Título Original: Carry On (2015)
Autor: Rainbow Rowell
ISBN: 9789897730764
Tradução: Fernanda Semedo
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Na famosa Escola de Magia de Watford, Simon desempenha um papel especial: ele é o Escolhido, aquele que irá salvar todos do Mal. Mas a verdade é que, metade das vezes, Simon não consegue fazer a sua varinha funcionar, e, na outra metade, pega fogo a tudo. O seu mentor evita-o, a sua namorada deixou-o, e existe um monstro que se alimenta de magia e que utiliza o rosto de Simon. Para piorar as coisas, Baz, a némesis irritante de Simon, desapareceu. Só pode estar a preparar alguma! Carry On – A História de Simon Snow está repleto de fantasmas, amor, mistérios. Tem exatamente a quantidade de beijos e de conversa que seria de esperar numa história de Rainbow Rowell – mas muito, muito mais monstros.
Opinião:
Este foi o primeiro livro que li de Rainbow Rowell. É curioso pensar que as personagens desta obra já surgem noutro livro da autora, Fangirl, como heróis de uma coleção de fantasia, sendo que ganham agora espaço próprio para contarem as suas aventuras. Assim sendo, Carry On - A História de Simon Snow mostra a capacidade de pegar em sementes de ideias apresentadas noutros trabalhos e trabalhá-las até ganharem uma identidade própria.
Este é um livro leve, que diverte bastante. Ao início, é impossível não comparar as personagens e a escola de magia a Harry Potter, de J. K. Rowling. Existem alguns elementos de ligação, mas conforme a trama se vai desenvolvendo vai também seguindo uma direção completamente diferente. Não se pode dizer que os acontecimentos sejam inesperados, mas acabam por ser, sim, refrescantes.
A componente mais forte deste livro está nas relações. Rainbow Rowell percebe que as pessoas são complexas, que aquilo que deixam transparecer nem sempre corresponde ao que são ou até ao que pensam que são. Como tal, as ligações que estabelecem com outras personagens são aliciantes por parecerem verdadeiras. A autora o amor, a amizade, a família, o companheirismo, a rivalidade e a admiração com grande credibilidade.
Simon Snow é um protagonista a fazer lembrar os heróis de anime. Trapalhão, bondoso e atormentado, acaba por não gerar uma empatia imediata. Aliás, no meu caso, esta ligação acabou por ser mais forte com Baz. É que Baz consegue explorar outras partes da sua personalidade que acabam por ser mais atrativas e diferenciadoras. Ele destaca-se por aparentar uma imagem de durão que pretende obter poder a todo o custo quando, na verdade, tem um passado que o continua a magoar e luta a tudo o custo contra os seus sentimentos com medo de ser magoado e, mais uma vez, abandonado. Assim sendo, Simon representa a emoção explosiva enquanto Baz é razão fria.
Gostei que a autora tentasse mostrar que não se pode ter nada como certo quando se analisam as relações. Raibow Rowell mostra que um rapaz e uma rapariga podem ter uma forte amizade um pelo outro sem segundas intenções, mas também nos faz pensar sobre como todos os outros veem sempre esta ligação com desconfiança. Esta análise de terceiros pode ser prejudicial para algo que era verdadeiro e puro. Mas o mais interessante é a abordagem que faz às relações homossexuais, não as tratando como diferentes das heterossexuais. Rowell fala sobre sentimentos verdadeiros e preconceito, sendo que este pode vir de fora mas também nos próprios apaixonados que receiam sofrer com a rejeição pela parte do outro.
O desenrolar da trama começa por não trazer grandes surpresas. A autora mostra-nos as personagens no seu último ano na escola de magia, fazendo algumas referências a outras aventuras que tiveram nos anos anteriores. Desta forma, o leitor vai conhecendo o dia a dia nesta instituição e a forma como todos se conheceram. Com o avançar da narrativa, surge a verdadeira ação. As revelações relacionadas com o inimigo são previsíveis, mas ainda assim gostei da justificação dada para o aparecimento de uma figura negra.
Os elementos mágicos poderiam estar melhor trabalhados. A autora acaba por cair em alguns clichés neste campo, não havendo propriamente uma noção de originalidade na apresentação ou criação de figuras ou componentes fantásticas. Tudo parece ser inspirado de uma outra história, não havendo grande inovação. O enredo não é o mais forte, mas as personagens conseguem cativar e manter o interesse pela história.
Carry On - A História de Simon Snow é um livro divertido, ótimo para quem gosta de elementos fantásticos e quer passar momentos descontraídos juntos de personagens jovens e inspiradoras. A união e confiança são as mensagens mais fortes desta aventura, que tem como grande objetivo entreter o leitor.
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quinta-feira, 21 de setembro de 2017
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
Opinião: Nimona
Título Original: Nimona (2015)
Autor: Noelle Stevenson
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789897730559
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Quando o vilão Lorde Ballister Coração Negro conhece uma rapariga misteriosa de nome Nimona, ambos são impelidos a uma parceria criminosa com o objetivo de lançar o caos no reino. Assumem como missão provar perante todos que Sir Ambrosius Virilha Dourada e os seus comparsas no Instituto Para a Aplicação da Lei & Heroísmo não são tão heroicos e nobres como todos julgam.
Vão ocorrer imensas EXPLOSÕES. E CIÊNCIA E TUBARÕES também não vão faltar.
Mas quando simples atos traquinas se transformam numa batalha sem quartel, Lorde Coração Negro descobre que os poderes de Nimona são tão misteriosos quanto o seu passado. E o seu lado selvagem poderá ser muito mais perigoso do que ele próprio está disposto a admitir…
NÉMESIS!
DRAGÕES!
CIÊNCIA!
VENHA CONHECER NIMONA!
Opinião:
Existem livros que, sem estarmos à espera, nos enchem o coração. Decidi dar uma oportunidade a Nimona depois de uma conversa uma blogger amiga. Não costumo adquirir novelas gráficas, não por pensar que as histórias são inferiores ao formato romance, mas por saber que se tratam de livros que duram poucas horas nas minhas mãos. Sim, Nimona foi um livro devorado em menos de nada, mas gostei imenso de cada bocadinho passado entre estas páginas.
A trama está dividida em vários e pequenos capítulos. Nos primeiros, somos introduzidos ás personagens, ao papel de cada uma e a este novo universo. A primeira impressão que fica é o grande sentido de humor adjacente à narrativa e ainda o facto de as figuras principais serem estarem do lado do mal e, ao mesmo tempo, terem dúvidas morais divertidas e pertinentes. Como tal, as primeiras páginas apresentam uma sucessão de acontecimentos que, numa primeira análise, parecem aleatórios, mas que têm a função de nos ambientar e preparar para algo maior.
A certo momento, chegamos a capítulos que já não funcionam em separado e que estão ligados a um enredo mais complexo. Não só a história é mais densa como a mensagem que a autora nos tenta passar se torna cada vez mais evidente e acaba por nos tocar o coração. O vilão taciturno e incapaz de fazer grandes maldades revela-se um homem que é capaz de se sacrificar pela sociedade, mesmo que tal implique ir contra aquilo que ele é. O herói belo e valente pode ter segredos sombrios e não ser tão valoroso quanto quer fazer crer. A organização incumbida da segurança do reino pode ter outros interesses. A menina irresponsável que só quer fazer maldades talvez só queira um amigo. Não existem muitas personagens, mas elas são memoráveis.
Nimona demorou um pouquinho a conquistar-me, talvez por acabar sempre por repreender as suas acções inconsequentes. Contudo, os disparates que ela faz e a forma como consegue arreliar Lorde Ballister acabam por fazer sorrir e por querer descobrir o que ela vai aprontar a seguir. Além disso, o mistério relativo ao seu passado e à sua condição aumentam a intriga . No final, ela acaba por se revelar uma figura de várias dimensões, muito bem conseguida.
Lord Ballister Coração Negro foi a figura de que mais gostei. Ele é grande vilão deste mundo, mas depressa percebemos que é um malvado de bom coração, que apenas está a cumprir, com toda a devoção, um papel que lhe foi atribuído. Gostei de assistir à sua evolução, provocada pelo convívio com Nimona, e apreciei o facto de ele ser sempre fiel aos seus valores, mesmo quando tal o coloca em situações nas quais não se sente confortável. Já Sir Ambrosius Virilha Dourada cria antipatia logo no início, sendo que só mais lá para o fim me conseguiu fazer vê-lo com outros olhos. Ele é o exemplo do herói de fachada, de alguém que sente necessidade de ser admirado para se sentir bem.
A relação entre as personagens faz sentido e cria momentos que tanto podem ir de divertidos até a emotivos. No final, tive vontade de reler as primeiras páginas, só para verificar a evolução que aconteceu. Os desenhos são amorosos e o contraste das cores faz sentido e acrescenta individualidade às personagens. Nimona é um livro que merece ser tido em consideração, mesmo por aqueles que, como eu, não costumam dar grandes oportunidades a novelas gráficas. Como tal, se querem uma história divertida, com significado e que vos fique na mente depois de lida, não deixem esta leitura ao lado.
Autor: Noelle Stevenson
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789897730559
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Quando o vilão Lorde Ballister Coração Negro conhece uma rapariga misteriosa de nome Nimona, ambos são impelidos a uma parceria criminosa com o objetivo de lançar o caos no reino. Assumem como missão provar perante todos que Sir Ambrosius Virilha Dourada e os seus comparsas no Instituto Para a Aplicação da Lei & Heroísmo não são tão heroicos e nobres como todos julgam.
Vão ocorrer imensas EXPLOSÕES. E CIÊNCIA E TUBARÕES também não vão faltar.
Mas quando simples atos traquinas se transformam numa batalha sem quartel, Lorde Coração Negro descobre que os poderes de Nimona são tão misteriosos quanto o seu passado. E o seu lado selvagem poderá ser muito mais perigoso do que ele próprio está disposto a admitir…
NÉMESIS!
DRAGÕES!
CIÊNCIA!
VENHA CONHECER NIMONA!
Opinião:
Existem livros que, sem estarmos à espera, nos enchem o coração. Decidi dar uma oportunidade a Nimona depois de uma conversa uma blogger amiga. Não costumo adquirir novelas gráficas, não por pensar que as histórias são inferiores ao formato romance, mas por saber que se tratam de livros que duram poucas horas nas minhas mãos. Sim, Nimona foi um livro devorado em menos de nada, mas gostei imenso de cada bocadinho passado entre estas páginas.
A trama está dividida em vários e pequenos capítulos. Nos primeiros, somos introduzidos ás personagens, ao papel de cada uma e a este novo universo. A primeira impressão que fica é o grande sentido de humor adjacente à narrativa e ainda o facto de as figuras principais serem estarem do lado do mal e, ao mesmo tempo, terem dúvidas morais divertidas e pertinentes. Como tal, as primeiras páginas apresentam uma sucessão de acontecimentos que, numa primeira análise, parecem aleatórios, mas que têm a função de nos ambientar e preparar para algo maior.
A certo momento, chegamos a capítulos que já não funcionam em separado e que estão ligados a um enredo mais complexo. Não só a história é mais densa como a mensagem que a autora nos tenta passar se torna cada vez mais evidente e acaba por nos tocar o coração. O vilão taciturno e incapaz de fazer grandes maldades revela-se um homem que é capaz de se sacrificar pela sociedade, mesmo que tal implique ir contra aquilo que ele é. O herói belo e valente pode ter segredos sombrios e não ser tão valoroso quanto quer fazer crer. A organização incumbida da segurança do reino pode ter outros interesses. A menina irresponsável que só quer fazer maldades talvez só queira um amigo. Não existem muitas personagens, mas elas são memoráveis.
Nimona demorou um pouquinho a conquistar-me, talvez por acabar sempre por repreender as suas acções inconsequentes. Contudo, os disparates que ela faz e a forma como consegue arreliar Lorde Ballister acabam por fazer sorrir e por querer descobrir o que ela vai aprontar a seguir. Além disso, o mistério relativo ao seu passado e à sua condição aumentam a intriga . No final, ela acaba por se revelar uma figura de várias dimensões, muito bem conseguida.
Lord Ballister Coração Negro foi a figura de que mais gostei. Ele é grande vilão deste mundo, mas depressa percebemos que é um malvado de bom coração, que apenas está a cumprir, com toda a devoção, um papel que lhe foi atribuído. Gostei de assistir à sua evolução, provocada pelo convívio com Nimona, e apreciei o facto de ele ser sempre fiel aos seus valores, mesmo quando tal o coloca em situações nas quais não se sente confortável. Já Sir Ambrosius Virilha Dourada cria antipatia logo no início, sendo que só mais lá para o fim me conseguiu fazer vê-lo com outros olhos. Ele é o exemplo do herói de fachada, de alguém que sente necessidade de ser admirado para se sentir bem.
A relação entre as personagens faz sentido e cria momentos que tanto podem ir de divertidos até a emotivos. No final, tive vontade de reler as primeiras páginas, só para verificar a evolução que aconteceu. Os desenhos são amorosos e o contraste das cores faz sentido e acrescenta individualidade às personagens. Nimona é um livro que merece ser tido em consideração, mesmo por aqueles que, como eu, não costumam dar grandes oportunidades a novelas gráficas. Como tal, se querem uma história divertida, com significado e que vos fique na mente depois de lida, não deixem esta leitura ao lado.
terça-feira, 11 de julho de 2017
Opinião: O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1)
Título Original: Fool's Assassin (2014)
Autor: Robin Hobb
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897730528
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais. Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja sempre forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual…
Opinião:
Tinham passado muitos anos desde que li um livro de Robin Hobb. Por isso, quando soube que a Saga do Assassino e o Bobo ia ser publicada em Portugal, fiquei entusiasmada e, ao mesmo tempo, surgiu um certo receio. Temia não me recordar das personagens a que foi apresentadas há tanto tempo, não lembrar acontecimentos importantes e relevantes para a compreensão desta nova fase da história de Fitz. Felizmente, o tempo passou e as memórias mantiveram-se, o que só prova de que estas aventuras realmente deixam marcas.
O ritmo deste volume é um pouco lento, mas tal não significa que a narrativa não prenda o interesse. Levei mais tempo do que esperava com este livro, mas fico feliz por tal ter acontecido. Senti necessidade de saborear cada pedaço desta história e cada subtiliza que era narrada. Adorei o facto de uma vida de aparente calma e rotina poder esconder tantos segredos e acontecimentos entusiasmantes. As personagens causam-nos preocupação e queremos continuar a acompanhá-las, afinal parecem pessoas reais que fazem parte do nosso círculo de amigos. Tudo isto cativa e leva-nos a embrenhar-nos na história.
É curioso perceber de que forma Fitz evoluiu desde O Aprendiz de Assassino, primeiro livro que aborda as suas aventuras. Ele mantém a mesma essência, mas também revela ser o resultado de tudo o que lhe aconteceu. É curioso constatar os diferentes lados deste homem, nomeadamente a parte que aparenta aos outros e o que pensa de si próprio. Muitos o veem como duro, rude, contido, mas a verdade esconde um coração grande assim como muitas inseguranças, dores e dúvidas. É um homem que nos faz querer ver a ser mais expansivo com os seus pensamentos perante as pessoas que o amam-
A figura que mais me impressionou nesta leitura foi Abelha. A história ganha novos horizontes e torna-se ainda mais apelativa quando esta personagem surge. A sua singularidade cativa, ao início pela estranheza, depois pelo carinho e compaixão. Ela é uma menina muito diferente de qualquer outra e a sua natureza e verdade é um mistério que desejamos ver desvendado. Até lá, vamos juntando as peças do puzzle para entender o porquê de ser como é, aos mesmo tempo que torcemos pelo seu sucesso e evolução.
O encadeamento da acção está bem construído e, sem que o leitor se aperceba, vai acelerando o ritmo de uma forma muito subtil e gradual. Só mais perto do final sentimos tudo está a acontecer ao mesmo tempo, o que nos leva a devorar cada página com maior intensidade. Depois, de repente, o livro acaba com uma reviravolta que, apesar de já ser esperada, não deixa de causar surpresa pela forma como acontece. Terminada a leitura, fiquei com uma enorme vontade de continuar a acompanhar esta história. Tanto que, ainda nos dias seguintes, os meus pensamentos se dirigiam para este livro e para o desejo urgente de ter o segundo volume nas minhas mãos rapidamente.
Quero ainda realçar a capacidade da autora conseguir transmitir grandes sentimentos e emoções aos seus leitores. O amor é visível ao longo de todo a leitora, sendo mais evidente e tocante nos pequenos gestos. A angústia pelos que desapareceram faz-nos acreditar que também perdemos alguém que nos é querido. O terror, quer seja na maldade humana contra semelhantes ou animais, choca, choca muito, causa dor e incompreensão. Já a amizade é relevada em gestos de confiança inesperados e faz-nos ter esperança na humanidade e no futuro. Os gestos supérfluos repugnam e mostram-nos que, quem os pratica, tem menos de metade do valor e importância que julga possuir.
Robin Hobb consegue criar personagens com diferentes dimensões e, desta forma, fazermos acreditar que elas poderiam existir. Coloca-as numa história intrincada, que nos vai envolvendo aos poucos, ao ponto de já não a querermos largar. Fico muito feliz por esta autora continuar a ser uma aposta em Portugal, pois é realmente um dos nomes da actualidade mais importantes dentro do género. Agora, ao escrever estas palavras, fico ainda mais ansiosa pela publicação do próximo volume e pela continuação da história de Fitz.
Autor: Robin Hobb
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897730528
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais. Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja sempre forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual…
Opinião:
Tinham passado muitos anos desde que li um livro de Robin Hobb. Por isso, quando soube que a Saga do Assassino e o Bobo ia ser publicada em Portugal, fiquei entusiasmada e, ao mesmo tempo, surgiu um certo receio. Temia não me recordar das personagens a que foi apresentadas há tanto tempo, não lembrar acontecimentos importantes e relevantes para a compreensão desta nova fase da história de Fitz. Felizmente, o tempo passou e as memórias mantiveram-se, o que só prova de que estas aventuras realmente deixam marcas.
O ritmo deste volume é um pouco lento, mas tal não significa que a narrativa não prenda o interesse. Levei mais tempo do que esperava com este livro, mas fico feliz por tal ter acontecido. Senti necessidade de saborear cada pedaço desta história e cada subtiliza que era narrada. Adorei o facto de uma vida de aparente calma e rotina poder esconder tantos segredos e acontecimentos entusiasmantes. As personagens causam-nos preocupação e queremos continuar a acompanhá-las, afinal parecem pessoas reais que fazem parte do nosso círculo de amigos. Tudo isto cativa e leva-nos a embrenhar-nos na história.
É curioso perceber de que forma Fitz evoluiu desde O Aprendiz de Assassino, primeiro livro que aborda as suas aventuras. Ele mantém a mesma essência, mas também revela ser o resultado de tudo o que lhe aconteceu. É curioso constatar os diferentes lados deste homem, nomeadamente a parte que aparenta aos outros e o que pensa de si próprio. Muitos o veem como duro, rude, contido, mas a verdade esconde um coração grande assim como muitas inseguranças, dores e dúvidas. É um homem que nos faz querer ver a ser mais expansivo com os seus pensamentos perante as pessoas que o amam-
A figura que mais me impressionou nesta leitura foi Abelha. A história ganha novos horizontes e torna-se ainda mais apelativa quando esta personagem surge. A sua singularidade cativa, ao início pela estranheza, depois pelo carinho e compaixão. Ela é uma menina muito diferente de qualquer outra e a sua natureza e verdade é um mistério que desejamos ver desvendado. Até lá, vamos juntando as peças do puzzle para entender o porquê de ser como é, aos mesmo tempo que torcemos pelo seu sucesso e evolução.
O encadeamento da acção está bem construído e, sem que o leitor se aperceba, vai acelerando o ritmo de uma forma muito subtil e gradual. Só mais perto do final sentimos tudo está a acontecer ao mesmo tempo, o que nos leva a devorar cada página com maior intensidade. Depois, de repente, o livro acaba com uma reviravolta que, apesar de já ser esperada, não deixa de causar surpresa pela forma como acontece. Terminada a leitura, fiquei com uma enorme vontade de continuar a acompanhar esta história. Tanto que, ainda nos dias seguintes, os meus pensamentos se dirigiam para este livro e para o desejo urgente de ter o segundo volume nas minhas mãos rapidamente.
Quero ainda realçar a capacidade da autora conseguir transmitir grandes sentimentos e emoções aos seus leitores. O amor é visível ao longo de todo a leitora, sendo mais evidente e tocante nos pequenos gestos. A angústia pelos que desapareceram faz-nos acreditar que também perdemos alguém que nos é querido. O terror, quer seja na maldade humana contra semelhantes ou animais, choca, choca muito, causa dor e incompreensão. Já a amizade é relevada em gestos de confiança inesperados e faz-nos ter esperança na humanidade e no futuro. Os gestos supérfluos repugnam e mostram-nos que, quem os pratica, tem menos de metade do valor e importância que julga possuir.
Robin Hobb consegue criar personagens com diferentes dimensões e, desta forma, fazermos acreditar que elas poderiam existir. Coloca-as numa história intrincada, que nos vai envolvendo aos poucos, ao ponto de já não a querermos largar. Fico muito feliz por esta autora continuar a ser uma aposta em Portugal, pois é realmente um dos nomes da actualidade mais importantes dentro do género. Agora, ao escrever estas palavras, fico ainda mais ansiosa pela publicação do próximo volume e pela continuação da história de Fitz.
sábado, 10 de junho de 2017
Opinião: Os Despojados
Título Original: The Dispossessed (1974)
Autor: Ursula K. Le Guin
Tradução: Fernanda Semedo
ISBN: 9789897730566
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
A jornada de um homem em busca da reconciliação de dois mundos.
Em Anarres, um planeta conhecido pelas extensas áreas desérticas e habitado por uma comunidade proletária, vive Shevek, um físico brilhante que acaba de fazer uma descoberta científica que vai revolucionar a civilização interplanetária. No entanto, Shevek cedo se apercebe do ódio e desconfiança que isolam o seu povo do resto do universo, em especial, do planeta gémeo, Urras.
Em Urras, um planeta de recursos abundantes, impera um sistema capitalista que atrai Shevek, decidido a encontrar mais liberdade e tolerância. Mas a sua inocência começa a desaparecer perante a realidade amarga de estar a ser usado como peão num jogo político letal.
Que esperança e idealismo restam a Shevek, aprisionado entre dois mundos incapazes de ultrapassar as diferenças? E ao desafiar ambos os regimes políticos, conseguirá ele abrir caminho para os ventos da mudança?
Opinião:
Os Despojados é um daqueles livros que merece e deve ser lido com muita calma e atenção. Ursula K. Le Guin não está apenas a contar uma história de ficção científica, está principalmente a fazer-nos pensar sobre o nosso próprio mundo, sobre a gestão da sociedade, sobre as relações humanas e sobre a relação que temos com nós próprios. Numa primeira vista pode não ser fácil entender todas estas mensagens, mas existem passagens que incomodam no momento em que as lemos, sendo que a narração fica connosco até mesmo quando não estamos a ler.
Somos apresentados a um universos vasto e diverso, com ênfase para dois mundos: um anarquista e outro gerido pelo capitalismo. Ficamos perante dois extremos opostos cuja construção está fascinante. Fiquei bastante impressionada com Anarres, um planeta árido e agressivo. Ursula K. Le Guin faz acreditar que uma anarquia harmoniosa é possível. Ao início, é difícil perceber tal organização social, uma vez que não existe qualquer governo, mas depois somos levados a pesar a questão da pressão dos pares e em como isso afecta as nossas condutas e decisões. A necessidade de ser aceite pelos outros consegue ser mais forte do que as leis.
Shevek é o protagonista desta obra. Ele é produto da sociedade em que nasceu e cresceu, mas também consegue ir para além disso. Shevek representa as pessoas com coragem suficiente para serem quem realmente são, para questionar e querer ir mais além do que é imposto. É curioso que, quando faz isso, é chamado de egoísta, mesmo quando as suas intenções são para o bem comum e não para seu próprio benefício. Prova disso são os riscos que toma e as posições complicadas em que se coloca. O altruísmo e conhecimento não devem ser então confundidos com o ego, nem o ego é algo necessariamente maligno. Quanto mais exploramos o funcionamento desta sociedade mais falhas encontramos, afinal a humanidade não é perfeita.
A criação de um instrumento que permite a comunicação entre diferentes mundos em tempo real é o que faz desenvolver a narrativa. Em capítulos intercalados, somos apresentados à vida de Shevek até ao momento da sua descoberta e, ao mesmo tempo, assistimos à sua entrada num novo mundo, muito diferente daquele em que nasceu e tornou-se homem. Gostei da forma como Shevek analisou o contraste entre Anarres e Urras e das conclusões que tirou. Faz-nos pensar que o belo não equivale ao que é bom e que a comunicação pode ser uma arma, tanto para unir como para criar discórdia e dar poder a quem a gere.
A noção de liberdade e a sua definição é uma das grandes reflexões desta obra. Shevek procura ser livre para seguir o seus estudos e para os transmitir aos outros, tendo em vista o bem comum, mas encontra sempre obstáculos no seu percurso. Num lado, parece existir a utopia final de sociedade livre, mas Shevek percebe que tal não acontece quando tenta dar a conhecer o seu trabalho. São muito poucos aqueles que aceitam a novidade das suas ideias e desafios. No outro, Shevek percebe que lhe é oferecida uma ilusão de liberdade, já que percebe que a maioria da população sobrevive com muitos limites e que a minoria com poder tem intenções secretas quanta ele. Isto faz-nos pensar o que é realmente a liberdade e em que tipo de sociedade esta pode ser encontrada.
Sabemos que estamos perante uma grande obra quando sentimos que a sua mensagem não morre e continua a ser pertinente e actual. É isso mesmo que acontece com Os Despojados. Apesar de ter sido escrito na década de 70 do século XX, como reflexão sobre a realidade da época, é possível fazer analogia com os nossos tempos e continuar a encontrar reflexões que continuam a fazer sentido. Gostei muito de ler esta obra e fico feliz pela oportunidade de ela finalmente ter chegado às minhas mãos. Espero voltar a lê-la daqui a uns anos e descobrir novas mensagens. Acredito que isso vai acontecer.
Outras opiniões a livros de Ursula K. Le Guin:
O Feiticeiro e a Sombra ("O Cliclo de Terramar" #1)
Autor: Ursula K. Le Guin
Tradução: Fernanda Semedo
ISBN: 9789897730566
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
A jornada de um homem em busca da reconciliação de dois mundos.
Em Anarres, um planeta conhecido pelas extensas áreas desérticas e habitado por uma comunidade proletária, vive Shevek, um físico brilhante que acaba de fazer uma descoberta científica que vai revolucionar a civilização interplanetária. No entanto, Shevek cedo se apercebe do ódio e desconfiança que isolam o seu povo do resto do universo, em especial, do planeta gémeo, Urras.
Em Urras, um planeta de recursos abundantes, impera um sistema capitalista que atrai Shevek, decidido a encontrar mais liberdade e tolerância. Mas a sua inocência começa a desaparecer perante a realidade amarga de estar a ser usado como peão num jogo político letal.
Que esperança e idealismo restam a Shevek, aprisionado entre dois mundos incapazes de ultrapassar as diferenças? E ao desafiar ambos os regimes políticos, conseguirá ele abrir caminho para os ventos da mudança?
Opinião:
Os Despojados é um daqueles livros que merece e deve ser lido com muita calma e atenção. Ursula K. Le Guin não está apenas a contar uma história de ficção científica, está principalmente a fazer-nos pensar sobre o nosso próprio mundo, sobre a gestão da sociedade, sobre as relações humanas e sobre a relação que temos com nós próprios. Numa primeira vista pode não ser fácil entender todas estas mensagens, mas existem passagens que incomodam no momento em que as lemos, sendo que a narração fica connosco até mesmo quando não estamos a ler.
Somos apresentados a um universos vasto e diverso, com ênfase para dois mundos: um anarquista e outro gerido pelo capitalismo. Ficamos perante dois extremos opostos cuja construção está fascinante. Fiquei bastante impressionada com Anarres, um planeta árido e agressivo. Ursula K. Le Guin faz acreditar que uma anarquia harmoniosa é possível. Ao início, é difícil perceber tal organização social, uma vez que não existe qualquer governo, mas depois somos levados a pesar a questão da pressão dos pares e em como isso afecta as nossas condutas e decisões. A necessidade de ser aceite pelos outros consegue ser mais forte do que as leis.
Shevek é o protagonista desta obra. Ele é produto da sociedade em que nasceu e cresceu, mas também consegue ir para além disso. Shevek representa as pessoas com coragem suficiente para serem quem realmente são, para questionar e querer ir mais além do que é imposto. É curioso que, quando faz isso, é chamado de egoísta, mesmo quando as suas intenções são para o bem comum e não para seu próprio benefício. Prova disso são os riscos que toma e as posições complicadas em que se coloca. O altruísmo e conhecimento não devem ser então confundidos com o ego, nem o ego é algo necessariamente maligno. Quanto mais exploramos o funcionamento desta sociedade mais falhas encontramos, afinal a humanidade não é perfeita.
A criação de um instrumento que permite a comunicação entre diferentes mundos em tempo real é o que faz desenvolver a narrativa. Em capítulos intercalados, somos apresentados à vida de Shevek até ao momento da sua descoberta e, ao mesmo tempo, assistimos à sua entrada num novo mundo, muito diferente daquele em que nasceu e tornou-se homem. Gostei da forma como Shevek analisou o contraste entre Anarres e Urras e das conclusões que tirou. Faz-nos pensar que o belo não equivale ao que é bom e que a comunicação pode ser uma arma, tanto para unir como para criar discórdia e dar poder a quem a gere.
A noção de liberdade e a sua definição é uma das grandes reflexões desta obra. Shevek procura ser livre para seguir o seus estudos e para os transmitir aos outros, tendo em vista o bem comum, mas encontra sempre obstáculos no seu percurso. Num lado, parece existir a utopia final de sociedade livre, mas Shevek percebe que tal não acontece quando tenta dar a conhecer o seu trabalho. São muito poucos aqueles que aceitam a novidade das suas ideias e desafios. No outro, Shevek percebe que lhe é oferecida uma ilusão de liberdade, já que percebe que a maioria da população sobrevive com muitos limites e que a minoria com poder tem intenções secretas quanta ele. Isto faz-nos pensar o que é realmente a liberdade e em que tipo de sociedade esta pode ser encontrada.
Sabemos que estamos perante uma grande obra quando sentimos que a sua mensagem não morre e continua a ser pertinente e actual. É isso mesmo que acontece com Os Despojados. Apesar de ter sido escrito na década de 70 do século XX, como reflexão sobre a realidade da época, é possível fazer analogia com os nossos tempos e continuar a encontrar reflexões que continuam a fazer sentido. Gostei muito de ler esta obra e fico feliz pela oportunidade de ela finalmente ter chegado às minhas mãos. Espero voltar a lê-la daqui a uns anos e descobrir novas mensagens. Acredito que isso vai acontecer.
Outras opiniões a livros de Ursula K. Le Guin:
O Feiticeiro e a Sombra ("O Cliclo de Terramar" #1)
sexta-feira, 5 de maio de 2017
Opinião: Nove Príncipes de Âmbar (As Crónicas de Âmbar #1)
Título Original: Nine Princes in Amber (1972)
Autor: Roger Zelasny
Tradução: José Saraiva
ISBN: 9789896652197
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Âmbar é o único mundo verdadeiramente real. Todos os outros mundos, incluindo a Terra, não passam de sombras que de certa forma o imitam. Exilado na Terra desde há séculos, o príncipe Corwin acorda na cama de um hospital, sem memórias da sua existência passada. Gradualmente, descobre a verdade e é forçado a regressar ao mundo paralelo de Âmbar onde descobre que o rei Oberon, seu pai, é dado como desaparecido. Para ganhar o seu direito à sucessão do trono, Corwin terá de enfrentar realidades impossíveis forjadas por assassinos demoníacos, horrores inomináveis e os exércitos e fúria dos seus irmãos, os príncipes de Âmbar.
Opinião:
Roger Zelasny autor de Nove Príncipes de Âmbar, sabe cativar o leitor para o mundo de Âmbar. Esta realidade é apresentada com uma misto de desejo e nostalgia, o que gera grande curiosidade. Depois, começamos a encaminhar para Âmbar de forma gradual e a ver as diferenças que existem entre este mundo e o nosso, sendo com interesse que conhecemos novas criaturas, uma hierarquia diferente, uma luta pelo poder renhida e ainda formas de magia novas. Âmbar é então um ideal a alcançar, a perfeição que precisa de ser protegida, a casa de que nos afastamos mas à qual queremos regressar.
Corwin é o protagonista desta obra. Ao início, ele surge sem memória e, por isso, sem recordar a existência de vários mundos e de Âmbar, o único que é realmente verdadeiro. Esta foi uma boa ideia, pois o leitor acaba por ir descobrindo o este universo, as suas figuras e o que lhe foi acontecendo ao mesmo tempo que o herói. A apresentação desta informação não é fornecida apenas para nosso conhecimento, mas sobretudo para auxílio de Corwin. Apesar de não ter memória, é possível verificar a inteligência e astúcia desta figura através de momentos verdadeiramente deliciosos. Nesta fase, a sua postura impressiona e deixa antever uma personalidade de estratega.
Tal como seria de esperar, a certo momento Corwin recupera a memória. Nesta nova fase, ele começa a lutar com mais afinco pelo seu direito ao trono de Âmbar. Contudo, não fiquei impressionada com a evolução do protagonista. Estava à espera que, quando ele recuperasse a memória, revela-se outros traços da sua personalidade ou fizesse revelações de que mais ninguém sabia, mas a verdade é que não se nota qualquer diferença na forma de ser entre o Corwin sem e o com memória.
Os irmãos e irmãs de Corwin são as personagens secundárias com maior relevo. Apesar de nem todos surgirem neste livro, os que aparecem são os necessários. Fica a ideia de que todos eles são seres bastante antigos e que, apesar das diferentes personalidades, anseiam o poder sob Âmbar mais do que tudo. Eric, que é referido como o inimigo, representa perigo mas não assusta particularmente. Acredito que Bleys e Random têm grande potencial, cada um à sua maneira. Flora parece representar o oportunismo. Os restantes que surgiram não marcaram pela diferença e acabam por ser facilmente confundidos uns com os outros.
A história decorrer num ritmo rápido que cativa para a leitura. É verdade que existem momentos mais entusiasmantes que outros, mas, no geral, acaba por ser um livro bem conseguido. Fiquei agarrada ao livro num dos últimos obstáculos que Corwin teve de ultrapassar, mas não tanto durante uma batalha, por exemplo. Os diálogos pareceram-me naturais e as descrições não foram excessivas, sendo a acção o principal foco da narrativa.
Entre as novidades que Âmbar apresenta, destaco a ideia dos Trunfos e dos reinos que existem nas Sombras. São ideias novas que estão bem conseguidas, ainda que possam ser melhor exploradas nos próximos volumes, já que, terminado este, fica a ideia de que existe um grande potencial que não foi exposto. Também apreciei a ideia de divindade que a certo ponto surge e do que as pessoas são capazes de fazer em nome da fé. Gostaria, contudo, de conhecer melhor todos os irmãos de modo a perceber o motivo pelo qual devo acreditar que Corwin é a melhor opção para o trono de Âmbar.
Nove Príncipes de Âmbar é o primeiro volume de uma série repleta de intriga e que apresenta um mundo fantástico que dá vontade de continuar a explorar. Ao ler este livro, percebo o porquê de ele ter sido relevante para uma época e vejo que mantém características que geram interesse nos nossos dias. A fantasia consegue ser intemporal e continuar a transmitir mensagens relevantes através das suas histórias. Vou querer continuar a acompanhar as aventuras de Corwin.
Autor: Roger Zelasny
Tradução: José Saraiva
ISBN: 9789896652197
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Âmbar é o único mundo verdadeiramente real. Todos os outros mundos, incluindo a Terra, não passam de sombras que de certa forma o imitam. Exilado na Terra desde há séculos, o príncipe Corwin acorda na cama de um hospital, sem memórias da sua existência passada. Gradualmente, descobre a verdade e é forçado a regressar ao mundo paralelo de Âmbar onde descobre que o rei Oberon, seu pai, é dado como desaparecido. Para ganhar o seu direito à sucessão do trono, Corwin terá de enfrentar realidades impossíveis forjadas por assassinos demoníacos, horrores inomináveis e os exércitos e fúria dos seus irmãos, os príncipes de Âmbar.
Opinião:
Roger Zelasny autor de Nove Príncipes de Âmbar, sabe cativar o leitor para o mundo de Âmbar. Esta realidade é apresentada com uma misto de desejo e nostalgia, o que gera grande curiosidade. Depois, começamos a encaminhar para Âmbar de forma gradual e a ver as diferenças que existem entre este mundo e o nosso, sendo com interesse que conhecemos novas criaturas, uma hierarquia diferente, uma luta pelo poder renhida e ainda formas de magia novas. Âmbar é então um ideal a alcançar, a perfeição que precisa de ser protegida, a casa de que nos afastamos mas à qual queremos regressar.
Corwin é o protagonista desta obra. Ao início, ele surge sem memória e, por isso, sem recordar a existência de vários mundos e de Âmbar, o único que é realmente verdadeiro. Esta foi uma boa ideia, pois o leitor acaba por ir descobrindo o este universo, as suas figuras e o que lhe foi acontecendo ao mesmo tempo que o herói. A apresentação desta informação não é fornecida apenas para nosso conhecimento, mas sobretudo para auxílio de Corwin. Apesar de não ter memória, é possível verificar a inteligência e astúcia desta figura através de momentos verdadeiramente deliciosos. Nesta fase, a sua postura impressiona e deixa antever uma personalidade de estratega.
Tal como seria de esperar, a certo momento Corwin recupera a memória. Nesta nova fase, ele começa a lutar com mais afinco pelo seu direito ao trono de Âmbar. Contudo, não fiquei impressionada com a evolução do protagonista. Estava à espera que, quando ele recuperasse a memória, revela-se outros traços da sua personalidade ou fizesse revelações de que mais ninguém sabia, mas a verdade é que não se nota qualquer diferença na forma de ser entre o Corwin sem e o com memória.
Os irmãos e irmãs de Corwin são as personagens secundárias com maior relevo. Apesar de nem todos surgirem neste livro, os que aparecem são os necessários. Fica a ideia de que todos eles são seres bastante antigos e que, apesar das diferentes personalidades, anseiam o poder sob Âmbar mais do que tudo. Eric, que é referido como o inimigo, representa perigo mas não assusta particularmente. Acredito que Bleys e Random têm grande potencial, cada um à sua maneira. Flora parece representar o oportunismo. Os restantes que surgiram não marcaram pela diferença e acabam por ser facilmente confundidos uns com os outros.
A história decorrer num ritmo rápido que cativa para a leitura. É verdade que existem momentos mais entusiasmantes que outros, mas, no geral, acaba por ser um livro bem conseguido. Fiquei agarrada ao livro num dos últimos obstáculos que Corwin teve de ultrapassar, mas não tanto durante uma batalha, por exemplo. Os diálogos pareceram-me naturais e as descrições não foram excessivas, sendo a acção o principal foco da narrativa.
Entre as novidades que Âmbar apresenta, destaco a ideia dos Trunfos e dos reinos que existem nas Sombras. São ideias novas que estão bem conseguidas, ainda que possam ser melhor exploradas nos próximos volumes, já que, terminado este, fica a ideia de que existe um grande potencial que não foi exposto. Também apreciei a ideia de divindade que a certo ponto surge e do que as pessoas são capazes de fazer em nome da fé. Gostaria, contudo, de conhecer melhor todos os irmãos de modo a perceber o motivo pelo qual devo acreditar que Corwin é a melhor opção para o trono de Âmbar.
Nove Príncipes de Âmbar é o primeiro volume de uma série repleta de intriga e que apresenta um mundo fantástico que dá vontade de continuar a explorar. Ao ler este livro, percebo o porquê de ele ter sido relevante para uma época e vejo que mantém características que geram interesse nos nossos dias. A fantasia consegue ser intemporal e continuar a transmitir mensagens relevantes através das suas histórias. Vou querer continuar a acompanhar as aventuras de Corwin.
domingo, 16 de abril de 2017
Opinião: Poder e Vingança (Império das Tormentas #1)
Título Original: Hope and Red (2016)
Autor: Jon Skovron
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897730344
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Um procura poder. O outro vingança.
Num império fraturado espalhado por mares selvagens, dois jovens de culturas diferentes encontram um objetivo em comum. Uma rapariga sem nome é a única sobrevivente quando a sua aldeia é massacrada por biomantes, servos místicos do imperador. Após receber o nome da sua aldeia devastada, Esperança Negra é treinada pelo mestre Vinchen como uma guerreira e instrumento de vingança.
Nas ruas da cidade de Nova Laven, um rapaz torna-se órfão e é adotado por uma das criminosas mais afamadas do submundo. Recebe o nome de Ruivo e é treinado como ladrão e vigarista. Quando um acordo é feito entre criminosos e os biomantes para governar as ruelas de Nova Laden, os mundos de Esperança e Ruivo acabam por chocar e eles são forçados a uma aliança inevitável…
Opinião:
Diverti-me muito a ler Poder e Vingança, o primeiro livro da trilogia "Império das Tormentas". Jon Skovron apresenta-nos um mundo novo, no qual o mundo conhecido é composto por um conjunto de ilhas. A cação é rápida, tornando-se cada vez mais intensa, o que faz com que a história agarre. As personagens principais têm passados que justificam aquilo em que se tornaram, sendo que as secundárias são um espelho desta nova sociedade.
A trama tem dois protagonistas, cujo ponto de vista surge em capítulos intercalados. Esperança e Ruivo são as figuras que nos transportam para esta aventura. Senti-me mais atraída por Esperança do que por Ruivo devido à história pessoal de cada um. A dela acaba por chocar mais e é também através dela que conhecemos os terrores causados pelos biomantes e ainda a Ordem de Vinchen Contudo, colocando as emoções de parte, vejo que Ruivo tem uma construção mais interessante, devido à forma como se adapta às circunstâncias, mas mantendo um fundo bom.
Desde o principio que sabemos que vai existir um encontro entre os dois, mas a espera revelou-se mais longa do que imaginava. Percebo o motivo para tal ter acontecido, já que foi preciso que os dois construíssem as suas personalidades e criassem as suas próprias histórias antes de se encontrarem, mas ainda assim senti que a trama precisava que Esperança e Ruivo se conhecessem durante mais tempo. É que o tempo que é gasto na criação de laços acaba por ser muito menor e, por isso, fica a sensação de que era preciso mais para fortalecer a ligação entre ambos.
A narrativa é apelativa, tendo sempre algum acontecimento de destaque. A sequência de acontecimentos faz sentido e justifica os motivos de cada personagem. Existem muitos momentos de acção, sendo que a descrição destes é directa e sem espaço para confusões. As relações entre personagens geram interesse, uma vez que tanto mostram laços mais profundos assim como ligações superficiais e de interesse. Os biomantes e os Vinchen acabam por ser inovadores, mas também familiares, já que uns se inspiram nos magos que povoam muito género fantástico enquanto os outros fazem recordar grupos que vivem para o aperfeiçoamento de artes marciais.
O autor criou uma gíria para o povo de Nova Laven, o que foi muito divertido de descobrir. Ao início estava constantemente a ir às páginas finais do livro para perceber o que cada expressão ou palavra queria dizer, mas com o decorrer da leitura já estava a entender tudo. Tanto que, a certo ponto, já dava por mim a pensar com alguns destes novos termos. As classes mais altas também têm particularidades na linguagem, as do povo comum acabaram por ser as mais interessantes. Este pormenor deu uma nova graça à leitura e ajudou a torná-la ainda mais distinta.
Gostei muito desta leitura e fiquei ansiosa para pegar no próximo volume, mas reconheço que existem aspectos a serem melhorados. A história, apesar de me ter conseguido prender à leitura, era previsível. O facto de, em momento algum temer pela vida das personagens de que mais gostei é sinal de que conseguia adivinhar o rumo dos eventos e ainda perceber que os riscos não iriam trazer tragédia real. Os obstáculos poderiam ter maior dificuldade ou serem ultrapassados com maior dificuldade e sacrifício.
Através desta trama fantástica, o autor faz-nos pensar sobre questões da nossa sociedade. A separação entre ricos e pobres . Contudo, o que mais me chamou a atenção foi o papel da mulher. Se em situações comuns, entre as camadas menos privilegiadas, as mulheres parecem ter um estatuto semelhante ao dos homens, entre os mais poderosos tal não acontece. É curioso que o medo de ver figuras femininas em altos cargos de liderança é disfarçado com a ideia da fragilidade e inferioridade da mulher. Esperança e outras figuras conseguem provar que esta discriminação não faz qualquer sentido.
Poder e Vingança é um livro que merece atenção e cuja continuação promete continuar a agarrar. Estou verdadeiramente curiosa para saber que novas aventuras Jon Skovron vai criar para Esperança e Ruivo. Afinal, a conclusão deste livro sugere uma grande mudança e faz acreditar que as prioridades de cada um estão prestes a serem alteradas. Quero muito ler a continuação desta história, que espero que seja publicada com brevidade. Recomendo.
Autor: Jon Skovron
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897730344
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Um procura poder. O outro vingança.
Num império fraturado espalhado por mares selvagens, dois jovens de culturas diferentes encontram um objetivo em comum. Uma rapariga sem nome é a única sobrevivente quando a sua aldeia é massacrada por biomantes, servos místicos do imperador. Após receber o nome da sua aldeia devastada, Esperança Negra é treinada pelo mestre Vinchen como uma guerreira e instrumento de vingança.
Nas ruas da cidade de Nova Laven, um rapaz torna-se órfão e é adotado por uma das criminosas mais afamadas do submundo. Recebe o nome de Ruivo e é treinado como ladrão e vigarista. Quando um acordo é feito entre criminosos e os biomantes para governar as ruelas de Nova Laden, os mundos de Esperança e Ruivo acabam por chocar e eles são forçados a uma aliança inevitável…
Opinião:
Diverti-me muito a ler Poder e Vingança, o primeiro livro da trilogia "Império das Tormentas". Jon Skovron apresenta-nos um mundo novo, no qual o mundo conhecido é composto por um conjunto de ilhas. A cação é rápida, tornando-se cada vez mais intensa, o que faz com que a história agarre. As personagens principais têm passados que justificam aquilo em que se tornaram, sendo que as secundárias são um espelho desta nova sociedade.
A trama tem dois protagonistas, cujo ponto de vista surge em capítulos intercalados. Esperança e Ruivo são as figuras que nos transportam para esta aventura. Senti-me mais atraída por Esperança do que por Ruivo devido à história pessoal de cada um. A dela acaba por chocar mais e é também através dela que conhecemos os terrores causados pelos biomantes e ainda a Ordem de Vinchen Contudo, colocando as emoções de parte, vejo que Ruivo tem uma construção mais interessante, devido à forma como se adapta às circunstâncias, mas mantendo um fundo bom.
Desde o principio que sabemos que vai existir um encontro entre os dois, mas a espera revelou-se mais longa do que imaginava. Percebo o motivo para tal ter acontecido, já que foi preciso que os dois construíssem as suas personalidades e criassem as suas próprias histórias antes de se encontrarem, mas ainda assim senti que a trama precisava que Esperança e Ruivo se conhecessem durante mais tempo. É que o tempo que é gasto na criação de laços acaba por ser muito menor e, por isso, fica a sensação de que era preciso mais para fortalecer a ligação entre ambos.
A narrativa é apelativa, tendo sempre algum acontecimento de destaque. A sequência de acontecimentos faz sentido e justifica os motivos de cada personagem. Existem muitos momentos de acção, sendo que a descrição destes é directa e sem espaço para confusões. As relações entre personagens geram interesse, uma vez que tanto mostram laços mais profundos assim como ligações superficiais e de interesse. Os biomantes e os Vinchen acabam por ser inovadores, mas também familiares, já que uns se inspiram nos magos que povoam muito género fantástico enquanto os outros fazem recordar grupos que vivem para o aperfeiçoamento de artes marciais.
O autor criou uma gíria para o povo de Nova Laven, o que foi muito divertido de descobrir. Ao início estava constantemente a ir às páginas finais do livro para perceber o que cada expressão ou palavra queria dizer, mas com o decorrer da leitura já estava a entender tudo. Tanto que, a certo ponto, já dava por mim a pensar com alguns destes novos termos. As classes mais altas também têm particularidades na linguagem, as do povo comum acabaram por ser as mais interessantes. Este pormenor deu uma nova graça à leitura e ajudou a torná-la ainda mais distinta.
Gostei muito desta leitura e fiquei ansiosa para pegar no próximo volume, mas reconheço que existem aspectos a serem melhorados. A história, apesar de me ter conseguido prender à leitura, era previsível. O facto de, em momento algum temer pela vida das personagens de que mais gostei é sinal de que conseguia adivinhar o rumo dos eventos e ainda perceber que os riscos não iriam trazer tragédia real. Os obstáculos poderiam ter maior dificuldade ou serem ultrapassados com maior dificuldade e sacrifício.
Através desta trama fantástica, o autor faz-nos pensar sobre questões da nossa sociedade. A separação entre ricos e pobres . Contudo, o que mais me chamou a atenção foi o papel da mulher. Se em situações comuns, entre as camadas menos privilegiadas, as mulheres parecem ter um estatuto semelhante ao dos homens, entre os mais poderosos tal não acontece. É curioso que o medo de ver figuras femininas em altos cargos de liderança é disfarçado com a ideia da fragilidade e inferioridade da mulher. Esperança e outras figuras conseguem provar que esta discriminação não faz qualquer sentido.
Poder e Vingança é um livro que merece atenção e cuja continuação promete continuar a agarrar. Estou verdadeiramente curiosa para saber que novas aventuras Jon Skovron vai criar para Esperança e Ruivo. Afinal, a conclusão deste livro sugere uma grande mudança e faz acreditar que as prioridades de cada um estão prestes a serem alteradas. Quero muito ler a continuação desta história, que espero que seja publicada com brevidade. Recomendo.
quinta-feira, 9 de março de 2017
Opinião: Marcado na Pele (Os Outros #4)
Título Original: Marked in Flesh (2016)
Autor: Anne Bishop
Tradução: Luís Santos
ISBN: 9789897730245
Editora: Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Durante séculos, os Outros e os humanos viveram lado a lado numa paz precária. Mas quando a Humanidade ultrapassa os seus limites, os Outros terão de decidir o que estão dispostos a tolerar.
Desde que os Outros se aliaram às Cassandra Sangue, os frágeis mas poderosos profetas humanos que estavam a ser explorados pela sua própria espécie, tudo se transformou na relação entre humanos e os Outros. Alguns como Simon Wolfgard, metamorfo e líder, e a profetisa Meg Corbyn, encaram a nova parceria como vantajosa. Mas nem todos estão convencidos. Um grupo de humanos radicais procura usurpar terras através de uma série de ataques violentos contra os Outros. Mal sabem eles que existem forças mais perigosas e antigas que vampiros e metamorfos e que estão dispostas a fazer o que for necessário para proteger o que lhes pertence…
Opinião:
Marcado na Pele foi o livro que mais gostei de ler na série "Os Outros", de Anne Bishop. Existem mais momentos de tensão, surgem novas figuras poderosas que geram curiosidade, as habilidades das cassandra de sangue sugerem novas possibilidades e as relações entre personagens estão mais cimentadas. Tudo isto proporcionou-me uma leitura entusiasmante e que é foi feira com rapidez, tão envolvida estava pela história.
A guerra entre os Outros e humanos está a fazer cada vez mais estragos. Anne Bishop não só mostra como as comunidades que já conhecemos são afectadas pelos novos ataques dos humanos como ainda nos apresenta novas povoações e personagens. Com isto, a ideia de que a animosidade entre os dois povos é um problema global, além de que é com interesse que se verifica as diferentes formas com que se lida com tal. Gostei da mensagem de que pode existir união na adversidade e também de ter um pouco mais de conhecimento do lado de Cel-Romano.
Existem momentos de grande tensão, outros que nos apresentam a tragédia que advém do preconceito e outros ainda que nos falam de esperança. Desta forma, este livro, para além de entreter, também nos passa uma grande mensagem relacionada com a vida real. Anne Bishop tanto pode estar a querer falar sobre o respeito que é devido à natureza como sobre a abertura que precisamos de ter para aceitar as diferenças dos outros. A autora mostra que quando diferentes formas de vida estão lado a lado conseguem atingir grandes objetivos.
Surgiram dois novos elementos que me deixaram cativada. Por um lado, adorei os Anciães, seres antigos e ainda mais poderosos, representações do que é instintivo e, mesmo assim, tem paciência para entender e só depois passar à ação. Também apreciei muito a introdução das cartas de tarô na vida de Meg, não sendo isto feito à pressão, mas sendo possível notar que tal já poderia estar pensado desde o início da série. Estou agora curiosa para saber a evolução deste método.
Continuo a ficar deliciada com a ingenuidade de alguns momentos, pois transmitem a pureza dos Outros e de Meg. Esta característica origina momentos que conseguem arrancar-me um sorriso. Existe uma situação que me causa alguma estranheza. Adoro livros, adoro ler, como já bem devem ter reparado, e percebe-se que a autora sente o mesmo. Contudo, acho exagerado o facto de, em situações de emergência que acontecem ao longo da narrativa, os livros muitas vezes serem mencionados como artigos de primeira necessidade antes mesmo de se falar em alimentos.
Apreciei a evolução de Meg, que, aos poucos, está a tornar-se mais mulher, não deixando de parte, contudo, a inocência que lhe é característica. Se ao início era possível antever o desenvolvimento de um romance com Simon, agora quase que há a certeza de que tal poderá ser uma realidade. É que a admiração mútua está a transformar-se em algo mais, começando-se a perceber o desejo sexual que está a surgir entre ambos.
Tal como aconteceu com nos livros anteriores, Marcado na Pele fecha um ciclo desta história, mas deixa tudo em aberto para uma continuação. Apreciei muito esta leitura e estou muito curiosa para saber o que Anne Bishop reserva para o próximo volume, cujo original será publicado já está mês, nos Estados Unidos. Este mundo e estas personagens já conquistaram um lugar de destaque.
Opiniões a outros livros de Anne Bishop:
Letras Escarlates (Os Outros #1)
Bando de Corvos (Os Outros #2)
Visão de Prata (Os Outros #3)
Autor: Anne Bishop
Tradução: Luís Santos
ISBN: 9789897730245
Editora: Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Durante séculos, os Outros e os humanos viveram lado a lado numa paz precária. Mas quando a Humanidade ultrapassa os seus limites, os Outros terão de decidir o que estão dispostos a tolerar.
Desde que os Outros se aliaram às Cassandra Sangue, os frágeis mas poderosos profetas humanos que estavam a ser explorados pela sua própria espécie, tudo se transformou na relação entre humanos e os Outros. Alguns como Simon Wolfgard, metamorfo e líder, e a profetisa Meg Corbyn, encaram a nova parceria como vantajosa. Mas nem todos estão convencidos. Um grupo de humanos radicais procura usurpar terras através de uma série de ataques violentos contra os Outros. Mal sabem eles que existem forças mais perigosas e antigas que vampiros e metamorfos e que estão dispostas a fazer o que for necessário para proteger o que lhes pertence…
Opinião:
Marcado na Pele foi o livro que mais gostei de ler na série "Os Outros", de Anne Bishop. Existem mais momentos de tensão, surgem novas figuras poderosas que geram curiosidade, as habilidades das cassandra de sangue sugerem novas possibilidades e as relações entre personagens estão mais cimentadas. Tudo isto proporcionou-me uma leitura entusiasmante e que é foi feira com rapidez, tão envolvida estava pela história.
A guerra entre os Outros e humanos está a fazer cada vez mais estragos. Anne Bishop não só mostra como as comunidades que já conhecemos são afectadas pelos novos ataques dos humanos como ainda nos apresenta novas povoações e personagens. Com isto, a ideia de que a animosidade entre os dois povos é um problema global, além de que é com interesse que se verifica as diferentes formas com que se lida com tal. Gostei da mensagem de que pode existir união na adversidade e também de ter um pouco mais de conhecimento do lado de Cel-Romano.
Existem momentos de grande tensão, outros que nos apresentam a tragédia que advém do preconceito e outros ainda que nos falam de esperança. Desta forma, este livro, para além de entreter, também nos passa uma grande mensagem relacionada com a vida real. Anne Bishop tanto pode estar a querer falar sobre o respeito que é devido à natureza como sobre a abertura que precisamos de ter para aceitar as diferenças dos outros. A autora mostra que quando diferentes formas de vida estão lado a lado conseguem atingir grandes objetivos.
Surgiram dois novos elementos que me deixaram cativada. Por um lado, adorei os Anciães, seres antigos e ainda mais poderosos, representações do que é instintivo e, mesmo assim, tem paciência para entender e só depois passar à ação. Também apreciei muito a introdução das cartas de tarô na vida de Meg, não sendo isto feito à pressão, mas sendo possível notar que tal já poderia estar pensado desde o início da série. Estou agora curiosa para saber a evolução deste método.
Continuo a ficar deliciada com a ingenuidade de alguns momentos, pois transmitem a pureza dos Outros e de Meg. Esta característica origina momentos que conseguem arrancar-me um sorriso. Existe uma situação que me causa alguma estranheza. Adoro livros, adoro ler, como já bem devem ter reparado, e percebe-se que a autora sente o mesmo. Contudo, acho exagerado o facto de, em situações de emergência que acontecem ao longo da narrativa, os livros muitas vezes serem mencionados como artigos de primeira necessidade antes mesmo de se falar em alimentos.
Apreciei a evolução de Meg, que, aos poucos, está a tornar-se mais mulher, não deixando de parte, contudo, a inocência que lhe é característica. Se ao início era possível antever o desenvolvimento de um romance com Simon, agora quase que há a certeza de que tal poderá ser uma realidade. É que a admiração mútua está a transformar-se em algo mais, começando-se a perceber o desejo sexual que está a surgir entre ambos.
Tal como aconteceu com nos livros anteriores, Marcado na Pele fecha um ciclo desta história, mas deixa tudo em aberto para uma continuação. Apreciei muito esta leitura e estou muito curiosa para saber o que Anne Bishop reserva para o próximo volume, cujo original será publicado já está mês, nos Estados Unidos. Este mundo e estas personagens já conquistaram um lugar de destaque.
Opiniões a outros livros de Anne Bishop:
Letras Escarlates (Os Outros #1)
Bando de Corvos (Os Outros #2)
Visão de Prata (Os Outros #3)
terça-feira, 7 de março de 2017
Opinião: Autoridade (Trilogia Área X #2)
Título Original: Authority (2014)
Autor: Jeff Vandermeer
Tradução: Casimiro da Piedade
ISBN: 9789897730184
Editora: Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Após 30 anos, os únicos traços humanos detetados na Área X – uma estranha zona contaminada cercada de uma fronteira invisível e sem traços de civilização – são os que foram deixados por expedições sucessivas sob autoridade de uma agência tão secreta que quase foi esquecida.
Face à tumultuosa 12.ª expedição narrada em Aniquilação, a agência tem um novo diretor nomeado, John Rodrigues, também conhecido por Control. A braços com uma equipa desesperada e frustrada por uma série de incidentes e vídeos perturbantes, Control começa a desvendar lentamente os segredos da Área X e dos mistérios narrados no primeiro volume, mas a cada descoberta que faz, é forçado a confrontar verdades sobre ele próprio e a agência que jurou servir.
Opinião:
Depois de ter ficado muito surpreendida com Aniquilação, de Jeff Vandermeer, tive de começar a ler Autoridade, o segundo livro desta trilogia, assim que tive oportunidade. Desta vez, não exploramos a Área X, mas sim a Extensão Sul, o departamento da agência que está mais próximo desta zona em que a natureza parece ter tomado o controlo. Também a personagem que acompanhamos é diferente, o que faz com que o regresso a este mundo não tivesse sido como esperava.
Control é a personagem central deste volume, ainda que a bióloga, que acompanhámos no livro anterior, também esteja presente. Control é o "sangue fresco" da Extensão Sul e, como seria de esperar, vai com expectativas e esperanças no que toca à resolução do mistério da Área X. É curioso ver como este entusiasmo depressa começa a desaparecer quando ele começa a encontrar obstáculos, não só nos novos colegas como também nesta zona que ninguém consegue entender.
Talvez por não estar dentro da Área X, não me consegui sentir tão motivada na leitura deste livro como aconteceu no anterior. Os momentos que mais me prenderam a atenção foram os encontros entre Control e a bióloga pois aí conseguia encontrar vestígios dos elementos que mais me surpreenderam neste mundo. De resto, não se encontra grande evolução nos acontecimentos, mas tal é explicado pelo facto de a própria resolução do mistério da Área X ser, aparentemente, impossível. Aqui, o que acontece de relevante está no entendimento da estrutura e o desespero daqueles que trabalham na agência.
Control apresenta uma grande evolução ao longo do livro. Apesar de não ser uma figura carismática, gostei do seu empenho em querer fazer a mudança, mesmo quando apenas encontrava obstáculos. Também apreciei a sua sensibilidade para com a noção de contraste entre a realidade e o perigo da Área X em relação é ilusão que a população vive. Gostaria, no entanto, que se tivesse esforçado mais nas relações com os colegas, de modo a que nos fosse possível perceber quem são essas pessoas. Afinal, com o decorrer da narrativa, é possível entender que eles escondem a sua verdadeira essência.
Senti que uma boa parte do livro andou sempre à volta dos mesmos temas e assuntos, sem grande evolução. Sente-se a tensão e o facto de Control estar cada vez mais enclausurado na Extensão Sul, mas gostaria ainda de ter visto mais desenvolvimentos.
Mais perto do final, o ritmo da leitura começa a aumentar bastante. Tal se deve a novos acontecimentos como também a revelações que são feitas. Gostei que fosse explorado o lado da manipulação que é realizada às expedições, como ainda de encontrar novas ligações que, ainda que não explicadas, sugerem que grandes surpresas estão para chegar. Dar uma vista de olhos ao que aconteceu às pessoas de outras expedições e encontrar novas consequências na entrada na Área X levaram-me a ficar ainda mais curiosa para perceber como e porque tudo começou.
O final de Autoridade é inesperado e faz ter vontade de pegar rapidamente no derradeiro livro desta trilogia. Este volume pode não ter sido tão cativante como o anterior, mas a conclusão sugere que o derradeiro livro, Aceitação, poderá ser verdadeiramente surpreendente. Estou curiosa para saber o que Jeff Vandermeer está reservar para a conclusão desta trilogia.
Outras opiniões a livros de Jeff Vandermeer:
Aniquilação (Trilogia Área X #1)
Autor: Jeff Vandermeer
Tradução: Casimiro da Piedade
ISBN: 9789897730184
Editora: Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Após 30 anos, os únicos traços humanos detetados na Área X – uma estranha zona contaminada cercada de uma fronteira invisível e sem traços de civilização – são os que foram deixados por expedições sucessivas sob autoridade de uma agência tão secreta que quase foi esquecida.
Face à tumultuosa 12.ª expedição narrada em Aniquilação, a agência tem um novo diretor nomeado, John Rodrigues, também conhecido por Control. A braços com uma equipa desesperada e frustrada por uma série de incidentes e vídeos perturbantes, Control começa a desvendar lentamente os segredos da Área X e dos mistérios narrados no primeiro volume, mas a cada descoberta que faz, é forçado a confrontar verdades sobre ele próprio e a agência que jurou servir.
Opinião:
Depois de ter ficado muito surpreendida com Aniquilação, de Jeff Vandermeer, tive de começar a ler Autoridade, o segundo livro desta trilogia, assim que tive oportunidade. Desta vez, não exploramos a Área X, mas sim a Extensão Sul, o departamento da agência que está mais próximo desta zona em que a natureza parece ter tomado o controlo. Também a personagem que acompanhamos é diferente, o que faz com que o regresso a este mundo não tivesse sido como esperava.
Control é a personagem central deste volume, ainda que a bióloga, que acompanhámos no livro anterior, também esteja presente. Control é o "sangue fresco" da Extensão Sul e, como seria de esperar, vai com expectativas e esperanças no que toca à resolução do mistério da Área X. É curioso ver como este entusiasmo depressa começa a desaparecer quando ele começa a encontrar obstáculos, não só nos novos colegas como também nesta zona que ninguém consegue entender.
Talvez por não estar dentro da Área X, não me consegui sentir tão motivada na leitura deste livro como aconteceu no anterior. Os momentos que mais me prenderam a atenção foram os encontros entre Control e a bióloga pois aí conseguia encontrar vestígios dos elementos que mais me surpreenderam neste mundo. De resto, não se encontra grande evolução nos acontecimentos, mas tal é explicado pelo facto de a própria resolução do mistério da Área X ser, aparentemente, impossível. Aqui, o que acontece de relevante está no entendimento da estrutura e o desespero daqueles que trabalham na agência.
Control apresenta uma grande evolução ao longo do livro. Apesar de não ser uma figura carismática, gostei do seu empenho em querer fazer a mudança, mesmo quando apenas encontrava obstáculos. Também apreciei a sua sensibilidade para com a noção de contraste entre a realidade e o perigo da Área X em relação é ilusão que a população vive. Gostaria, no entanto, que se tivesse esforçado mais nas relações com os colegas, de modo a que nos fosse possível perceber quem são essas pessoas. Afinal, com o decorrer da narrativa, é possível entender que eles escondem a sua verdadeira essência.
Senti que uma boa parte do livro andou sempre à volta dos mesmos temas e assuntos, sem grande evolução. Sente-se a tensão e o facto de Control estar cada vez mais enclausurado na Extensão Sul, mas gostaria ainda de ter visto mais desenvolvimentos.
Mais perto do final, o ritmo da leitura começa a aumentar bastante. Tal se deve a novos acontecimentos como também a revelações que são feitas. Gostei que fosse explorado o lado da manipulação que é realizada às expedições, como ainda de encontrar novas ligações que, ainda que não explicadas, sugerem que grandes surpresas estão para chegar. Dar uma vista de olhos ao que aconteceu às pessoas de outras expedições e encontrar novas consequências na entrada na Área X levaram-me a ficar ainda mais curiosa para perceber como e porque tudo começou.
O final de Autoridade é inesperado e faz ter vontade de pegar rapidamente no derradeiro livro desta trilogia. Este volume pode não ter sido tão cativante como o anterior, mas a conclusão sugere que o derradeiro livro, Aceitação, poderá ser verdadeiramente surpreendente. Estou curiosa para saber o que Jeff Vandermeer está reservar para a conclusão desta trilogia.
Outras opiniões a livros de Jeff Vandermeer:
Aniquilação (Trilogia Área X #1)
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
Opinião: Jardins da Lua (Saga do Império Malazano #1)
Título original: Gardens of the Moon (1999)
Autor: Steven Erikson
Tradução: Carol Chiovatto
Adaptação: Susana Clara
ISBN: 9789896651756
Editora: Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
O primeiro volume de uma obra-prima que revolucionou a fantasia Épica.
Quebrado pela guerra, o vasto império Malazano ferve de descontentamento. Os Queimadores de Pontes do Sargento Whiskeyjack e Tattersail, a feiticeira sobrevivente, nada mais desejam do que chorar os mortos do cerco de Pale. Mas Darujhistan, a última das Cidades Livres, ainda resiste perante a ambição sem limites da Imperatriz Laseen. Todavia, parece que o Império não está sozinho neste grande jogo. Sinistras forças das trevas estão a ser reunidas à medida que os próprios deuses se preparam para entrar na contenda… Concebido e escrito a uma escala panorâmica, Jardins da Lua é uma fantasia épica da mais elevada qualidade, uma aventura cativante da autoria de uma excecional nova voz.
Opinião:
Já há muito que ouvia falar bem desta série e foi com entusiasmo que recebi a notícia de que a Saída de Emergência se preparava para publicar o primeiro volume. Assim que tive oportunidade, comecei a leitura de Jardins da Lua, um livro que, à primeira vista, impressionada pelo tamanho, sendo que depois causa admiração pela complexidade.
Assim que comecei a ler percebi que este não é um livro igual aos outros. Se já estava à espera de ler uma aventura dentro do género de fantasia épica e, portanto, preparada para conhecer um novo mundo, foi, ainda assim, com alguma dificuldade que consegui sentir-se familiarizada com estas personagens, esta história, estes locais e esta intriga. E esta sensação esteve sempre presente, pois quando sentia que já conseguia distinguir tudo, havia uma reviravolta que exigia uma grande concentração.
Existem imensas personagens e elas surgem na trama como se já tivessem sido apresentadas, o que faz com que seja necessário ter atenção aos pequenos detalhes de cada uma para, assim, conseguirmos distingui-las e perceber o papel de cada uma na trama. Felizmente a editora apresenta uma lista destas figuras através de uma representação gráfica, o que faz com que, se houver vontade para isso, consigamos ligar uma ideia a uma imagem e, assim, conseguir diferenciar melhor cada figura. Tattersail, Ganoes Paran e Crokus foram as personagens que mais me chamaram a atenção.
Estas muitas personagens dividem-se entre vários planos e encontram-se em momentos diferentes da narrativa. Como tal, a história tem diversos pontos de vista e está dividida em muitos momentos distintos que acabam por se unir, ainda que, numa primeira fase, pareça que esta ligação é demasiado ténue. No final tudo caminho para o mesmo sentido. O facto de existirem muitas histórias paralelas faz com que umas cativem mais do que as outras, mas a verdade é que, no geral, a maior parte acaba por ser um pouco difusa.
A magia praticada nesta obra é interessante e está muito bem pensada. Infelizmente, também este ponto surge como se o leitor já o conhecesse e dominasse, o que faz com que, ao início, não seja imediatamente compreendido e se torne até algo confuso. Felizmente, na revista Bang! N.º21, que foi para as lojas Fnac em Novembro, existe um guia que dá diversas explicações, inclusive o que são estes labirintos e de que forma funcionam.
Steven Erikson sabe construir uma intriga e consegue surpreender. Gostaria que tivesse perdido mais tempo explicar o que está a acontecer na trama, de modo a fazer a leitura fluir com maior facilidade. O tom é de mistério constante, afinal existem muitas conspirações. Fica a ideia de que, num conflito, é sempre necessário existirem sacrifícios e que mesmo os inocentes e ingénuos podem ter um papel importante a desempenhar.
Jardins da Lua, de Steven Erikson, é um livro que exige tempo e maior concentração do que é normal. Gostei de muitos momentos e apreciei a conclusão, mas não fiquei rendida à forma como o autor escolheu apresentar a sua história. A trama é demasiado densa e carece de informação introdutória aos mais diferentes níveis. Se gostam do género, acho que devem apostar nesta obra, mas tenham em atenção que vão precisar de tempo (e talvez um bloco de notas) para conseguirem apreciar em pleno a narrativa. Mas vale a pena.
Autor: Steven Erikson
Tradução: Carol Chiovatto
Adaptação: Susana Clara
ISBN: 9789896651756
Editora: Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
O primeiro volume de uma obra-prima que revolucionou a fantasia Épica.
Quebrado pela guerra, o vasto império Malazano ferve de descontentamento. Os Queimadores de Pontes do Sargento Whiskeyjack e Tattersail, a feiticeira sobrevivente, nada mais desejam do que chorar os mortos do cerco de Pale. Mas Darujhistan, a última das Cidades Livres, ainda resiste perante a ambição sem limites da Imperatriz Laseen. Todavia, parece que o Império não está sozinho neste grande jogo. Sinistras forças das trevas estão a ser reunidas à medida que os próprios deuses se preparam para entrar na contenda… Concebido e escrito a uma escala panorâmica, Jardins da Lua é uma fantasia épica da mais elevada qualidade, uma aventura cativante da autoria de uma excecional nova voz.
Opinião:
Já há muito que ouvia falar bem desta série e foi com entusiasmo que recebi a notícia de que a Saída de Emergência se preparava para publicar o primeiro volume. Assim que tive oportunidade, comecei a leitura de Jardins da Lua, um livro que, à primeira vista, impressionada pelo tamanho, sendo que depois causa admiração pela complexidade.
Assim que comecei a ler percebi que este não é um livro igual aos outros. Se já estava à espera de ler uma aventura dentro do género de fantasia épica e, portanto, preparada para conhecer um novo mundo, foi, ainda assim, com alguma dificuldade que consegui sentir-se familiarizada com estas personagens, esta história, estes locais e esta intriga. E esta sensação esteve sempre presente, pois quando sentia que já conseguia distinguir tudo, havia uma reviravolta que exigia uma grande concentração.
Existem imensas personagens e elas surgem na trama como se já tivessem sido apresentadas, o que faz com que seja necessário ter atenção aos pequenos detalhes de cada uma para, assim, conseguirmos distingui-las e perceber o papel de cada uma na trama. Felizmente a editora apresenta uma lista destas figuras através de uma representação gráfica, o que faz com que, se houver vontade para isso, consigamos ligar uma ideia a uma imagem e, assim, conseguir diferenciar melhor cada figura. Tattersail, Ganoes Paran e Crokus foram as personagens que mais me chamaram a atenção.
Estas muitas personagens dividem-se entre vários planos e encontram-se em momentos diferentes da narrativa. Como tal, a história tem diversos pontos de vista e está dividida em muitos momentos distintos que acabam por se unir, ainda que, numa primeira fase, pareça que esta ligação é demasiado ténue. No final tudo caminho para o mesmo sentido. O facto de existirem muitas histórias paralelas faz com que umas cativem mais do que as outras, mas a verdade é que, no geral, a maior parte acaba por ser um pouco difusa.
A magia praticada nesta obra é interessante e está muito bem pensada. Infelizmente, também este ponto surge como se o leitor já o conhecesse e dominasse, o que faz com que, ao início, não seja imediatamente compreendido e se torne até algo confuso. Felizmente, na revista Bang! N.º21, que foi para as lojas Fnac em Novembro, existe um guia que dá diversas explicações, inclusive o que são estes labirintos e de que forma funcionam.
Steven Erikson sabe construir uma intriga e consegue surpreender. Gostaria que tivesse perdido mais tempo explicar o que está a acontecer na trama, de modo a fazer a leitura fluir com maior facilidade. O tom é de mistério constante, afinal existem muitas conspirações. Fica a ideia de que, num conflito, é sempre necessário existirem sacrifícios e que mesmo os inocentes e ingénuos podem ter um papel importante a desempenhar.
Jardins da Lua, de Steven Erikson, é um livro que exige tempo e maior concentração do que é normal. Gostei de muitos momentos e apreciei a conclusão, mas não fiquei rendida à forma como o autor escolheu apresentar a sua história. A trama é demasiado densa e carece de informação introdutória aos mais diferentes níveis. Se gostam do género, acho que devem apostar nesta obra, mas tenham em atenção que vão precisar de tempo (e talvez um bloco de notas) para conseguirem apreciar em pleno a narrativa. Mas vale a pena.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Opinião: As Primeiras Quinze Vidas de Harry August
Título Original: The First Fifteen Lives of Harry August (2014)
Autor: Claire North
Tradução: Casimiro da Piedade
ISBN: 9789896376673
Editora: Edições Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele? A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se. Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.
Opinião:
Há livros que nos fazem pensar sobre certas ideias de uma forma completamente diferente. Sempre me interroguei sobre o que faria se pudesse voltar a viver esta mesma vida tendo o conhecimento adquirido até ao momento da regressão. As Primeiras Quinze Vidas de Harry August pega neste conceito e revelou-me hipóteses que ainda não tinha colocado. Ao mesmo tempo, apresentou-me uma história intrigante, com um desenvolvimento envolvente e um final que me deixou muito satisfeita.
O protagonista não me agradou imediatamente, mas a sua história acabou por me cativar aos poucos e poucos. Gostei da sua evolução e da forma como ele encarou esta condição excecional. É curioso que a primeira vida tenha sido tão diferente de todas as outras. Fez-me pensar se terá sido assim devido ao conhecimento mais limitado que tinha ou se nós realmente temos maior tendência de nos agarrarmos ao que nos é confortável e não somos capazes de arriscar mais ou desenvolver as nossas capacidades. As catorze vidas que se seguem e que nos são apresentadas são distintas e umas chamam mais a atenção do que outras, como seria de esperar.
Numa primeira fase, a autora mostra como este homem encara esta capacidade que o difere da grande maioria da população. Depois, insere-o dentro de um pequeno grupo e fá-lo sentir-se menos sozinho. Só depois surge, ainda que de forma lenta, a parte da trama que funciona como motor para algo maior e mais emocionante. Neste momento, fui levada a interrogar-me sobre o futuro e sobre como certas decisões e ações o podem mudar por completo. Aqui a história ganha maior força, primeiro porque quis ver até onde a autora vai, depois porque fiquei impressionada com o plano que começou a ser colocado em prática.
O início da leitura não é propriamente simples, afinal a habituação aos saltos entre vidas pode não ser fácil, mas, com o desenrolar da narrativa, isto torna-se mais natural para o leitor. Também existem momentos longos de reflexão e de descrições, o que tanto pode gerar interesse como até algum aborrecimento, dependendo do tema abordado no momento. Porém, já na parte final, a leitura torna-se mais compulsiva, até que se chega a um final que, apesar de já ter sido adivinhado, não deixa de ser forte e trazer um sorriso aos lábios.
Terminada a leitura, cheguei à conclusão que, afinal, não gostava de ter esta capacidade de Harry August. Viver no mesmo espaço temporal vezes sem conta, não ser capaz de deter crimes e atrocidades, ver pessoas que amámos noutras vidas a tornarem-se completos estranhos e perceber que os nossos esforços são de pouco valor tornam esta existência prolongada quase como prisão sufocante. E a autora tenta mostrar isso mesmo ao levar muitas das suas personagens a optarem pelo Esquecimento.
As Primeiras Quinze Vidas de Harry August é um livro diferente de tudo o que li até aqui, que aborda de forma excecional um conceito muito interessante. Ao mesmo tempo, faz-nos pensar sobre diferentes temas inerentes à vida e ainda sobre o que estamos a fazer com a nossa própria existência, tendo em conta que não sabemos quando ela vai terminar. Uma leitura que recomendo.
Autor: Claire North
Tradução: Casimiro da Piedade
ISBN: 9789896376673
Editora: Edições Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele? A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se. Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.
Opinião:
Há livros que nos fazem pensar sobre certas ideias de uma forma completamente diferente. Sempre me interroguei sobre o que faria se pudesse voltar a viver esta mesma vida tendo o conhecimento adquirido até ao momento da regressão. As Primeiras Quinze Vidas de Harry August pega neste conceito e revelou-me hipóteses que ainda não tinha colocado. Ao mesmo tempo, apresentou-me uma história intrigante, com um desenvolvimento envolvente e um final que me deixou muito satisfeita.
O protagonista não me agradou imediatamente, mas a sua história acabou por me cativar aos poucos e poucos. Gostei da sua evolução e da forma como ele encarou esta condição excecional. É curioso que a primeira vida tenha sido tão diferente de todas as outras. Fez-me pensar se terá sido assim devido ao conhecimento mais limitado que tinha ou se nós realmente temos maior tendência de nos agarrarmos ao que nos é confortável e não somos capazes de arriscar mais ou desenvolver as nossas capacidades. As catorze vidas que se seguem e que nos são apresentadas são distintas e umas chamam mais a atenção do que outras, como seria de esperar.
Numa primeira fase, a autora mostra como este homem encara esta capacidade que o difere da grande maioria da população. Depois, insere-o dentro de um pequeno grupo e fá-lo sentir-se menos sozinho. Só depois surge, ainda que de forma lenta, a parte da trama que funciona como motor para algo maior e mais emocionante. Neste momento, fui levada a interrogar-me sobre o futuro e sobre como certas decisões e ações o podem mudar por completo. Aqui a história ganha maior força, primeiro porque quis ver até onde a autora vai, depois porque fiquei impressionada com o plano que começou a ser colocado em prática.
O início da leitura não é propriamente simples, afinal a habituação aos saltos entre vidas pode não ser fácil, mas, com o desenrolar da narrativa, isto torna-se mais natural para o leitor. Também existem momentos longos de reflexão e de descrições, o que tanto pode gerar interesse como até algum aborrecimento, dependendo do tema abordado no momento. Porém, já na parte final, a leitura torna-se mais compulsiva, até que se chega a um final que, apesar de já ter sido adivinhado, não deixa de ser forte e trazer um sorriso aos lábios.
Terminada a leitura, cheguei à conclusão que, afinal, não gostava de ter esta capacidade de Harry August. Viver no mesmo espaço temporal vezes sem conta, não ser capaz de deter crimes e atrocidades, ver pessoas que amámos noutras vidas a tornarem-se completos estranhos e perceber que os nossos esforços são de pouco valor tornam esta existência prolongada quase como prisão sufocante. E a autora tenta mostrar isso mesmo ao levar muitas das suas personagens a optarem pelo Esquecimento.
As Primeiras Quinze Vidas de Harry August é um livro diferente de tudo o que li até aqui, que aborda de forma excecional um conceito muito interessante. Ao mesmo tempo, faz-nos pensar sobre diferentes temas inerentes à vida e ainda sobre o que estamos a fazer com a nossa própria existência, tendo em conta que não sabemos quando ela vai terminar. Uma leitura que recomendo.
terça-feira, 26 de julho de 2016
Opinião: Aniquilação (Trilogia Área X #1)
Título original: Annihilation (2014)
Autor: Jeff Vandermeer
Tradutor: Casimiro da Piedade
ISBN: 9789896379438
Editora: Edições Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
Autor: Jeff Vandermeer
Tradutor: Casimiro da Piedade
ISBN: 9789896379438
Editora: Edições Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
Área X. Uma zona misteriosa e isolada do resto do mundo. Onde a natureza reclamou para si qualquer vestígio de civilização. Sucessivas expedições são enviadas para investigar o mistério que levou à sua contaminação, mas todas redundam em fracasso e os seus membros regressam meras sombras das pessoas que partiram.
Até que chega a vez da 12.ª expedição. Composta por quatro mulheres (antropóloga, topógrafa, psicóloga e bióloga), a sua missão é desvendar o enigma. Mas acontecimentos bizarros e formas de vida que ultrapassam o entendimento minam a confiança entre os membros da expedição. Nada é o que parece e o perigo espreita a cada esquina. Que novos horrores se escondem na Área X? Será a 12.ª expedição capaz de revelar todos os segredos… ou estará condenada à pior das tragédias?
Opinião:
Este livro foi lido com o misto de estranheza e obsessão. Aniquilação, de Jeff Vandermerr, apresenta-nos uma realidade estranha apesar de, numa primeira análise, parece ser muito comum. Mas conforme vamos passando tempo e explorando a Área X, percebemos que normalidade é algo que não pertence àquele local. Existem elementos grotescos, que causam deslumbramento e repulsa e eu desejei compreender o motivo de existirem. Infelizmente, não entendi a resposta.
A história é contada na primeira pessoa por uma bióloga. Não sabemos o seu nome nem os das suas companheiras de expedição. Conhecemos sim as suas profissões e, consoante a narrativa vai avançando, vamos entendendo as suas personalidades. Não houve uma única figura com a qual conseguisse sentir empatia. Gostei de acompanhar as descobertas da protagonista, a bióloga, mas não fiquei cativada pelo facto de ela ser tão fria com a humanidade e tão apaixonada por certos fenómenos.
E se, por um lado, não senti ligação com a protagonista, por outro não deixei de achar curioso o facto de as suas aventuras conseguirem provocar-me emoções tão fortes. Ao início, eu queria explorar e deparava-me com a reticência e dúvida dela. Mas à medida que o medo foi desaparecendo da bióloga, foi aumentando em mim. Eu temia os locais pelos quais ela vagueava, eu pedia para ela correr e afastar-se de certos sítios e criaturas, tremia e ficava chocada com descobertas que a deixavam fascinada. E perante tudo isto, a minha vontade de ler este livro ia aumentado de página para página.
Fica a ideia de que algo correu mal e que uma zona ficou fora do controlo. Como tal, parece que a natureza assumiu o comando da Área X, o que faz com que a humanidade tenha pouca força no local. Aliás, as poucas pessoas que entram neste local parecem encontrar-se com a sua própria natureza e, desta forma, não voltam a conseguir afastar-se dela. Posto isto, refleti sobre o falso poder que temos sobre o nosso planeta sobre o facto de existirem traços da nossa personalidade que nos são desconhecidos. Sobre os limites da racionalidade e da loucura.
As últimas páginas do livros foram lidas com avidez. E apesar de me sentir assombrada com a trama, não encontrei todas as respostas que desejava e acabei mesmo por me sentir frustrada por não ter compreendido tudo o que tinha acontecido. Mesmo assim, fiquei com vontade de ter já nas mãos o próximo volume desta trilogia, Autoridade, e fiquei ainda mais curiosa ao ler o excerto desse volume que se encontra no final deste livro. Não tenho por hábito prestar atenção a estas apresentações de próximos livros que a editora Saída de Emergência costuma incluir nos seus volumes, mas nesta vez não conseguir resistir. Só espero que o segundo livro da trilogia "Área X" seja mais objetivo.
Opinião:
Este livro foi lido com o misto de estranheza e obsessão. Aniquilação, de Jeff Vandermerr, apresenta-nos uma realidade estranha apesar de, numa primeira análise, parece ser muito comum. Mas conforme vamos passando tempo e explorando a Área X, percebemos que normalidade é algo que não pertence àquele local. Existem elementos grotescos, que causam deslumbramento e repulsa e eu desejei compreender o motivo de existirem. Infelizmente, não entendi a resposta.
A história é contada na primeira pessoa por uma bióloga. Não sabemos o seu nome nem os das suas companheiras de expedição. Conhecemos sim as suas profissões e, consoante a narrativa vai avançando, vamos entendendo as suas personalidades. Não houve uma única figura com a qual conseguisse sentir empatia. Gostei de acompanhar as descobertas da protagonista, a bióloga, mas não fiquei cativada pelo facto de ela ser tão fria com a humanidade e tão apaixonada por certos fenómenos.
E se, por um lado, não senti ligação com a protagonista, por outro não deixei de achar curioso o facto de as suas aventuras conseguirem provocar-me emoções tão fortes. Ao início, eu queria explorar e deparava-me com a reticência e dúvida dela. Mas à medida que o medo foi desaparecendo da bióloga, foi aumentando em mim. Eu temia os locais pelos quais ela vagueava, eu pedia para ela correr e afastar-se de certos sítios e criaturas, tremia e ficava chocada com descobertas que a deixavam fascinada. E perante tudo isto, a minha vontade de ler este livro ia aumentado de página para página.
Fica a ideia de que algo correu mal e que uma zona ficou fora do controlo. Como tal, parece que a natureza assumiu o comando da Área X, o que faz com que a humanidade tenha pouca força no local. Aliás, as poucas pessoas que entram neste local parecem encontrar-se com a sua própria natureza e, desta forma, não voltam a conseguir afastar-se dela. Posto isto, refleti sobre o falso poder que temos sobre o nosso planeta sobre o facto de existirem traços da nossa personalidade que nos são desconhecidos. Sobre os limites da racionalidade e da loucura.
As últimas páginas do livros foram lidas com avidez. E apesar de me sentir assombrada com a trama, não encontrei todas as respostas que desejava e acabei mesmo por me sentir frustrada por não ter compreendido tudo o que tinha acontecido. Mesmo assim, fiquei com vontade de ter já nas mãos o próximo volume desta trilogia, Autoridade, e fiquei ainda mais curiosa ao ler o excerto desse volume que se encontra no final deste livro. Não tenho por hábito prestar atenção a estas apresentações de próximos livros que a editora Saída de Emergência costuma incluir nos seus volumes, mas nesta vez não conseguir resistir. Só espero que o segundo livro da trilogia "Área X" seja mais objetivo.
quinta-feira, 21 de julho de 2016
Opinião: Visão de Prata (Os Outros #3)
Título Original: Vision in Silver (2015)
Autor: Anne Bishop
Tradução: Luís Santos
ISBN: 9789896379704
Editora: Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
Os Outros libertaram as cassandra sangue como forma de as proteger, não se apercebendo que as suas ações teriam consequências desastrosas.
Agora os videntes encontram-se em grande perigo e são presa fácil daqueles que procuram controlar os seus poderes divinatórios. Desesperado por respostas, Simon Wolfgard, um metamorfo líder entre os Outros, não tem outra escolha senão recorrer à ajuda da profetisa Meg Corbyn.
Meg ainda se encontra imersa no seu vício pela euforia que sente quando realiza profecias. Está ciente de que cada golpe da sua faca é um passo mais próximo da morte. Mas os Outros, bem como os humanos, precisam de respostas, e as suas visões são a única esperança para pôr fim ao conflito…
Opinião:
Visão de Prata superou as expetativas. Depois de ter gostado de Letras Escarlates mas de ter ficado um pouco desiludida com Bando de Corvos, foi com alguma apreensão que iniciei a leitura do terceiro volume de "Os Outros". Tinha receio de que a série tivesse entrado numa espiral descendente. Porém, Anne Bishop deu-me provas de que a história de Meg e dos habitantes do Pátio ainda tem muito para dar!
Desta vez, senti-me rendida à história logo desde o início. Existe mais do que um foco de interesse. Porém, a protagonista, Meg, apesar de ser uma personagem que tem a minha simpatia, voltou a ser aquela que me parece ter um desenvolvimento menor. Existe uma questão à volta dela que é bastante pertinente e gostei da forma como foi chamada à atenção após uma determinada atitude. Faz sentido e mostra que também ela erra, apesar de ser vista como uma esperança para as suas iguais. Porém, não percebi o motivo para que o problema dela com a desordem e o caos apenas ter sido considerado no terceiro volume, quando, devido a uma série de condicionantes, deveria ter surgido logo no início.
Gostei muito da história em volta de Monty, um agente humano. Já sabíamos do seu problema familiar, mas ver tudo isso exposto foi uma lufada de ar fresco, além de que foi este o assunto que marcou o ritmo da trama. Simon volta a ser uma figura de grande destaque e a forma como ele gere o Pátio faz pensar que, apesar de nem sempre concordarmos ou enterdermos quem nos rodeia, podemos ser capazes de conviver com essa pessoas em harmonia se houver respeito mútuo. Já o acompanhamento de uma cassandra de sangue nova também deu uma nova perspectiva sobre estas jovens e proporcionou capítulos bem conseguidos e cativantes.
Adoro a forma como a autora consegue construir personagens que apresentem tão bem um lado racional e, ao mesmo tempo, primitivo. Os Outros voltam a dar um toque único a este livro. Divididos em diferentes grupos, consoante os animais ou as forças e elementos que os inspiraram, transmitem muito bem a essência de cada um. Ao mesmo tempo, protagonizam situações caricatas e fazem-nos pensar na simplicidade e beleza da natureza.
E além de me ter divertido e emocionado muito com esta leitura, também é verdade que alguns dos temas retratados me fizeram pensar na atualidade mundial. Afinal, a relação entre humanos e Outros serve de analogia para a discriminação a que se tem assistido em larga escala. O medo do que é diferente, a intolerância, a violência, a noção de superioridade e a incapacidade de respeitar o outro são algumas das ideias que a autora transmite ao longo da leitura. É impossível não comparar algumas das situações da trama com a realidade.
O final é muito apropriado. Passa para um plano mais geral deste mundo, dá algumas respostas, mesmo que de forma implícita, fala de superação e esperança. Anne Bishop recorda-nos que não podemos encarar o planeta e a natureza como propriedade, mas sim como uma casa que deve ser respeitada e cuidada. A autora volta a provar que, através de uma história bonita e original, consegue transmitir mensagens fortes e atuais. Estou muito curiosa para saber o que nos trará o próximo volume desta série.
Outras opiniões a livros de Anne Bishop:
A Voz
Os Pilares do Mundo (Trilogia dos Pilares do Mundo #1)
Luz e Sombras (Trilogia dos Pilares do Mundo #2)
A Casa de Gaian (Trilogia dos Pilares do Mundo #3)
Ponte de Sonhos (Efémera #3)
Letras Escarlates (Os Outros #1)
Bando de Corvos (Os Outros #2)
Autor: Anne Bishop
Tradução: Luís Santos
ISBN: 9789896379704
Editora: Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
Os Outros libertaram as cassandra sangue como forma de as proteger, não se apercebendo que as suas ações teriam consequências desastrosas.
Agora os videntes encontram-se em grande perigo e são presa fácil daqueles que procuram controlar os seus poderes divinatórios. Desesperado por respostas, Simon Wolfgard, um metamorfo líder entre os Outros, não tem outra escolha senão recorrer à ajuda da profetisa Meg Corbyn.
Meg ainda se encontra imersa no seu vício pela euforia que sente quando realiza profecias. Está ciente de que cada golpe da sua faca é um passo mais próximo da morte. Mas os Outros, bem como os humanos, precisam de respostas, e as suas visões são a única esperança para pôr fim ao conflito…
Opinião:
Visão de Prata superou as expetativas. Depois de ter gostado de Letras Escarlates mas de ter ficado um pouco desiludida com Bando de Corvos, foi com alguma apreensão que iniciei a leitura do terceiro volume de "Os Outros". Tinha receio de que a série tivesse entrado numa espiral descendente. Porém, Anne Bishop deu-me provas de que a história de Meg e dos habitantes do Pátio ainda tem muito para dar!
Desta vez, senti-me rendida à história logo desde o início. Existe mais do que um foco de interesse. Porém, a protagonista, Meg, apesar de ser uma personagem que tem a minha simpatia, voltou a ser aquela que me parece ter um desenvolvimento menor. Existe uma questão à volta dela que é bastante pertinente e gostei da forma como foi chamada à atenção após uma determinada atitude. Faz sentido e mostra que também ela erra, apesar de ser vista como uma esperança para as suas iguais. Porém, não percebi o motivo para que o problema dela com a desordem e o caos apenas ter sido considerado no terceiro volume, quando, devido a uma série de condicionantes, deveria ter surgido logo no início.
Gostei muito da história em volta de Monty, um agente humano. Já sabíamos do seu problema familiar, mas ver tudo isso exposto foi uma lufada de ar fresco, além de que foi este o assunto que marcou o ritmo da trama. Simon volta a ser uma figura de grande destaque e a forma como ele gere o Pátio faz pensar que, apesar de nem sempre concordarmos ou enterdermos quem nos rodeia, podemos ser capazes de conviver com essa pessoas em harmonia se houver respeito mútuo. Já o acompanhamento de uma cassandra de sangue nova também deu uma nova perspectiva sobre estas jovens e proporcionou capítulos bem conseguidos e cativantes.
Adoro a forma como a autora consegue construir personagens que apresentem tão bem um lado racional e, ao mesmo tempo, primitivo. Os Outros voltam a dar um toque único a este livro. Divididos em diferentes grupos, consoante os animais ou as forças e elementos que os inspiraram, transmitem muito bem a essência de cada um. Ao mesmo tempo, protagonizam situações caricatas e fazem-nos pensar na simplicidade e beleza da natureza.
E além de me ter divertido e emocionado muito com esta leitura, também é verdade que alguns dos temas retratados me fizeram pensar na atualidade mundial. Afinal, a relação entre humanos e Outros serve de analogia para a discriminação a que se tem assistido em larga escala. O medo do que é diferente, a intolerância, a violência, a noção de superioridade e a incapacidade de respeitar o outro são algumas das ideias que a autora transmite ao longo da leitura. É impossível não comparar algumas das situações da trama com a realidade.
O final é muito apropriado. Passa para um plano mais geral deste mundo, dá algumas respostas, mesmo que de forma implícita, fala de superação e esperança. Anne Bishop recorda-nos que não podemos encarar o planeta e a natureza como propriedade, mas sim como uma casa que deve ser respeitada e cuidada. A autora volta a provar que, através de uma história bonita e original, consegue transmitir mensagens fortes e atuais. Estou muito curiosa para saber o que nos trará o próximo volume desta série.
Outras opiniões a livros de Anne Bishop:
A Voz
Os Pilares do Mundo (Trilogia dos Pilares do Mundo #1)
Luz e Sombras (Trilogia dos Pilares do Mundo #2)
A Casa de Gaian (Trilogia dos Pilares do Mundo #3)
Ponte de Sonhos (Efémera #3)
Letras Escarlates (Os Outros #1)
Bando de Corvos (Os Outros #2)
segunda-feira, 28 de março de 2016
Opinião: Bando de Corvos (Os Outros #2)
Título original: Murder of Crowns (2014)
Autor: Anne Bishop
Tradução: Luís Santos
ISBN: 9789896379209
Editora: Edições Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
Ninguém tem a capacidade de criar novos mundos como Anne Bishop, autora bestseller do The New York Times. Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. Depois de conquistar a confiança dos Outros que habitam Lakeside, Meg Corbyn teve alguma dificuldade em perceber o que significa viver entre eles. Como humana, Meg deveria apenas ser tolerada como presa, mas os seus dons como cassandra sangue tornam-na algo mais. A aparição de duas drogas aditivas foi a faísca que desencadeou a violência entre os humanos e os Outros, resultando em mortes para ambas as espécies nas cidades limítrofes. Quando Meg tem um sonho sobre sangue e penas negras na neve, Simon Wolfgard – o líder metamorfo de Lakeside – pergunta-se se a profetisa de sangue sonhou com o passado ou uma ameaça futura. À medida que as profecias se revelam a Meg, cada vez mais intensas e dolorosas, as intrigas adensam-se em Lakeside. Agora, os Outros e o punhado de humanos que aí residem terão de reunir forças para parar o homem que se assume como o verdadeiro profeta de sangue – e extinguir o perigo que ameaça destruir todos os clãs.
Opinião:
Sou fã de Anne Bishop e estava ansiosa por começar a ler Bando de Corvos. Adorei ler Letras Escarlates (opinião aqui), o primeiro volume desta saga. e por isso foi com grandes espetativas que voltei e entrar neste mundo com tantas semelhanças e diferenças ao nosso e que reencontrei estas personagens. Porém, logo ao início, percebi que esta experiência de leitura iria ser muito diferente do que estava à espera.
Ao contrário do que aconteceu em Letras Escarlates, desta vez não me senti cativada pela história. Não existiu um novo elemento que me chamasse a atenção e por diversas vezes dei por mim a distrair-me. Era com facilidade que largava o livro e em muitas situações tive oportunidade de retomar a leitura e preferi não o fazer. Penso que tal aconteceu por o factor novidade ter desaparecido e, principalmente, por muitas ideias terem surgido de forma repetitiva. Além disso, não senti o perigo que era suposto, pois tinha a certeza que tudo se iria resolver.
O desenvolvimento do enredo está aborrecido e pouco interessante. A ação é muito lenta e em muitos momentos surgem poucas ideias novas, o que é pouco estimulante. Começa-se a introduzir uma noção de romance, mas não se trata de algo que nos faça suspirar. Isto acontece porque a ligação entre as duas personagens é apresentada com alguma infantilidade, o que é estranho tendo em conta que envolve um ser que está muito ligado aos seus instintos primitivos.
Relativamente às personagens, senti que houve uma evolução muito pequena neste campo. Continuo a gostar de Meg, mas desta vez custou-me mais a aceitar a sua faceta tão inocente. Ela já passou por tanto e já conhece melhor o mundo, por isso seria de esperar que começasse a encarar alguns factos de uma forma diferente do que fazia no primeiro livro e a deixar de se comportar tanto como uma menina e mais como uma mulher. Porém, continua a ter a minha simpatia. Já Simon apresenta um maior desenvolvimento, mas tal levou-o a cair num cliché (algo que não tinha acontecido antes e que tinha merecido o meu elogio). Curiosamente, acho que desta vez Simon foi a força motriz da obra, mais do que Meg. Tive pena que as outras figuras pertencentes aos Outros fossem tão pouco exploradas.
O final é o ponto mais interessante de toda a narrativa. É nesse momento que se sente que realmente aconteceu algo. É um momento que capta a atenção, mas que não deixa de ser previsível. Porém, fico com a sensação que tudo aconteceu nas últimas páginas e que tal foi apresentado um pouco à pressa. Teria sido mais estimulante explorar mais esse lado e menos a encomenda de biscoitos de cão, por exemplo.
Se Letras Escarlates cativa e surge com uma trama fascinante, Bando de Corvos desilude. É o repetir de muitas ideias com pouco desenvolvimento. Gostaria que os Intuits tivessem tido um foco diferente e que fosse possível assistir ao amadurecimento das personagens principais. Anne Bishop consegue transmitir bem a ideia de xenofobia e do terror aliado à ignorância, mas podia ter voltado a apresentar tais conceitos de uma forma mais aliciante e onde a noção de perigo parecesse mais real ao leitor. Espero, sinceramente, que o próximo volume tenha um nível mais próximo do primeiro, pois caso contrário vou ponderar se vale a pena acompanhar esta saga.
Outras opiniões a livros de Anne Bishop:
A Voz
Os Pilares do Mundo (Trilogia dos Pilares do Mundo #1)
Luz e Sombras (Trilogia dos Pilares do Mundo #2)
A Casa de Gaian (Trilogia dos Pilares do Mundo #3)
Ponte de Sonhos (Efémera #3)
Letras Escarlates (Os Outros #1)
Autor: Anne Bishop
Tradução: Luís Santos
ISBN: 9789896379209
Editora: Edições Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
Ninguém tem a capacidade de criar novos mundos como Anne Bishop, autora bestseller do The New York Times. Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. Depois de conquistar a confiança dos Outros que habitam Lakeside, Meg Corbyn teve alguma dificuldade em perceber o que significa viver entre eles. Como humana, Meg deveria apenas ser tolerada como presa, mas os seus dons como cassandra sangue tornam-na algo mais. A aparição de duas drogas aditivas foi a faísca que desencadeou a violência entre os humanos e os Outros, resultando em mortes para ambas as espécies nas cidades limítrofes. Quando Meg tem um sonho sobre sangue e penas negras na neve, Simon Wolfgard – o líder metamorfo de Lakeside – pergunta-se se a profetisa de sangue sonhou com o passado ou uma ameaça futura. À medida que as profecias se revelam a Meg, cada vez mais intensas e dolorosas, as intrigas adensam-se em Lakeside. Agora, os Outros e o punhado de humanos que aí residem terão de reunir forças para parar o homem que se assume como o verdadeiro profeta de sangue – e extinguir o perigo que ameaça destruir todos os clãs.
Opinião:
Sou fã de Anne Bishop e estava ansiosa por começar a ler Bando de Corvos. Adorei ler Letras Escarlates (opinião aqui), o primeiro volume desta saga. e por isso foi com grandes espetativas que voltei e entrar neste mundo com tantas semelhanças e diferenças ao nosso e que reencontrei estas personagens. Porém, logo ao início, percebi que esta experiência de leitura iria ser muito diferente do que estava à espera.
Ao contrário do que aconteceu em Letras Escarlates, desta vez não me senti cativada pela história. Não existiu um novo elemento que me chamasse a atenção e por diversas vezes dei por mim a distrair-me. Era com facilidade que largava o livro e em muitas situações tive oportunidade de retomar a leitura e preferi não o fazer. Penso que tal aconteceu por o factor novidade ter desaparecido e, principalmente, por muitas ideias terem surgido de forma repetitiva. Além disso, não senti o perigo que era suposto, pois tinha a certeza que tudo se iria resolver.
O desenvolvimento do enredo está aborrecido e pouco interessante. A ação é muito lenta e em muitos momentos surgem poucas ideias novas, o que é pouco estimulante. Começa-se a introduzir uma noção de romance, mas não se trata de algo que nos faça suspirar. Isto acontece porque a ligação entre as duas personagens é apresentada com alguma infantilidade, o que é estranho tendo em conta que envolve um ser que está muito ligado aos seus instintos primitivos.
Relativamente às personagens, senti que houve uma evolução muito pequena neste campo. Continuo a gostar de Meg, mas desta vez custou-me mais a aceitar a sua faceta tão inocente. Ela já passou por tanto e já conhece melhor o mundo, por isso seria de esperar que começasse a encarar alguns factos de uma forma diferente do que fazia no primeiro livro e a deixar de se comportar tanto como uma menina e mais como uma mulher. Porém, continua a ter a minha simpatia. Já Simon apresenta um maior desenvolvimento, mas tal levou-o a cair num cliché (algo que não tinha acontecido antes e que tinha merecido o meu elogio). Curiosamente, acho que desta vez Simon foi a força motriz da obra, mais do que Meg. Tive pena que as outras figuras pertencentes aos Outros fossem tão pouco exploradas.
O final é o ponto mais interessante de toda a narrativa. É nesse momento que se sente que realmente aconteceu algo. É um momento que capta a atenção, mas que não deixa de ser previsível. Porém, fico com a sensação que tudo aconteceu nas últimas páginas e que tal foi apresentado um pouco à pressa. Teria sido mais estimulante explorar mais esse lado e menos a encomenda de biscoitos de cão, por exemplo.
Se Letras Escarlates cativa e surge com uma trama fascinante, Bando de Corvos desilude. É o repetir de muitas ideias com pouco desenvolvimento. Gostaria que os Intuits tivessem tido um foco diferente e que fosse possível assistir ao amadurecimento das personagens principais. Anne Bishop consegue transmitir bem a ideia de xenofobia e do terror aliado à ignorância, mas podia ter voltado a apresentar tais conceitos de uma forma mais aliciante e onde a noção de perigo parecesse mais real ao leitor. Espero, sinceramente, que o próximo volume tenha um nível mais próximo do primeiro, pois caso contrário vou ponderar se vale a pena acompanhar esta saga.
Outras opiniões a livros de Anne Bishop:
A Voz
Os Pilares do Mundo (Trilogia dos Pilares do Mundo #1)
Luz e Sombras (Trilogia dos Pilares do Mundo #2)
A Casa de Gaian (Trilogia dos Pilares do Mundo #3)
Ponte de Sonhos (Efémera #3)
Letras Escarlates (Os Outros #1)
quarta-feira, 9 de março de 2016
Opinião: O Herói das Eras - parte 2 (Saga Mistborn - Nascida das Brumas #3)
Autor: Brandon Sanderson
Título Original: Mistborn - The Hero of Ages (2008)
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789896379285
Editora: Edições Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
O mundo aproxima-se do fim, esmagado pela força imparável de Ruína. Vin, Elend e os companheiros procuram desesperadamente opor-se-lhe, mas nada do que fazem parece ter algum efeito ou, quando o tem, é o oposto do que pretendem. De que serve a mera alomância contra um deus?
Especialmente quando não parece haver nada além dela, pois até as misteriosas brumas, em tempos aliadas, parecem ter-se tornado malignas. Mas será que desistir é uma opção? Terá chegado o momento de baixar os braços e aceitar o fim de tudo o que se ama?
Num mundo sufocado pela cinza e abalado por erupções contínuas e violentas convulsões sociais que afetam até a sociedade pacífica dos kandra, são estes os dilemas com que os sobreviventes do velho bando de Kelsier vão ser confrontados neste derradeiro volume da saga.
Opinião:
Comecei a ler O Herói das Eras - parte 2 já a sentir saudades. Este era um volume muito desejado, pois iria concluir uma história que me tinha cativado desde o início. Porém, esta ideia de conclusão fazia com que, ao mesmo tempo, desejasse prolongar a leitura de modo a não me despedir já destas personagens e deste mundo. Parecia que já ao início estava a perceber o que me iria acontecer no momento em que chegasse à última página. É que terminada a leitura, senti-me completamente rendida à forma como esta obra foi conseguida mas também triste por ter terminado. Estes sentimentos fizeram com que fossem necessários alguns dias para refletir sobre tudo o que foi lido. E não, nesse período não consegui pegar num outro livro.
Por se tratar da segunda parte da obra original, é natural que a narração comece logo com um ritmo mais rápido. Existe tensão nos diferentes cenários em que a trama se desenrola e vemos as personagens que já nos conquistaram em situações de grande perigo. Brandon Sanderson faz-nos ter esperança mas ao mesmo tempo duvidar do destino que é reservado às várias figuras. Afinal, o autor é capaz de levar a narrativa a sofrer grandes reviravoltas e já provou em livros anteriores que não teme matar algumas personagens carismáticas e queridas.
Vin continua a ser uma das heroínas mais admiráveis. É impressionante pensar no quanto ela evolui e no exemplo que dá. De menina solitária e desconfiada passou a ser uma a protagonista de uma lenda. A sua força e abnegação levam-na a enfrentar as adversidades, mas as suas fraquezas e dúvidas fazem dela humana. Gosto do facto de que até ela tem segredos e de ver alguns aspectos do seu passado explicados. Já Elend, apesar de todas as dúvidas que teve ao longo deste inesperado caminho, conseguiu ir ao encontro dos valores que ao início enaltecia. Ele é o exemplo do homem nobre que está disposto a tudo pelo bem maior.
Se Sazed esteve mais apagado na primeira parte desta obra, nesta fase foi possível assistir à sua catarse. Se Vin é vista como a heroína que entra nas mais impressionantes cenas de ação, Sazed é o companheiro no qual sabemos que podemos sempre confiar, que desvenda todos os enigmas e que dá uma visão mais arrojada e interessante deste mundo e de tudo o que está a acontecer. Adoro-o. Estava sempre à espera dos capítulos que detinham o seu ponto de vista dos acontecimento e senti necessidade de reler várias das suas reflexões. É certo que se trata de um livro de fantasia, mas muitas dos pensamentos de Sazed adequam-se a certas temáticas do nosso mundo.
Temia que esta história chegasse ao fim sem que o autor desse uma explicação válida a muitas das questões que tinha. Felizmente os meus receios revelaram-se infundados. Os mistérios deste mundo são explicados ao longo da narrativa deste volume. É possível compreender a origem de todos os seres mais estranhos, perceber o que está a acontecer ao mundo e o que são certas aparições.
Terminada a leitura, chegarmos à conclusão de como esta obra foi pensada para partir de um plano particular para um geral. Afinal, passámos da luta contra um senhor tirano para a restauração do equilíbrio geral. Senti-me agarrada à leitura e só lamento que o fim não tivesse chegado sem que nos fosse explicado com mais pormenor o que acontece depois. Mas nem isso pode ser considerado uma falha.
Não me consigo alongar mais na escrita desta opinião pois tenho feito um esforço enorme para não vos revelar o que este livro contém. E acreditem, a minha vontade é muita, pois só assim poderia conseguir explicar o motivo para ter gostado tanto desta leitura. É o fim perfeito. Não é o mais desejado, mas tendo em conta tudo o que aconteceu e a capacidade do autor ser capaz de nos surpreender, eu não consigo imaginar opção melhor. Agora fica a nostalgia e a certeza que a Saga Mistborn está entre as melhores que já li.
Opiniões a outros livros de Brandon Sanderson:
O Império Final (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #1)
O Poço da Ascensão (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #2)
O Herói das Eras - parte 1 (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #3)
Título Original: Mistborn - The Hero of Ages (2008)
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789896379285
Editora: Edições Saída de Emergência (2016)
Sinopse:
O mundo aproxima-se do fim, esmagado pela força imparável de Ruína. Vin, Elend e os companheiros procuram desesperadamente opor-se-lhe, mas nada do que fazem parece ter algum efeito ou, quando o tem, é o oposto do que pretendem. De que serve a mera alomância contra um deus?
Especialmente quando não parece haver nada além dela, pois até as misteriosas brumas, em tempos aliadas, parecem ter-se tornado malignas. Mas será que desistir é uma opção? Terá chegado o momento de baixar os braços e aceitar o fim de tudo o que se ama?
Num mundo sufocado pela cinza e abalado por erupções contínuas e violentas convulsões sociais que afetam até a sociedade pacífica dos kandra, são estes os dilemas com que os sobreviventes do velho bando de Kelsier vão ser confrontados neste derradeiro volume da saga.
Opinião:
Comecei a ler O Herói das Eras - parte 2 já a sentir saudades. Este era um volume muito desejado, pois iria concluir uma história que me tinha cativado desde o início. Porém, esta ideia de conclusão fazia com que, ao mesmo tempo, desejasse prolongar a leitura de modo a não me despedir já destas personagens e deste mundo. Parecia que já ao início estava a perceber o que me iria acontecer no momento em que chegasse à última página. É que terminada a leitura, senti-me completamente rendida à forma como esta obra foi conseguida mas também triste por ter terminado. Estes sentimentos fizeram com que fossem necessários alguns dias para refletir sobre tudo o que foi lido. E não, nesse período não consegui pegar num outro livro.
Por se tratar da segunda parte da obra original, é natural que a narração comece logo com um ritmo mais rápido. Existe tensão nos diferentes cenários em que a trama se desenrola e vemos as personagens que já nos conquistaram em situações de grande perigo. Brandon Sanderson faz-nos ter esperança mas ao mesmo tempo duvidar do destino que é reservado às várias figuras. Afinal, o autor é capaz de levar a narrativa a sofrer grandes reviravoltas e já provou em livros anteriores que não teme matar algumas personagens carismáticas e queridas.
Vin continua a ser uma das heroínas mais admiráveis. É impressionante pensar no quanto ela evolui e no exemplo que dá. De menina solitária e desconfiada passou a ser uma a protagonista de uma lenda. A sua força e abnegação levam-na a enfrentar as adversidades, mas as suas fraquezas e dúvidas fazem dela humana. Gosto do facto de que até ela tem segredos e de ver alguns aspectos do seu passado explicados. Já Elend, apesar de todas as dúvidas que teve ao longo deste inesperado caminho, conseguiu ir ao encontro dos valores que ao início enaltecia. Ele é o exemplo do homem nobre que está disposto a tudo pelo bem maior.
Se Sazed esteve mais apagado na primeira parte desta obra, nesta fase foi possível assistir à sua catarse. Se Vin é vista como a heroína que entra nas mais impressionantes cenas de ação, Sazed é o companheiro no qual sabemos que podemos sempre confiar, que desvenda todos os enigmas e que dá uma visão mais arrojada e interessante deste mundo e de tudo o que está a acontecer. Adoro-o. Estava sempre à espera dos capítulos que detinham o seu ponto de vista dos acontecimento e senti necessidade de reler várias das suas reflexões. É certo que se trata de um livro de fantasia, mas muitas dos pensamentos de Sazed adequam-se a certas temáticas do nosso mundo.
Temia que esta história chegasse ao fim sem que o autor desse uma explicação válida a muitas das questões que tinha. Felizmente os meus receios revelaram-se infundados. Os mistérios deste mundo são explicados ao longo da narrativa deste volume. É possível compreender a origem de todos os seres mais estranhos, perceber o que está a acontecer ao mundo e o que são certas aparições.
Terminada a leitura, chegarmos à conclusão de como esta obra foi pensada para partir de um plano particular para um geral. Afinal, passámos da luta contra um senhor tirano para a restauração do equilíbrio geral. Senti-me agarrada à leitura e só lamento que o fim não tivesse chegado sem que nos fosse explicado com mais pormenor o que acontece depois. Mas nem isso pode ser considerado uma falha.
Não me consigo alongar mais na escrita desta opinião pois tenho feito um esforço enorme para não vos revelar o que este livro contém. E acreditem, a minha vontade é muita, pois só assim poderia conseguir explicar o motivo para ter gostado tanto desta leitura. É o fim perfeito. Não é o mais desejado, mas tendo em conta tudo o que aconteceu e a capacidade do autor ser capaz de nos surpreender, eu não consigo imaginar opção melhor. Agora fica a nostalgia e a certeza que a Saga Mistborn está entre as melhores que já li.
Opiniões a outros livros de Brandon Sanderson:
O Império Final (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #1)
O Poço da Ascensão (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #2)
O Herói das Eras - parte 1 (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #3)
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Opinião: A Rainha Vermelha (Rainha Vermelha #1)
Título Original: Red Queen (2015)
Autor: Victoria Aveyard
Tradução: Teresa Martins de Carvalho
ISBN: 9789896378486
Editora: Edições Saída de Emergência (2015)
Sinopse:
O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate – uma rebelião dos Vermelhos – mesmo que o seu coração dite um rumo diferente.A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva... ou condena?
Opinião:
Fiquei muito entusiasmada com a publicação em Portugal de Rainha Vermelha, livro sobre o qual tinha lido tantas opiniões positivas. Victoria Aveyard apresenta um mundo que tem um grande fosso entre classes, já que de um lado está a plebe, composta por humanos comuns de sangue vermelho e que lutam pela sobrvivência, e ainda pelos nobres, de sangue prateado e dotados de superpoderes.
Mare é a protagonista desta trama. Ao início, gostei que fosse uma rapariga com uma personalidade muito vincada, disposta a quebrar regras e a colocar-se em risco em prol daqueles que mais ama. Achei que a autora fez uma boa opção ao fazer com que Mare adore a sua irmã e ao mesmo tempo a inveje. Digo isto porque se tratam de emoções e sentimentos contraditórios mas que acabam por dar veracidade à personagem. Contudo, com o desenrolar da trama, o meu entusiasmo por Mare começou a desaparecer.
Num certo momento, Mare passa a ser mais uma personagem igual a tantas outras que já conheci em livros do género. Acredito que tal aconteceu devido à fraca construção do triângulo amoroso desta obra. Apesar de não se falar diretamente em sentimentos, a heroína acaba por se ver entre dois homens pelos quais, de certa forma, começa a nutrir sentimentos de carinho ou de lealdade. Ambos são muitos distintos, mas é muito fácil perceber qual acabará por ser a escolha da protagonista. Sim, existem uma série de acontecimentos que parecem levar tudo para um outro sentido, mas o leitor percebe que a autora está a guardar uma reviravolta para o final. Por isso, quando tal acontece, não surpreende.
Perante as suas dúvidas, Mare começa a ficar um pouco apagada. E além disso, o facto de, de algum modo surgirem algumas revelações quanto à própria protagonista parecem, de certa forma, demasiado forçadas. Mais tarde percebemos que existe uma explicação para tal, mas, mesmo assim, gostaria que tudo tivesse sido melhor pensado para que a informação fosse apresentada de uma forma mais plausível. Mas devo salientar que os dados que nos são fornecidos no final dão uma visão mais abrangente deste mundo e das suas potencialidades.
Relativamente às capacidades dos Prateados, devo admitir que pensava sempre nos X-Men sempre que estes surgiam ou eram mencionados. É evidente que a autora é fã destes mutantes, tanto que eles claramente a inspiraram na criação destes nobres tão dotados. Nada contra a fonte de inspiração, mas gostaria de não ter percebido logo onde Victoria foi buscar esta ideia. Para tal, penso que os Prateados poderiam ter sido trabalhados de outra forma.
No final, fiquei sem perceber o motivo de este livro ser tão elogiado. É verdade que me conseguiu entreter, mas senti que não era novo ou refrescante o suficiente para marcar a diferença. O livro está bem escrito, o ritmo da trama é constante, mas tal não é suficiente. Percebo que esta é a estreia de Victoria Aveyard e espero que os próximos livros desta série tragam desenvolvimentos mais interessantes e intensos.
Autor: Victoria Aveyard
Tradução: Teresa Martins de Carvalho
ISBN: 9789896378486
Editora: Edições Saída de Emergência (2015)
Sinopse:
O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate – uma rebelião dos Vermelhos – mesmo que o seu coração dite um rumo diferente.A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva... ou condena?
Opinião:
Fiquei muito entusiasmada com a publicação em Portugal de Rainha Vermelha, livro sobre o qual tinha lido tantas opiniões positivas. Victoria Aveyard apresenta um mundo que tem um grande fosso entre classes, já que de um lado está a plebe, composta por humanos comuns de sangue vermelho e que lutam pela sobrvivência, e ainda pelos nobres, de sangue prateado e dotados de superpoderes.
Mare é a protagonista desta trama. Ao início, gostei que fosse uma rapariga com uma personalidade muito vincada, disposta a quebrar regras e a colocar-se em risco em prol daqueles que mais ama. Achei que a autora fez uma boa opção ao fazer com que Mare adore a sua irmã e ao mesmo tempo a inveje. Digo isto porque se tratam de emoções e sentimentos contraditórios mas que acabam por dar veracidade à personagem. Contudo, com o desenrolar da trama, o meu entusiasmo por Mare começou a desaparecer.
Num certo momento, Mare passa a ser mais uma personagem igual a tantas outras que já conheci em livros do género. Acredito que tal aconteceu devido à fraca construção do triângulo amoroso desta obra. Apesar de não se falar diretamente em sentimentos, a heroína acaba por se ver entre dois homens pelos quais, de certa forma, começa a nutrir sentimentos de carinho ou de lealdade. Ambos são muitos distintos, mas é muito fácil perceber qual acabará por ser a escolha da protagonista. Sim, existem uma série de acontecimentos que parecem levar tudo para um outro sentido, mas o leitor percebe que a autora está a guardar uma reviravolta para o final. Por isso, quando tal acontece, não surpreende.
Perante as suas dúvidas, Mare começa a ficar um pouco apagada. E além disso, o facto de, de algum modo surgirem algumas revelações quanto à própria protagonista parecem, de certa forma, demasiado forçadas. Mais tarde percebemos que existe uma explicação para tal, mas, mesmo assim, gostaria que tudo tivesse sido melhor pensado para que a informação fosse apresentada de uma forma mais plausível. Mas devo salientar que os dados que nos são fornecidos no final dão uma visão mais abrangente deste mundo e das suas potencialidades.
Relativamente às capacidades dos Prateados, devo admitir que pensava sempre nos X-Men sempre que estes surgiam ou eram mencionados. É evidente que a autora é fã destes mutantes, tanto que eles claramente a inspiraram na criação destes nobres tão dotados. Nada contra a fonte de inspiração, mas gostaria de não ter percebido logo onde Victoria foi buscar esta ideia. Para tal, penso que os Prateados poderiam ter sido trabalhados de outra forma.
No final, fiquei sem perceber o motivo de este livro ser tão elogiado. É verdade que me conseguiu entreter, mas senti que não era novo ou refrescante o suficiente para marcar a diferença. O livro está bem escrito, o ritmo da trama é constante, mas tal não é suficiente. Percebo que esta é a estreia de Victoria Aveyard e espero que os próximos livros desta série tragam desenvolvimentos mais interessantes e intensos.
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Opinião: Histórias de Aventureiros e Patifes
Título Original: Rogues (2014)
Organizado por: George R. R. Martin e Gardner Dozois
Adaptação: Rui Azeredo
ISBN: 9789896378905
Editora: Edições Saída de Emergência (2015)
Sinopse:
Há personagens malandras e sem escrúpulos cujo carisma e presença de espírito nos faz estimá-las mais do que devíamos. São patifes, mercenários e aldrabões com códigos de honra duvidosos mas que fazem de qualquer aventura uma delícia de ler.
George R. R. Martin é um grande admirador desse tipo de personagens – ou não fosse ele o autor de A Guerra dos Tronos. Nesta monumental antologia, não só participa com um prefácio e um conto introduzindo uma das personagens mais canalhas da história de Westeros, como também a organiza com Gardner Dozois. Se é fã de literatura fantástica, vai deliciar-se!
Opinião:
Nas histórias, costumo ficar rendida às personagens de moral duvidosa. Normalmente mostram-se complexas, reais e bastante divertidas. Gosto do que fazem para se safarem de todos os problemas e de saírem a ganhar das situações em que se encontram, regra geral de forma pouco correta e inesperada. George R. R. Martin é um autor capaz de criar estas figuras de uma forma exemplar, por isso mesmo quando sou da publicação de Histórias de Aventureiros e Patifes senti uma grande curiosidade quanto ao livro.
Neste volume, o autor das famosas Crónicas de Gelo e Fogo, em parceria com Gardner Dozois, reúne alguns contos de autores como Neil Gaiman ou Scott Lynch. É verdade que a edição original possui mais histórias do que esta publicada em solo nacional, mas também é verdade que todos os contos apresentados proporcionaram bons momentos de diversão. A obra começa com uma interessante introdução de George R. R. Martin.
Seguem-se 10 contos, cada um com uma nota introdutória. Em "Como o Marquês Recuperou o Seu Casaco", Neil Gaiman recupera as personagens criadas para Neverwhere - Na Terra do Nada. O Marquês é o protagonista deste conto cujo cenário poderá parecer estranho a quem não conhece o livro. Gostei deste patife tão carismático, gostaria de ter ficado a conhecer melhor algumas das outras personagens que surgiram e apreciei a forma como a trama desenvolveu. O desfecho foi muito apropriado e transmitiu uma moral.
"Proveniência", de David W. Ball faz pensar nas histórias dos objetos e ainda na dimensão do mercado do tráfico de arte. Ao início fiquei sem perceber quais seriam as intenções do autor com esta trama, mas acabei por ficar bem surpreendida quando, já perto do fim, percebi como todas as linhas que pareciam não ter ligação se juntaram para uma conclusão muito bem conseguida. Porém, não consegui sentir empatia com qualquer personagem.
Gillian Flynn divertiu-me muito com "Qual É a Sua Profissão?". A autora aborda o tema da ambição e dos enganos efetuados na busca de riqueza de uma forma caricata. As convicções da protagonista são tão fortes e ao mesmo tempo duvidosas que em várias situações me fizeram rir do caricato das situações em que se coloca. Gostei de ter dúvidas sobre o que se estava realmente a passar numa certa casa, e achei interessante o facto de o desfecho me ter feito refletir sobre o que poderá realmente ter acontecido.
Hamilton, o herói de várias histórias de Paul Cornell, é o protagonista de "Uma Forma Melhor de Morrer". O autor faz regressar ao Reino Unido do passado mas concede-lhe tecnologia inexistente para criar este enredo. Foi um dos contos que menos me envolveu, talvez devido ao início lento e com muita informação, mas acabei por gostar da forma como a questão da clonagem foi abordada.
"Um Ano e Um Dia na Velha Theradane", de Scott Lynch, foi um dos contos que mais gostei de ler. Adorei o ambiente, a guerra entre magos e, mais do que tudo, Amarelle e o seu grupo de vigaristas. Uma trama interessante desde o início e com um desenvolvimento cativante. O problema a ser solucionado intriga e a forma para encontrar a solução diverte e faz sorrir. Uma história que faz ter saudades de ler livros do autor.
Phyllis Eisenstein apresenta um conceito interessante em "A Caravana para Nenhures". Gostei da ideia de uma viagem, da loucura e do perigo de uma cidade, mas senti que a narrativa foi perdendo a força mais perto do final. Alaric, o protagonista, é um aventureiro interessante, mas faltou-lhe algo para que me conseguisse agarrar.
Hap, do conto "Galho Vergado", de Joe R. Lansdale, é um herói muito inesperado. Um sacana que até tem bom coração. A história, ao início, provocou-me algum choque, devido à forma direta como alguns assuntos eram abordados, mas depois diverti-me com o desenvolvimento. O final era o esperado, e houve um aparecimento um pouco forçado, mas ainda assim é um conto que cumpre o seu objetivo.
"A Árvore Reluzente", de Patrick Rothfuss, é outro dos contos que destaco desta colectânea. O autor foi buscar Bast da sua série "A Crónica do Regicida" para escrever este conto que tem componentes que divertem e outras que nos fazem refletir sobre o sofrimento que pode existir dentro de quatro paredes. Gostei muito do protagonista e da sua malandrice e também da forma como respondia aos apelos que lhe eram feitos.
Sendo eu alguém que não perde uma oportunidade para ir ao cinema, gostei muito de ler "Em Exibição", de Connie Willis. A autora apresenta um espaço futurista que tanto parece disparatado como ainda nos leva a refletir sobre o aumento do consumismo e da decadência dos meios culturais. Adorei as referências à cultura pop e à forma como fórmulas de sucesso se repetem até à exaustão e não esperava a conclusão que Willis apresentou.
A colectânea termina com chave de ouro com um conto de George R. R. Martin. O autor regressa ao universo que lhe deu popularidade com "O Príncipe de Westeros o O Irmão do Rei". Neste conto, ficamos a conhecer melhor algumas gerações da família Targaryen e, como seria de esperar, conhecemos figuras capazes de tudo para obterem o que desejo. O relato é feito de uma forma documental, fazendo parecer que estamos a ler um livro de história. É verdade que existem momentos que parecem fugir um pouco ao tema principal e a certo ponto existem mais personagens do o esperado, mas no fim senti que fiquei a conhecer a vida de um verdadeiro patife.
Histórias de Aventureiros e Patifes é uma colectânea diversificada e bem conseguida. Passei bons momentos a ler estes contos, apesar de, como ser natural, ter preferido mais uns em detrimento de outros. Fica a esperança de que as histórias que foram excluídas desta edição sejam compiladas para uma outra.
Organizado por: George R. R. Martin e Gardner Dozois
Adaptação: Rui Azeredo
ISBN: 9789896378905
Editora: Edições Saída de Emergência (2015)
Sinopse:
Há personagens malandras e sem escrúpulos cujo carisma e presença de espírito nos faz estimá-las mais do que devíamos. São patifes, mercenários e aldrabões com códigos de honra duvidosos mas que fazem de qualquer aventura uma delícia de ler.
George R. R. Martin é um grande admirador desse tipo de personagens – ou não fosse ele o autor de A Guerra dos Tronos. Nesta monumental antologia, não só participa com um prefácio e um conto introduzindo uma das personagens mais canalhas da história de Westeros, como também a organiza com Gardner Dozois. Se é fã de literatura fantástica, vai deliciar-se!
Opinião:
Nas histórias, costumo ficar rendida às personagens de moral duvidosa. Normalmente mostram-se complexas, reais e bastante divertidas. Gosto do que fazem para se safarem de todos os problemas e de saírem a ganhar das situações em que se encontram, regra geral de forma pouco correta e inesperada. George R. R. Martin é um autor capaz de criar estas figuras de uma forma exemplar, por isso mesmo quando sou da publicação de Histórias de Aventureiros e Patifes senti uma grande curiosidade quanto ao livro.
Neste volume, o autor das famosas Crónicas de Gelo e Fogo, em parceria com Gardner Dozois, reúne alguns contos de autores como Neil Gaiman ou Scott Lynch. É verdade que a edição original possui mais histórias do que esta publicada em solo nacional, mas também é verdade que todos os contos apresentados proporcionaram bons momentos de diversão. A obra começa com uma interessante introdução de George R. R. Martin.
Seguem-se 10 contos, cada um com uma nota introdutória. Em "Como o Marquês Recuperou o Seu Casaco", Neil Gaiman recupera as personagens criadas para Neverwhere - Na Terra do Nada. O Marquês é o protagonista deste conto cujo cenário poderá parecer estranho a quem não conhece o livro. Gostei deste patife tão carismático, gostaria de ter ficado a conhecer melhor algumas das outras personagens que surgiram e apreciei a forma como a trama desenvolveu. O desfecho foi muito apropriado e transmitiu uma moral.
"Proveniência", de David W. Ball faz pensar nas histórias dos objetos e ainda na dimensão do mercado do tráfico de arte. Ao início fiquei sem perceber quais seriam as intenções do autor com esta trama, mas acabei por ficar bem surpreendida quando, já perto do fim, percebi como todas as linhas que pareciam não ter ligação se juntaram para uma conclusão muito bem conseguida. Porém, não consegui sentir empatia com qualquer personagem.
Gillian Flynn divertiu-me muito com "Qual É a Sua Profissão?". A autora aborda o tema da ambição e dos enganos efetuados na busca de riqueza de uma forma caricata. As convicções da protagonista são tão fortes e ao mesmo tempo duvidosas que em várias situações me fizeram rir do caricato das situações em que se coloca. Gostei de ter dúvidas sobre o que se estava realmente a passar numa certa casa, e achei interessante o facto de o desfecho me ter feito refletir sobre o que poderá realmente ter acontecido.
Hamilton, o herói de várias histórias de Paul Cornell, é o protagonista de "Uma Forma Melhor de Morrer". O autor faz regressar ao Reino Unido do passado mas concede-lhe tecnologia inexistente para criar este enredo. Foi um dos contos que menos me envolveu, talvez devido ao início lento e com muita informação, mas acabei por gostar da forma como a questão da clonagem foi abordada.
"Um Ano e Um Dia na Velha Theradane", de Scott Lynch, foi um dos contos que mais gostei de ler. Adorei o ambiente, a guerra entre magos e, mais do que tudo, Amarelle e o seu grupo de vigaristas. Uma trama interessante desde o início e com um desenvolvimento cativante. O problema a ser solucionado intriga e a forma para encontrar a solução diverte e faz sorrir. Uma história que faz ter saudades de ler livros do autor.
Phyllis Eisenstein apresenta um conceito interessante em "A Caravana para Nenhures". Gostei da ideia de uma viagem, da loucura e do perigo de uma cidade, mas senti que a narrativa foi perdendo a força mais perto do final. Alaric, o protagonista, é um aventureiro interessante, mas faltou-lhe algo para que me conseguisse agarrar.
Hap, do conto "Galho Vergado", de Joe R. Lansdale, é um herói muito inesperado. Um sacana que até tem bom coração. A história, ao início, provocou-me algum choque, devido à forma direta como alguns assuntos eram abordados, mas depois diverti-me com o desenvolvimento. O final era o esperado, e houve um aparecimento um pouco forçado, mas ainda assim é um conto que cumpre o seu objetivo.
"A Árvore Reluzente", de Patrick Rothfuss, é outro dos contos que destaco desta colectânea. O autor foi buscar Bast da sua série "A Crónica do Regicida" para escrever este conto que tem componentes que divertem e outras que nos fazem refletir sobre o sofrimento que pode existir dentro de quatro paredes. Gostei muito do protagonista e da sua malandrice e também da forma como respondia aos apelos que lhe eram feitos.
Sendo eu alguém que não perde uma oportunidade para ir ao cinema, gostei muito de ler "Em Exibição", de Connie Willis. A autora apresenta um espaço futurista que tanto parece disparatado como ainda nos leva a refletir sobre o aumento do consumismo e da decadência dos meios culturais. Adorei as referências à cultura pop e à forma como fórmulas de sucesso se repetem até à exaustão e não esperava a conclusão que Willis apresentou.
A colectânea termina com chave de ouro com um conto de George R. R. Martin. O autor regressa ao universo que lhe deu popularidade com "O Príncipe de Westeros o O Irmão do Rei". Neste conto, ficamos a conhecer melhor algumas gerações da família Targaryen e, como seria de esperar, conhecemos figuras capazes de tudo para obterem o que desejo. O relato é feito de uma forma documental, fazendo parecer que estamos a ler um livro de história. É verdade que existem momentos que parecem fugir um pouco ao tema principal e a certo ponto existem mais personagens do o esperado, mas no fim senti que fiquei a conhecer a vida de um verdadeiro patife.
Histórias de Aventureiros e Patifes é uma colectânea diversificada e bem conseguida. Passei bons momentos a ler estes contos, apesar de, como ser natural, ter preferido mais uns em detrimento de outros. Fica a esperança de que as histórias que foram excluídas desta edição sejam compiladas para uma outra.
sábado, 12 de setembro de 2015
Opinião: O Herói das Eras - parte 1 (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #3)
Autor: Brandon Sanderson
Título Original: Mistborn - The Hero of Ages (2008)
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789896378400
Editora: Edições Saída de Emergência (2015)
Sinopse:
Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre.
O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?
Opinião:
Fiquei fã da saga "Mistborn - Nascida das Brumas" desde o início do primeiro volume, e é com muita expectativa que aguardo a conclusão desta obra de Brandon Sanderson. Contudo, também sinto já uma certa nostalgia, pois não quero deixar de me fascinar com este mundo de cinza e brumas, algo que acontece sempre que me entrego à leitura desta grande aventura.
O Herói das Eras é a primeira metade do volume que conclui a história de Vin e dos seus companheiros. É verdade que é um pouco frustrante começara ler este livro tendo a noção de que tudo vai ficar a meio e que depois será necessário esperar pelo próximo, mas assim que comecei a ler esqueci isso e deixei-me levar. Acho impressionante a forma como o autor dividiu esta história. De livro para livro existe um período de tempo de um ano que passou. Isto revela que mesmo os melhores desfechos acarretam consequências que nem sempre são favoráveis ou esperadas.
Vin continua a ser a figura central da narrativa. E como ela é fascinante! Adoro a forma como ela tenta aparentar que é mais rude do que realmente, pois acaba por revelar uma sensibilidade única. É este seu lado mais empático que a faz criar ligações com seres que, à primeira vista, carecem de identidades, valores ou sentimentos que se possam assemelhar aos da humanidade. E é graças a esta sua capacidade que são feitas descobertas incríveis e que realmente surpreendem.
É com interesse que se verifica as mudanças por que todas as personagens já sofreram ao longo destes livros. Gostei da forma como Elend recuperou algumas características que apresentou no primeiro livro e as juntou ao crescimento que obteve durante o segundo. Isto faz dele um líder carismático, mas também alguém que tem dúvidas pessoais que também nos levam a pensar sobre quem ele se poderá vir a tornar. Sazed, uma das minhas figuras preferidas de sempre, está agora mais apagado. Percebo o motivo para tal e espero, sinceramente, que ele encontre outra forma de evolução. Também Brisa perde alguma relevância, mas Susto, por seu lado, ganho um novo papel. Adorei acompanhar os capítulos dedicados a este rapaz se tornou numa figura inesperada.
Apesar de todas as personagens estarem muito bem construídas, admito que, desta vez, as figuras que mais me cativaram acabaram por ser os kandra, os colossos e os inquisidores. Quanto mais sei sobre eles, mais quero saber e mais os acho fascinantes! Não quero revelar muito sobre estes três grupos, por isso vou ser parca nas palavras, pois não há nada como cada um os ir desvendado por si. Posso dizer que o papel de cada um destes lados me deixa em suspenso quanto ao que podem fazer no desenrolar dos acontecimentos.
É impressionante verificar que existe muito mais para desvendar acerca deste universo, e o melhor é perceber que o autor já tinha imensas explicações e conceitos preparados para este momento final. As descobertas que são feitas a nível de forças que dominam ou afectam o mundo e a humanidade e as repercussões de poderes que pareciam não ser tão complexos do que aquilo que revelam ser são verdadeiramente maravilhosas. Fiquei deliciada com este lado fantasioso que está construído de forma sublime.
O encadeamento da acção está muito bem conseguido e em momento algum me senti aborrecida. Estava sempre com vontade de voltar à leitura, na ansiedade de saber o que ainda ia acontecer. Afinal, Brandon Sanderson já mostrou anteriormente que apesar de sugerir estar a ir para um lado, acaba por mudar tudo e levar-nos numa direcção inesperada. Por isso mesmo, sinto que todas as personagens estão constantemente em perigo e temo por elas. Existem alguns momentos de ação na narrativa, e todos eles possuem descrições que cativam, mas aquilo que me chama mais à atenção continua a ser a intriga e o desvendar de mistérios.
E quando a leitura chegou ao fim, a frustração de este livro não continuar devido à divisão regressou. E o pior é que a editora soube mesmo onde fazer o corte, já que este acontece num momento que nunca imaginei que pudesse acontecer. Agora, são muitas as teorias que passam pela minha cabeça, mas a vontade é mesmo em continuar a ler e ter o último livro o mais rápido possível! Custa? Sim, custa porque esta é uma obra muito muito boa! E é isso mesmo que faz a espera valer a pena. Já o disse na minha opinião a O Império Final, repeti em O Poço da Ascensão, mas não me importo de voltar a recomendar: apostem em Brandon Sanderson!
Outras opiniões a livros de Brandon Sanderson:
O Império Final (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #1)
O Poço da Ascensão (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #2)
Título Original: Mistborn - The Hero of Ages (2008)
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789896378400
Editora: Edições Saída de Emergência (2015)
Sinopse:
Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre.
O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?
Opinião:
Fiquei fã da saga "Mistborn - Nascida das Brumas" desde o início do primeiro volume, e é com muita expectativa que aguardo a conclusão desta obra de Brandon Sanderson. Contudo, também sinto já uma certa nostalgia, pois não quero deixar de me fascinar com este mundo de cinza e brumas, algo que acontece sempre que me entrego à leitura desta grande aventura.
O Herói das Eras é a primeira metade do volume que conclui a história de Vin e dos seus companheiros. É verdade que é um pouco frustrante começara ler este livro tendo a noção de que tudo vai ficar a meio e que depois será necessário esperar pelo próximo, mas assim que comecei a ler esqueci isso e deixei-me levar. Acho impressionante a forma como o autor dividiu esta história. De livro para livro existe um período de tempo de um ano que passou. Isto revela que mesmo os melhores desfechos acarretam consequências que nem sempre são favoráveis ou esperadas.
Vin continua a ser a figura central da narrativa. E como ela é fascinante! Adoro a forma como ela tenta aparentar que é mais rude do que realmente, pois acaba por revelar uma sensibilidade única. É este seu lado mais empático que a faz criar ligações com seres que, à primeira vista, carecem de identidades, valores ou sentimentos que se possam assemelhar aos da humanidade. E é graças a esta sua capacidade que são feitas descobertas incríveis e que realmente surpreendem.
É com interesse que se verifica as mudanças por que todas as personagens já sofreram ao longo destes livros. Gostei da forma como Elend recuperou algumas características que apresentou no primeiro livro e as juntou ao crescimento que obteve durante o segundo. Isto faz dele um líder carismático, mas também alguém que tem dúvidas pessoais que também nos levam a pensar sobre quem ele se poderá vir a tornar. Sazed, uma das minhas figuras preferidas de sempre, está agora mais apagado. Percebo o motivo para tal e espero, sinceramente, que ele encontre outra forma de evolução. Também Brisa perde alguma relevância, mas Susto, por seu lado, ganho um novo papel. Adorei acompanhar os capítulos dedicados a este rapaz se tornou numa figura inesperada.
Apesar de todas as personagens estarem muito bem construídas, admito que, desta vez, as figuras que mais me cativaram acabaram por ser os kandra, os colossos e os inquisidores. Quanto mais sei sobre eles, mais quero saber e mais os acho fascinantes! Não quero revelar muito sobre estes três grupos, por isso vou ser parca nas palavras, pois não há nada como cada um os ir desvendado por si. Posso dizer que o papel de cada um destes lados me deixa em suspenso quanto ao que podem fazer no desenrolar dos acontecimentos.
É impressionante verificar que existe muito mais para desvendar acerca deste universo, e o melhor é perceber que o autor já tinha imensas explicações e conceitos preparados para este momento final. As descobertas que são feitas a nível de forças que dominam ou afectam o mundo e a humanidade e as repercussões de poderes que pareciam não ser tão complexos do que aquilo que revelam ser são verdadeiramente maravilhosas. Fiquei deliciada com este lado fantasioso que está construído de forma sublime.
O encadeamento da acção está muito bem conseguido e em momento algum me senti aborrecida. Estava sempre com vontade de voltar à leitura, na ansiedade de saber o que ainda ia acontecer. Afinal, Brandon Sanderson já mostrou anteriormente que apesar de sugerir estar a ir para um lado, acaba por mudar tudo e levar-nos numa direcção inesperada. Por isso mesmo, sinto que todas as personagens estão constantemente em perigo e temo por elas. Existem alguns momentos de ação na narrativa, e todos eles possuem descrições que cativam, mas aquilo que me chama mais à atenção continua a ser a intriga e o desvendar de mistérios.
E quando a leitura chegou ao fim, a frustração de este livro não continuar devido à divisão regressou. E o pior é que a editora soube mesmo onde fazer o corte, já que este acontece num momento que nunca imaginei que pudesse acontecer. Agora, são muitas as teorias que passam pela minha cabeça, mas a vontade é mesmo em continuar a ler e ter o último livro o mais rápido possível! Custa? Sim, custa porque esta é uma obra muito muito boa! E é isso mesmo que faz a espera valer a pena. Já o disse na minha opinião a O Império Final, repeti em O Poço da Ascensão, mas não me importo de voltar a recomendar: apostem em Brandon Sanderson!
Outras opiniões a livros de Brandon Sanderson:
O Império Final (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #1)
O Poço da Ascensão (Saga Mistborn - Nascida nas Brumas #2)
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Opinião: O Complexo dos Assassinos (The Murder Complex #1)
Título original: The Muder Complex (2014)
Autor: Lindsay Cummings
Tradução: José Manuel Lopes
ISBN: 9789896377144
Editora: Saída de Emergência (2015)
Sinopse:
Meadow Woodson, uma rapariga de 15 anos que foi treinada pelo seu pai para lutar, matar e sobreviver em qualquer situação, reside com a sua família num barco na Florida. O Estado é controlado pelo Complexo Assassino, uma organização que segue e determina a localização de cada cidadão com precisão, provocando o medo e opressão em absoluto.
Mas tudo se complica quando Meadow conhece Zephyr James, que é – embora ele não saiba – um dos assassinos programados do Complexo. Será o seu encontro uma coincidência ou parte de uma apavorante estratégia? E conseguirá Zephyr impedir que Meadow descubra a perigosa verdade sobre a sua família?
Opinião:
Quando surge uma nova distopia, fico sempre curiosa e com vontade de descobrir qual é a diferença deste livro, qual é o aspeto inovador, qual é a crítica social inerente à trama, qual a personalidade das personagens, quais as emoções que elas vão despertar,... Como tal, O Complexo dos Assassinos chamou a minha atenção e assim que tive a oportunidade peguei neste livro de Lindsay Cummings.
Logo no início é possível perceber a força opressora deste mundo. Tudo acontece num futuro próximo e mais tarde é possível compreender o alerta para os perigos da intervenção da ciência na genética. Contudo, julgo que tudo acabou por ser pouco explorado. Nota-se que a autora tem boas ideias, mas acaba por as expor de uma forma rápida e sem dar a devida atenção a cada uma delas. Desta forma, não é possível entender bem como funciona o governo daquela cidade, as hierarquias ou a forma como as pessoas comuns estão organizadas. Existe uma ideia geral, mas gostaria que a autora tivesse passado mais tempo a desenvolver estes aspetos de forma a reforçar os conceitos que pretende transmitir.
Penso que o foco de Lindsay Cummings foi para as relações entre personagens. Meadow Woodson e Zephyr James são os protagonistas e representam diferentes fações desta sociedade. Até consigo aceitar que Meadow tenha tido um treino especial para sobreviver naquela sociedade onde impera a lei do mais forte e entendo perfeitamente que os sentimentos de compaixão e amor sejam direcionados apenas para uma figura, uma vez que se trata de alguém fraco e inocente. Contudo, não achei convincente a ligação praticamente imediata entre Meadow e Zephyr.
A autora focou-se bastante nestas duas figuras e no desenvolvimento de uma relação, mas esqueceu-se de criar um ponto que justifica-se a atração que surgiu num estalar de dedos. Se Meadow realmente é uma rapariga que não hesita em matar, que faz de tudo para proteger a sua irmã e que duvida das intenções de todos, então não faz sentido que se tenha deixado levar tão facilmente por um rapaz desconhecido. E mesmo Zephyr, ao início parece alguém que sofre bastante com situações do seu passado e é fácil perceber que, por isso, seja um rapaz muito fechado, mas de um momento para o outro quase que se torna um galã sedutor. Não me pareceu coerente.
Contudo, gostei das reviravoltas que a autora fez quanto a algumas situações ligadas a Meadow Zephyr, pois foram essas mudanças súbitas que estimularam a leitura. O ritmo da narrativa é rápido, o que faz com que exista sempre algum momento de ação a acontecer. E se isso pode ser bom porque faz com existam novidades, por outro faz perder a exposição do mundo, a criação de química entre as personagens e a reflexão, que seriam importantes para elevar este livro para um outro nível. Sendo assim, acabou por ser uma leitura pouco marcante, mas que tinha bons conceitos para ser algo maior e melhor.
Lindsay Cummings é uma jovem autora que tem boas ideias, mas que precisa de as conseguir explorar de forma a arrebatar o leitor. Tem potencial e este livro mostra originalidade, mas espero, sinceramente, que a continuação desta série apresente melhorias quanto ao desenvolvimento das personagens. Além disso, espero mesmo que a exposição do mundo e da sua organização sejam pontos a melhorar num próximo volume.
Autor: Lindsay Cummings
Tradução: José Manuel Lopes
ISBN: 9789896377144
Editora: Saída de Emergência (2015)
Sinopse:
Meadow Woodson, uma rapariga de 15 anos que foi treinada pelo seu pai para lutar, matar e sobreviver em qualquer situação, reside com a sua família num barco na Florida. O Estado é controlado pelo Complexo Assassino, uma organização que segue e determina a localização de cada cidadão com precisão, provocando o medo e opressão em absoluto.
Mas tudo se complica quando Meadow conhece Zephyr James, que é – embora ele não saiba – um dos assassinos programados do Complexo. Será o seu encontro uma coincidência ou parte de uma apavorante estratégia? E conseguirá Zephyr impedir que Meadow descubra a perigosa verdade sobre a sua família?
Opinião:
Quando surge uma nova distopia, fico sempre curiosa e com vontade de descobrir qual é a diferença deste livro, qual é o aspeto inovador, qual é a crítica social inerente à trama, qual a personalidade das personagens, quais as emoções que elas vão despertar,... Como tal, O Complexo dos Assassinos chamou a minha atenção e assim que tive a oportunidade peguei neste livro de Lindsay Cummings.
Logo no início é possível perceber a força opressora deste mundo. Tudo acontece num futuro próximo e mais tarde é possível compreender o alerta para os perigos da intervenção da ciência na genética. Contudo, julgo que tudo acabou por ser pouco explorado. Nota-se que a autora tem boas ideias, mas acaba por as expor de uma forma rápida e sem dar a devida atenção a cada uma delas. Desta forma, não é possível entender bem como funciona o governo daquela cidade, as hierarquias ou a forma como as pessoas comuns estão organizadas. Existe uma ideia geral, mas gostaria que a autora tivesse passado mais tempo a desenvolver estes aspetos de forma a reforçar os conceitos que pretende transmitir.
Penso que o foco de Lindsay Cummings foi para as relações entre personagens. Meadow Woodson e Zephyr James são os protagonistas e representam diferentes fações desta sociedade. Até consigo aceitar que Meadow tenha tido um treino especial para sobreviver naquela sociedade onde impera a lei do mais forte e entendo perfeitamente que os sentimentos de compaixão e amor sejam direcionados apenas para uma figura, uma vez que se trata de alguém fraco e inocente. Contudo, não achei convincente a ligação praticamente imediata entre Meadow e Zephyr.
A autora focou-se bastante nestas duas figuras e no desenvolvimento de uma relação, mas esqueceu-se de criar um ponto que justifica-se a atração que surgiu num estalar de dedos. Se Meadow realmente é uma rapariga que não hesita em matar, que faz de tudo para proteger a sua irmã e que duvida das intenções de todos, então não faz sentido que se tenha deixado levar tão facilmente por um rapaz desconhecido. E mesmo Zephyr, ao início parece alguém que sofre bastante com situações do seu passado e é fácil perceber que, por isso, seja um rapaz muito fechado, mas de um momento para o outro quase que se torna um galã sedutor. Não me pareceu coerente.
Contudo, gostei das reviravoltas que a autora fez quanto a algumas situações ligadas a Meadow Zephyr, pois foram essas mudanças súbitas que estimularam a leitura. O ritmo da narrativa é rápido, o que faz com que exista sempre algum momento de ação a acontecer. E se isso pode ser bom porque faz com existam novidades, por outro faz perder a exposição do mundo, a criação de química entre as personagens e a reflexão, que seriam importantes para elevar este livro para um outro nível. Sendo assim, acabou por ser uma leitura pouco marcante, mas que tinha bons conceitos para ser algo maior e melhor.
Lindsay Cummings é uma jovem autora que tem boas ideias, mas que precisa de as conseguir explorar de forma a arrebatar o leitor. Tem potencial e este livro mostra originalidade, mas espero, sinceramente, que a continuação desta série apresente melhorias quanto ao desenvolvimento das personagens. Além disso, espero mesmo que a exposição do mundo e da sua organização sejam pontos a melhorar num próximo volume.
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