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sábado, 15 de dezembro de 2012

Opinião: Predestinado

Título original: Changeling (2012)
Autor: Philippa Gregory
Tradutor: Maria da Fé Peres
ISBN: 9789722635790
Editora: Civilização Editora (2012)

Sinopse:

Estamos em 1453 e todos os sinais apontam para que o fim do mundo esteja iminente. Acusado de heresia e expulso do seu mosteiro, Luca Vero, um atraente jovem de 17 anos, é recrutado por um misterioso estranho para registar o fim dos tempos por toda a Europa.

Obedecendo a ordens seladas, Luca é enviado a cartografar os medos da Cristandade e a viajar até à fronteira do bem e do mal. Isolde, de 17 anos, abadessa, está presa num convento para impedir que reclame a sua enorme herança. Quando as freiras ao seu cuidado enlouquecem com estranhas visões, sonambulismo e exibindo estigmas, Luca é enviado para investigar e todas as provas incriminam Isolde.


No pátio do convento constrói-se uma pira para a queimar por bruxaria. Forçados a enfrentar os maiores medos do mundo medieval – magia negra, lobisomens, loucura – Luca e Isolde embarcam numa busca pela verdade, pelo seu próprio destino e até pelo amor, enquanto percorrem os caminhos desconhecidos até à personagem histórica real que defende as fronteiras da Cristandade e detém os segredos da Ordem das Trevas.


Opinião:

Depois de Philippa Gregory ter conquistado uma legião de fãs com os seus romances históricos destinados ao público adulto, eis que a autora sentiu a necessidade de direcionar a sua escrita para os mais jovens. Assim, surge Predestinado, o primeiro volume de A Ordem das Trevas.

Tendo como pano de fundo uma sociedade medieval europeia, o leitor explora os preconceitos gerados pela ignorância da época. O papel da mulher, a bruxaria, a condenação do que é diferente, a religião e as diferenças raciais são alguns dos temas apresentados e que levam a reflectir sobre a evolução dos tempos e sobre como seria viver naquele tempo.

Luca  E Isolde são as personagens centrais desta trama. Luca é um rapaz que foi entregue a um mosteiro e que é demasiado perspicaz para seu próprio bem. Em tempos, os seus questionamentos levaram-no a ir a tribunal, mas felizmente esta sua capacidade levou-o a ser recrutado por uma nova Ordem que tem como missão investigar casos estranhos. O leitor acompanha Luca por uma jornada onde nem tudo o que parece ser o é.

Isolde é uma jovem nascida no seio da nobreza, criada de uma forma moderna e pouco convencional para a época. O pai levou-a a acreditar que um dia herdaria o castelo e os seus campos, mas quando este falece o irmão inicia um esquema para ficar com tudo e a enviar para um convento. Lá, Isolde é acusada de bruxaria, uma vez que desde a sua chegada as freiras começaram a ter comportamentos estranhos.

Apesar de Luca e Isolde serem personagens interessantes, o leitor poderá sentir maior empatia pelo simpático e divertido Freize ou a misteriosa e corajosa Ishraq. Estas são figuras que parecem não pertencer àquele lugar e época, mas que enriquecem a história com a sua diferença.

Ao longo da narrativa, a autora expõe alguns factos característicos da época, de modo a aproximar o leitor daquele tempo. A introdução do garfo e o papel dos altos sacerdotes são exemplos deste facto, que poderão fazer as delícias dos apreciadores de história.

Predestinado está, claramente dividido em duas fases, parecendo ser detentor de duas histórias diferentes. No final, fica a sensação que muitas mais aventuras estão para vir, onde a tradição popular e a superstição são exploradas. É um livro que se lê rapidamente, apesar de a certa altura possuir momentos mais parados, que propicia momentos de entretenimento. Quem já leu outras obras da autora vai ficar com a sensação de que esta é uma leitura mais leve e com menos surpresas a nível de enredo, mas a verdade é que é preciso não esquecer o público ao qual se destina.

Outros livros de Philippa Gregory:
A Outra Rainha

domingo, 24 de junho de 2012

Opinião: A Outra Rainha


Autor: Philippa Gregory
Título Original: The Other Queen (2008)
Tradução: Maria Beatriz Sequeira
ISBN: 9789722627702
Editora: Civilização Editora (2009)

Sinopse:

De modo a controlar a influência da prima, Maria Stuart, a Rainha dos Escoceses, a Rainha Isabel I de Inglaterra decide colocá-la em prisão domiciliária. Assim, a bela Rainha Maria é deixada aos cuidados do conde de Shrewsbury e da sua mulher, Bess de Hardwick. Contudo, o cativeiro não impede a monarca dos Escoceses de engendrar planos com forças exteriores para retomar o seu trono e para se vingar da prima. 

Se, inicialmente, Bess ficou maravilhada com a possibilidade de ter em sua casa tão nobre presença, com o tempo vai perceber que é a anfitriã de um verdadeiro fardo que vai colocar em causa a fortuna que conseguiu alcançar com tanto esforço e o casamento que foi realizado há menos de um ano. Afinal, Maria é uma mulher de muitos encantos e vai utilizar todas as suas armas de sedução para alcançar os seus objetivos. Estar presa não significa ficar parada.

Opinião:

Philippa Gregory é reconhecida pelo seu talento em escrever romances históricos, nomeadamente sobre a época Tudor. Em “A Outra Rainha” é fornecido ao leitor uma visão sobre uma série de acontecimentos que costumam ser apresentados no ponto de vista da corte inglesa. 

Com capítulos pequenos que são relatados na primeira pessoa por três personagens diferentes, Maria (Stuart), Bess (de Hardwick) e Jorge (o conde de Shrewsbury), o leitor fica com acesso a diferentes prespectivas. Enquanto Maria é uma mulher de grande orgulho e autoestima que luta até ao último momento pela possibilidade de reaver o seu trono na Escócia e de retomar o filho nos braços, Bess é uma interessante mulher empreendedora que nasceu no seio da pobreza e que, graças à sua inteligência e ambição conseguiu construir uma fortuna que procura manter a todo o custo. Já Jorge é um homem que é movido pelo sentimento de honra, mesmo que tal o venha a prejudicar.

Apesar de inicialmente este parecer um conceito interessante, a verdade é que não é fácil entrar na narrativa. O começo é lento e pouco cativante, sendo a leitura motivada pelo pequeno tamanho dos capítulos. Quando as três personagens anteriormente referidas finalmente se encontram, a trama começa a ganhar maior interesse. Se, por um lado, a arrogância de Maria perante os seus anfitriões é incomodativa, a verdade é que a sua persistência, inteligência e técnicas de sedução são interessantes. Bess prometia ser uma das grandes forças desta obra, por ser uma mulher diferente das do seu tempo, mas as suas constantes alusões ao dinheiro, propriedades e casas torna os seus capítulos pouco estimulantes e cansativos. Apreciei os conflitos interiores de Jorge, que faz de tudo para garantir a palavra que deu à Rainha de Inglaterra ao mesmo tempo que se enamora da Rainha dos Escoceses.Contudo, é um homem demasiado ingénuo apesar da idade, e pouco dotado a nível intelectual.

Não é fácil estabelecer uma ligação emocional com estas personagens, o que prejudica a leitura. O facto de a ação ser lenta e de a escrita estar demasiado focada em reflexões pessoais também não ajuda. O maior impulsionador é a intriga política subjacente a todos os acontecimentos relatados, numa época em que se assiste a uma verdadeira luta entre protestantes e católicos.

"A Outra Rainha" pode ser uma boa forma de conhecer melhor uma história que é pouco explorada da época Tudor. Não é um livro marcante nem é um dos melhores da autora.