Título Original: The Maze Runner - The Prequel 1:The Kill Order (2012)
Autor: James Dashner
Tradução: Marta Mendonça
ISBN: 9789722356848
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
Antes de a CRUEL existir, de a Clareira ser construída e de Thomas ter entrado no Labirinto, os fulgores do Sol atingiram a Terra, arrasando o planeta e dizimando grande parte da humanidade. Mark e Trina estão entre os sobreviventes que agora lutam por uma existência em condições precárias nas pequenas comunidades que se formaram nas montanhas. Mas se eles achavam que a situação em que se encontravam não podia piorar, estavam enganados. Um inimigo surge, infetando a população com um vírus altamente contagioso e mortal…
Opinião:
Ao longo da leitura da trilogia "Maze Runner", quis sempre perceber o que tinha acontecido para o mundo descrito ser tão diferente do nosso. A certo ponto percebi que tudo começou com os fulgores solares, mas que foi uma doença provocada por um vírus que deixou a humanidade em risco de extinção. Mas isso não bastou. Afinal, como surgiu tal vírus? Como é que as pessoas reagiram quando tudo começou a mudar? Como perceberam qual poderia ser a solução? James Dashner decidiu dar explicação a tudo isto e escreveu Vírus Mortal.
O prólogo desta obra está diretamente associado com a trilogia, uma vez que acompanha o ponto de vista de uma personagem já nossa conhecida. Contudo, esse é o único momento em que tal acontece. Todo o livro apresenta figuras completamente novas. Confesso que isso fez com que, ao início, me tivesse custado um pouco a deixar-me envolver pelo enredo. Penso que tal aconteceu por estar demasiado presa a Thomas, Minho, Newt e restantes personagens da trilogia e por me ser difícil imaginar este universo sem eles. Contudo, com o avançar da narrativa acabei por dar por mim agarrada ao livro. Penso que tal aconteceu pelos boa sequência de acontecimentos e pela ligação que surgiu com as personagens.
Toda a narrativa acompanha Mark. À semelhança de Thomas, também ele é jovem, leal aos amigos e determinado em encontrar algo melhor para todos. Contudo, Mark é também movido pelos sentimentos que tem relativamente a Trina, uma rapariga que conhece desde o caos que se instalou. A relação deles é de grande amizade e por vezes sugere algo mais. As personalidades de ambos não são propriamente originais, mas as situações em que eles se envolvem e as respostas que dão isso acabam por gerar interesse sobre eles.
Do grupo a que Mark pertence, a figura que mais me cativou foi Alec. Ele já é um homem de uma certa idade, um ex-combatente, o que dá mais maduro a esta saga. Ele transmite sabedoria, experiência, bondade, e deixa adivinhar que já passou por muito. É alguém que é capaz de colocar um bem maior à frente dos seus próprios sentimentos. E percebe-se que é também graças a ele que muitos males são evitados.
A trama começa no momento em que o vírus se começa a manifestar numa comunidade. Não estava à espera da forma como tudo aconteceu, e fiquei surpreendida por os efeitos descritos não serem iguais aos que surgem na trilogia. Percebe-se assim que esta é uma praga em evolução. A forma lenta e dolorosa como a loucura se vai apoderando dos infetados conseguiu fazer-me sentir revolta, repulsa e pena. Tudo é apresentado de forma desconcertante e existem momentos que são verdadeiramente assustadores.
E enquanto os habitantes do Labirinto não tinham memórias, já este grupo tem um passado feliz que acabou por ser desfeito. Isto faz com que, ao mesmo tempo que acompanhamos a aventura presente, nos sejam dadas a conhecer as suas recordações. Como tal, ficamos com uma visão do choque inicial provocado por uma grande onda de destruição e morte. Além disso, é possível ter uma ideia de como os humanos sobreviventes conseguiram escapar às radiações e calor excessivo e a todas as consequências destes dois fatores.
A narrativa é muito rápida, o que proporciona uma leitura que avança a ritmo acelerado. Existe sempre algo novo a acontecer que leva as personagens a agirem. Porém, tal também faz com que existam momentos um pouco mais confusos, que carecem de maior descrição ou explicação. Mas o resultado final é um livro que completa bem a história de "Maze Runner" e que marca pela diferença. Deixem-me ainda salientar que gostei muito de uma revelação final.
As personagens podem não ser tão interessantes quanto a das trilogia e este acaba por ser um livro que surge mais na necessidade de dar respostas, contudo, acredito que os fãs da trilogia vão gostar deste livro.
Outras opiniões a livros de James Dashner:
Maze Runner - Correr ou Morrer (Maze Runner #1)
Maze Runner - Provas de Fogo (Maze Runner #2)
Maze Runner - A Cura Mortal (Maze Runner #3)
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sexta-feira, 16 de outubro de 2015
sábado, 29 de agosto de 2015
Opinião: Half Wild - Entre o Humano e o Selvagem (Half Life #2)
Título Original: Half Wild (2015)
Autor: Sally Green
Tradução: Catarina Gândara
ISBN: 9789722352192
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
Nathan consegue finalmente escapar do cativeiro. Depois de encontrar o seu pai e de este lhe oferecer um dom poderosíssimo, completando assim os três dons que o confirmam como bruxo adulto, o jovem sabe, contudo, que ainda não se encontra a salvo e que tem de continuar a fugir. Porque de um lado estão os Bruxos Negros que o odeiam e do outro, os Bruxos Brancos que desejam a sua captura. No meio deste conflito, Nathan tem de conseguir encontrar o seu amigo Gabriel e resgatar Annalise, a jovem que ama e que está prisioneira do temível bruxo negro, Mercury. Mas para ser bem-sucedido, Nathan sabe que terá de aprender a controlar o seu próprio poder…
Half Wild é a continuação do livro Half Bad ̶ Entre o Bem e o Mal, aclamado internacionalmente pela crítica e pelo público.
Opinião:
Pouco tempo depois da publicação do original, eis que a Editorial Presença traz Half Wild - Entre o Humano e o Selvagem para Portugal. Estava muito curiosa com este segundo volume, uma vez que tinha gostado bastante do primeiro apesar de ter terminado de uma forma abrupta. Felizmente a narrativa deste livro começa no momento que o anterior terminou e ainda permite recordar os acontecimentos mais importantes de forma a enquadrar logo a trama.
Nathan aparece agora mais maduro. É jovem, mas já começa a enfrentar a realidade de uma forma mais consciente, premeditada e com um propósito... pelo menos assim é quando não é tomando pelo seu lado selvagem. É que se no primeiro livro, a dicotomia entre bem e mal eram de grande importância para o protagonista devido às definições e estereótipos de sociedade, agora ele procura entender um outro lado da sua natureza.
Já se percebeu a ideia da autora mostrar que o bem e mal são conceitos relativos e que nem sempre podem ser encontrados onde se espera, para além de que todos nós somos detentores desses dois lados e temos de escolher qual seguir. Mas agora, Sally Green mostra ainda que dentro de cada pessoa existe o lado racional e o instintivo, e que estes nem sempre se encontram em harmonia. É o que acontece com Natham, que, representa essa ideia ao transformar-se num animal que não consegue controlar. Aqui, gostei da ideia da aceitação de todo o nosso ser de forma a encontrar o equilíbrio.
Neste livro, Sally Green volta a mostrar que se preocupa com a construção de personagens secundárias fortes e interessantes. Desta vez, nutri um forte carinho por Gabriel e diverti-me bastante com Nesbitt. Van continua a parecer muito misteriosa e fiquei sempre com a sensação de que Annalise não estava a mostrar em pleno quem é verdadeiramente. Porém, depois de tudo o que aconteceu no volume anterior, achei que algumas personagens acabaram por ser pouco aproveitadas, nomeadamente Mercury e Marcus.
Desta vez foi possível sentir mais o lado fantástico e mágico deste mundo, talvez porque agora sim começaram as verdadeiras batalhas e porque Dons foram revelados. Porém, também houve muitos momentos mais parados ao início, muito focados em reflexões e desejos do protagonista quem nem sempre se mostravam interessantes ou que acabavam por deixar a sensação de repetição.
O final não apresenta uma conclusão, uma vez que este livro é o segundo de uma trilogia, mas existe um acontecimento que provoca uma grande reviravolta e que irá ser crucial para os desenvolvimentos que se seguem no volume final. Confesso que fiquei surpreendida e que quero muito saber o que a autora está a reservar. Pode dizer-se que existe um triângulo amoroso a ser relatado nestas páginas, mas este não é o foco principal da trama, e sim uma componente que acaba por estar bem feita. ~
Tal como aconteceu com o livro que deu início a esta trilogia, Half Wild - Entre o Humano e o Selvagem também possui analogias à realidade que provocam reflexão e também proporciona uma leitura rápida e interessante. Agora, é ficar a aguardar pelo desfecho desta trilogia para saciar a curiosidade. Afinal, é possível ter uma ideia do que poderá vir a acontecer, mas Sally Green já mostrou que é uma autora original e que tem a capacidade de surpreender o leitor.
Outras opiniões a livros de Sally Green:
Half Bad - Entre o Bem e o Mal (Half Life #1)
NOTA: Está a decorrer um passatempo em parceria com a Editorial Presença com sorteio de um livro de Half Wild - Entre o Humano e o Selvagem. Concorram aqui!
Autor: Sally Green
Tradução: Catarina Gândara
ISBN: 9789722352192
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
Nathan consegue finalmente escapar do cativeiro. Depois de encontrar o seu pai e de este lhe oferecer um dom poderosíssimo, completando assim os três dons que o confirmam como bruxo adulto, o jovem sabe, contudo, que ainda não se encontra a salvo e que tem de continuar a fugir. Porque de um lado estão os Bruxos Negros que o odeiam e do outro, os Bruxos Brancos que desejam a sua captura. No meio deste conflito, Nathan tem de conseguir encontrar o seu amigo Gabriel e resgatar Annalise, a jovem que ama e que está prisioneira do temível bruxo negro, Mercury. Mas para ser bem-sucedido, Nathan sabe que terá de aprender a controlar o seu próprio poder…
Half Wild é a continuação do livro Half Bad ̶ Entre o Bem e o Mal, aclamado internacionalmente pela crítica e pelo público.
Opinião:
Pouco tempo depois da publicação do original, eis que a Editorial Presença traz Half Wild - Entre o Humano e o Selvagem para Portugal. Estava muito curiosa com este segundo volume, uma vez que tinha gostado bastante do primeiro apesar de ter terminado de uma forma abrupta. Felizmente a narrativa deste livro começa no momento que o anterior terminou e ainda permite recordar os acontecimentos mais importantes de forma a enquadrar logo a trama.
Nathan aparece agora mais maduro. É jovem, mas já começa a enfrentar a realidade de uma forma mais consciente, premeditada e com um propósito... pelo menos assim é quando não é tomando pelo seu lado selvagem. É que se no primeiro livro, a dicotomia entre bem e mal eram de grande importância para o protagonista devido às definições e estereótipos de sociedade, agora ele procura entender um outro lado da sua natureza.
Já se percebeu a ideia da autora mostrar que o bem e mal são conceitos relativos e que nem sempre podem ser encontrados onde se espera, para além de que todos nós somos detentores desses dois lados e temos de escolher qual seguir. Mas agora, Sally Green mostra ainda que dentro de cada pessoa existe o lado racional e o instintivo, e que estes nem sempre se encontram em harmonia. É o que acontece com Natham, que, representa essa ideia ao transformar-se num animal que não consegue controlar. Aqui, gostei da ideia da aceitação de todo o nosso ser de forma a encontrar o equilíbrio.
Neste livro, Sally Green volta a mostrar que se preocupa com a construção de personagens secundárias fortes e interessantes. Desta vez, nutri um forte carinho por Gabriel e diverti-me bastante com Nesbitt. Van continua a parecer muito misteriosa e fiquei sempre com a sensação de que Annalise não estava a mostrar em pleno quem é verdadeiramente. Porém, depois de tudo o que aconteceu no volume anterior, achei que algumas personagens acabaram por ser pouco aproveitadas, nomeadamente Mercury e Marcus.
Desta vez foi possível sentir mais o lado fantástico e mágico deste mundo, talvez porque agora sim começaram as verdadeiras batalhas e porque Dons foram revelados. Porém, também houve muitos momentos mais parados ao início, muito focados em reflexões e desejos do protagonista quem nem sempre se mostravam interessantes ou que acabavam por deixar a sensação de repetição.
O final não apresenta uma conclusão, uma vez que este livro é o segundo de uma trilogia, mas existe um acontecimento que provoca uma grande reviravolta e que irá ser crucial para os desenvolvimentos que se seguem no volume final. Confesso que fiquei surpreendida e que quero muito saber o que a autora está a reservar. Pode dizer-se que existe um triângulo amoroso a ser relatado nestas páginas, mas este não é o foco principal da trama, e sim uma componente que acaba por estar bem feita. ~
Tal como aconteceu com o livro que deu início a esta trilogia, Half Wild - Entre o Humano e o Selvagem também possui analogias à realidade que provocam reflexão e também proporciona uma leitura rápida e interessante. Agora, é ficar a aguardar pelo desfecho desta trilogia para saciar a curiosidade. Afinal, é possível ter uma ideia do que poderá vir a acontecer, mas Sally Green já mostrou que é uma autora original e que tem a capacidade de surpreender o leitor.
Outras opiniões a livros de Sally Green:
Half Bad - Entre o Bem e o Mal (Half Life #1)
NOTA: Está a decorrer um passatempo em parceria com a Editorial Presença com sorteio de um livro de Half Wild - Entre o Humano e o Selvagem. Concorram aqui!
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Opinião: O Mar Infinito (A 5ª Vaga #2)
Título original: The Infinite Sea (2014)
Autor: Rick Yancey
Tradução: Miguel Romeira
ISBN: 9789722355889
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
A Terra foi invadida por extraterrestres - os Outros -, que têm como único objetivo o extermínio de toda a população do planeta. Sem aviso, lançaram quatro vagas de destruição que devastaram parte da humanidade. Cassie Sullivan e os seus companheiros contam-se entre os poucos que sobreviveram.
Agora, com a espécie humana quase extinta e com uma quinta vaga em marcha, os jovens têm de tomar uma decisão crucial: enfrentar o duro inverno e ficar à espera que Evan Walter regresse, ou partir à procura de mais sobreviventes antes que o inimigo se aproxime demasiado - porque o próximo ataque é mais do que possível, é inevitável. Ninguém é capaz de prever até onde os Outros podem descer, nem estes sabem o quanto a humanidade se pode erguer.
Opinião:
Depois de todas as emoções que acompanham A 5ª Vaga, estava curiosa com a continuação desta obra de Rick Yancey. O Mar Infinito, segundo volume da trilogia chegou às minhas mãos e comecei imediatamente a ler. Posso desde já adiantar que deparei-me com momentos de muita ação, muitas revelações e, no final, voltei a duvidar de tudo aquilo que acreditava até ali. E sabem que mais? Gosto de livros que me levam a pensar de diferentes formas e a não ter a certeza de nada até às páginas finais e este é um deles!
Contudo, logo no início deparei-me com um obstáculo: a narrativa começava de uma forma rápida, com todas as personagens inseridas em momentos de ação. Ora, se isso, por um lado, pode ser bom porque mostra que o livro tem muitos acontecimentos de cortar o fôlego, por outros pode ser um pouco confuso. Tendo em conta que li o primeiro livro há mais do ano, previsava de um início que me relembrasse os acontecimentos principais do volume anterior e, principalmente, me ajudasse a recordar as personagens. Como tal, a leitura das primeiras páginas não foi fácil.
Felizmente, todos os pontos acabaram por serem ligados e eu lá consegui fazer as associações necessárias entre o primeiro livro e este. A partir daí, a leitura atingiu um ritmo mais rápido e, quando dei por mim, já estava mesmo a chegar à última página. A narrativa é muito rápida e há muito a acontecer. De forma a ajudar o leitor a compreender tudo o que está a acontecer, o autor optou por fazer uma divisão tendo como base os cenários. O meu preferido foi, sem dúvida, o último, por ser aquele que trazia um maior fator de novidade.
Cassie volta a ser uma personagem de grande foco, mas enquanto no primeiro livro era, sem dúvida, a protagonista, agora parece passar mais despercebida. Tem um papel muito importante, é verdade, mas o ponto de vista novo de outras figuras faz com que ela acaba para passar para um plano de menor interesse. Desta vez, senti falta do humor negro desta figura, mas entende que tal aconteceu devido às circunstâncias em que se encontra.
Desta vez, Ringer foi a personagem que mais me cativou. A personalidade dela é conflituosa e revoltada e existe uma necessidade enorme de a entender. Uma parte do seu passado é desvendada e, desta forma, ficasse com uma ideia da origem da enorme força desta rapariga. Mas devo dizer que o que realmente me cativou foi a situação final em que ela se encontrou. É através do ponto de vista de Ringer que ficamos a conhecer uma nova versão do que está a acontecer e é também através dela que as ideias que já aceitávamos como certas acabam por cair e dar origem a outras.
Gostei muito do livro, mas, ao mesmo tempo, fiquei com a sensação que tinha lido algo que não tinha um início ou um fim. O Mar Infinito é o segundo volume de uma trilogia e, por isso, percebe-se que não possa haver uma conclusão definitiva, mas gostaria que o autor tivesse encontrado um ponto de viragem mais consistente para que esta leitura terminasse com um outro sabor. Assim sendo, sinto que acabei de ler algo que ficou incompleto.
O Mar Infinito mantém o entusiasmo e as emoções que surgiram em A 5ª Vaga, mas também deixou muito por explicar. Gostei do livro, mas estava à espera de mais respostas, não de mais perguntas. Agora, quero muito ler o próximo livro. Estou curiosa para saber quais vão ser os desenvolvimentos das personagens e qual é, afinal, o segredo de todo este mundo.
Outras opiniões a livros de Rick Yancey:
A 5ª Vaga (A 5ª Vaga #2)
Autor: Rick Yancey
Tradução: Miguel Romeira
ISBN: 9789722355889
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
A Terra foi invadida por extraterrestres - os Outros -, que têm como único objetivo o extermínio de toda a população do planeta. Sem aviso, lançaram quatro vagas de destruição que devastaram parte da humanidade. Cassie Sullivan e os seus companheiros contam-se entre os poucos que sobreviveram.
Agora, com a espécie humana quase extinta e com uma quinta vaga em marcha, os jovens têm de tomar uma decisão crucial: enfrentar o duro inverno e ficar à espera que Evan Walter regresse, ou partir à procura de mais sobreviventes antes que o inimigo se aproxime demasiado - porque o próximo ataque é mais do que possível, é inevitável. Ninguém é capaz de prever até onde os Outros podem descer, nem estes sabem o quanto a humanidade se pode erguer.
Opinião:
Depois de todas as emoções que acompanham A 5ª Vaga, estava curiosa com a continuação desta obra de Rick Yancey. O Mar Infinito, segundo volume da trilogia chegou às minhas mãos e comecei imediatamente a ler. Posso desde já adiantar que deparei-me com momentos de muita ação, muitas revelações e, no final, voltei a duvidar de tudo aquilo que acreditava até ali. E sabem que mais? Gosto de livros que me levam a pensar de diferentes formas e a não ter a certeza de nada até às páginas finais e este é um deles!
Contudo, logo no início deparei-me com um obstáculo: a narrativa começava de uma forma rápida, com todas as personagens inseridas em momentos de ação. Ora, se isso, por um lado, pode ser bom porque mostra que o livro tem muitos acontecimentos de cortar o fôlego, por outros pode ser um pouco confuso. Tendo em conta que li o primeiro livro há mais do ano, previsava de um início que me relembrasse os acontecimentos principais do volume anterior e, principalmente, me ajudasse a recordar as personagens. Como tal, a leitura das primeiras páginas não foi fácil.
Felizmente, todos os pontos acabaram por serem ligados e eu lá consegui fazer as associações necessárias entre o primeiro livro e este. A partir daí, a leitura atingiu um ritmo mais rápido e, quando dei por mim, já estava mesmo a chegar à última página. A narrativa é muito rápida e há muito a acontecer. De forma a ajudar o leitor a compreender tudo o que está a acontecer, o autor optou por fazer uma divisão tendo como base os cenários. O meu preferido foi, sem dúvida, o último, por ser aquele que trazia um maior fator de novidade.
Cassie volta a ser uma personagem de grande foco, mas enquanto no primeiro livro era, sem dúvida, a protagonista, agora parece passar mais despercebida. Tem um papel muito importante, é verdade, mas o ponto de vista novo de outras figuras faz com que ela acaba para passar para um plano de menor interesse. Desta vez, senti falta do humor negro desta figura, mas entende que tal aconteceu devido às circunstâncias em que se encontra.
Desta vez, Ringer foi a personagem que mais me cativou. A personalidade dela é conflituosa e revoltada e existe uma necessidade enorme de a entender. Uma parte do seu passado é desvendada e, desta forma, ficasse com uma ideia da origem da enorme força desta rapariga. Mas devo dizer que o que realmente me cativou foi a situação final em que ela se encontrou. É através do ponto de vista de Ringer que ficamos a conhecer uma nova versão do que está a acontecer e é também através dela que as ideias que já aceitávamos como certas acabam por cair e dar origem a outras.
Gostei muito do livro, mas, ao mesmo tempo, fiquei com a sensação que tinha lido algo que não tinha um início ou um fim. O Mar Infinito é o segundo volume de uma trilogia e, por isso, percebe-se que não possa haver uma conclusão definitiva, mas gostaria que o autor tivesse encontrado um ponto de viragem mais consistente para que esta leitura terminasse com um outro sabor. Assim sendo, sinto que acabei de ler algo que ficou incompleto.
O Mar Infinito mantém o entusiasmo e as emoções que surgiram em A 5ª Vaga, mas também deixou muito por explicar. Gostei do livro, mas estava à espera de mais respostas, não de mais perguntas. Agora, quero muito ler o próximo livro. Estou curiosa para saber quais vão ser os desenvolvimentos das personagens e qual é, afinal, o segredo de todo este mundo.
Outras opiniões a livros de Rick Yancey:
A 5ª Vaga (A 5ª Vaga #2)
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Opinião: Shiver - Um Amor Impossível (Lobos de Mercy Falls #1)
Título original: Shiver (2009)
Autor: Maggie Stiefvater
Tradução: Maria do Carmo Figueira
ISBN: 9789720044273
Editora: Editorial Presença (2011)
Sinopse:
Sam e Grace são dois adolescentes que vivem um amor sublime e aparentemente impossível. Todos os anos, quando chega a Primavera, Sam, abandona a sua vida de lobisomem e recupera a forma humana, aproximando-se de Grace, mas sempre que regressa o Inverno, vê-se obrigado a voltar à floresta e a viver com a sua alcateia. Quando olha pela janela de sua casa, na orla da floresta, Grace repara sempre num lobo que a fita com os seus misteriosos olhos amarelos e sabe que é ele, Sam, o seu salvador. E Sam observa a sua amada de longe, ansiando pelo retorno da Primavera. Conseguirá o seu amor, cada vez mais intenso, vencer os muitos obstáculos que ameaçam separá-los para sempre? Uma história cheia de aventuras e descobertas, mágica, original, que desafia a mente e enternece o coração.
Opinião:
Desde que Shiver - Um Amor Impossível saiu no mercado português que eu estava muito curiosa e com muita vontade de o ler. Afinal, trata-se de um livro dentro do género fantástico e sobre o qual já tinha lido boas opiniões. A oportunidade para o fazer aconteceu recentemente, e eu esperava deparar-me com uma história pouco complexa mas bonita e amorosa. Infelizmente este livro revelou-se uma grande desilusão.
Durante a leitura, não consegui deixar de constatar que Maggie Stiefvater parece fã de Stephanie Meyer. Perdoem-me, mas não consigo deixar de constatar as muitas semelhanças que existem entre este livro e Crepúsculo. Os vampiros foram substituídos por lobisomens, o que não pode ser considerada uma grande novidade ou inovação.
Grace, a protagonista, parece ter a mesma personalidade aborrecida de Bella. Também ela é, supostamente, muito madura para a idade, também ela toma conta dos pais que, por uma razão muito pouco credível, são disparatados e ausentes, também ela desenvolve uma verdadeira obsessão por um rapaz estranho, também ela é muito melodramática e sim... também ela não se sente incomodada por ser observada enquanto dorme. Não consegui sentir qualquer empatia com Grace.
Não consigo mesmo perceber o encanto à volta de Sam. Ele é um rapaz atormentado que representa o lado sobrenatural da obra, o que também o torna misterioso, mas, tirando isso, tem poucos atrativos. A autora tenta mostrar que os lobisomens são seres que, com o tempo, acabam por se entregar ao lado instintivo, mas Sam combate isso devido ao seu "amor" por Grace. Esta ideia pode parecer muito romântica, mas não foi bem desenvolvida. Não se percebe como este amor surgiu, pois o momento do "clique" foi muito estranho (sério... se ela estava a ser atacada, porque não ficou com marcas?) e porque parece ir contra algo que seria mais natural. Além disso, ele não deixa de parecer um perseguidor e até mesmo as suas músicas conseguem ser constrangedoras de tão lamechas que são.
As restantes personagens são muito fracas e superficiais. Os motivos da "rival" de Grace são demasiado forçados, o que fazem com que não seja temível. O mentor de Sam é insípido e, apesar de no início parecer ser uma figura paterna, acaba por se revelar um homem que poderia ser mais complexo do que o que realmente é. Os pais de Grace são completamente descabidos, o que me leva a pensar que têm aquela personalidade só mesmo para a filha poder andar livremente a fazer o que quer e para ter um rapaz escondido no quarto.
A autora até tinha algumas ideias interessantes, mas mesmo quando estas foram desenvolvidas, tal aconteceu de uma forma muito fraca. A sociedade lobisomen até poderia fazer sentido, mas não há grandes motivos para tudo ser tão voltado para Sam. Um suposto alfa não é alguém a quem a liderança é imposta. Os desaparecimentos poderiam ter feito o leitor levantar suspeitas e imaginar diferentes hipóses, mas nem isso foi bem aproveitado.
Shiver - Um Amor Impossível é um livro que se lê sem grande entusiasmo e que depressa se torna aborrecido. Pode ter alguns momentos mais interessantes, mas estes depressa são quebrados pelos dramas e amores de adolescentes. No final da leitura, apenas fiquei feliz por não ter arriscado em comprar os dois volumes que se seguem. Não tenho qualquer intenção de concluir esta trilogia.
Autor: Maggie Stiefvater
Tradução: Maria do Carmo Figueira
ISBN: 9789720044273
Editora: Editorial Presença (2011)
Sinopse:
Sam e Grace são dois adolescentes que vivem um amor sublime e aparentemente impossível. Todos os anos, quando chega a Primavera, Sam, abandona a sua vida de lobisomem e recupera a forma humana, aproximando-se de Grace, mas sempre que regressa o Inverno, vê-se obrigado a voltar à floresta e a viver com a sua alcateia. Quando olha pela janela de sua casa, na orla da floresta, Grace repara sempre num lobo que a fita com os seus misteriosos olhos amarelos e sabe que é ele, Sam, o seu salvador. E Sam observa a sua amada de longe, ansiando pelo retorno da Primavera. Conseguirá o seu amor, cada vez mais intenso, vencer os muitos obstáculos que ameaçam separá-los para sempre? Uma história cheia de aventuras e descobertas, mágica, original, que desafia a mente e enternece o coração.
Opinião:
Desde que Shiver - Um Amor Impossível saiu no mercado português que eu estava muito curiosa e com muita vontade de o ler. Afinal, trata-se de um livro dentro do género fantástico e sobre o qual já tinha lido boas opiniões. A oportunidade para o fazer aconteceu recentemente, e eu esperava deparar-me com uma história pouco complexa mas bonita e amorosa. Infelizmente este livro revelou-se uma grande desilusão.
Durante a leitura, não consegui deixar de constatar que Maggie Stiefvater parece fã de Stephanie Meyer. Perdoem-me, mas não consigo deixar de constatar as muitas semelhanças que existem entre este livro e Crepúsculo. Os vampiros foram substituídos por lobisomens, o que não pode ser considerada uma grande novidade ou inovação.
Grace, a protagonista, parece ter a mesma personalidade aborrecida de Bella. Também ela é, supostamente, muito madura para a idade, também ela toma conta dos pais que, por uma razão muito pouco credível, são disparatados e ausentes, também ela desenvolve uma verdadeira obsessão por um rapaz estranho, também ela é muito melodramática e sim... também ela não se sente incomodada por ser observada enquanto dorme. Não consegui sentir qualquer empatia com Grace.
Não consigo mesmo perceber o encanto à volta de Sam. Ele é um rapaz atormentado que representa o lado sobrenatural da obra, o que também o torna misterioso, mas, tirando isso, tem poucos atrativos. A autora tenta mostrar que os lobisomens são seres que, com o tempo, acabam por se entregar ao lado instintivo, mas Sam combate isso devido ao seu "amor" por Grace. Esta ideia pode parecer muito romântica, mas não foi bem desenvolvida. Não se percebe como este amor surgiu, pois o momento do "clique" foi muito estranho (sério... se ela estava a ser atacada, porque não ficou com marcas?) e porque parece ir contra algo que seria mais natural. Além disso, ele não deixa de parecer um perseguidor e até mesmo as suas músicas conseguem ser constrangedoras de tão lamechas que são.
As restantes personagens são muito fracas e superficiais. Os motivos da "rival" de Grace são demasiado forçados, o que fazem com que não seja temível. O mentor de Sam é insípido e, apesar de no início parecer ser uma figura paterna, acaba por se revelar um homem que poderia ser mais complexo do que o que realmente é. Os pais de Grace são completamente descabidos, o que me leva a pensar que têm aquela personalidade só mesmo para a filha poder andar livremente a fazer o que quer e para ter um rapaz escondido no quarto.
A autora até tinha algumas ideias interessantes, mas mesmo quando estas foram desenvolvidas, tal aconteceu de uma forma muito fraca. A sociedade lobisomen até poderia fazer sentido, mas não há grandes motivos para tudo ser tão voltado para Sam. Um suposto alfa não é alguém a quem a liderança é imposta. Os desaparecimentos poderiam ter feito o leitor levantar suspeitas e imaginar diferentes hipóses, mas nem isso foi bem aproveitado.
Shiver - Um Amor Impossível é um livro que se lê sem grande entusiasmo e que depressa se torna aborrecido. Pode ter alguns momentos mais interessantes, mas estes depressa são quebrados pelos dramas e amores de adolescentes. No final da leitura, apenas fiquei feliz por não ter arriscado em comprar os dois volumes que se seguem. Não tenho qualquer intenção de concluir esta trilogia.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Opinião: Sete Minutos Depois da Meia-Noite
Título original: A Monster Calls (2011)
Autor: Patrick Ness
Tradução: Ana Cristina Pais
ISBN: 9789722354608
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
Passava pouco da meia-noite quando o monstro apareceu.
Inspirado numa ideia original da escritora Siobhan Dowd, que morreu de cancro em 2007, Patrick Ness criou uma história de uma beleza tocante, que aborda verdades dolorosas com elegância e profundidade, sem nunca perder de vista a esperança no futuro. Fala-nos dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para os ultrapassar. Fantasia e realidade misturam-se num livro de exceção, com ilustrações soberbas que complementam e expandem a beleza do texto.
Opinião:
Assim que peguei em Sete Minutos Depois da Meia-Noite senti que estava perante um livro diferente. É um livro pequeno mas que tem um peso maior do que imaginava ao início. Ao abri-lo, depressa percebi que houve um cuidado especial com esta edição. As páginas são de grande qualidade e as ilustrações de Jim Kay são misteriosas, obscuras e belas. Para completar esta primeira apreciação, quero acrescentar que se sente um cheiro diferente e característico que de certo vai cativar outros entusiastas de livros que gostam destes pequenos pormenores.
A história é narrada com simplicidade, mas tal não significa que se trata de uma trama superficial. Pelo contrário. Depressa ser percebe que este livro procurar explorar emoções humanas comuns e profundas. Trata-se de uma descoberta do "eu" e do contraste entre quem acreditamos ser e quem realmente somos.
Connor é o protagonista. Poder-se-ia pensar que por ter 13 anos ele seria um jovem que, como está a formar a sua personalidade, teria emoções que não iriam criar identificação com o público adulto. Enganam-se. O livro pode ser apresentado como destinado a um público jovem, mas a verdade é que Connor promete marcar leitores de todas as idades.
A situação familiar de Connor é comum nos dias de hoje e, infelizmente, os seus problemas também. Logo se percebe que ele é mais maduro do que seria de esperar para alguém da sua idade, mas que continua a manter traços de menino. A forma como ele lida com os outros deixa adivinhar o que ele sente por ele próprio. É com emoção que o vemos descobrir as suas próprias fraquezas e necessidades, uma vez que ele dificuldades em as admitir.
O monstro, representação da realidade no seu estado puro, selvagem e verdadeiro, é uma criação belíssima. Adorei as suas histórias que revelam sempre uma moral inesperada e que nos fazem pensar sobre o que está para lá do que é aparente. Ele vem acrescentar um tom fantasioso a esta narrativa dura e pesada. A forma como Connor se relaciona com o monstro é representativa da revolta que existe dentro dele.
A leitura cativa desde o início e o livro é lido com rapidez. Em momento algum é aborrecido, pois atrai sempre o interesse quer pela trama quer pela bonita forma como está escrito. O autor realmente consegue transportar-nos para um local íntimo de autodescoberta, onde a dor, a perda, a solidão e a incapacidade de admitir emoções nos afecta de uma forma incomparável.
Sete Minutos Depois da Meia-Noite é um livro que recomendo a todos. Belo, intimista, misterioso e obscuro, proporciona uma leitura sem igual e que certamente marcará. Uma verdadeira lição de vida.
Autor: Patrick Ness
Tradução: Ana Cristina Pais
ISBN: 9789722354608
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
Passava pouco da meia-noite quando o monstro apareceu.
Inspirado numa ideia original da escritora Siobhan Dowd, que morreu de cancro em 2007, Patrick Ness criou uma história de uma beleza tocante, que aborda verdades dolorosas com elegância e profundidade, sem nunca perder de vista a esperança no futuro. Fala-nos dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para os ultrapassar. Fantasia e realidade misturam-se num livro de exceção, com ilustrações soberbas que complementam e expandem a beleza do texto.
Opinião:
Assim que peguei em Sete Minutos Depois da Meia-Noite senti que estava perante um livro diferente. É um livro pequeno mas que tem um peso maior do que imaginava ao início. Ao abri-lo, depressa percebi que houve um cuidado especial com esta edição. As páginas são de grande qualidade e as ilustrações de Jim Kay são misteriosas, obscuras e belas. Para completar esta primeira apreciação, quero acrescentar que se sente um cheiro diferente e característico que de certo vai cativar outros entusiastas de livros que gostam destes pequenos pormenores.
A história é narrada com simplicidade, mas tal não significa que se trata de uma trama superficial. Pelo contrário. Depressa ser percebe que este livro procurar explorar emoções humanas comuns e profundas. Trata-se de uma descoberta do "eu" e do contraste entre quem acreditamos ser e quem realmente somos.
Connor é o protagonista. Poder-se-ia pensar que por ter 13 anos ele seria um jovem que, como está a formar a sua personalidade, teria emoções que não iriam criar identificação com o público adulto. Enganam-se. O livro pode ser apresentado como destinado a um público jovem, mas a verdade é que Connor promete marcar leitores de todas as idades.
A situação familiar de Connor é comum nos dias de hoje e, infelizmente, os seus problemas também. Logo se percebe que ele é mais maduro do que seria de esperar para alguém da sua idade, mas que continua a manter traços de menino. A forma como ele lida com os outros deixa adivinhar o que ele sente por ele próprio. É com emoção que o vemos descobrir as suas próprias fraquezas e necessidades, uma vez que ele dificuldades em as admitir.
O monstro, representação da realidade no seu estado puro, selvagem e verdadeiro, é uma criação belíssima. Adorei as suas histórias que revelam sempre uma moral inesperada e que nos fazem pensar sobre o que está para lá do que é aparente. Ele vem acrescentar um tom fantasioso a esta narrativa dura e pesada. A forma como Connor se relaciona com o monstro é representativa da revolta que existe dentro dele.
A leitura cativa desde o início e o livro é lido com rapidez. Em momento algum é aborrecido, pois atrai sempre o interesse quer pela trama quer pela bonita forma como está escrito. O autor realmente consegue transportar-nos para um local íntimo de autodescoberta, onde a dor, a perda, a solidão e a incapacidade de admitir emoções nos afecta de uma forma incomparável.
Sete Minutos Depois da Meia-Noite é um livro que recomendo a todos. Belo, intimista, misterioso e obscuro, proporciona uma leitura sem igual e que certamente marcará. Uma verdadeira lição de vida.
sábado, 25 de abril de 2015
Opinião: Erebos
Título original: Erebos (2010)
Autor: Ursula Poznanski
Tradução: João Bouza da Costa
ISBN: 9789722355186
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
Numa escola de Londres um misterioso e viciante jogo de computador circula entre os estudantes, mas ninguém fala disso abertamente. As regras do jogo são extremamente rígidas. Cada jogador tem apenas uma oportunidade e se perder nunca mais pode entrar no jogo; deve estar sempre sozinho e não pode falar a ninguém sobre o seu jogo. Quem violar estas instruções é também eliminado. O jogo é inteligente e interage com o jogador como se o vigiasse constantemente. As missões atribuídas devem ser concretizadas no mundo real. Quando Nick Dunmore começa a jogar, sente-se de imediato absorvido, aprende as regras e avança rapidamente; contudo, vê-se forçado a questionar as implicações deste jogo perigoso. Qual o verdadeiro objetivo? E que segredo esconde? Um livro que os apreciadores de fantasia, jogos de computador, lendas urbanas, distopias, não devem perder.
Opinião:
Quando li a sinopse de Erebos fiquei muito curiosa era um livro que incluía algo de que já gostei muito: RPGs. Sim, é verdade, já joguei mas deixei de jogar. E porquê? Porque percebi que aquilo era realmente viciante e que não me permitia aproveitar outras coisas da vida. Por isso mesmo, quando comecei a ler este livro de Ursula Poznanski, consegui identificar-me com a relação da personagem principal com o jogo, algo que está realmente muito bem feito.
Este é um livro destinado a leitores jovens adultos mas cujo mistério vai interessar aos leitores mais experientes que gostam de resolver problemas. Começamos por acompanhar um rapaz adolescente que comum. Ele tem uma boa relação com os pais apesar de alguns atritos, eles sente a pressão da escola, ele tem uns poucos bons amigos e ele está completamente apaixonado por uma rapariga com quem mal consegue falar. Até agora, todos características normais que pouco surpreendem. Contudo, a vida deste rapaz muda quando percebe que há algo secreto a acontecer entre alguns alunos.É aqui que a leitura nos começa a agarrar, tal como se tivéssemos numa teia, pois quantas mais páginas lemos mais queremos ler.
Estava um pouco reticente quanto à forma como a autora iria retratar o tempo em que Nick joga, já que o narrador acompanha directamente a experiência do protagonista. Contudo, fiquei bem agradada ao perceber que quando Nick está a jogar, ele deixa de ser quem é para ser a sua personagem, o que faz com que nós saltemos para aquele mundo e sentíssemos que estamos dentro dele. Contudo, não sei se a alteração da forma verbal entre vida real e jogo tenha sido bem conseguida. No jogo, gostei dos lugares-comuns como as missões ou as construções de personagens, mas aquilo que mais me intrigou foi mesmo a repercussão que Erebos tinha na vida real.
As missões da vida real intensificam o mistério, mas é a alteração que se dá na personalidade de Nick que eu mais apreciei. A autora conseguiu transmitir muito bem a forma como o vício por um jogo de vídeo surge. Ao início é uma mera curiosidade, depois torna-se um passatempo de eleição para a seguir ser uma parte fundamental do dia a dia sem a qual se consegue passar. Nick reflecte bem isso não só pelo tempo que gasta em Erebos mas principalmente através das emoções, que são mais agressivas e impacientes quando está afastado do ecrã do computador. Um aspecto que serve como lição e alerta ao leitor.
A forma como a trama se desenrola está bem conseguida. O que ao início parecia uma diversão comum passa a ser uma arma. Ao longo da leitura, estava sempre a tentar imaginar qual era o objectivo de tudo aquilo e confesso que só mais tarde consegui perceber o que estava a acontecer. A conclusão pode gerar algumas dúvidas e existem aspectos externos ao jogo que acabaram por não serem encerrados. Também houve uma relação entre personagens que me pareceu surgir sem grandes bases.
Houve uma situação em particular da tradução que me fez confusão. Por diversas vezes diz-se que Nick está no sexto ano. Ora, tendo em conta que ele está a estudar em Inglaterra, o sexto ano equivale aos dois últimos anos do ensino secundário, o que faz sentido tendo em conta a idade da personagem. Contudo, isso não é perceptível para quem não sabe disso, e, nesse caso, o sexto ano será associado ao sexto ano português, o que pode gerar alguns desentendimentos. De resto, gostei da tradução, especialmente no que toca aos diálogos que continham palavras e expressões peculiares dos jovens dos dias de hoje.
Erebos é uma leitura muito divertida, por vezes assustadora, e muito diferente. Durante esta opinião, tentei não desvendar demasiada informação, pois acho que a experiência de descoberta é muito interessante e emocionante. O final pode carecer de mais explicações, mas a viagem até lá é muito boa. Recomendo!
Para mais informações sobre o livro Erebos, clique aqui!
Autor: Ursula Poznanski
Tradução: João Bouza da Costa
ISBN: 9789722355186
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
Numa escola de Londres um misterioso e viciante jogo de computador circula entre os estudantes, mas ninguém fala disso abertamente. As regras do jogo são extremamente rígidas. Cada jogador tem apenas uma oportunidade e se perder nunca mais pode entrar no jogo; deve estar sempre sozinho e não pode falar a ninguém sobre o seu jogo. Quem violar estas instruções é também eliminado. O jogo é inteligente e interage com o jogador como se o vigiasse constantemente. As missões atribuídas devem ser concretizadas no mundo real. Quando Nick Dunmore começa a jogar, sente-se de imediato absorvido, aprende as regras e avança rapidamente; contudo, vê-se forçado a questionar as implicações deste jogo perigoso. Qual o verdadeiro objetivo? E que segredo esconde? Um livro que os apreciadores de fantasia, jogos de computador, lendas urbanas, distopias, não devem perder.
Opinião:
Quando li a sinopse de Erebos fiquei muito curiosa era um livro que incluía algo de que já gostei muito: RPGs. Sim, é verdade, já joguei mas deixei de jogar. E porquê? Porque percebi que aquilo era realmente viciante e que não me permitia aproveitar outras coisas da vida. Por isso mesmo, quando comecei a ler este livro de Ursula Poznanski, consegui identificar-me com a relação da personagem principal com o jogo, algo que está realmente muito bem feito.
Este é um livro destinado a leitores jovens adultos mas cujo mistério vai interessar aos leitores mais experientes que gostam de resolver problemas. Começamos por acompanhar um rapaz adolescente que comum. Ele tem uma boa relação com os pais apesar de alguns atritos, eles sente a pressão da escola, ele tem uns poucos bons amigos e ele está completamente apaixonado por uma rapariga com quem mal consegue falar. Até agora, todos características normais que pouco surpreendem. Contudo, a vida deste rapaz muda quando percebe que há algo secreto a acontecer entre alguns alunos.É aqui que a leitura nos começa a agarrar, tal como se tivéssemos numa teia, pois quantas mais páginas lemos mais queremos ler.
Estava um pouco reticente quanto à forma como a autora iria retratar o tempo em que Nick joga, já que o narrador acompanha directamente a experiência do protagonista. Contudo, fiquei bem agradada ao perceber que quando Nick está a jogar, ele deixa de ser quem é para ser a sua personagem, o que faz com que nós saltemos para aquele mundo e sentíssemos que estamos dentro dele. Contudo, não sei se a alteração da forma verbal entre vida real e jogo tenha sido bem conseguida. No jogo, gostei dos lugares-comuns como as missões ou as construções de personagens, mas aquilo que mais me intrigou foi mesmo a repercussão que Erebos tinha na vida real.
As missões da vida real intensificam o mistério, mas é a alteração que se dá na personalidade de Nick que eu mais apreciei. A autora conseguiu transmitir muito bem a forma como o vício por um jogo de vídeo surge. Ao início é uma mera curiosidade, depois torna-se um passatempo de eleição para a seguir ser uma parte fundamental do dia a dia sem a qual se consegue passar. Nick reflecte bem isso não só pelo tempo que gasta em Erebos mas principalmente através das emoções, que são mais agressivas e impacientes quando está afastado do ecrã do computador. Um aspecto que serve como lição e alerta ao leitor.
A forma como a trama se desenrola está bem conseguida. O que ao início parecia uma diversão comum passa a ser uma arma. Ao longo da leitura, estava sempre a tentar imaginar qual era o objectivo de tudo aquilo e confesso que só mais tarde consegui perceber o que estava a acontecer. A conclusão pode gerar algumas dúvidas e existem aspectos externos ao jogo que acabaram por não serem encerrados. Também houve uma relação entre personagens que me pareceu surgir sem grandes bases.
Houve uma situação em particular da tradução que me fez confusão. Por diversas vezes diz-se que Nick está no sexto ano. Ora, tendo em conta que ele está a estudar em Inglaterra, o sexto ano equivale aos dois últimos anos do ensino secundário, o que faz sentido tendo em conta a idade da personagem. Contudo, isso não é perceptível para quem não sabe disso, e, nesse caso, o sexto ano será associado ao sexto ano português, o que pode gerar alguns desentendimentos. De resto, gostei da tradução, especialmente no que toca aos diálogos que continham palavras e expressões peculiares dos jovens dos dias de hoje.
Erebos é uma leitura muito divertida, por vezes assustadora, e muito diferente. Durante esta opinião, tentei não desvendar demasiada informação, pois acho que a experiência de descoberta é muito interessante e emocionante. O final pode carecer de mais explicações, mas a viagem até lá é muito boa. Recomendo!
Para mais informações sobre o livro Erebos, clique aqui!
sexta-feira, 27 de março de 2015
Opinião: Alvorada Vermelha (Trilogia Red Rising #1)
Título Original: Red Rising (2014)
Autor: Pierce Brown
Tradução: Miguel Romeira
ISBN: 9789722354929
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
"Alvorada Vermelha" é o primeiro volume de uma trilogia que tem tudo para conquistar a legião de fãs de "Os Jogos da Fome". Passa-se numa altura em que a humanidade começou a colonizar outros planetas, como Marte. Darrow é um jovem de 19 anos que pertence à casta mais baixa da Sociedade, os Vermelhos, uma comunidade que vive e trabalha no subsolo marciano com a missão de preparar a superfície do planeta para que futuras gerações de humanos possam lá viver. No entanto, em breve Darrow irá descobrir que ele e os seus companheiros foram enganados pelas castas superiores. Inspirado pelo desejo de justiça, Darrow irá sacrificar tudo para se infiltrar na casta dos Dourados… e aniquilá-los! Vingança, guerra e luta pelo poder num romance de estreia empolgante.
Opinião:
Primeiro volume de uma distopia direccionada para os leitores jovens-adultos, Alvorada Vermelha foi o livro que venceu o prémio Goodreads Choice 2014. Como tal, foi com curiosidade que li a sinopse desta obra, ainda sem saber quando iria ser publicada em Portugal. Felizmente, a Editorial Presença tratou de trazer esta história rapidamente para Portugal.
Foi possível reparar que estava perante uma história diferente desde a primeira página. A ideia de uma sociedade a viver no subsolo de Marte está bem conseguida, apesar de não se explicar como a primeira geração daqueles homens e mulheres foi lá parar. As dificuldades por que passam, a forma de controlo e segurança, os trabalhos executados, as carências e a união entre grupos fazem todo o sentido. É esta a primeira impressão que se tem deste universo, e esta é dada por Darrow.
Darrow não foi um protagonista que me tenha conseguido conquistar imediatamente. Ele é tão duro, impulsivo, teimoso, jovem e estranhamento submisso que, numa primeira fase, não gostei dele. Contudo, com o passar das páginas, percebi que essas mesmas características fazem dele humano. O desenrolar da acção leva-o a adoptar atitudes inesperadas que acabam por gerar empatia. Numa outra fase da trama, ele surge alterado por uma dor maior do que se poderia imaginar. É aí que tudo muda para ele, e também foi aí que foi possível perceber que este mundo é muito mais complexo do que aparentava.
Tal como já vem sendo habitual em distopias, a sociedade está dividida por hierarquias. Os vermelhos estão na base desta organização, o que significa que são uma espécie de escravos. No extremo da hierarquia existem os Dourados, senhores superiores que dominam tudo e todos. Estas duas "castas" são as que são mais exploradas neste volume. É impressionante ver as discrepâncias entre ambas, mas também é possível perceber que o autor se inspirou na nossa história, o que acaba por ser o mais chocante. Os Vermelhos vivem na ignorância, quase como os seres da escuridão na Alegoria da Caverna. Os Dourados são vistos como seres superiores, a lembrar a questão da raça ariana. É possível ficar com ideia sobre os restantes estratos, mas existiram alguns sobre os quais gostaria de vir a saber mais.
A certo ponto, existe uma clara inspiração na sociedade romana. É aí que a leitura se transforma em algo novo e inesperado. Darrow terá de ultrapassar uma série de provas que se revelam mais duras do que seria esperado. Nesta fase, gostei da componente estratégica e da ideia de que é na vida que se aprende a liderar. Percebe-se que há erros que são facilmente cometidos e que o pior dos seres humanos vem ao de cima quando existe um sentimento de impunidade. Contudo, também se constata que é em momentos de tensão que se formam alianças fortes e verdadeiras amizades. Fica a ideia de que os estratos sociais não são responsáveis pela natureza de cada um.
O enredo é tão cativante que li o livro avidamente. O final não me surpreendeu, mas fiquei com imensa vontade de continuar a acompanhar a trilogia, pois sinto que qualquer coisa pode acontecer nos próximos livros. Contudo, também verifiquei alguns aspectos que não me agradaram tanto. Falo por exemplo da sensação de sentir que a obra está dividida em duas partes distintas. Esta diferença não existe só pelos locais e circunstâncias diferentes, mas sobretudo pelas alterações de personalidade verificadas no protagonista. Entendo que ele tinha de modificar alguns aspectos, mas por vezes senti que o protagonista da primeira parte do livro não era o mesmo protagonista da segunda parte. Também senti que alguns dos esquemas apresentados correram demasiado bem quando esperava maiores obstáculos, e que os primeiros capítulos são mais fortes do que os últimos.
Enquanto lia, dei por mim a receber emoções muito fortes de determinadas personagens e admito que fiquei chocada (no bom sentido!) com o desfecho de algumas delas. Pierce Brown revela ser um autor jovem mas que é dono de uma grande imaginação e de um enorme talento para a escrita. Quero muito continuar a explorar este universo que mostra que existem características da humanidade que não se alteram, nem mesmo com a conquista do outros planetas. "Golden Son", o próximo volume, já foi publicado lá fora e agora resta esperar que também o seja por terras lusas.
Autor: Pierce Brown
Tradução: Miguel Romeira
ISBN: 9789722354929
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
"Alvorada Vermelha" é o primeiro volume de uma trilogia que tem tudo para conquistar a legião de fãs de "Os Jogos da Fome". Passa-se numa altura em que a humanidade começou a colonizar outros planetas, como Marte. Darrow é um jovem de 19 anos que pertence à casta mais baixa da Sociedade, os Vermelhos, uma comunidade que vive e trabalha no subsolo marciano com a missão de preparar a superfície do planeta para que futuras gerações de humanos possam lá viver. No entanto, em breve Darrow irá descobrir que ele e os seus companheiros foram enganados pelas castas superiores. Inspirado pelo desejo de justiça, Darrow irá sacrificar tudo para se infiltrar na casta dos Dourados… e aniquilá-los! Vingança, guerra e luta pelo poder num romance de estreia empolgante.
Opinião:
Primeiro volume de uma distopia direccionada para os leitores jovens-adultos, Alvorada Vermelha foi o livro que venceu o prémio Goodreads Choice 2014. Como tal, foi com curiosidade que li a sinopse desta obra, ainda sem saber quando iria ser publicada em Portugal. Felizmente, a Editorial Presença tratou de trazer esta história rapidamente para Portugal.
Foi possível reparar que estava perante uma história diferente desde a primeira página. A ideia de uma sociedade a viver no subsolo de Marte está bem conseguida, apesar de não se explicar como a primeira geração daqueles homens e mulheres foi lá parar. As dificuldades por que passam, a forma de controlo e segurança, os trabalhos executados, as carências e a união entre grupos fazem todo o sentido. É esta a primeira impressão que se tem deste universo, e esta é dada por Darrow.
Darrow não foi um protagonista que me tenha conseguido conquistar imediatamente. Ele é tão duro, impulsivo, teimoso, jovem e estranhamento submisso que, numa primeira fase, não gostei dele. Contudo, com o passar das páginas, percebi que essas mesmas características fazem dele humano. O desenrolar da acção leva-o a adoptar atitudes inesperadas que acabam por gerar empatia. Numa outra fase da trama, ele surge alterado por uma dor maior do que se poderia imaginar. É aí que tudo muda para ele, e também foi aí que foi possível perceber que este mundo é muito mais complexo do que aparentava.
Tal como já vem sendo habitual em distopias, a sociedade está dividida por hierarquias. Os vermelhos estão na base desta organização, o que significa que são uma espécie de escravos. No extremo da hierarquia existem os Dourados, senhores superiores que dominam tudo e todos. Estas duas "castas" são as que são mais exploradas neste volume. É impressionante ver as discrepâncias entre ambas, mas também é possível perceber que o autor se inspirou na nossa história, o que acaba por ser o mais chocante. Os Vermelhos vivem na ignorância, quase como os seres da escuridão na Alegoria da Caverna. Os Dourados são vistos como seres superiores, a lembrar a questão da raça ariana. É possível ficar com ideia sobre os restantes estratos, mas existiram alguns sobre os quais gostaria de vir a saber mais.
A certo ponto, existe uma clara inspiração na sociedade romana. É aí que a leitura se transforma em algo novo e inesperado. Darrow terá de ultrapassar uma série de provas que se revelam mais duras do que seria esperado. Nesta fase, gostei da componente estratégica e da ideia de que é na vida que se aprende a liderar. Percebe-se que há erros que são facilmente cometidos e que o pior dos seres humanos vem ao de cima quando existe um sentimento de impunidade. Contudo, também se constata que é em momentos de tensão que se formam alianças fortes e verdadeiras amizades. Fica a ideia de que os estratos sociais não são responsáveis pela natureza de cada um.
O enredo é tão cativante que li o livro avidamente. O final não me surpreendeu, mas fiquei com imensa vontade de continuar a acompanhar a trilogia, pois sinto que qualquer coisa pode acontecer nos próximos livros. Contudo, também verifiquei alguns aspectos que não me agradaram tanto. Falo por exemplo da sensação de sentir que a obra está dividida em duas partes distintas. Esta diferença não existe só pelos locais e circunstâncias diferentes, mas sobretudo pelas alterações de personalidade verificadas no protagonista. Entendo que ele tinha de modificar alguns aspectos, mas por vezes senti que o protagonista da primeira parte do livro não era o mesmo protagonista da segunda parte. Também senti que alguns dos esquemas apresentados correram demasiado bem quando esperava maiores obstáculos, e que os primeiros capítulos são mais fortes do que os últimos.
Enquanto lia, dei por mim a receber emoções muito fortes de determinadas personagens e admito que fiquei chocada (no bom sentido!) com o desfecho de algumas delas. Pierce Brown revela ser um autor jovem mas que é dono de uma grande imaginação e de um enorme talento para a escrita. Quero muito continuar a explorar este universo que mostra que existem características da humanidade que não se alteram, nem mesmo com a conquista do outros planetas. "Golden Son", o próximo volume, já foi publicado lá fora e agora resta esperar que também o seja por terras lusas.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Opinião: Merlin - Os Anos Perdidos (Merlin #1)
Título Original: Merlin - The Lost Years (1996)
Autor: T. A. Barron
Tradução: Rita Figueiredo
ISBN: 9789722354493
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
Antes de ser Merlin, ele era apenas um menino, sem terra, sem memória, sem nome. Um mar tempestuoso lançara-o para as costas escarpadas do país de Gales, juntamente com uma mulher de extraordinária beleza que dizia ser sua mãe. Cinco anos mais tarde, estão a viver juntos numa aldeia, mas o rapaz sonha descobrir a verdade sobre si próprio e sobre os seus estranhos poderes, e parte em busca das suas origens. Chega a uma ilha, Fincarya, que se assemelha ao paraíso na Terra, mas rapidamente se apercebe de que uma entidade maléfica, em conluio com o rei da ilha, Stangmar, ameaça destruí-la. Sem saber que Fincarya é a sua terra e Stangmar seu pai, o jovem empenha-se na salvação da ilha e do seu povo e, com a ajuda de um grupo de novos amigos – um pequeno falcão; Rhia, uma rapariga que fala com as árvores; e Shim, um gigante que tem o tamanho de um anão -, tenta entrar no castelo rodopiante do rei, enfrentando perigos inimagináveis. Aventura, tesouros, criaturas mirabolantes, florestas frondosas, castelos em ruínas e muita magia num épico fantástico que nos revela os anos de juventude daquele que estava destinado a ser o maior mago de todos os tempos –Merlin!
Opinião:
Merlin é uma figura incontornável do nosso imaginário. O feiticeiro das lendas do Rei Artur sempre foi objecto de interesse por escritores, historiadores ou sonhadores, o que faz com que exista um vasto leque de ideias sobre a sua vida, feitos e até mesmo existência. T. A. Barron conta, numa nota inicial deste livro, que sente um grande fascínio por Merlin. Contudo o autor reparou que os relatos acerca da infância do feiticeiro eram escassos, quase inexistentes, o que o levou a querer explorar esse lado. O resultado é Merlin - Os Anos Perdidos, o primeiro volume de uma saga que se debruça sobre os primeiros anos de vida desta figura.
Este é um livro destinado a um público mais jovem, mas, graças a uma trama apelativa, personagens genuínas e seres impressionantes, também consegue agarrar os leitores mais experientes. A primeira ideia com que se fica ao pegar nesta leitura é a de que há um grande mistério por resolver. A identidade e origem do jovem protagonista é um assunto constante ao longo destas páginas. E se é verdade que nós, leitores, sabemos mais do que o jovem rapaz, também é verdade que o interesse sobre a resolução destas questões aumenta com o decorrer da leitura.
O protagonista é um rapaz novo que nos cativa primeiro pelas grandes dificuldades que vive. As suas inseguranças, questões e até mesmo necessidade de pertença a um grupo podem levar facilmente à identificação pelo leitor. Mais tarde, ficamos também impressionados pela sua coragem, pela forma como ultrapassa dificuldades tão grandes, pelo modo que reprimi uma parte de si pela protecção do próximo ou pela sua devoção a outras figuras. Percebe-se que é uma personagem em construção e com muito espaço para evoluir.
Quanto a outras figuras que me tenham cativado, destaco Branwen pela sua devoção e sofrimento silencioso, Rhia por transmitir pureza e uma sabedoria incomum e Shim pelos momentos divertidos que proporciona. O grande vilão desta trama não se mostra completamente, mas ainda assim revela ser um forte e temível oponente. A manipulação, engano e corrupção parecem ser as suas maiores armas, o que acaba por colocar a dúvida sobre onde está o grande mal.
O desenrolar da trama é feito com rapidez. Não existe tempo para grandes paragens e os percalços são ultrapassados imediatamente, o que transmite a ideia de que os obstáculos são fáceis de superar. A resolução final está dentro do que era esperado, e até mesmo algumas revelações já tinham sido adivinhadas em páginas anteriores, o que retira o efeito surpresa pretendido. Assim sendo, esta não é uma obra que faça o leitor mais experiente puxar pela cabeça ou sentir surpreendido, acabando sim por ser uma leitura leve e divertida.
Os muitos seres que surgem na mítica ilha Fincayra estimulam a imaginação e a sua apresentação é sempre curiosa. Contudo, existe pouco aprofundamento sobre quem eles são e nós ficamos apenas com uma ideia superficial quando desejamos algo mais complexo. Devo ainda acrescentar que gostei muito do mapa da ilha devido às notas sugestivas que apresenta.
Este é o primeiro livro de uma saga que conta com cinco volumes. Contudo, ao ler o primeiro, reparei que o autor preocupou-se em fechar alguns dos aspectos principais da trama. É verdade que fica muito em aberto, mas percebe-se que cada livro será uma aventura individual e, por isso, ler um volume poderá não implicar ler os outros, o que é bom para o leitor que quer experimentar ou para os fãs que querem seguir a trama sem sentir que existem grandes interrupções entre livros.
Merlin- Os Anos Perdidos, é um livro que nos dá uma versão bonita sobre a juventude do grande feiticeiro. É uma verdadeira história de autoconhecimento, que nos tenta explicar as origens de uma das figuras mais complexas e misteriosas do nosso imaginário, mitologia ou história. Uma leitura que estimula a imaginação e que abre a vontade para continuar a acompanhar Merlin nos seus anos de infância e juventude.
Para mais informações sobre Merlin - Os Anos Perdidos, consultem o site da Editorial Presença, aqui.
Está a decorrer no blogue um passatempo com sorteio de um exemplar deste livro. Participem aqui!
Autor: T. A. Barron
Tradução: Rita Figueiredo
ISBN: 9789722354493
Editora: Editorial Presença (2015)
Sinopse:
Antes de ser Merlin, ele era apenas um menino, sem terra, sem memória, sem nome. Um mar tempestuoso lançara-o para as costas escarpadas do país de Gales, juntamente com uma mulher de extraordinária beleza que dizia ser sua mãe. Cinco anos mais tarde, estão a viver juntos numa aldeia, mas o rapaz sonha descobrir a verdade sobre si próprio e sobre os seus estranhos poderes, e parte em busca das suas origens. Chega a uma ilha, Fincarya, que se assemelha ao paraíso na Terra, mas rapidamente se apercebe de que uma entidade maléfica, em conluio com o rei da ilha, Stangmar, ameaça destruí-la. Sem saber que Fincarya é a sua terra e Stangmar seu pai, o jovem empenha-se na salvação da ilha e do seu povo e, com a ajuda de um grupo de novos amigos – um pequeno falcão; Rhia, uma rapariga que fala com as árvores; e Shim, um gigante que tem o tamanho de um anão -, tenta entrar no castelo rodopiante do rei, enfrentando perigos inimagináveis. Aventura, tesouros, criaturas mirabolantes, florestas frondosas, castelos em ruínas e muita magia num épico fantástico que nos revela os anos de juventude daquele que estava destinado a ser o maior mago de todos os tempos –Merlin!
Opinião:
Merlin é uma figura incontornável do nosso imaginário. O feiticeiro das lendas do Rei Artur sempre foi objecto de interesse por escritores, historiadores ou sonhadores, o que faz com que exista um vasto leque de ideias sobre a sua vida, feitos e até mesmo existência. T. A. Barron conta, numa nota inicial deste livro, que sente um grande fascínio por Merlin. Contudo o autor reparou que os relatos acerca da infância do feiticeiro eram escassos, quase inexistentes, o que o levou a querer explorar esse lado. O resultado é Merlin - Os Anos Perdidos, o primeiro volume de uma saga que se debruça sobre os primeiros anos de vida desta figura.
Este é um livro destinado a um público mais jovem, mas, graças a uma trama apelativa, personagens genuínas e seres impressionantes, também consegue agarrar os leitores mais experientes. A primeira ideia com que se fica ao pegar nesta leitura é a de que há um grande mistério por resolver. A identidade e origem do jovem protagonista é um assunto constante ao longo destas páginas. E se é verdade que nós, leitores, sabemos mais do que o jovem rapaz, também é verdade que o interesse sobre a resolução destas questões aumenta com o decorrer da leitura.
O protagonista é um rapaz novo que nos cativa primeiro pelas grandes dificuldades que vive. As suas inseguranças, questões e até mesmo necessidade de pertença a um grupo podem levar facilmente à identificação pelo leitor. Mais tarde, ficamos também impressionados pela sua coragem, pela forma como ultrapassa dificuldades tão grandes, pelo modo que reprimi uma parte de si pela protecção do próximo ou pela sua devoção a outras figuras. Percebe-se que é uma personagem em construção e com muito espaço para evoluir.
Quanto a outras figuras que me tenham cativado, destaco Branwen pela sua devoção e sofrimento silencioso, Rhia por transmitir pureza e uma sabedoria incomum e Shim pelos momentos divertidos que proporciona. O grande vilão desta trama não se mostra completamente, mas ainda assim revela ser um forte e temível oponente. A manipulação, engano e corrupção parecem ser as suas maiores armas, o que acaba por colocar a dúvida sobre onde está o grande mal.
O desenrolar da trama é feito com rapidez. Não existe tempo para grandes paragens e os percalços são ultrapassados imediatamente, o que transmite a ideia de que os obstáculos são fáceis de superar. A resolução final está dentro do que era esperado, e até mesmo algumas revelações já tinham sido adivinhadas em páginas anteriores, o que retira o efeito surpresa pretendido. Assim sendo, esta não é uma obra que faça o leitor mais experiente puxar pela cabeça ou sentir surpreendido, acabando sim por ser uma leitura leve e divertida.
Os muitos seres que surgem na mítica ilha Fincayra estimulam a imaginação e a sua apresentação é sempre curiosa. Contudo, existe pouco aprofundamento sobre quem eles são e nós ficamos apenas com uma ideia superficial quando desejamos algo mais complexo. Devo ainda acrescentar que gostei muito do mapa da ilha devido às notas sugestivas que apresenta.
Este é o primeiro livro de uma saga que conta com cinco volumes. Contudo, ao ler o primeiro, reparei que o autor preocupou-se em fechar alguns dos aspectos principais da trama. É verdade que fica muito em aberto, mas percebe-se que cada livro será uma aventura individual e, por isso, ler um volume poderá não implicar ler os outros, o que é bom para o leitor que quer experimentar ou para os fãs que querem seguir a trama sem sentir que existem grandes interrupções entre livros.
Merlin- Os Anos Perdidos, é um livro que nos dá uma versão bonita sobre a juventude do grande feiticeiro. É uma verdadeira história de autoconhecimento, que nos tenta explicar as origens de uma das figuras mais complexas e misteriosas do nosso imaginário, mitologia ou história. Uma leitura que estimula a imaginação e que abre a vontade para continuar a acompanhar Merlin nos seus anos de infância e juventude.
Para mais informações sobre Merlin - Os Anos Perdidos, consultem o site da Editorial Presença, aqui.
Está a decorrer no blogue um passatempo com sorteio de um exemplar deste livro. Participem aqui!
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Opinião: O Oceano no Fim do Caminho
Título Original: The Ocean at the End of the Lane (2013)
Autor: Neil Gaiman
Tradução: Rita Graña
ISBN: 9789722351997
Editora: Editorial Presença (2014)
Sinopse:
Este livro é tanto um conto fantástico como um livro sobre a memória e o modo como ela nos afeta ao longo do tempo. A história é narrada por um adulto que, por ocasião de um funeral, regressa ao local onde vivera na infância, numa zona rural de Inglaterra, e revive o tempo em que era um rapazinho de sete anos. As imagens que guardara dentro de si transfiguram-se na recordação de algo que teria acontecido naquele cenário, misturando imagens felizes com os seus medos mais profundos, quando um mineiro sul-africano rouba o Mini do pai do narrador e se suicida no banco de trás. "O Oceano No Fim do Caminho" é uma belíssima e inquietante fábula que revela a singular capacidade de Neil Gaiman para recriar uma mitologia moderna.
Opinião:
O Oceano no Fim do Caminho é um livro que aparenta um teor mais juvenil mas que é dedicado a leitores de todas as idades. No início, o autor explica que a sua ideia inicial era escrever um conto, mas que a trama começou a crescer e depressar o contro transformou-se num romance. A ideia geral é simples, mágica e muito bonita. E quão maravilhoso foi entrar nesta história!
Ao início, seguimos o caminho de um homem que parece igual a tantos outros, magoado pela vida e fechado em si mesmo. Mais tarde, esse mesmo homem dá lugar à sua versão infantil, e aí é impossível não nos revermos na ingenuidade, imaginação e alegria típica desta fase por que todos já passamos. Desta forma, o autor levamos a questionar de que modos as provações da vida afectam a construção da nossa personalidade e a nossa forma de encarar novas situações.
Ao acompanhar uma fase da infância do protagonista, começamos a entrar, aos poucos e poucos, numa mundo repleto de magia. É encantador verificar que tal não se faz de uma forma abrupta ou sem desconfianças. Ao início, certas situações parecem disparatadas, mas com o desenrolar da leitura, reparamos que certos elementos, personagens ou situações representam e são muito mais do que podem aparentar. Isto faz com que a leitura se transforme numa descoberta cada vez mais intensa.
A curiosidade da infância e os medos que nos acompanham ao longo de toda a vida estão muito bem representados nestas páginas. Deste modo, a leitura vai tomando tons cada vez mais negros e obscuros. Quer seja por circunstâncias ou por formas simbólicas, o autor faz-nos questionar sobre o que nos afecta e o que nós fazemos para fazer frente a isso. O amor abnegado e altruísta tem uma representação muito forte e inesperada, tornando-se exemplo de virtude e coragem.
Ao ler estas páginas, questionei-me, por diversas vezes, sobre os mistérios do nosso mundo. Neil Gaiman mostra que realidades tão próximas das nossas escondem segredos antigos, profundos e místicos. E para quem, como eu, gosta de imaginar novas possibilidades, isso é maravilhoso. O que mais me assustou foi a ideia de esquecimento. Afinal, será que já não nos conseguimos recordar de algo fantástico que nos tenha acontecido? E o que será que nos faz esquecer?
Acreditem, Oceano no Fim do Caminho é um livro pequeno mas que é tão bonita que nos faz querer demorar a leitura para não chegarmos ao fim das suas páginas. Cada momento transmite beleza, imensidão, ingenuidade e uma forte crença. Uma leitura lindíssima cuja mensagem chega a miúdos e graúdos.
Para mais informações sobre o livro O Oceano no Fim do Caminho, clique aqui.
Autor: Neil Gaiman
Tradução: Rita Graña
ISBN: 9789722351997
Editora: Editorial Presença (2014)
Sinopse:
Este livro é tanto um conto fantástico como um livro sobre a memória e o modo como ela nos afeta ao longo do tempo. A história é narrada por um adulto que, por ocasião de um funeral, regressa ao local onde vivera na infância, numa zona rural de Inglaterra, e revive o tempo em que era um rapazinho de sete anos. As imagens que guardara dentro de si transfiguram-se na recordação de algo que teria acontecido naquele cenário, misturando imagens felizes com os seus medos mais profundos, quando um mineiro sul-africano rouba o Mini do pai do narrador e se suicida no banco de trás. "O Oceano No Fim do Caminho" é uma belíssima e inquietante fábula que revela a singular capacidade de Neil Gaiman para recriar uma mitologia moderna.
Opinião:
O Oceano no Fim do Caminho é um livro que aparenta um teor mais juvenil mas que é dedicado a leitores de todas as idades. No início, o autor explica que a sua ideia inicial era escrever um conto, mas que a trama começou a crescer e depressar o contro transformou-se num romance. A ideia geral é simples, mágica e muito bonita. E quão maravilhoso foi entrar nesta história!
Ao início, seguimos o caminho de um homem que parece igual a tantos outros, magoado pela vida e fechado em si mesmo. Mais tarde, esse mesmo homem dá lugar à sua versão infantil, e aí é impossível não nos revermos na ingenuidade, imaginação e alegria típica desta fase por que todos já passamos. Desta forma, o autor levamos a questionar de que modos as provações da vida afectam a construção da nossa personalidade e a nossa forma de encarar novas situações.
Ao acompanhar uma fase da infância do protagonista, começamos a entrar, aos poucos e poucos, numa mundo repleto de magia. É encantador verificar que tal não se faz de uma forma abrupta ou sem desconfianças. Ao início, certas situações parecem disparatadas, mas com o desenrolar da leitura, reparamos que certos elementos, personagens ou situações representam e são muito mais do que podem aparentar. Isto faz com que a leitura se transforme numa descoberta cada vez mais intensa.
A curiosidade da infância e os medos que nos acompanham ao longo de toda a vida estão muito bem representados nestas páginas. Deste modo, a leitura vai tomando tons cada vez mais negros e obscuros. Quer seja por circunstâncias ou por formas simbólicas, o autor faz-nos questionar sobre o que nos afecta e o que nós fazemos para fazer frente a isso. O amor abnegado e altruísta tem uma representação muito forte e inesperada, tornando-se exemplo de virtude e coragem.
Ao ler estas páginas, questionei-me, por diversas vezes, sobre os mistérios do nosso mundo. Neil Gaiman mostra que realidades tão próximas das nossas escondem segredos antigos, profundos e místicos. E para quem, como eu, gosta de imaginar novas possibilidades, isso é maravilhoso. O que mais me assustou foi a ideia de esquecimento. Afinal, será que já não nos conseguimos recordar de algo fantástico que nos tenha acontecido? E o que será que nos faz esquecer?
Acreditem, Oceano no Fim do Caminho é um livro pequeno mas que é tão bonita que nos faz querer demorar a leitura para não chegarmos ao fim das suas páginas. Cada momento transmite beleza, imensidão, ingenuidade e uma forte crença. Uma leitura lindíssima cuja mensagem chega a miúdos e graúdos.
Para mais informações sobre o livro O Oceano no Fim do Caminho, clique aqui.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Opinião: Aqui e Agora
Título original: The Here and Now (2014)
Autor: Ann Brashares
Tradutor: Ana Saldanha
ISBN: 9789722353687
Editora: Editorial Presença (2014)
Sinopse:
Prenna James é uma jovem de dezassete anos que imigrou para Nova Iorque quando tinha doze. Só que Prenna não chegou a Nova Iorque vinda de outro país… ela veio de outro tempo, de um futuro onde uma doença transmitida através de mosquitos se tornou uma pandemia arrasadora que deixou o mundo em ruínas. Prenna e as outras pessoas que conseguiram escapar são obrigadas a seguir um conjunto de regras muito rígido: nunca revelar de onde são, nunca interferir com o curso da história e nunca, em circunstância alguma, estabelecer uma relação mais íntima com alguém que não faça parte da comunidade. Prenna faz tudo como lhe dizem, acreditando que está a ajudar a prevenir os problemas que um dia vão assolar o planeta. Mas tudo isso irá mudar no dia em que Prenna conhece Ethan Jarves…Emocionante e arrebatador, Aqui e Agora é um romance que lança um olhar sobre um amor impossível e a oportunidade de mudar o futuro.
Opinião:
Ann Brashares estreia-se na escrita com Aqui e Agora. Assim que se inicia a leitura, percebe-se que este é um livro dedicado a um público mais jovem. Contudo, o tema de viagens do tempo pode chamar a atenção de outros leitores. Foi isso mesmo que aconteceu comigo. Mas este não é o único ingrediente do livro, que ainda apresenta romance e uma boa dose de mistério.
Prenna é a protagonista desta trama. Desde cedo sentimos que ela vem de um meio diferente, mas nem por isso deixa de apresentar características típicas de uma adolescente. Ela é reservada, tem uma amiga que é sua confidente, questiona tudo o que a rodeia e o seu lugar no mundo. Isto faz com que os mais jovens consigam identificar-se com ela com facilidade. Para mim, ficou a faltar algo que a marcasse pela diferença.
Também surge Ethan, um rapaz que, tal como Prenna, carece de um maior desenvolvimento. E como seria de esperar, Prenna desenvolve sentimentos por ele. Este é um romance proibido, e apesar de algumas das ideias apresentadas para que os dois não se possam envolver sejam interessantes, acabam por falhar em algumas explicações. O conceito base faz sentido, mas gostaria de ter visto um maior desenvolvimento assim como perceber as consequência para tal no futuro da comunidade de Prenna. Para além disso, não consegui captar a química existente entre Prenna e Ethan.
A trama é bastante simples o que torna esta leitura rápida. As ideias são apresentadas de uma forma directa e os obstáculos apresentados são ultrapassados com demasiada facilidade. Não existem percalços e tudo acontece conforme o planeado, o que faz com que a história se torne demasiado previsível e não guarde surpresas. Tal foi uma pena, pois eu adoro quando os livros, por mais fantasioso que possam ser, me levam a conseguir transpor a história que apresentam para a realidade. Em Aqui e Agora não consegui sentir isso devido ao desenrolar básico dos acontecimentos.
Aquilo que mais me agradou nesta leitura acabou por ser o facto de se apoiar em problemas reais. Todos os dias somos alertados para as consequências da poluição, desenvolvimento de doenças mais resistentes e extinção e a autora pegou neles para imaginar um futuro possível. Contudo, também foi interessante verificar que uma simples acção pode ser crucial, o que nos leva a pensar de que as nossas atitudes importam, por mais pequenas que pareça-
A leitura é feita rapidamente, muito devido à simplicidade da trama mas também à acessibilidade da linguagem. A autora focou-se num desenrolar de acontecimentos a um ritmo avançado, não se perdendo com grandes reflexões ou explicações. Por um lado, foi uma pena tal ter acontecido, pois certos conceitos e ideias teriam ficado a ganhar com uma maior exploração.
Aqui e Agora pode não ter sido um livro perfeito para mim, mas assumo que esta é uma óptima leitura para os mais jovens. Tanto pode ser direccionada para aqueles que apreciam temas mais direccionados para a ficção científica como para os adeptos do romance ou mesmo para iniciar alguém na leitura. Um livro que nos faz pensar sobre a força do passado na construção do futuro, na procura de independência e na afirmação da identidade.
Para mais informações sobre o livro Aqui e Agora, clique aqui.
Autor: Ann Brashares
Tradutor: Ana Saldanha
ISBN: 9789722353687
Editora: Editorial Presença (2014)
Sinopse:
Prenna James é uma jovem de dezassete anos que imigrou para Nova Iorque quando tinha doze. Só que Prenna não chegou a Nova Iorque vinda de outro país… ela veio de outro tempo, de um futuro onde uma doença transmitida através de mosquitos se tornou uma pandemia arrasadora que deixou o mundo em ruínas. Prenna e as outras pessoas que conseguiram escapar são obrigadas a seguir um conjunto de regras muito rígido: nunca revelar de onde são, nunca interferir com o curso da história e nunca, em circunstância alguma, estabelecer uma relação mais íntima com alguém que não faça parte da comunidade. Prenna faz tudo como lhe dizem, acreditando que está a ajudar a prevenir os problemas que um dia vão assolar o planeta. Mas tudo isso irá mudar no dia em que Prenna conhece Ethan Jarves…Emocionante e arrebatador, Aqui e Agora é um romance que lança um olhar sobre um amor impossível e a oportunidade de mudar o futuro.
Opinião:
Ann Brashares estreia-se na escrita com Aqui e Agora. Assim que se inicia a leitura, percebe-se que este é um livro dedicado a um público mais jovem. Contudo, o tema de viagens do tempo pode chamar a atenção de outros leitores. Foi isso mesmo que aconteceu comigo. Mas este não é o único ingrediente do livro, que ainda apresenta romance e uma boa dose de mistério.
Prenna é a protagonista desta trama. Desde cedo sentimos que ela vem de um meio diferente, mas nem por isso deixa de apresentar características típicas de uma adolescente. Ela é reservada, tem uma amiga que é sua confidente, questiona tudo o que a rodeia e o seu lugar no mundo. Isto faz com que os mais jovens consigam identificar-se com ela com facilidade. Para mim, ficou a faltar algo que a marcasse pela diferença.
Também surge Ethan, um rapaz que, tal como Prenna, carece de um maior desenvolvimento. E como seria de esperar, Prenna desenvolve sentimentos por ele. Este é um romance proibido, e apesar de algumas das ideias apresentadas para que os dois não se possam envolver sejam interessantes, acabam por falhar em algumas explicações. O conceito base faz sentido, mas gostaria de ter visto um maior desenvolvimento assim como perceber as consequência para tal no futuro da comunidade de Prenna. Para além disso, não consegui captar a química existente entre Prenna e Ethan.
A trama é bastante simples o que torna esta leitura rápida. As ideias são apresentadas de uma forma directa e os obstáculos apresentados são ultrapassados com demasiada facilidade. Não existem percalços e tudo acontece conforme o planeado, o que faz com que a história se torne demasiado previsível e não guarde surpresas. Tal foi uma pena, pois eu adoro quando os livros, por mais fantasioso que possam ser, me levam a conseguir transpor a história que apresentam para a realidade. Em Aqui e Agora não consegui sentir isso devido ao desenrolar básico dos acontecimentos.
Aquilo que mais me agradou nesta leitura acabou por ser o facto de se apoiar em problemas reais. Todos os dias somos alertados para as consequências da poluição, desenvolvimento de doenças mais resistentes e extinção e a autora pegou neles para imaginar um futuro possível. Contudo, também foi interessante verificar que uma simples acção pode ser crucial, o que nos leva a pensar de que as nossas atitudes importam, por mais pequenas que pareça-
A leitura é feita rapidamente, muito devido à simplicidade da trama mas também à acessibilidade da linguagem. A autora focou-se num desenrolar de acontecimentos a um ritmo avançado, não se perdendo com grandes reflexões ou explicações. Por um lado, foi uma pena tal ter acontecido, pois certos conceitos e ideias teriam ficado a ganhar com uma maior exploração.
Aqui e Agora pode não ter sido um livro perfeito para mim, mas assumo que esta é uma óptima leitura para os mais jovens. Tanto pode ser direccionada para aqueles que apreciam temas mais direccionados para a ficção científica como para os adeptos do romance ou mesmo para iniciar alguém na leitura. Um livro que nos faz pensar sobre a força do passado na construção do futuro, na procura de independência e na afirmação da identidade.
Para mais informações sobre o livro Aqui e Agora, clique aqui.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Opinião: Espera por Mim (Se Eu Ficar #2)
Título Original: Where She Went (2011)
Autor: Gayle Forman
Tradução: Maria Georgina Segurado
ISBN: 9789722354080
Editora: Editorial Presença (2013)
Sinopse:
Passaram três anos desde que o amor de Adam ajudou Mia a recuperar após o trágico acidente que vitimou a sua família – e três anos desde que Mia decidiu afastá-lo da sua vida sem lhe dar explicações. Quando uma noite os seus caminhos se cruzam na cidade de Nova Iorque, ambos têm a oportunidade de se confrontar com os fantasmas do passado e de abrir o coração ao futuro.
Opinião:
Assim que terminei o livro Se Eu Ficar, tive de pegar em Espera Por Mim. Queria a resposta a muitas questões que me surgiram com o fim da leitura do primeiro volume de Gayle Forman, que terminou de uma forma abrupta. Depressa percebi que este livro seria diferente.
Em primeiro lugar, a primeira diferença para para o facto de este livro ser narrado na perspectiva de Adam. Ao início fiquei um pouco de pé atrás com esta escolha, afinal Adam tinha sido uma das personagens que menos me tinha cativado em Se Eu Ficar. Contudo, com o avançar da leitura, senti-me grata por a autora ter tomado esta opção. Finalmente entendi esta personagem e fiquei impressionada pela sua complexidade. O contraste entre o que ele transmite aos outros e quem realmente é é enorme e faz-nos pensar sobre se estamos a mostrar ao mundo a nossa verdadeira essência.
Adam é um ser atormentado apesar de ter conseguido alcançar o sucesso com que sempre sonhou. Este facto mostra-nos que o equilíbrio emocional é de maior importância para o nosso bem-estar e, assim, conseguirmos desfrutar de todo o mais que a vida nos oferece. Adam passou de uma das personagens que menos gostava para uma das que mais me cativa. Tudo porque ele se tornou mais humano e real ao meus olhos.
Se o primeiro volume tentava abordar o tema da morte, Espera por Mim mostra-nos o que é o luto e como é possível voltar a encontrar o equilíbrio e a felicidade. Desta vez, vemos como a dor afecta a vivência apesar do passar dos anos. Vemos como ela muda e molda personalidades, vemos como ela cria revolta contra quem menos esperamos. Algumas das decisões tomadas pelas personagens podem não ser as que mais nos agradam, mas fazem sentido quando as analisamos ao nível das emoções. Afinal, grande sofrimento pode levar à tomada de atitudes drásticas e estas podem dar origem a transformações e recomeços.
Mia tornou-se em alguém diferente. Mais madura e misteriosa no meu ponto de vista. Ao início, nem parecia a adolescente que acompanhei numa das fases mais difíceis da sua vida. Gostei mais dela assim, mais mulher, decidida e enigmática. Também apreciei bastante o facto de a autora nos dar pequenos vislumbres de como foi para ela suportar os primeiros tempos após a saída do hospital. A forma como ela reagiu ao choque faz sentido, incomoda mas parece real.
O tipo de linguagem utilizada aproxima-se bastante da que foi dada a conhecer em Se Eu Ficar. Mais uma vez existe uma narrativa focada no apresentar de acontecimentos e em reflexões. Isto faz com que a leitura avance a um ritmo rápido. A autora consegue transmitir os sentimentos e emoções de Adam de um modo exemplar, o que nos leva a conter a respiração em momentos de maior tensão e a querer devorar as páginas até, finalmente, chegarmos ao fim.
Espera por Mim é o fechar de um capítulo para Mia e Adam. Estas duas personagens tornaram-se tão reais que facilmente acredito que ainda estão aí a viver as suas vidas. Que aquilo que li nas páginas de um livro foi apenas uma fase que viveram, uma fase que muito ensina sobre dor e sobre superação.
Gayle Forman escreveu livros dedicados a um público mais jovem, mas tenho a certeza que os mais maduros não vão conseguir ficar indiferentes a estas leituras. Tanto Se Eu Ficar como Espera por Mim cativam pela pureza dos sentimentos, pelas personagens que nos parecem reais, como pelos temas que nos afectam a todos. Livros que recomendo.
Outras opiniões a livros de Gayle Forman:
Se Eu Ficar (Se Eu Ficar #1)
Autor: Gayle Forman
Tradução: Maria Georgina Segurado
ISBN: 9789722354080
Editora: Editorial Presença (2013)
Sinopse:
Passaram três anos desde que o amor de Adam ajudou Mia a recuperar após o trágico acidente que vitimou a sua família – e três anos desde que Mia decidiu afastá-lo da sua vida sem lhe dar explicações. Quando uma noite os seus caminhos se cruzam na cidade de Nova Iorque, ambos têm a oportunidade de se confrontar com os fantasmas do passado e de abrir o coração ao futuro.
Opinião:
Assim que terminei o livro Se Eu Ficar, tive de pegar em Espera Por Mim. Queria a resposta a muitas questões que me surgiram com o fim da leitura do primeiro volume de Gayle Forman, que terminou de uma forma abrupta. Depressa percebi que este livro seria diferente.
Em primeiro lugar, a primeira diferença para para o facto de este livro ser narrado na perspectiva de Adam. Ao início fiquei um pouco de pé atrás com esta escolha, afinal Adam tinha sido uma das personagens que menos me tinha cativado em Se Eu Ficar. Contudo, com o avançar da leitura, senti-me grata por a autora ter tomado esta opção. Finalmente entendi esta personagem e fiquei impressionada pela sua complexidade. O contraste entre o que ele transmite aos outros e quem realmente é é enorme e faz-nos pensar sobre se estamos a mostrar ao mundo a nossa verdadeira essência.
Adam é um ser atormentado apesar de ter conseguido alcançar o sucesso com que sempre sonhou. Este facto mostra-nos que o equilíbrio emocional é de maior importância para o nosso bem-estar e, assim, conseguirmos desfrutar de todo o mais que a vida nos oferece. Adam passou de uma das personagens que menos gostava para uma das que mais me cativa. Tudo porque ele se tornou mais humano e real ao meus olhos.
Se o primeiro volume tentava abordar o tema da morte, Espera por Mim mostra-nos o que é o luto e como é possível voltar a encontrar o equilíbrio e a felicidade. Desta vez, vemos como a dor afecta a vivência apesar do passar dos anos. Vemos como ela muda e molda personalidades, vemos como ela cria revolta contra quem menos esperamos. Algumas das decisões tomadas pelas personagens podem não ser as que mais nos agradam, mas fazem sentido quando as analisamos ao nível das emoções. Afinal, grande sofrimento pode levar à tomada de atitudes drásticas e estas podem dar origem a transformações e recomeços.
Mia tornou-se em alguém diferente. Mais madura e misteriosa no meu ponto de vista. Ao início, nem parecia a adolescente que acompanhei numa das fases mais difíceis da sua vida. Gostei mais dela assim, mais mulher, decidida e enigmática. Também apreciei bastante o facto de a autora nos dar pequenos vislumbres de como foi para ela suportar os primeiros tempos após a saída do hospital. A forma como ela reagiu ao choque faz sentido, incomoda mas parece real.
O tipo de linguagem utilizada aproxima-se bastante da que foi dada a conhecer em Se Eu Ficar. Mais uma vez existe uma narrativa focada no apresentar de acontecimentos e em reflexões. Isto faz com que a leitura avance a um ritmo rápido. A autora consegue transmitir os sentimentos e emoções de Adam de um modo exemplar, o que nos leva a conter a respiração em momentos de maior tensão e a querer devorar as páginas até, finalmente, chegarmos ao fim.
Espera por Mim é o fechar de um capítulo para Mia e Adam. Estas duas personagens tornaram-se tão reais que facilmente acredito que ainda estão aí a viver as suas vidas. Que aquilo que li nas páginas de um livro foi apenas uma fase que viveram, uma fase que muito ensina sobre dor e sobre superação.
Gayle Forman escreveu livros dedicados a um público mais jovem, mas tenho a certeza que os mais maduros não vão conseguir ficar indiferentes a estas leituras. Tanto Se Eu Ficar como Espera por Mim cativam pela pureza dos sentimentos, pelas personagens que nos parecem reais, como pelos temas que nos afectam a todos. Livros que recomendo.
Outras opiniões a livros de Gayle Forman:
Se Eu Ficar (Se Eu Ficar #1)
domingo, 4 de janeiro de 2015
Opinião: Se Eu Ficar (Se Eu Ficar #1)
Título Original: If I Stay (2009)
Autor: Gayle Forman
Tradução: Rita Graña
ISBN: 9789722353939
Editora: Editorial Presença (2010)
Autor: Gayle Forman
Tradução: Rita Graña
ISBN: 9789722353939
Editora: Editorial Presença (2010)
Sinopse:
Naquela manhã de fevereiro, quando Mia, uma jovem de dezassete anos, acorda, as suas preocupações giram à volta de decisões normais para uma rapariga da sua idade: permanecer junto da família, do namorado e dos amigos ou deixar tudo e ir para Nova Iorque para se dedicar à sua verdadeira paixão, a música. É então que ela e a família resolvem ir dar um passeio de carro e, numa questão de segundos, um grave acidente rouba-lhe todas as escolhas. Nas vinte e quatro horas que se seguem e que talvez sejam as suas últimas, Mia relembra a sua vida, pesa o que é verdadeiramente importante e, confrontada com o que faz com que valha mesmo a pena viver, tem de tomar a decisão mais difícil de todas.
Naquela manhã de fevereiro, quando Mia, uma jovem de dezassete anos, acorda, as suas preocupações giram à volta de decisões normais para uma rapariga da sua idade: permanecer junto da família, do namorado e dos amigos ou deixar tudo e ir para Nova Iorque para se dedicar à sua verdadeira paixão, a música. É então que ela e a família resolvem ir dar um passeio de carro e, numa questão de segundos, um grave acidente rouba-lhe todas as escolhas. Nas vinte e quatro horas que se seguem e que talvez sejam as suas últimas, Mia relembra a sua vida, pesa o que é verdadeiramente importante e, confrontada com o que faz com que valha mesmo a pena viver, tem de tomar a decisão mais difícil de todas.
Opinião:
Já há muito que andava curiosa quanto a Se Eu Ficar, de Gayle Forman. Li imensas opiniões positivas acerca desta livro e pela sinopse percebi que a história tinha tudo para me marcar. Felizmente consegui iniciar esta leitura e percebi a razão de tantos elogios.
Esta é sem dúvida uma história que se destaca pela diferença. Trata de um assunto muito sensível e que nos faz tremer a todos: a morte daqueles que mais amamos. Gayle Forman procura explorar não só a dor da perda, mas também como ela muda e faz a questionar a nossa existência. Um tema difícil de confrontar, mas que aqui é feito de um modo simples e algo belo. Afinal, é impossível não encontrar beleza na pureza dos sentimentos que nos ligam uns aos outros.
Mia é a protagonista desta trama. A autora construiu-a de forma a ser fácil entendê-la. Afinal, quem é que nunca se sentiu um estranho no seio da própria família? Quem nunca questionou as suas diferenças? Quem nunca teve inseguranças? Assim é Mia, mas é também muito mais. É uma lutadora, e isso é visível não só na forma como confronta uma desgraça mas também na sua dedicação a um sonho e talento. Isso faz-nos admirá-la.
A provação que se coloca no seu caminho é das mais difíceis. Claro que desde o início sentimos que sabemos qual o caminho que Mia deve tomar, mas conforme a leitura vai avançando, começamos também a colocarmos-nos algumas questões. É impossível não imaginar como seria estar naquela situação e indagar sobre qual seria a nossa reacção. Um exercício de reflexão que nos é proposto pela autora de uma forma discreta mas inevitável. E é este o grande tema desta leitura: como lidar com a morte.
Para além de confrontarmos a situação actual de Mia, também viajamos com ela nas suas recordações. Este regresso ao passado sugere uma análise ao que foi vivido até então. Desta forma, ficamos a conhecer melhor Mia, a sua família e amigos. Como tal, também criamos ligações com alguns deles. Confesso que achei os pais de Mia adoráveis, apesar de serem pouco convencionais. Posso não ter ficado tão encantada com o irmão, mas o que nele me marcou foi a sua inocência. Gostei da dedicação e da ligação que a protagonista tinha com a sua melhor amiga e não deixei de ficar emocionada com a relação que ela tinha com o avô. Todas estas personagens pareceram-me reais, o que acrescentou valor à leitura.
Esta é sem dúvida uma história que se destaca pela diferença. Trata de um assunto muito sensível e que nos faz tremer a todos: a morte daqueles que mais amamos. Gayle Forman procura explorar não só a dor da perda, mas também como ela muda e faz a questionar a nossa existência. Um tema difícil de confrontar, mas que aqui é feito de um modo simples e algo belo. Afinal, é impossível não encontrar beleza na pureza dos sentimentos que nos ligam uns aos outros.
Mia é a protagonista desta trama. A autora construiu-a de forma a ser fácil entendê-la. Afinal, quem é que nunca se sentiu um estranho no seio da própria família? Quem nunca questionou as suas diferenças? Quem nunca teve inseguranças? Assim é Mia, mas é também muito mais. É uma lutadora, e isso é visível não só na forma como confronta uma desgraça mas também na sua dedicação a um sonho e talento. Isso faz-nos admirá-la.
A provação que se coloca no seu caminho é das mais difíceis. Claro que desde o início sentimos que sabemos qual o caminho que Mia deve tomar, mas conforme a leitura vai avançando, começamos também a colocarmos-nos algumas questões. É impossível não imaginar como seria estar naquela situação e indagar sobre qual seria a nossa reacção. Um exercício de reflexão que nos é proposto pela autora de uma forma discreta mas inevitável. E é este o grande tema desta leitura: como lidar com a morte.
Para além de confrontarmos a situação actual de Mia, também viajamos com ela nas suas recordações. Este regresso ao passado sugere uma análise ao que foi vivido até então. Desta forma, ficamos a conhecer melhor Mia, a sua família e amigos. Como tal, também criamos ligações com alguns deles. Confesso que achei os pais de Mia adoráveis, apesar de serem pouco convencionais. Posso não ter ficado tão encantada com o irmão, mas o que nele me marcou foi a sua inocência. Gostei da dedicação e da ligação que a protagonista tinha com a sua melhor amiga e não deixei de ficar emocionada com a relação que ela tinha com o avô. Todas estas personagens pareceram-me reais, o que acrescentou valor à leitura.
Apesar de ser um livro de grande beleza, a verdade é que também tem falhas. Por diversos momentos senti que a trama era demasiado direccionada para leitores mais jovens. Não sei se tal acontece por a protagonista ser uma adolescente, mas achei que existia uma preocupação muitas vezes incómoda quanto ao seu namoro. Isso fez com que a dor e a perda perdessem uma certa força. Também não fiquei impressionada com Adam, o namorado de Mia. Pareceu-me muito distante e, como tal, não consegui entender os sentimentos que ligavam ambas personagens. Também alguns momentos me pareceram disparatados e produto da imaginação de um adolescente.
A linguagem utilizada é bastante acessível, uma vez que está ligada ao tom utilizado pelos adolescentes. A narrativa está mais ligada à apresentação de acontecimentos e a reflexões, não se prendendo tanto com descrições. Os diálogos pareceram-me coerentes e credíveis.
A conclusão parece abrupta e deixa muito em aberto. Percebo a intenção da autora, mas deixa uma sensação de vazio e até incompreensão, afinal fica muita coisa por explicar quanto a uma decisão crucial e que foi esperada ao longo de toda a leitura. Terminada esta leitura, surge vontade de saber mais sobre Mia. Felizmente tinha por perto o volume que se segue, Espera Por Mim, e consegui matar a curiosidade.
Se Eu Ficar não é um livro perfeito, mas marca. Possui uma história diferente de tudo o que li até aqui e que sei que recordarei com facilidade. Tem momentos de grande emoção, mas também outros que me trouxeram um sorriso. Aconselho esta leitura.
A linguagem utilizada é bastante acessível, uma vez que está ligada ao tom utilizado pelos adolescentes. A narrativa está mais ligada à apresentação de acontecimentos e a reflexões, não se prendendo tanto com descrições. Os diálogos pareceram-me coerentes e credíveis.
A conclusão parece abrupta e deixa muito em aberto. Percebo a intenção da autora, mas deixa uma sensação de vazio e até incompreensão, afinal fica muita coisa por explicar quanto a uma decisão crucial e que foi esperada ao longo de toda a leitura. Terminada esta leitura, surge vontade de saber mais sobre Mia. Felizmente tinha por perto o volume que se segue, Espera Por Mim, e consegui matar a curiosidade.
Se Eu Ficar não é um livro perfeito, mas marca. Possui uma história diferente de tudo o que li até aqui e que sei que recordarei com facilidade. Tem momentos de grande emoção, mas também outros que me trouxeram um sorriso. Aconselho esta leitura.
domingo, 23 de novembro de 2014
Opinião: Gata Branca (The Curse Workers #1)
Título Original: White Cat - The Curse Workers (2011)
Autor: Holly Black
Tradução: Marta Mendonça
ISBN: 9789722354158
Editora: Editorial Presença (2014)
Sinopse:
Cassel Sharpe é um jovem de dezassete anos que deseja ter uma vida normal. Mas quando se nasce numa família com uma forte tradição em manipulação de maldições a normalidade não é algo fácil de alcançar. Cassel vive ensombrado pela ameaça de, a qualquer momento, os poderes maléficos que correm na sua família se manifestarem também em si. Por diversas vezes, a sua vida é posta em risco quando, em sucessivos episódios de sonambulismo, passeia pelos telhados do colégio interno que frequenta. De volta a casa, torna-se cada vez mais claro para Cassel que um tenebroso segredo familiar ameaça destruí-lo. Desejoso de perceber quem realmente é, o jovem inicia uma cruzada de autodescoberta que o leva a enfrentar perigos cada vez maiores.
Holly Black traz-nos uma narrativa fascinante que abre um novo capítulo neste género literário, o thriller noire.
Opinião:
Repleto de intriga, mistério, maldições e muitas emoções, Gata Branca é um livro destinado a um público jovem mas que também faz as delícias dos leitores mais adultos. Uma leitura que ao início pode causar alguma estranheza, mas que aos poucos e poucos vai tornando a leitura viciante. As personagens cativam, a acção é rápida, as relações surpreendem e o conceito de manipuladores vai-se entranhando.
Cassel Sharpe é o protagonista desta história criada por Holly Black. Ao início, ele não me pareceu uma figura fácil de entender. Mais tarde percebi que isso se deve ao facto de ser uma personagem bem estruturada e dotada de diferentes dimensões. Nas primeiras páginas, é fácil perceber que ele é um rapaz dotado de sentido de humor, que não confia facilmente nos outros, que é adepto da mentira e da manipulação. Só ao conhecer a sua história percebemos as razões de ele assim ser e surge então empatia por esta figura. Com o decorrer da narrativa, vemos que ele possui valores nobres, o que o tornam num trapaceiro de quem é fácil gostar. Os seus desejos, angústias e necessidade de pertencer a um grupo tornam esta personagem em alguém que acreditamos ser real.
A família de Cassel está longe de ter um modelo convencional. Faz lembras as famílias que servem grandes senhores da máfia, uma vez que existe um estranho sentido de lealdade e devoção que leva os seus membros a praticar crimes hediondos. A mãe de Cassel surge poucas vezes, mas confesso que me não me provoca qualquer simpatia. Sugere ser alguém egoísta e que não entende os filhos, o que acaba por justificar muito do que acontece nestas páginas. Os irmãos de Cassel, são muito relevantes para a narrativa. É curioso ver como os sentimentos do protagonista relativamente aos dois irmãos vão sendo alterados conforme a história avança, ficando presente que o amadurecimento nos leva a ver certas atitudes de forma diferente. Já o avô de Cassel foi o membro de quem mais gostei. Um senhor com um humor retorcido, muito rezingão mas também perspicaz.
A gata que dá o título ao livro é um dos elementos mais enigmáticos da narrativa. Está sempre presente, e ao início não é fácil entender qual é a sua finalidade. Contudo, a um certo momento, conseguimos perceber sozinhos o papel desta figura, muito antes do protagonista. A partir daí, queremos ver o mistério exposto, queremos conhecer melhor esta personagem que se torna num ponto central de toda a história.
A trama em si parece estar dividida em duas partes distintas. Na primeira, é feita a apresentação. Nesta fase, tudo parece surgir de uma forma lenta e não é fácil entender o caminho que a autora pretende seguir. Cassel não cativa de imediato pois parece estar limitado pelo espaço onde se encontra. Contudo, existem alguns mistérios que intrigam e impelem a continuar. A segunda fase surge quando Cassel começa uma investigação intensa e que lhe dá resultados inesperados. É verdade que a partir do momento em que recebemos certas informações conseguimos depressa perceber o que vai acontecer, mas existem um entusiasmo crescente em acompanhar o protagonista, pois é aqui que ele começa a cativar e a marcar a diferença. O ritmo da leitura acelera e torna-se difícil largar o livro.
Este volume é muito focado no acompanhar de Cassel por situações reveladoras e de grande perigo, contudo, a autora, de forma subtil, acaba por apresentar um mundo muito cativante que gostaria de ter visto mais desenvolvido. É fácil perceber a divisão que existe na sociedade, o medo dos manipuladores, as propostas políticas de controlo, os grupos que não aceitam a diferença e aquelas que acreditam na coexistência pacifica. Deste modo, Black tenta dar a entender que pensou bem no cenário desta trama, e que existem factores externos a Cassel que ainda poderão atravessar-se no seu caminho.
Relativamente ao conceito de manipuladores, achei curioso o facto de estes estarem associados a maldições. Isto faz com que, inevitavelmente, eles sejam vistos com uma conexão negativa, afinal, as maldições usam o outro em benefício próprio, causando dor e sofrimento. Ao longo da leitura, pensei se estes "dons mágicos" estão associados a maldições devido à própria natureza humana. O poder faz com que seja usado para se conseguir algo que se deseja, sem medir as consequências. Caso a natureza humana for altruísta e bondosa, serão as maldições vistas como dons úteis para todos? Penso que este é um tema que a autora tentou, neste livro, expor de uma forma bastante subtil e que será desenvolvido no próximo. Uma ideia muito curiosa, que dá que pensar e que torna este livro mais profundo do que pode aparentar.
Gata Branca fez-me sentir estar dentro de uma história passada no seio da máfia mas repleta de elementos mágicos. Apresenta uma história cheia de mistérios e acontecimentos interessantes, mas também explora um protagonista complexo que dificilmente será esquecido. Aconselho a leitura deste livro e espero, sinceramente, continuar a acompanhar esta coleção de manipuladores de maldições criada por Holly Black.
Para mais informações sobre o livro Gata Branca, clique aqui.
Está em sorteio um exemplar deste livro aqui. Participem!
Autor: Holly Black
Tradução: Marta Mendonça
ISBN: 9789722354158
Editora: Editorial Presença (2014)
Sinopse:
Cassel Sharpe é um jovem de dezassete anos que deseja ter uma vida normal. Mas quando se nasce numa família com uma forte tradição em manipulação de maldições a normalidade não é algo fácil de alcançar. Cassel vive ensombrado pela ameaça de, a qualquer momento, os poderes maléficos que correm na sua família se manifestarem também em si. Por diversas vezes, a sua vida é posta em risco quando, em sucessivos episódios de sonambulismo, passeia pelos telhados do colégio interno que frequenta. De volta a casa, torna-se cada vez mais claro para Cassel que um tenebroso segredo familiar ameaça destruí-lo. Desejoso de perceber quem realmente é, o jovem inicia uma cruzada de autodescoberta que o leva a enfrentar perigos cada vez maiores.
Holly Black traz-nos uma narrativa fascinante que abre um novo capítulo neste género literário, o thriller noire.
Opinião:
Repleto de intriga, mistério, maldições e muitas emoções, Gata Branca é um livro destinado a um público jovem mas que também faz as delícias dos leitores mais adultos. Uma leitura que ao início pode causar alguma estranheza, mas que aos poucos e poucos vai tornando a leitura viciante. As personagens cativam, a acção é rápida, as relações surpreendem e o conceito de manipuladores vai-se entranhando.
Cassel Sharpe é o protagonista desta história criada por Holly Black. Ao início, ele não me pareceu uma figura fácil de entender. Mais tarde percebi que isso se deve ao facto de ser uma personagem bem estruturada e dotada de diferentes dimensões. Nas primeiras páginas, é fácil perceber que ele é um rapaz dotado de sentido de humor, que não confia facilmente nos outros, que é adepto da mentira e da manipulação. Só ao conhecer a sua história percebemos as razões de ele assim ser e surge então empatia por esta figura. Com o decorrer da narrativa, vemos que ele possui valores nobres, o que o tornam num trapaceiro de quem é fácil gostar. Os seus desejos, angústias e necessidade de pertencer a um grupo tornam esta personagem em alguém que acreditamos ser real.
A família de Cassel está longe de ter um modelo convencional. Faz lembras as famílias que servem grandes senhores da máfia, uma vez que existe um estranho sentido de lealdade e devoção que leva os seus membros a praticar crimes hediondos. A mãe de Cassel surge poucas vezes, mas confesso que me não me provoca qualquer simpatia. Sugere ser alguém egoísta e que não entende os filhos, o que acaba por justificar muito do que acontece nestas páginas. Os irmãos de Cassel, são muito relevantes para a narrativa. É curioso ver como os sentimentos do protagonista relativamente aos dois irmãos vão sendo alterados conforme a história avança, ficando presente que o amadurecimento nos leva a ver certas atitudes de forma diferente. Já o avô de Cassel foi o membro de quem mais gostei. Um senhor com um humor retorcido, muito rezingão mas também perspicaz.
A gata que dá o título ao livro é um dos elementos mais enigmáticos da narrativa. Está sempre presente, e ao início não é fácil entender qual é a sua finalidade. Contudo, a um certo momento, conseguimos perceber sozinhos o papel desta figura, muito antes do protagonista. A partir daí, queremos ver o mistério exposto, queremos conhecer melhor esta personagem que se torna num ponto central de toda a história.
A trama em si parece estar dividida em duas partes distintas. Na primeira, é feita a apresentação. Nesta fase, tudo parece surgir de uma forma lenta e não é fácil entender o caminho que a autora pretende seguir. Cassel não cativa de imediato pois parece estar limitado pelo espaço onde se encontra. Contudo, existem alguns mistérios que intrigam e impelem a continuar. A segunda fase surge quando Cassel começa uma investigação intensa e que lhe dá resultados inesperados. É verdade que a partir do momento em que recebemos certas informações conseguimos depressa perceber o que vai acontecer, mas existem um entusiasmo crescente em acompanhar o protagonista, pois é aqui que ele começa a cativar e a marcar a diferença. O ritmo da leitura acelera e torna-se difícil largar o livro.
Este volume é muito focado no acompanhar de Cassel por situações reveladoras e de grande perigo, contudo, a autora, de forma subtil, acaba por apresentar um mundo muito cativante que gostaria de ter visto mais desenvolvido. É fácil perceber a divisão que existe na sociedade, o medo dos manipuladores, as propostas políticas de controlo, os grupos que não aceitam a diferença e aquelas que acreditam na coexistência pacifica. Deste modo, Black tenta dar a entender que pensou bem no cenário desta trama, e que existem factores externos a Cassel que ainda poderão atravessar-se no seu caminho.
Relativamente ao conceito de manipuladores, achei curioso o facto de estes estarem associados a maldições. Isto faz com que, inevitavelmente, eles sejam vistos com uma conexão negativa, afinal, as maldições usam o outro em benefício próprio, causando dor e sofrimento. Ao longo da leitura, pensei se estes "dons mágicos" estão associados a maldições devido à própria natureza humana. O poder faz com que seja usado para se conseguir algo que se deseja, sem medir as consequências. Caso a natureza humana for altruísta e bondosa, serão as maldições vistas como dons úteis para todos? Penso que este é um tema que a autora tentou, neste livro, expor de uma forma bastante subtil e que será desenvolvido no próximo. Uma ideia muito curiosa, que dá que pensar e que torna este livro mais profundo do que pode aparentar.
Gata Branca fez-me sentir estar dentro de uma história passada no seio da máfia mas repleta de elementos mágicos. Apresenta uma história cheia de mistérios e acontecimentos interessantes, mas também explora um protagonista complexo que dificilmente será esquecido. Aconselho a leitura deste livro e espero, sinceramente, continuar a acompanhar esta coleção de manipuladores de maldições criada por Holly Black.
Para mais informações sobre o livro Gata Branca, clique aqui.
Está em sorteio um exemplar deste livro aqui. Participem!
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Opinião: Maze Runner - A Cura Mortal (Maze Runner #3)
Título Original: The Death Cure (2011)
Autor: James Dashner
Tradução: Marta Mendonça
ISBN: 9789722353670
Editora: Editorial Presença (2014)
Sinopse:
Thomas atravessou o Labirinto; sobreviveu à Terra Queimada. A CRUEL roubou-lhe a vida, as memórias, e até mesmo os amigos. Mas agora as Experiências acabaram, e a CRUEL planeia devolver as memórias aos sobreviventes e completar assim a cura para o Fulgor. Só que Thomas recuperou ao longo do tempo muito mais memórias do que os membros da CRUEL julgam, o suficiente para saber que não pode confiar numa única palavra do que dizem. Conseguirá ele sobreviver à cura?
Opinião:
Para mim, o grande ponto forte deste livro foram as derradeiras páginas. Apesar de muitas perguntas terem ficado por responder, adorei a forma como esta trilogia terminou. Confesso que não estava à espera daquilo e fiquei agradada por ver que o mundo negro criado por James Dashner não foge desta essência. Foi interessante como transmitiu esperança e ao mesmo tempo caos. A trilogia "Maze Runner" mostra que para atingir um bem maior é necessário que existam sacrifícios. Para além disso, apresenta temas como a exploração do outro em benefício próprio, o desespero humano, o altruísmo, a amizade e a coragem.
Maze Runner - A Cura Mortal, foi uma leitura que não responde a todas as questões mas que apresenta um final coerente. A trama é emocionante, as personagens secundárias comovem e os avisos levam a pensar sobre que futuro estamos a preparar. Um livro que mantém o espírito dos livros anteriores e termina de uma forma inesperada.
Para mais informações sobre o livro Maze Runner - A Cura Mortal, clique aqui.
Outras opiniões a livros de James Dashner:
Maze Runner - Correr ou Morrer (Maze Runner #1)
Maze Runner - Provas de Fogo (Maze Runner #2)
Autor: James Dashner
Tradução: Marta Mendonça
ISBN: 9789722353670
Editora: Editorial Presença (2014)
Sinopse:
Thomas atravessou o Labirinto; sobreviveu à Terra Queimada. A CRUEL roubou-lhe a vida, as memórias, e até mesmo os amigos. Mas agora as Experiências acabaram, e a CRUEL planeia devolver as memórias aos sobreviventes e completar assim a cura para o Fulgor. Só que Thomas recuperou ao longo do tempo muito mais memórias do que os membros da CRUEL julgam, o suficiente para saber que não pode confiar numa única palavra do que dizem. Conseguirá ele sobreviver à cura?
Opinião:
Começar a ler Maze Runner – A Cura Mortal, foi uma sentir
emoções contraditórias. Por um lado, queria muito pegar neste livro, descobrir
os últimos segredos da CRUEL e ainda saber como tudo iria terminar, mas por
outro, não me queria despedir deste mundo. É sempre assim quando estou prestes
a ler o derradeiro volume de uma colecção que me cativou. A leitura já foi
feita, assim como as despedidas.
O livro inicia-se no momento em que o anterior terminou,
contudo Thomas revela-se diferente. Todas as provações por que passou nos dois
livros anteriores fizeram com que ele mudasse. Tornou-se mais desconfiado e teimoso, o que é compreensível, mas também começou a tomar atitudes que nem
sempre foram bem compreendidas. Nem sempre percebi as suas decisões e muitas
vezes achei que estas foram uma forma de o autor prolongar a narrativa. Para
além disso, uma grande questão que todos queremos ver respondida acabou por não ser revelado por
recusa de Thomas em aceitar a resposta. Isso foi muito frustrante e fez com que a minha simpatia por Thomas diminuísse.
As minhas personagens preferidas voltaram a ser Minho e
Newt. Eles continuam a parecer-me os mais reais e humanos. Para além de serem os fiéis companheiros de Thomas, vê-se que foram afectados de
uma forma diferente por todos os perigos atravessados. Sente-se a revolta no
discurso de ambos, mas também é possível verificar que a amizade que nutrem um pelo outro
está mais forte. Percebe-se perfeitamente que eles deixaram de ser miúdos e um
certo acontecimento quanto a um deles foi, para mim, um dos momentos mais
marcantes desta leitura. Quanto a Teresa, senti que o seu papel acabou por ser
rebaixado para dar lugar a uma outra personagem que não me conseguiu convencer.
Quero também enaltecer o regresso de uma figura que acabou por se redimir.
Esta é uma leitura de ritmo constante e muita acção. Existem
diversas reviravoltas, o que é bom para manter o interesse mas que, em algumas
situações, deram-me a sensação de que o autor estava apenas a tentar adiar o
final. Isto aconteceu muito devido a decisões de Thomas que pareceram
incoerentes tendo em conta tudo aquilo por que ele ansiava nos livros
anteriores. Mas apesar de tudo, existe sempre algo de emocionante a acontecer,
o que me deixou agarrada ao livro. Para além dos muitos perigos, é inevitável
não sentir os sentimentos e emoções das personagens enquanto os enfrentam, o que é cativante e torna tudo mais intenso.
Só quando terminei o livro, percebi que os motivos de todas as provações enfrentadas por Thomas e companheiros não têm uma explicação final. Esta é dada de forma subtil ao longo da leitura e só no final nós somos capazes de juntar todas as peças e tomarmos as nossas próprias conclusões. A minha ideia geral sobre este mundo acabou por se revelar ainda mais negra do que o que estava à espera. É mesmo um aviso acerca dos abusos atuais e das consequências que podem trazer para o futuro. Contudo, queria ter visto o passado exposto e tal não aconteceu.
Só quando terminei o livro, percebi que os motivos de todas as provações enfrentadas por Thomas e companheiros não têm uma explicação final. Esta é dada de forma subtil ao longo da leitura e só no final nós somos capazes de juntar todas as peças e tomarmos as nossas próprias conclusões. A minha ideia geral sobre este mundo acabou por se revelar ainda mais negra do que o que estava à espera. É mesmo um aviso acerca dos abusos atuais e das consequências que podem trazer para o futuro. Contudo, queria ter visto o passado exposto e tal não aconteceu.
Para mim, o grande ponto forte deste livro foram as derradeiras páginas. Apesar de muitas perguntas terem ficado por responder, adorei a forma como esta trilogia terminou. Confesso que não estava à espera daquilo e fiquei agradada por ver que o mundo negro criado por James Dashner não foge desta essência. Foi interessante como transmitiu esperança e ao mesmo tempo caos. A trilogia "Maze Runner" mostra que para atingir um bem maior é necessário que existam sacrifícios. Para além disso, apresenta temas como a exploração do outro em benefício próprio, o desespero humano, o altruísmo, a amizade e a coragem.
Maze Runner - A Cura Mortal, foi uma leitura que não responde a todas as questões mas que apresenta um final coerente. A trama é emocionante, as personagens secundárias comovem e os avisos levam a pensar sobre que futuro estamos a preparar. Um livro que mantém o espírito dos livros anteriores e termina de uma forma inesperada.
Para mais informações sobre o livro Maze Runner - A Cura Mortal, clique aqui.
Outras opiniões a livros de James Dashner:
Maze Runner - Correr ou Morrer (Maze Runner #1)
Maze Runner - Provas de Fogo (Maze Runner #2)
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