível físico quer no comportamento. A protagonista acaba por descobrir que o irmão foi infetado contra a sua vontade e que está prestes a transformar-se numa pantera.
Para piorar ainda mais a situação, existe alguém que está a matar os metamorfos de Hotshot e estes pensam que o culpado é Jason. Ao mesmo tempo, Alcides pede ajuda à telepata para a nomeação do novo líder da alcateia dos lobisomens, uma vez que este suspeita de batota por parte do outro candidato.
Opinião:
Este é um livro repleto de acontecimentos, o que pode gerar alguma confusão, já que não existe um foco principal. O ritmo da leitura é mantido mais pela escrita simples da autora e pelo facto de os livros anteriores terem agradado do que propriamente pelo enredo presente.
Se nos livros anteriores dava para perceber que Sookie tinha muitos pretendentes, agora existe uma verdadeira confusão neste campo, já que são cada vez mais os homens (ou seres do sexo masculino, já que nenhum é humano) a quererem ser o próximo amor da telepata. Isto acaba por se tornar cansativo.
Outro fator que pode começar a desagradar está relacionado com os constantes ataques à casa de Sookie e as muitas idas da protagonista ao hospital. Percebe-se que esta corre perigo, mas acaba por ser um dado que está sempre presente e que já não gera surpresa.
O ponto de maior interesse acabou por ser mesmo a organização das alcateias e a forma como os novos machos alfa são eleitos. Um livro menos interessante do que os anteriores, mas que mesmo assim é lido num ápice.
sábado, 30 de junho de 2012
Opinião: O Beijo das Sombras (Série Merry Gentry #1)
Autor: Laurell K. Hamilton
Título
Original: Kiss of
Shadows (2000)
Tradução: Nanci Marcelino
Tradução: Nanci Marcelino
ISBN: 9789896373252
Editora: Edições Saída de Emergência (2011)
Editora: Edições Saída de Emergência (2011)
Sinopse:
Num mundo moderno que é habitado por seres fantásticos,
Meredith é uma princesa da corte real dos Sidhe. Por ser mestiça,Meredith foi
obrigada a abandonar o local que chamava lar e agora refugia-se em Los Angeles,
onde, sob uma nova identidade, trabalha como detetive privada numa empresa
ligada ao sobrenatural. Há três anos a viver nestas circunstâncias, Meredith vê
o seu disfarce em risco quando volta a entrar em contacto com o seu povo
durante uma missão.
Agora, a princesa das fadas está encurralada: deverá voltar
a estabelecer contato com a sua temível rainha e tia ou será melhor continuar a
fugir?
Opinião:
“O Beijo das Sombras” é um romance sobrenatural com um forte
teor sexual. Se, por um lado, assiste-se a uma apresentação de um mundo obscuro que inicialmente parece ser interessante, a verdade é que este é
colocado em segundo plano, em detrimento de todas as relações que a
protagonista vive.
Meredith não é uma personagem cativante. Se ao início é
apresentada como possuidora de certas características, depressa essas acabam
por se desvanecer. Sinceramente, nem sei bem como a descrever, pois nem por um
momento a achei bem construída (nem a ela nem a qualquer outra personagem).
Até mesmo a própria ação não convence, uma vez que mais
parece consistir numa sequência de acontecimentos sem grande ligação entre eles.
Estes acabam por estar concentrados em momentos de sedução demasiado longos e,
muitos deles, sem grande razão aparente. Fez-me uma certa confusão o facto de a
protagonista ter contacto sexual com quase todas as personagens masculinas que
surgem, um exagero que acaba por ser maçador e pouco estimulante (“O quê? Apareceu uma novo macho e a Meredith diz que nunca gostou dele? Vai haver sexo na certa!” ).
Esperava um enredo repleto de sensualidade, mas este livro pareceu-me bastante
básico e até vulgar.
O único ponto que merecia algum interesse foi a exploração
da sociedade Sidhe, mas, como já disse, o facto de este ser colocado em segundo
plano acaba por ser dececionante, até porque já vi noutros livros esta
mitologia melhor apresentada.
O decorrer da ação é demasiado lento e interrompido por
elementos que parecem não fazer grande sentido. A história parece não ter
linearidade, ficando a ideia de que foi construída através da junção de certos
momentos que não possuem uma ligação forte e consistente.
Da mesma autora, já li os dois primeiros livros das aventuras
de Anita Blake (publicados na Coleção 1001 Mundos) e confesso que essas
narrativas são mais cativantes do que esta, o que me fez ficar um pouco
desapontada. Reconheço que este é o primeiro livro de uma saga, mas custa-me a
acreditar que a leitura dos próximos me façam mudar de opinião. No final, não
ficou a vontade de acompanhar este coleção.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Entrevista: Sandra Carvalho
No dia em que Sandra Carvalho comemora o seu aniversário o
blog Uma Biblioteca em Construção publica a entrevista que a autora tão
gentilmente nos concedeu. Escritora de high
fantasy, Sandra Carvalho tem vindo a afirmar o seu lugar na ficção
portuguesa através de “A Saga das Pedras Mágicas”, onde narra as aventuras de
três gerações de mulheres de uma família que tem vindo a conquistar leitores. Apaixonada
pela escrita, nunca imaginou vir a ter um texto publicado, mas a intervenção de
quem a ama fez com que começasse a dar os primeiros passos no mundo editorial
na coleção Via Láctea, da Editorial Presença.Um grande agradecimento à Sandra pela simpatia, disponibilidade e pelas respostas tão interessantes. Desejos de um aniversário repleto de alegria e de um futuro de sucessos!
Uma Biblioteca em Construção (U.B.C.) - Sei que, no início, tinha receio de ver o seu trabalho avaliado, tanto que nem conseguiu enviar o primeiro manuscrito a uma editora. Pode falar um bocadinho disso?
Uma Biblioteca em Construção (U.B.C.) - Sei que, no início, tinha receio de ver o seu trabalho avaliado, tanto que nem conseguiu enviar o primeiro manuscrito a uma editora. Pode falar um bocadinho disso?
Sandra Carvalho (S.C.) - Eu comecei a escrever muito cedo, pela necessidade de
partilhar as ideias que pululavam na minha cabeça com a minha família e amigos.
Durante anos, enchi cadernos com pequenos contos, devaneios, pedaços de sonhos…
Também tive sempre curiosidade em pesquisar sobre os assuntos que me
apaixonavam, por isso, as minhas histórias eram uma forma de dar a conhecer a
realidade de outras culturas àqueles que me são próximos. Ao longo do tempo, a
escrita tornou-se um vício, uma necessidade imperiosa, uma imensa satisfação.
No entanto, nunca tive a ambição de publicar. Até dizia que esse era o sonho
que eu não me atrevia a sonhar! Comecei a devorar livros muito cedo e tinha noção
de como era difícil publicar. Para mais, as minhas histórias tinham
“ingredientes” de fantasia e, sempre que procurava pelo género nas livrarias,
não encontrava autores portugueses. Daí nunca ter pensado muito no assunto.
Além disso, como escrevia por impulso, por paixão, a maior parte das histórias
tinham princípio, mas não tinham fim. Quando uma nova paixão surgia, a anterior
ficava a aguardar por um estímulo que reacendesse a inspiração. Isso irritava
os meus amigos, porque se entusiasmavam pelo enredo e acabavam “suspensos”. A Saga
ocupou sempre um lugar especial no meu coração, pois era o universo onde me
divertia a explorar o meu interesse de infância pelas culturas Celta e Viquingue.
Quando terminei aquela que planeava ser a primeira parte da narrativa,
entreguei-a ao meu marido. Depois de lê-la, ele nunca mais me deu tréguas,
insistindo que enviasse o manuscrito para uma editora. Recusei-me a fazê-lo
durante anos! Estava tão apaixonada pelo enredo, os cenários, as personagens,
que era como se “esse mundo” já fizesse parte de mim. Logo, se submetesse “o
meu mundo” à avaliação de um profissional e recebesse uma crítica negativa,
tudo perderia o sentido; seria o fim da paixão, o fim do sonho. Quando percebeu
que eu não tencionava fazer nada, o meu marido decidiu informar-se sobre as
editoras. A Editorial Presença já publicava a Colecção Via Láctea, dedicada ao
Fantástico, e com um autor português, o Filipe Faria, por isso pareceu-lhe a
escolha óbvia. Certo dia, chegou a casa com um envelope, pegou no manuscrito e atirou-me
um beijo. E foi assim que esta aventura começou!
U.B.C - Recorda a resposta que obteve da Editorial Presença?
Quais foram os sentimentos?
S. C. - Quando atendo o telefone e me dizem que a Editorial Presença
está interessada no meu projecto, dou por mim sentada no chão, a rir sem
controlo ao mesmo tempo que chorava compulsivamente. Foi uma verdadeira
explosão de emoções, de tal forma que tive de pedir que me ligassem mais tarde,
porque não conseguia falar. Imagino o quanto isto soa estranho… Porém, existem
sensações que são impossíveis de descrever por palavras!!! Foi algo realmente extraordinário,
único!
U.B.C - Qual é a importância do contacto com os leitores?
S. C. - Eu comecei a escrever para os meus amigos e é isso que
continuo a fazer. Os meus leitores são os meus companheiros de aventura; amigos
muito especiais que conhecem intimamente o meu coração e a minha alma através
das palavras que escrevo. Adoro trocar experiências e emoções e, se alguém se
apaixonou pelo universo que criei ao ponto de estar mais de uma hora à espera
de falar comigo, eu vou querer saber tudo o que essa pessoa pensou e sentiu quando
mergulhou na história. É uma satisfação ouvir alguém dizer que já leu os livros
cinco, seis vezes e que continua a descobrir novas sensações a cada leitura. É
maravilhoso ter uma família sentada ao meu lado; três gerações a conversarem
com o mesmo entusiasmo sobre o universo que criei: a mãe que leu o livro e o
recomendou à filha que, por sua vez, ficou tão entusiasmada que o entregou à
avó. É um prazer escutar uma jovem mulher dizer que começou a ler a Saga aos
treze anos e cresceu com as minhas palavras. Ao longo destes anos divertimo-nos,
comovemo-nos, apaixonámo-nos e sonhámos de mãos dadas. Sem os meus companheiros
de aventura seria impossível viver este sonho!
U.B.C - Quem acompanha a saga assiste a uma grande evolução na
narrativa, quer seja em termos de escrita quer seja em termos de elementos. O
tempo e a experiência fazem com que seja mais fácil escrever sobre este mundo?
S. C. - O tempo é um grande professor e a experiência concede-nos
ferramentas para superar mais facilmente os obstáculos que vão surgindo. Não é
fácil escrever uma história que cruza três gerações. Se, no início, tinha de
escrever a pensar no futuro, agora tenho de planear o futuro e recordar o
passado para que tudo se conjugue na perfeição. Fico feliz quando me dizem que reconhecem
nos últimos livros as consequências dos incidentes ocorridos nos primeiros. Tudo
isso é fruto de anos de planeamento. Muitas cenas da Saga tiveram origem em
ideias que foram surgindo na minha adolescência, registadas nos caderninhos de
que vos falei. Após tantos anos, histórias dispersas, simples devaneios sem
nenhuma ligação entre si, acabaram por se encaixar como peças de puzzle no
decorrer da narrativa. Os primeiros livros são mais puros porque foram criados
para os meus amigos, sem que me passasse pela cabeça que haveriam de ser
publicados. Agora existe, obviamente, maior cuidado na apresentação das ideias
e na escolha das palavras. Além disso, se pensarmos que a Saga já tem sete volumes
e que, em todos eles, existem encontros e desencontros entre as personagens,
rituais, aventuras e batalhas, acresce a responsabilidade de imaginar episódios
diferentes, únicos, para que todos os instantes resultem numa experiência nova e
surpreendente para o leitor.
U.B.C - Os livros da saga apresentam o endereço do site dedicado
à sua obra. Os leitores aproveitam este espaço para entrarem em contacto
consigo?
S. C. - Nesse espaço os leitores têm acesso ao meu e-mail: sandracarvalho29@yahoo.com
Usam-no não só para dar a sua opinião, mas muitas vezes para
trocar impressões ou pedir esclarecimentos. Desde o início que tento responder
pessoalmente a todas as mensagens. Se alguém gostou tanto de um livro que se
deu ao trabalho de procurar o endereço do autor para felicitá-lo, o mínimo que
esse autor pode fazer é retribuir com um agradecimento! Nos últimos tempos (e
felizmente, porque é sinal de que a Saga tem despertado muitas paixões!), tenho
recebido tantas solicitações que tem sido difícil manter o correio em dia. Contudo, mesmo
que demore um pouco, os meus companheiros de aventura podem contar com uma
resposta.
U.B.C - A Saga das Pedras Mágicas não estava pensada, inicialmente, para ter sete volumes? O que aconteceu?
S. C. - Na verdade, a Saga foi pensada para seis volumes, dois para
cada geração de personagens. Porém, enquanto escrevia as “Lágrimas do Sol e da
Lua”, a minha menina guerreira Thora começou a ganhar uma relevância que não estava
prevista. Ao refrescar a pesquisa que tinha feito sobre os rituais de iniciação
dos jovens viquingues, para fundi-la com o misticismo e o universo da Saga, a
imaginação descontrolou-se. Quando dei por mim, tinha mais cenas escritas do
que seria possível publicar em dois livros. E todas me encantavam, por isso cortar
estava fora de questão. Foi assim que surgiu “O Círculo do Medo”. Thora
ensinou-me que, por mais que se planeie todos os passos, existem sempre
surpresas ao longo do caminho que nos desviam da intenção original. Ficou,
então, decidido que a Saga teria sete livros… Até que, ao elaborar o enredo de
“O Filho do Dragão”, achei importante fazer alguma investigação sobre distúrbios
mentais, para melhor compor a personalidade do Halvard. E vi-me novamente tão
entusiasmada no desenvolvimento da personagem, que se tornou impossível
descrever a sua complexidade em poucas linhas. Por isso, foi acordado com a
Presença a publicação do oitavo volume da Saga. Em conclusão, esta é a magia do
processo criativo! Assim como não se controlam os sonhos, também é impossível
colocar rédeas na imaginação quando se escreve com paixão.
U.B.C - O final da saga já está decidido?
S. C. - Quando escrevi a primeira linha da Saga já sabia como
desejava que terminasse. Ao longo dos anos, acabaram por surgir surpresas na
evolução de algumas personagens e no brilho que estas deram à história. Porém,
a essência da narrativa manteve-se fiel ao projecto original e assim será até
ao fim.
U.B.C - Os leitores terão de voltar a esperar três anos pelo
próximo volume? O final de “O Filho do Dragão” faz ansiar por continuação.
S. C. - Sei que os meus companheiros de aventura estavam habituados
a ter um livro novo todos os anos e que se angustiaram com a espera. Mas creio
que todos compreendem que não é fácil tecer uma narrativa tão elaborada, sem
muita pesquisa e planeamento. Além disso, para quem possui outros compromissos
e responsabilidades para além da escrita, por vezes torna-se difícil atender a
todas as solicitações. E quando a exaustão nos vence, instala-se o caos!!! O
facto de “O Filho do Dragão” estar a ficar demasiado volumoso, não só levou à
decisão de publicar um oitavo livro, como aditou a necessidade de rever o que
estava feito, o que contribuiu para que a espera se tornasse maior. A boa
notícia é que, em todo esse processo, grande parte do oitavo livro ficou
delineada. Por isso, como a escrita está a fluir bem, espero terminá-lo antes
do fim do ano, para que a Presença possa publicá-lo no início de 2013.
U.B.C - É possível escolher entre as tramas de Catelyn, Edwina e
Kelda?
S. C. - Cada leitor tem a sua narradora preferida e é engraçado
verificar que essa escolha acaba por advir da sua própria personalidade. A
Catelyn é doce e pura, a Edwina racional e determinada, a Kelda uma guerreira
apaixonada. Para mim, as três são especiais. Fizeram-me crescer e aprender, rir
e chorar, ter ataques de fúria e indignação, desfrutar de horas intermináveis
de prazer. Todas me acompanharam em fases diferentes da vida e acabaram por
deixar marcas no meu coração. Todas representaram um desafio diferente e
cativante. Todas têm um pouco de mim.
U.B.C - Qual é o segredo para a construção das personagens?
S. C. - Na Saga, todas as personagens são pensadas como indivíduos
com personalidade. O objetivo é fazer com que o leitor fique com a sensação de que
está perante homens e mulheres reais; que veja claramente o brilho dos seus
olhos, que os oiça a respirar, que inspire o perfume dos seus cabelos e o odor
do seu suor. Depois, que sinta a sua alegria, a sua dor, o ciúme e a inveja, a
paixão e a motivação que os impele. Acho que o segredo para consegui-lo está na
emoção colocada nas palavras. E o autor adquire esse poder quando entra na pele
de cada personagem até escutar os seus pensamentos. Há que deslindar como é que
alguém, com aquele perfil, reagiria perante determinada situação. Complicado?
Não! Torna-se um pouco cansativo, porque as emoções estão sempre ao rubor.
Todavia, quando me confronto com o resultado final é imensamente divertido e
compensador. Não é à toa que digo que o Halvard me fez cabelos brancos!!! De
todas, sem dúvida foi a personagem mais difícil compor. No entanto, já tive a
satisfação de escutar a opinião de leitores com formação na área, que me asseguraram
que a personagem está perfeitamente construída, muitíssimo bem enquadrada, com
um realismo arrepiante. Isso representa uma grande vitória, atendendo não só à agonia
que foi submergir na sua loucura, mas, principalmente, porque estava a
desbravar trilhos desconhecidos e pantanosos.
U.B.C - As capas da Saga são feitas especialmente para livro.
Gosta desse toque especial que conferem à sua obra?
S. C. - As capas da Saga são feitas por um artista que se chama
Samuel Santos. No início, uma das questões que coloquei à Presença foi
precisamente se o autor da capa se daria ao trabalho de ler a obra. Como
leitora, muitas vezes era atraída pela capa de um livro e, ao acabar de lê-lo,
ficava frustrada por não encontrar relação entre a obra e a capa. Não desejava
que isso acontecesse com a Saga. No entanto, foi-me garantido que o Samuel lia
todos os livros sobre os quais trabalhava. E isso deixou-me bastante satisfeita.
Sou fã do seu trabalho e tenho vindo a acompanhar com agrado a sua evolução. Inclusive,
nos últimos três livros, o Samuel teve a gentileza de aceitar as minhas
sugestões, por isso as capas resultam da magia do seu traço inspirada nas minhas
descrições, o que as torna muitíssimo especiais para mim.
U.B.C - É fácil aceitar as opiniões que surgem sobre a saga?
S. C. - Sem dúvida. Felizmente, de acordo com os contactos que
mantenho, acho que os meus companheiros de aventura estão bastante satisfeitos
com o meu trabalho e reconhecem o esforço que tenho feito para melhorar. É uma
felicidade ouvir dizer que a Saga os ajudou a tomar decisões importantes ou a
superar uma fase menos boa da vida; que a história os fez sonhar, sorrir,
voltar a ganhar coragem para abrir o coração... Todavia, desse orgulho resulta uma
enorme responsabilidade, por isso não me esqueço de manter os pés bem assentes
na terra. No fim, tenho perfeita noção de que não se pode agradar a todos! Por
vezes surge alguém que critica determinada cena por, na sua opinião, ser
demasiado violenta ou sensual, ou que se assume descontente com o rumo que
certa personagem tomou… Não escrevo para agradar nem para chocar. Escrevo por
instinto, pelo prazer de visualizar uma história dentro da mente e dar-lhe vida
através das palavras. Acho que o respeito é um valor fundamental e todas as
pessoas têm o direito de emitir a sua opinião, desde que o façam com educação.
As críticas não me incomodam de todo, se forem construtivas. Afinal, estamos
sempre a aprender e a Saga tem sido uma longa caminhada. Se o meu imaginário
tem o poder de conduzir os leitores ao comentário e ao debate, só tenho de me
alegrar por isso. Mau seria se, ao fecharem os livros, os arrumassem nas
prateleiras e se esquecessem deles.
U.B.C - De onde nasce a inspiração para escrever?
S. C. - Eu tive a sorte de nascer em Sesimbra, entre o mar e a Serra
da Arrábida. Sou filha de um pescador e de uma contadora de histórias nata.
Tive uma infância maravilhosa, a nadar na praia e a correr na serra. Nunca me
faltaram livros e brincadeiras. E, graças a Deus, sempre tive alguém por perto
para responder à infinidade de perguntas que colocava. Tenho uma curiosidade
insaciável e uma imaginação que nunca dorme. Aliás, muitas cenas da Saga são
produto de sonhos! No fim, a minha inspiração nasce de toda a minha vivência:
de tudo o que aprendi, das músicas que ouvi, dos livros que li, dos filmes que
vi, das pessoas que conheci, das emoções que experimentei. O facto de ser
bastante tímida tornou-me observadora. E o mundo à nossa volta é uma
inesgotável fonte de inspiração.
U.B.C - O que mais lhe agrada em poder partilhar histórias com
outras pessoas?
S. C. - A maior satisfação de contar uma história é saber que,
durante o tempo em que a partilha se concretiza, as pessoas esquecem a sua
realidade, por vezes a sua identidade, e mergulham num universo de sonho e
aventura, que se divertem, que se comovem, que vivem intensamente cada cena
como se fizessem parte dela. Este ano, na Feira do Livro de Lisboa, uma senhora
que acabara de comprar “O Filho do Dragão” teve a gentileza de partilhar a sua
experiência comigo. Contou que demorou anos até se decidir a comprar “A Última
Feiticeira”. Tinha medo de que a história fosse demasiado infantil e
superficial, por estar enquadrada na literatura Fantástica. Contudo, um dia
decidiu arriscar… E três dias depois estava a comprar “O Guerreiro Lobo”. Em
menos de um mês já tinha lido os seis livros e sofria à espera do sétimo. Terminou
a dizer-me: “Obrigada por me relembrares de como é bom sonhar.” Acho que este
testemunho é revelador da verdadeira magia da Saga: a partilha de emoções, o
prazer de dar e receber.
U.B.C - O Fantástico é o género de eleição?
S. C. - Enquanto crescia, fui devorando todos os livros a que conseguia
deitar a mão. Por isso, habituei-me a apreciar muitos géneros literários. Ao
longo dos anos, as histórias que fui escrevendo afloravam diversos temas. No entanto,
depressa percebi que o Fantástico me concedia liberdade para explorar, em
simultâneo, os mais variados assuntos, sem ter de assumir compromissos
históricos ou geográficos. Só para vos dar um exemplo, do mesmo modo que
sucederia se estivesse a ler um romance histórico, o leitor da Saga vai conhecer
a realidade das culturas Celta e Viquingue, descobrir como esses povos viviam,
o que comiam e bebiam, como se vestiam, como eram as suas aldeias, as suas casas,
os seus animais; que deuses adoravam, como navegavam, como guerreavam… Contudo,
enquanto que num romance histórico o autor teria de se preocupar em situar no
mapa o espaço da sua narrativa, saber quais os reis que governavam na época e
que batalhas foram travadas, eu pude criar os meus próprios cenários, dar vida
aos meus reis e imaginar as suas batalhas. Em suma, a Saga das Pedras Mágicas
resulta na fusão de todas as minhas paixões. É um romance onde a dura vivência
de dois povos se cruza com a aventura e a comédia, o crime e o terror, a política
e a religião, a história e fantasia. Todavia, não fiquem com a ideia de o Fantástico
é mais fácil de compor do que outro género literário. Pelo contrário! No que à
Saga se refere, enquanto que um escritor de romance histórico se preocupa com
os factos e a beleza das palavras, eu tenho igualmente de me preocupar com os
factos e a beleza das palavras, ao mesmo tempo que torno a narrativa credível
aos olhos do leitor. O maior desafio está em fazer-vos acreditar, ainda que por
um momento, que a magia é algo tão real como o ar que respiramos. É um trabalho
árduo que deve parecer fácil e fluído aos olhos do leitor, para que tudo
resulte na perfeição. Porém, também é muito divertido! Os únicos limites com
que um autor de Fantástico se depara são aqueles que a sua imaginação lhe impõe.
U.B.C - Quais são os autores que não consegue deixar de
acompanhar?
S. C. - Infelizmente, e com grande vergonha, tenho de confessar que,
desde que comecei a publicar, deixei de ter tempo para ler livros que não
estejam relacionados com a pesquisa que necessito de fazer para elaborar a Saga.
No entanto, quando me perguntam sobre os meus autores de referência, é
impossível não falar de Hans Christian Andersen, Enid Blyton, os irmãos Grimm,
Edgar Rice Burroughs, Robert Heinlein, Emilio Salgari, Arthur Conan Doyle,
Agatha Christie, Edgar Allan Poe, Anne Rice, Tolkien, Juliet Marillier, entre
outros. Destaco Marion Zimmer Bladley pela escrita apaixonante e Michael
Crichton que, sendo um autor multifacetado, soube combinar prodigiosamente a
fantasia e a ciência nas suas obras.
U.B.C - Já existem ideias para novos livros?
S. C. - Os meus queridos caderninhos guardam muitas ideias que, com
pesquisa e ponderação, podem conduzir a boas histórias. No entanto, acho que só
vou decidir qual será o próximo projecto a abraçar no instante em que escrever
a última linha da Saga. Além disso, também existe a possibilidade de, mais
tarde, regressar a este universo que me é tão querido. Os leitores pedem-me
insistentemente que desvende a sorte de algumas personagens que se foram
desviando da narrativa principal. Da mesma forma que desejam conhecer as
origens dos Povos da Terra, da Água, do Ar e do Fogo… Veremos!
S. C. - Mal comecei, por isso ainda tenho muito que aprender, imenso
terreno para explorar e barreiras para ultrapassar. Realizei um sonho que
sempre acreditei ser impossível, mas é preciso trabalhar muito, mesmo muito!!!,
para que o sonho não feneça. A luta contra o cansaço e a falta de tempo é
colossal. No entanto, a paixão pela escrita supera tudo isso! Desde que haja
saúde e continue a desfrutar do apoio dos meus companheiros de aventura, o
entusiasmo nunca esmorecerá e existirão sempre histórias para contar.
Opiniões:
A Última Feiticeira (primeiro volume de "A Saga das Pedras Mágicas")
O Guerreiro e o Lobo (segundo volume de "A Saga das Pedras Mágicas")
Lágrimas do Sol e da Lua (terceiro volume de "A Saga das Pedras Mágicas")
O Círculo do Medo (quarto volume de "A Saga das Pedras Mágicas")
Os Três Reinos (quinto volume de "A Saga das Pedras Mágicas")
Opiniões:
A Última Feiticeira (primeiro volume de "A Saga das Pedras Mágicas")
O Guerreiro e o Lobo (segundo volume de "A Saga das Pedras Mágicas")
Lágrimas do Sol e da Lua (terceiro volume de "A Saga das Pedras Mágicas")
O Círculo do Medo (quarto volume de "A Saga das Pedras Mágicas")
Os Três Reinos (quinto volume de "A Saga das Pedras Mágicas")
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Opinião: A Hora Secreta (Midnighters #1)
Título
original:
Midnighters - The Secret Hour (2004)
Autor: Scott Westerfeld
Tradução: Raquel Fidalgo
ISBN: 9789896680169Autor: Scott Westerfeld
Tradução: Raquel Fidalgo
Editora: Vogais (2010)
“Todas as noites, durante uma hora secreta, a cidade pertence às criaturas negras que vivem nas sombras. Apenas um grupo de adolescentes conhece a hora secreta – só eles conseguem mover-se livremente no tempo da meia-noite. Designam-se a si próprios midnighters”.
Sinopse:
"A Hora Secreta" apresenta-nos um grupo de jovens adolescentes que tem uma característica peculiar: conseguem-se mover na hora secreta que existe à meia-noite. Esta 25ª hora do dia, pertence a seres mais antigos que os humanos, que se refugiam das inovações e da evolução, partilhando um mesmo mundo mas num espaço temporal diferente.
Contudo, existem algumas pessoas que conseguem viver a hora secreta. Enquanto todos os seres vivos ficam paralisados, um grupo de jovens, com capacidades distintas entre eles, explora este tempo escondido. Procuram também outros como eles, tentam compreender as suas capacidades, as características e história dos seres misteriosos.
Opinião:
Este livro proporciona uma leitura agradável. Com uma escrita fluida, as páginas são viradas num ápice. A história é passada num ambiente familiar e escolar comum, mas quando surge a hora secreta, emerge a magia do livro. Com a 25º hora o ambiente torna-se azul, as pessoas ficam petrificadas, a tecnologia deixa de funcionar, todos os objetos são atingidos pela característica luz azul, surgem seres magníficos e assustadores e, mesmo a chuva fica imóvel, como que numa fotografia. A descrição deste ambiente é, na meu parecer, o ponto mais forte do livro.
Scott Westerfeld consegue transportar o leitor entre dois
ambientes distintos com mestria. Se num momento parece que a trama está
embrenhada numa tradicional rotina juvenil, onde o liceu, os amigos e a família
são pontos fulcrais, rapidamente tudo muda quando chega a misteriosa hora, em
que o ambiente se torna obscuro e envolvente. Rapidamente queremos saber mais
sobre este mundo oculto e sobre os estranhos e perigosos habitantes.
Cada personagem é dotada de uma personalidade única e isso torna-as cativantes, principalmente pelo facto de cada uma possuir uma capacidade particular que funciona quase como um súper poder na hora oculta. A história destinada a um público jovem-adulto é agradável, mas deixa algumas pontas soltas, carecendo de um maior desenvolvimento em alguns aspetos. Contudo, este fator facilmente se explica por se tratar do primeiro livro de uma saga de quatro.
O primeiro livro desta coleção pode não ser o mais cativante por parecer demasiado simplista em certos aspetos e por as suas personagens serem jovens com pouca maturidade. Porém, com o desenvolvimento da saga, assiste-se a um desenvolvimento pessoal assim como a uma maior exploração dos pontos mais interessantes.
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