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domingo, 27 de outubro de 2013

Opinião: A Guerra Diurna (Ciclo a Noite dos Demónios #3)

Título Original: The Daylight War (2013)
Autor: Peter V. Brett
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789892324494
Editora: Asa (2013)

Sinopse:

Na noite da Lua Nova, os demónios erguem-se em força, procurando as mortes dos dois homens com potencial para se tornarem o lendário Libertador, o homem que, segundo a profecia, reunirá o que resta da humanidade num esforço derradeiro para destruir os nuclitas de uma vez por todas.
Arlen Fardos foi outrora um homem comum, mas tornou-se algo mais: o Homem Pintado, tatuado com guardas místicas tão poderosas que o colocam à altura de qualquer demónio. Arlen nega constantemente ser o Libertador, mas, quanto mais se esforça por se integrar com a gente comum, mais fervorosa se torna a crença destes. Muitos aceitariam segui-lo, mas o caminho de Arlen ameaça conduzir a um local sombrio a que apenas ele poderá deslocar-se e de onde poderá ser impossível regressar.
A única esperança de manter Arlen no mundo dos homens ou de o acompanhar reside em Renna Curtidor, uma jovem corajosa que arrisca perder-se no poder da magia demoníaca.
Ahmann Jardir transformou as tribos guerreiras do deserto de Krasia num exército destruidor de demónios e proclamou-se Shar’Dama Ka, o Libertador. Tem na sua posse armas ancestrais, uma lança e uma coroa, que consubstanciam a sua pretensão e vastas extensões das terras verdes se curvam já ao seu poderio.
Mas Jardir não subiu ao poder sozinho. A sua ascensão foi programada pela sua Primeira Esposa, Inevera, uma sacerdotisa ardilosa e poderosa cuja formidável magia de ossos de demónio lhe permite vislumbrar o futuro. Os motivos de Inevera e o seu passado encontram-se envoltos em mistério e nem Jardir confia nela por completo.
Outrora, Arlen e Jardir foram próximos como irmãos. Agora, tornaram-se os maiores rivais. Enquanto os inimigos da humanidade se erguem, os únicos dois homens capazes de os derrotarem encontram-se divididos pelos mais mortais de todos os demónios: aqueles que se escondem no coração humano.

Opinião:

Peter V. Brett prova que a espera de cerca de três anos por A Guerra Diurna valeu a pena. O terceiro volume do Ciclo a Noite dos Demónios mantém os ingredientes dos dois livros anteriores e ainda assim consegue surpreender.

Este livro começa com capítulos dedicados a uma das personagens mais misteriosas e intrigantes: Inevera. Esta figura tão forte passa então a ser observada de um novo ponto de vista, já que a sua infância e formação são exploradas de uma forma bastante cativante. É com interesse que se ficam a conhecer as suas relações familiares mas sobretudo os segredos da educação das Dama'ting. Os momentos dedicados ao treino de Inevera são completamente aliciantes e tornam a leitura compulsiva. É então possível conhecer as motivações desta mulher e, de certa forma, compreendê-la. Depois destes capítulos, Inevera revela-se uma personagem mais forte, já que não é contemplada em toda a sua plenitude.

Para além de ser possível ficar a conhecer mais profundamente Inevera e as circunstâncias que a levaram a desenvolver tal personalidade, é também descoberta uma nova vertente cultural e social da Krasia. A hierarquia desta sociedade fortemente inspirada na cultura islâmica continua a fascinar, nomeadamente nas evoluções apresentadas ao longo deste volume. É com interesse que se vê o desenvolvimento do papel da mulher como o de poucos homens pertencentes a uma casta mais baixa.

Neste volume, os momentos dedicados a Ahmann Jardir são mais escassos, mas suficientes. Em contrapartida, Arlen ganha uma certa relevância, nomeadamente devido às novas capacidades que desenvolve e à evolução da sua relação com Renna. E se o primeiro parece concentrado na formação de um domínio superior, o segundo está focado na libertação e salvação de populações. Dois objectivos distintos, mas que são apresentados por ambas as partes como necessários para o combate contra os nuclitas. É interessante ver como figuras preponderantes de culturas que chocam apresentam soluções díspares para solucionar o mesmo problema.

Leesha toma uma série de decisões que podem desagradar, apesar de continuar a ser uma das personagens mais amadas. Por isso mesmo, é com solidariedade que se assiste à sua dor em certas circunstâncias e, a certo momento, percebe-se que o papel desta personagem poderá ganhar uma relevância diferente daquela que teve até ao momento. Roger, por seu lado, acaba por se encontrar uma situação que proporciona momentos que tanto são de divertidos como de tensão. O violinista fica no centro de um verdadeiro choque de culturas, o que salienta as diferenças entre as sociedades criadas por Peter V. Brett e levam a inevitáveis comparações entre os confrontos entre cristãos e muçulmanos durante a Idade Média.

A Guerra Diurna apresenta ainda os primeiros capítulos dedicados aos demónios do Núcleo. Finalmente é possível ficar a conhecer os pensamentos de alguns destes seres que durante dois volumes foram apresentados como donos de um instinto puramente animal. Afinal, os nuclitas também são dotados de razão e é possível ficar a perceber que também vivem numa sociedade hierarquizada, semelhante a uma monarquia. A curiosidade sobre estes seres aumenta à medida que os seus planos são levemente divulgados e fica a vontade de conhecer melhor o mundo em que habitam.

Os combates apresentados são bastante intensos e o confronto directo com príncipes nuclitas resulta no momento alto destes momentos de ação. Porém, o confronto mais entusiasmante ficou guardado para o fim e o seu desfecho faz ansiar pela chegada rápida do próximo volume desta saga. Peter V. Brett soube como deixar os seus leitores surpreendidos e ao mesmo tempo frustrados por não poderem continuar a acompanhar as aventuras destas personagens tão cativantes.

Apesar do seu grande volume, A Guerra Diurna é um livro que é devorado com avidez graças a personagens bem construídas e credíveis e a um enredo aliciante. Um volume que não defrauda os anteriores e que explora um mundo que consegue continuar a surpreender. Fica a vontade de perceber que mais estará Peter V. Brett a tramar. Recomendo.

Nota: Esta série terá cinco volumes. O quarto, The Skull Throne, tem publicação prevista para 2015. The Core deverá ser o título do livro que encerra esta história, não tendo ainda data de previsão de publicação.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Opinião: Maligna

Título original: The Evil Seed (2008)
Autor: Joanne Harris
Tradutor: Isabel Alves
ISBN: 9789892316383
Editora: Asa (2011)

Sinopse:

Alice e Joe têm em comum a paixão pela arte - ela é pintora e ele é músico - e, em tempos, estiveram também unidos pelo amor que sentiam um pelo outro. As suas vidas seguiram diferentes rumos, mas o reencontro é inevitável. Joe tem agora uma nova namorada, Ginny, que provoca em Alice uma intensa perturbação. A beleza etérea e singular de Ginny repele-a, e o seu sinistro grupo de amigos atemoriza-a.
Os hábitos estranhos da jovem deixam Alice suficientemente inquieta para levar a cabo uma investigação por conta própria. E o que descobre vai mudar tudo. Ginny tem em seu poder um velho diário que conta a trágica história de amor de Daniel Holmes e Rosemary Virginia Ashley, cujo poder de sedução não conhece limites. Só que Rosemary morreu há meio século… mas o seu magnetismo não está certamente extinto.
À medida que as histórias se entrelaçam, passado e presente fundemse; Alice apercebe-se de que o seu ódio instintivo em relação à nova namorada de Joe pode não se dever apenas ao ciúme, já que algo em Ginny a arrasta irremediavelmente para um universo de insondável obsessão, vingança, sedução e sangue…

Opinião:

Maligna é um livro que tem como objectivo incomodar o leitor e fazê-lo pensar que o mal está próximo e pode atacar a qualquer momento. Contudo, isso não significa que a autora tenha sido bem sucedida nesta tarefa.

Esta foi uma das primeiras histórias escritas por Joanne Harris, autora de bestsellers como Chocolate e Cinco Quartos de Laranja. Existe alguma expetativa quanto à trama, mas também é necessário ter em consideração que a mesma foi escrita num período mais inexperiente.

A acção desenrola-se em dois tempos, sendo cada um diferenciado pelos números dos capítulos. O 1 aponta a década de 1940 e a história narrada por Daniel, o 2 remete para um suposto presente e é apresentado por Alice. Entre estes dois tempos há pontos em comum e algumas circunstâncias que acontecem praticamente na mesma forma, o que dá uma noção de repetição e acaba por se tornar desagradável. Apesar do clima de mistério, é possível perceber logo a razão de tal acontecer. É demasiado fácil adivinhar o final, o que faz com as tentativas de reviravoltas não sejam bem sucedidas.

 Esta não é uma leitura propriamente simples de fazer, não por possuir conceitos ou ideias que exijam uma reflexão mais aprofundada, mas por não agarrar o leitor. Em momento algum me senti cativada pela trama, a leitura foi feita sempre por persistência pessoal e até algum esforço. A história não está mal escrita e a ideia base até tem algum interesse, mas o desenvolvimento é aborrecido e a caracterização das personagens é supérflua e pouco atractiva.

É inevitável associar o misticismo da obra ao vampirismo. Contudo, em momento algum existe uma afirmação de que seja disso que se trata. As criaturas sobrenaturais estão interessantes, possuem algumas diferenças bem conseguidas e teria sido curioso vê-las dentro de uma trama mais apelativa. O ambiente gótico e saudosista inicial seria um bom fundo para uma narrativa mais intensa e curiosamente e substituído na segunda parte de livro por cenários de carnificina e horror.

Maligna está longe de ser um dos melhores trabalhos de Joanne Harris e poderá ser uma desilusão para os fãs da autora. Até podia ter uma ideia base boa, mas tornou-se previsível e aborrecido.

Outras opiniões a livros de Joanne Harris:
A Marca das Runas (Crónicas das Runas #1)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Opinião: Sacrifício de Sangue (Casa das Comarré #2)

Título Original: Flesh and Blood (2011)
Autor:  Kristen Painter
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
ISBN: 9789892323343
Editora: Asa (2013)

Sinopse:

O sangue de Chrysabelle é rico, puro e poderoso… Ela é uma comarré que ousou desafiar o destino. Chrysabelle nunca imaginou que a liberdade teria um preço tão alto. Estranhos acontecimentos afastaram-na de Malkolm, o vampiro renegado a quem prometeu ajudar a quebrar uma maldição. Mas não por muito tempo, pois a atração que os une é mais forte. Para o salvar, Chrysabelle precisa de encontrar a única pessoa que pode ter a resposta: a Aureliana. Nada parece demover a comarré, nem mesmo quando descobre que cumprir a promessa exige um sacrifício de sangue, do seu próprio sangue. A chegada do enigmático Thomas Creek a Paradise City, também ele atraído pelo poderoso e inebriante sangue da comarré, vai arrastá-la para um perturbante triângulo amoroso. Dividida entre a promessa que fez a Malkolm e que lhe pode custar a vida, e o caminho de luz que Creek lhe tem para oferecer, ela terá de escolher…

Opinião:

Sacrifício de Sangue segue a história de Chrysabelle, começando pouco depois dos acontecimentos que encerraram Direitos de Sangue, o primeiro livro desta saga.

O mundo criado por Kristen Painter continua a ser o ponto forte desta trama. É interessante observar a mitologia vampírica, o funcionamento do sistema hierárquico e a variedade de seres que habitam este universo. Contudo, neste campo, existem poucos desenvolvimentos, sendo o mais significativo a exposição dos Kubai Mata (que por alguma razão fazem-me sempre pensar em Hakuna Matata e perdem logo a credibilidade).

Os desenvolvimentos da história estão melhor conseguidos do que aconteceu no primeiro volume. A narrativa fica mais interessante, até porque acaba por não se focar apenas em Chysabelle. Existe uma série de histórias paralelas que envolvem personagens já conhecidas desde o volume anterior que acabam por ter ligação concreta nas últimas páginas. Porém, esta evolução não é suficiente para tornar esta leitura forte ou cativante. Mais uma vez as personagens centrais acabam por enfraquecer este mundo.

Na opinião ao livro anterior já tinha anunciado não ter gostado de Chrysabelle. Pois continuo a não gostar. Esta protagonista demasiado perfeita continua a ser uma grande fonte de aborrecimento, pois para além de não trazer nada de novo ainda torna tudo demasiado previsível. Não consigo considerá-la uma personagem profunda e bem construída.

E como as personagens e suas relações já guardavam poucas surpresas, heis que a autora decide desenvolver algo que já está mais do que visto: um triângulo amoroso. Sim, a fantástica Chrysabelle é agora o centro das atenções e desejos de dois machos esbeltos e ferozes. Um já conhecemos, Malkolm, o vampiro que luta contra uma terrível maldição mas que neste volume pareceu demasiado controlado. O outro é novo, chama-se Creek e é um caçador de vampiros aparentemente humano e todo sedutor. Estes dois homens parecem dois tontinhos. O encontro entre eles não tem grande tensão, mas sim uma tentativa frustrada, para além de que se tornou ridículo vê-los a falarem em partilhar a Chrysabelle, afinal ela não consegue escolher um (sério? Qual é o homem que pensa sequer na hipótese de partilhar a sua amada?). Mais uma vez: relações pouco profundas e pouco credíveis.

A vilã Tatiana pareceu-me mais fraquinha neste volume, e se bem se recordam eu já não a achava grande ameaça. Se ela realmente fosse toda poderosa como a autora a quer pintar já tinha levado a sua avante à muito tempo. Parece mais uma menina mimada que, por alguma razão, ninguém tenta contrariar. E se uma vilã não é forte, então a história perde grande parte da sua força potencial.

Sacrifício de Sangue acaba por estar ao mesmo nível que Direitos de Sangue, não havendo, portanto, expectativas de melhorias nos próximos volumes.

Outras opiniões a livros de Kristen Painter:
Direitos de Sangue (Casa das Comarré #1)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Opinião: A Herdeira Acidental

Título Original: The Accidental Apprentice (2013)
Autor: Vikas Swarup
Tradução: Elsa T. S. Vieira
ISBN: 9789892323923
Editora: Asa (2013)
Sinopse:

A jovem Sapna está destroçada. Obrigada a abandonar a universidade para se dedicar a um emprego medíocre como vendedora de eletrodomésticos em Nova Deli, ela é agora a única responsável pelo sustento da mãe doente e da fútil irmã mais nova. Mesmo para um coração otimista como o seu, é cada vez mais difícil acreditar num futuro melhor... até que um dia, quando o seu desespero é absoluto, algo insólito acontece: um milionário excêntrico quer fazer dela sua herdeira. Sapna pode vir a receber mais dinheiro do que alguma vez sonhou e, com ele, mudar a sua vida e a de todos os que ama. Em troca, terá "apenas" de superar os sete testes do "livro da vida". Sete testes sobre os quais o seu estranho benfeitor mantém segredo absoluto.
Assim começa uma viagem rocambolesca que vai testar o seu caráter, a sua coragem e o seu coração. Pelo caminho, conhece pessoas inesquecíveis. De um casal de noivos em fuga a um sex symbol de Bollywood ou a uma insuspeita cleptomaníaca, todos vão, de alguma forma, transformá-la. E quando se depara com o sétimo e último teste – aquele para o qual a vida não a preparara –, Sapna questiona até que ponto será capaz de se sacrificar por um sonho.
Vikas Swarup, autor de Quem Quer Ser Bilionário? está de volta com uma história hilariante e dramática, terna e cruel, como o seu próprio país. Tanto a Índia como a sua heroína estão presas entre tradição e modernidade neste romance que nos leva questionar os nossos próprios sonhos e limites.

Opinião:

Fou com prazer e naturalidade que entrei na leitura de A Herdeira Acidental. O confronto entre Sapna, a protagonista, com o homem de negócios que lhe propõe uma mudança de vida radical acontece logo nas primeiras páginas e, a partir desse momento, existe uma curiosidade gradual quanto à natureza de cada prova que a jovem terá de enfrentar.

Sapna é uma personagem com quem facilmente criei empatia. Se os seus primeiros anos de vida foram quase idílicos, os tempos que actualmente são o oposto. Para além de lutar contra um sentimento de culpa, esta jovem sente ainda a obrigação de tomar conta da sua família, actualmente composta por uma mãe doente e uma irmã egocêntrica. É impossível não admirar as atitudes da heroína, que revelam valores grandiosos e raros. As personagens secundárias possuem papéis fulcrais e são bastante diversas. Elas ganham força própria e quase parecem reais.

E são mesmo esse valores que são colocados à prova por Vinay Mohan Acharya, o dono de uma das mais produtivas empresas da Índia que quer fazer de Sapna a sua única herdeira. Cada capítulo deste livro está destinado a uma das sete provas que a jovem terá de ultrapassar. E se as primeiras parecem mais simples, depressa se percebe que o nível de dificuldade aumenta e depressa o mistério aumenta. O autor leva o leitor a colocar em causa a veracidade do teste, as verdadeiras intenções de Acharya, a força de Spana e até o papel da sua família e dos seus amigos em todo este processo. Podem existir alguns acontecimentos que parecem forçados, mas no final percebesse a razão.

Para além de ser uma leitura com características mais divertidas e que fazem o leitor sonhar, A Herdeira Acidental é também um livro que apresenta algumas verdades duras e cruas relativamente às diversidades culturais e sociais da Índia actual. Vikas Swarup explora o fosso que existe entre ricos e pobres, revela o desinteresse da classe média, revela práticas ancestrais que apesar de proibidas continuam a ser praticadas, expõe o culto das celebridades em detrimento do religioso e ainda faz mostra um país fortemente controlado pela corrupção.

Apreciei bastante o facto de o autor ter tido conseguido ligar pequenos detalhes revelados ao longo trama, de forma a apresentar uma conclusão surpreendente e consistente. Confesso que não estava nada à espera das derradeiras revelações deste livro que podem dividir opiniões. Apesar de ter sido rápido, eu achei o final bastante apropriado, uma vez que corresponde ao que foi transmitido durante a leitura.

O estilo de escrita de Swarup é fácil de acompanhar, mesmo possuindo  expressões indianas que, na sua maioria, graças à explicação inicial e repetição deixam de parecer estranhas. Contudo, houve umas poucas expressões que careceram dessa mesma explicação, o que levantou algumas interrogações. O facto de os capítulos serem grandes pode ainda ser desencorajador, mas lidos os primeiros percebe-se que estes não são maçadores. 

A Herdeira Acidental revelou-se uma leitura deliciosa que fiz com avidez. A cada desafio que passava a minha curiosidade apenas aumentava, não só quanto às novas provas mas também relativamente ao desenrolar de outros acontecimentos que vão acontecendo paralelamente. Adorei este leitura e fiquei com imensa curiosidade de pegar noutras obras de Vikas Swarup.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Opinião: O Livro Sem Nome (A Saga de Bourbon Kid #1)

Autor: Anónimo
Título Original: The Book With No Name (2008)
Tradução: Cristina Rodriguez
ISBN: 9789895579037
Editora: Asa (2011)

Sinopse:

Caro Leitor,

Apenas os puros de coração poderão ler as páginas deste livro. Cada página que virar, cada capítulo que ler, levá-lo-á para mais perto do fim. Nem todos conseguirão terminar. A variedade de intrigas e de estilos poderá indispor e confundir. E, enquanto procura a verdade, ela apresentar-se-á diante dos seus olhos. A escuridão virá, e com ela um grande mal. E aqueles que lerem o livro poderão não voltar a ver a luz.

Opinião:

Misterioso. Este livro sempre me chamou a atenção pela pouca informação que transmitia. O título não diz nada (aparentemente), o autor não é conhecido, a sinopse não revela a base da trama e a capa pouco diz. Sempre senti curiosidade quanto a este leitura, mas também algum receio, afinal, que história poderia estar encerrada naquelas páginas? Finalmente surgiu a oportunidade de pegar em O Livro Sem Nome e desvendar (alguns dos) seus segredos.

A acção desenrola-se em Santa Mondega, uma cidade dos Estados Unidos da América que sugere ser próxima da fronteira com o México. Santa Mondega é muitas vezes apresentada como uma cidade esquecida, funcionando quase como um mundo aparte, afinal, é centro de uma intensa actividade paranormal. E assim fica esclarecido o género desta leitura. Sim, pode ser inserida dentro do género fantástico, apesar de possuir ainda características de policial e de terror.

Não existe uma personagem principal, mas sim um grupo de figuras que, à sua vez, ganham destaque em capítulos que exploram o seu ponto de vista sobre os acontecimentos. Estes homens e mulheres não são fáceis de gostar, mas parecem reais. Acontece que são quase todos bandidos, vigaristas, ladrões, assassinos. Não é fácil criar empatia com pessoas tão cruéis e interesseiras, mas é engraçado ver de que forma se movimentam e conhecer aquilo que os motiva. Existem excepções, como não podia deixar de ser. A dupla de monges ingénua é uma lufada de ar fresco e responsável por muito momentos caricatos, enquanto a dupla de policias que investiga as muitas mortes que decorrem é um pouco mais aborrecida.

Apesar de não existir propriamente uma figura central, existe, no entanto, uma personagem que parece funcionar como motor de toda acção: o bourbon kid. Curiosamente, este é também o homem de quem menos sabemos (praticamente nada, na verdade). É uma figura misteriosa que raramente aparece e que é temida por todos. Afinal, o seu aparecimento em bares resulta sempre na morte de todos os presentes do estabelecimento, à excepção de uma testemunha. É impossível não ficar fascinado com este homem e é de louvar que a forma como autor conseguiu que eles prendesse à leitura apesar de tão raras aparições.

Sim, é um livro com descrições de forte violência. As cenas de acção parecem ter sido inspiradas pelos filmes sangrentos de Quentin Tarantino. Existe muito sangue, muitos tiros, muitas vísceras e corpos totalmente mutilados. Ao início pode custar um pouco a entrar nesta história, perceber de que forma todas as personagens se ligam, mas mal isso é apreendido inicia-se uma leitura rápida e viciante. Com o passar das páginas vão surgindo novas perguntas e uma necessidade crescente de perceber o que realmente está a acontecer. Com o tempo, são dadas essas respostas, ou pelo menos as essenciais, já que o clima de mistério permanece mesmo na última página.

As reviravoltas são muitas, sendo que aquilo que ao início podia parecer afinal não o é. A eterna luta entre o bem e o mal é mais um dos temas tratados, existindo ainda diversas inspirações no Cristianismo. Contudo, tudo é explorado de uma forma muito diferente daquela a que estava habituada.

O Livro Sem Nome é um livro intenso, diferente e que se destaca. Uma leitura muito interessante e que recomendo a todos os fãs de histórias sobrenaturais mais duras.

Nota: Apesar de poder ser lido sozinho, O Livro Sem Nome é o primeiro de uma série intitulada "Bourbon Kid". The Eye of The Moon, The Devil's Graveyard e The Book of Death são os títulos dos restantes volumes, por ordem de publicação nos Estados Unidos da América. Estão todos assinados por Anónimo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Opinião: Sozinhos na Ilha

Título Original: On The Island (2011)
Autor: Tracey Garvis Graves
Tradução: Mário Dias Correia
ISBN: 9789892323596
Editora: Asa (2013)

Sinopse:

Uma ilha deserta plena de sol, vegetação luxuriante e mar cristalino é um cenário de sonho. Ou talvez não... Anna Emerson decide quebrar a sua rotina e deixar Chicago para dar aulas numa ilha tropical. Por seu lado, T. J. Callahan só quer voltar a ter uma vida normal após a sua luta contra o cancro. Mas os pais empurram-no para umas férias num destino exótico. Anna e T. J. estão a sobrevoar as ilhas das Maldivas a bordo de um pequeno avião quando o impensável acontece: o aparelho despenha-se no mar infestado de tubarões. Conseguem chegar a uma ilha deserta. Sãos e salvos, festejam e aguardam, convictos de que serão encontrados em breve. Ao início, preocupam-se apenas com a sobrevivência imediata e imaginam como será contar tamanha aventura aos amigos. Nunca a citadina Anna se imaginou a caçar para comer. T. J. dá por si a lutar com um tubarão e a ser acolhido por simpáticos golfinhos. Os dois jovens descobrem-se timidamente e exploram a ilha. Mas à medida que os dias se transformam em semanas, e depois em meses, as hipóteses de serem salvos são cada vez menores. Ambos têm sonhos por cumprir e vidas por retomar, e é cada vez mais difícil evitar a grande questão: conseguirão um dia sair daquela ilha?

Opinião:

Sozinhos na Ilha é uma leitura leve, agradável e interessante, que deve ser feita especialmente durante os dias quentes de verão. Afinal, em que outra época do ano poderíamos estar mais sensíveis ao calor descrito na grande parte destas páginas?

Não foi uma leitura que tivesse iniciado com grandes expectativas, mas acabou por me agradar e prender. Confesso que, ao início me questionei sobre como a autora iria conseguir manter o interesse num cenário tão limitado como o de uma ilha, mas a verdade é que Tracey Garvis Graves foi bem sucedida nessa missão. Acho que o segredo está nas personagens interessantes, no desenvolvimento do seu relacionamento e na descrição dos seus métodos de sobrevivência.

Anna é uma jovem mulher que está cansada da sua rotina e decide aceitar o emprego de dar aulas a um rapaz enquanto este passa férias com a família numa ilha tropical. É fácil perceber as suas motivações, afinal Anna não aceitou a tarefa apenas tendo em vista o destino idílico. Ela precisa de sair da sua vida de modo a perceber o que realmente quer para o seu futuro e de que forma o quer conquistar. Acredito que as dúvidas que a atormentam são comuns a outras mulheres.

T. J. é um rapaz que venceu um cancro e deseja recuperar o tempo que a doença lhe tirou. Apesar do tormento que viveu, encara tudo de forma positiva e dificilmente perde a esperança. Apesar de ser jovem, desde cedo enfrentou obstáculos difíceis e a sua atitude perante estes fez-me ficar rendida a esta personagem. É uma pessoa com sede de viver e que luta pela sua felicidade.

Numa primeira fase do livro, é com interesse e até algum espanto que se assiste aos primeiros tempos de T. J. e Anna na ilha. Penso que a autora conseguiu sustentar bem a sobrevivência dos dois apesar dos escassos recursos e é também com um sorriso nos lábios que se assiste ao desenvolvimento da relação deste par perdido.

A ilha acabou por se revelar um local com maiores possibilidades do que aquelas que eu achava serem possíveis e permitiu o desenvolvimento de uma história que dá prazer conhecer. Gostei do facto de que os capítulos irem alternando entre as duas personagens, de forma a ser possível conhecer os sentimentos de ambos, contudo, achei que os de T.J. acabaram por ser pouco aproveitados e explorados.

A segunda parte do livro já apresentou um ritmo mais lento e teve ainda alguns momentos ligeiramente mais aborrecidos. O encanto que foi vivido na ilha foi-se desvanecendo e o que mais me apelava neste livro também. Contudo, destaco os obstáculos provocados pela diferença das idades de Anna e T.J..

Leitura que se faz em poucos dias e que dá um toque de romance ao verão. Sozinhos na Ilha é um livros que se lê com agrado e que proporciona bons momentos.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Opinião: O Espião Português

Autor: Nuno Nepomuceno
ISBN: 9789892321462
Editora: Asa (2012)

Sinopse:

André Marques-Smith é um bom rapaz. Dedicado à família e aos amigos, é o mais jovem funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros português a assumir a tão desejada direção do Gabinete de Informação e Imprensa. Uma dedicação profissional que esconde um coração partido.
Freelancer é o nome de código de um espião da Cadmo, uma organização semigovernamental internacional. A par do MI6 e da CIA, a Cadmo age nos bastidores da política mundial, moldando o mundo tal como o conhecemos. Freelancer é metódico e implacável, um dos seus operacionais mais cotados.
André e Freelancer são uma e a mesma pessoa. De Lisboa a Estocolmo, Londres, Roma ou Viena, as suas muitas faces desdobram-se, as missões sucedem-se. Uma delas reserva-lhe uma surpresa. Nas suas mãos, está uma descoberta que pode mudar o mundo e pôr em causa toda a sua vida.
Mas, para o melhor e para o pior, ele não está sozinho...

Opinião:

Vencedor do prémio Literário Book.it, O Espião Português revelou-se uma boa surpresa. Entrei na história com facilidade, muito devido à componente de acção que surge logo ao início e à forma como André Marques-Smith, a personagem principal, foi sendo apresentada.

Este volume, que me foi-me gentilmente cedido por Nuno Nepomuceno, revela-se mais do que uma história policial repleta de enigmas e aventuras. Com esta leitura, ficamos não só a conhecer os limites da conspiração europeia como também assistimos a uma jornada de auto descoberta do protagonista. Esta dualidade fornece um carácter mais completo à obra e impulsiona a leitura.

André Marques-Smith é uma personagem que cativa. Jovem, belo, inteligente, profissional e atormentado é com interesse que seguimos o seu percurso e com curiosidade que desvendamos o seu passado. Numa história de espionagem, é bom poder contar com um protagonista que se revele humano e tal acontece nesta obra. Neste campo, ficamos a par da relação de André com a família, com os amigos, com o trabalho e consigo mesmo. É curioso ver que um jovem tão bem sucedido sofre de um mal tão comum, tendo mesmo desvalorizado a sua própria vida.

Este lado pessoal está em perfeito equilíbrio com o lado da espionagem, o que fomenta a leitura. Neste último campo, observamos um André meticuloso, corajoso e disposto a tudo para cumprir as suas missões. As dores da sua vida pessoal estão presentes, mesmo que de forma muito subtil. É também durante estes exercícios que ficamos a conhecer outras personagens muito interessantes e imprevisíveis. A ideia de formar uma organização de espionagem com elementos de diferentes Ministérios europeus revela-se bastante curiosa.

E se ao início parece que percebemos o rumo que o autor quer seguir, mais tarde percebemos que Nuno Nepomuceno esteve sempre preparado para nos surpreender. Com o decorrer das páginas, a história vai ganhando complexidade e as personagens revelam lados até então ocultos e inesperados. A leitura torna-se viciante e a necessidade de saber cada vez mais apenas aumenta. Por isso mesmo, chegada a última página, surge a sensação de frustração de que ficou muito por explicar e descobrir, afinal, O Espião Português é o primeiro volume da trilogia Freelancer. Percebe-se, apesar de tudo, que o próximo livro trará um protagonista com objectivos alterado.

O estilo de escrita de Nuno Nepomuceno é fácil de acompanhar. O autor exprime sem dificuldade as angústias e pensamentos do seu protagonista, ao mesmo tempo que fornece cenas de ação bastante visuais e cinematográficas, sendo simples imaginar e entrar nas mesmas. Os diálogos estão bem conseguidos ao adequarem-se a cada situação e personagem. Contudo, existem certas características que podem causar alguma estranheza, nomeadamente a utilização de frases curtas em quase toda a narrativa. Se por um lado esta opção permite uma transmissão de ideias mais clara e como menos propensão ao erro, por outro esta escolha pode ser vista como demasiado simplista.

Este livro é uma verdadeira caixinha de surpresas. Um livro surpreendente e com revelações que, apesar de inesperadas e difíceis, acarretam novos e estimulantes desafios. Fica o desejo para que o próximo volume seja rapidamente publicado, afinal ainda há muito para descobrir sobre este espião português.

Atenção!
Passatempo a este livro a decorrer aqui.

domingo, 23 de junho de 2013

Opinião: Mahou - Perdidos no Tempo (Tomo 2)



Autor Argumento: Ana Vidazinha
Autor Desenho: Hugo Teixeira
ISBN: 9789892323480
Editora: Asa (2013)

Sinopse:

No livro anterior, "Na Origem da Magia", ficámos a saber que, há muitos, muitos anos, em Mahou, uma família descobriu um objecto dotado de poderes mágicos extraordinários e, através dele, obteve riqueza, domínio e conhecimento. Mas nada disso lhes trouxe alegria ou união e a desavença desta família fez com que a guerra se alastrasse por todo o Mahou.
Neste tomo, decorrido mais de um ano após a visita de Bia (uma rapariga muito especial) ter finalmente sarado as feridas que a guerra abriu, vamos acompanhar o Mago Mago numa viagem ao seu passado.

Opinião:


Mahou é um mundo onde a magia e a tecnologia coexistem. Este universo criado pelos portugueses Ana Vidazinha e Hugo Teixeira proporciona momentos de bom entretenimento. 

Em Mahou – Perdidos no Tempo, segundo volume de uma saga iniciada com o livro Mahou – Na Origem da Magia, segue-se uma parte da história de Mago Mago. Este protagonista é uma personagem divertida, com quem é fácil criar empatia. Jovem dotado nas artes tecnológicas, é, inicialmente, apresentada como um trapaceiro que apenas tenta tirar o melhor proveito da guerra que se instalou. Contudo, depressa se percebe que é um coração puro e otimista que já sofreu com a situação em que o seu mundo se encontra.

Mago Mago inicia uma jornada com uma companheira dotada de uma personalidade díspar que proporciona momentos interessantes. 

A trama é bastante simples e os acontecimentos sucedem-se de uma forma demasiado rápida. Fica a vontade de que alguns aspetos apresentassem um maior desenvolvimento, não só para dar mais emoção à trama como também para proporcionar ao leitor um maior entendimento deste mundo. O confronto entre tecnologia e magia é bastante curioso e uma das ideias que mais cativa ao longo da leitura.

A ilustração, apesar de não ser perfeita, revela-se encantadora. Com uma influência evidente na manga japonesa, possuem um traço próprio. As cores utilizadas cativam o leitor, mesmo nos contrastes entre cor e rascunho.

É fácil entrar no mundo de Mahou, mesmo para quem não leu o primeiro tomo. Uma boa aposta da Asa.

domingo, 21 de abril de 2013

Opinião: O Cadáver Trocista (Série Anita Blake #2)

Título original: The Laughing Corpse (1994)
Autor: Laurell K. Hamilton
Tradutor: Leonor Marques

ISBN: 9789895578481
Editora: Asa (2011)

Sinopse:

 Algum tempo depois estava numa pequena plataforma elevada, de frente para um semi-círculo quase perfeito de espelhos. Com sapatos de salto alto cor-de-rosa a condizer, o vestido de dama de honor tinha o comprimento ideal. Tinha também pequenas mangas tufadas e era descaído nos ombros, revelando quase todas as minhas cicatrizes. Um vampiro partira-me a clavícula e o braço esquerdo, ao morder-me. Tinha também a marca de uma queimadura em forma de cruz, no antebraço esquerdo. Parecia a noiva do Frankenstein num baile de finalistas. Catherine, a noiva propriamente dita, não concordava. Achava que eu merecia estar no casamento por sermos boas amigas e eu estava a gastar uma boa maquia para sofrer uma humilhação pública. De facto, devíamos ser boas amigas…

Opinião:


Anita Blake está de volta. A animadora e caçadora de vampiros que cativou em Prazeres Inconfessos continua as suas aventuras num mundo onde os seres sobrenaturais existem e coabitam com humanos.

Em O Cadáver Trocista, o segundo volume desta saga de autoria de Laurell K. Hamilton, Anita volta a ter a sua vida em risco. Tudo começa quando o seu chefe a acompanha a uma estranha proposta de trabalho. Harold Gaynor, um homem poderoso, pretende contratar os serviços de animadora da nossa heroína para convocar um morto com centenas de anos. Para que tal seja possível Anita não poderá recorrer aos habituais sacrifícios de galinhas ou cabras, mas sim a um humano, o que a leva a declinar a proposta.

No mesmo dia, a animadora é chamada a um cenário de crime horrendo. A Executora depara-se com dois corpos desfeitos, trabalho que apenas poderia ter sido feito por um zombie. Contudo, é de conhecimento geral que os zombies são seres apáticos, mas que obedecem a qualquer ordem de quem os convocou. Como tal, Anita decidi visitar Dominga Salvador, mestre temível na arte do vudu. A partir daqui, a jovem caçadora de vampiros vê-se envolvida num meio que não compreende totalmente e que vai, com certeza, contra os valores que possui.

Uma leitura bastante agradável que prende desde a primeira página. Laurell K. Hamilton narra esta história na primeira pessoa, o que é uma boa opção quando tem uma personagem como Anita no papel de protagonista. A narrativa está repleta de momentos de ação e de humor negro, o que atenua as situações mais violentas.

Anita continua a surpreender, com uma personalidade forte e muito focado nos seus objetivos e valores. Não é a heroína habitual dos romances sobrenaturais que se perdem em devaneios sentimentais e em dúvidas amorosas, mas sim uma mulher prática, que acredita no bem maior, que possui um agradável sentido de humor e uma sensualidade característica.

A narrativa possui diversas cenas de ação que motivam a leitura e fazem crescer o entusiasmado à volta desta série. As personagens secundárias são também elas dotadas de personalidades peculiares que complementam bem a trama. A intensificação da relação da protagonista com Jean Claude é também bastante curiosa e vai agradar quem ficou fã do volume anterior.

A escrita é simples, fácil de acompanhar e transporta o leitor para uma história que proporciona um bom momento de entretenimento.

Outros livros de Laurell K. Hamilton:
O Beijo das Sombras (Série Merry Gentry #1) 
Prazeres Inconfessos (Série Anita Blake #1)
 

terça-feira, 26 de março de 2013

Opinião: A Marca das Runas (Crónicas das Runas #1)

Título Original: Runemarks (2007)
Autor: Joanne Harris
Tradutor: Isabel Fraga
ISBN: 9789892321813
Editora: Asa (2013)

Sinopse:

Maddy Smith nasceu com uma marca que ditou o seu destino. A runa inscrita na sua pele é um símbolo dos Antigos Deuses, uma marca mágica. E perigosa. Na pequena aldeia onde vive todos a receiam e excluem. Mas Maddy não renega a sua sorte. Pelo contrário, ela adora magia. Mesmo que isso a condene à solidão. Quinhentos anos passaram desde Ragnarók - o flagelo que marcou o Fim dos Tempos -, e a Nova Ordem impôs regras que ditam o aniquilamento do Caos, da Magia, dos Sonhos e da Imaginação. À medida que os seus feitiços ficam cada vez mais fortes, Maddy sabe que será apenas uma questão de tempo até os Examinadores da Ordem a identificarem e perseguirem. E tempo é algo que o Mundo não tem... agora que a ameaça de destruição é cada vez mais real. Isolada, Maddy pode apenas contar com o ancião seu mentor, que lhe dá a conhecer as lendas nórdicas, com os seus deuses e criaturas maravilhosas. Invisível para a maioria das pessoas, este Mundo Subterrâneo encerra a chave do seu passado. Dela depende o destino do Mundo, mais uma vez...


Opinião:

Estava muito curiosa com esta estreia no fantástico de Joanne Harris e foi com grande entusiasmo que comecei a leitura de A Marca das Runas. A história desenrola-se tendo como base a mitologia nórdica e um mundo complexo, composto por várias camadas que nos são bem explicadas ao longo da narrativa e através de um mapa atrativo.

A narrativa é passada num ambiente que faz lembrar a Europa Medieval, tanto pela descrição da sociedade como pela mentalidade das personagens, já que tudo o que é considerado diferente é visto como mau, o que dá origem a uma verdadeira caça às bruxas. Deste modo, é curioso ver que a autora usou um modelo social assente no Cristianismo, em oposição ao paganismo do Norte.

Maddy Smith, a protagonista, é uma rapariga que, aparentemente, é igual a tantas outras, mas a verdade é que nasceu com uma marca que a associa à magia e, por isso, assusta os outros. Esta rapariga não possui uma personalidade que cative facilmente. A característica que mais salta à vista é a sua curiosidade, mas isso não é o suficiente para a tornar numa personagem marcante e com força suficiente para segurar a atenção do leitor ao longo desta história extensa.

Com a inserção de novas personagens de maior interesse, a narrativa perde o seu foco principal. Chega a um ponto em que ficamos sem perceber a razão de Maddy ser a personagem principal, quando os momentos de maior ação e desenvolvimento acontecem relacionados com outras figuras, sendo que a heroína passa a ser um acessório.

A certo momento, o leitor pode perder a motivação para esta leitura, já que os elementos parecem surgir demasiado dispersos e de modo algo forçado. Percebemos qual a conclusão que a autora quer atingir, mas os meios utilizados podem não ser os melhores. Já a escrita é simples e fácil de seguir.

Contudo, existem alguns elementos que mantém a sua força, nomeadamente as personagens de Loki e Odin e as relações entre as divindades apresentadas. Rivalidades e amizades são bem conseguidas, apesar de muitas serem apresentadas de forma subtil. Também apreciei bastante este mundo composto por várias camadas. As repartições vão ao encontro de conceções antigas e foram bem apresentadas.

O final não me pareceu bem conseguido, tendo sido demasiado precipitado e, apesar de a autora tentar surpreender com algumas reviravoltas, a verdade é que não o conseguiu.

Terminada a leitura, fiquei com a sensação de que A Marca das Runas tinha muito potencial que não foi bem aproveitado. A história não arrebata, nem se torna marcante. Tem alguns pontos interessantes, mas que não são o suficiente para tornar este livro especial ou memorável.


Nota: A Asa já anunciou que vai publicar brevemente o livro A Luz das Runas, o segundo volume desta saga.

sábado, 16 de março de 2013

Comprar o livro pela capa 26: A Marca das Runas

Bom dia e bom fim de semana!

Hoje, na rubrica "comprar o livro pela capa", escolhi apresentar o livro que marcou a estreia de Joanne Harris na literatura fantástica: A Marca das Runas.


Em 2007, a Gradiva introduziu o primeiro livro das Crónicas da Runas em Portugal. A imagem utilizada é mesma que surgiu na edição original deste livro, assim como o tipo de letra. Existe uma forte presença de tons quentes, as runas, muito discretas, compõe o fundo e é dado destaque a um goblin, ser muito presente nesta obra.



Em 2013, a Asa passa a deter os direitos da obra de fantasia de Joanne Harris. Assim, A Marca das Runas volta ao mercado nacional com uma nova imagem. O verde está em grande destaque, fornecendo a ideia do forte papel da natureza e dos mistérios que encerra. Também surge uma figura feminina, associada a Maddy Smith, a protagonista da trama.

Apresentadas as duas capas é altura de vos perguntar: qual é aquela que vos levaria a comprar o livro?


sexta-feira, 8 de março de 2013

Opinião: Direitos de Sangue (Casa das Comarré #1)

Título Original: Blood Rights (2011)
Autor:  Kristen Painter
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
ISBN: 9789892321639
Editora: Asa (2013)

Sinopse: 

Chrisabelle esconde no corpo as marcas douradas e os segredos das comarré - uma raça especial de humanos criada para alimentar a elite de vampiros nobres com o seu sangue rico e poderoso. O destino dela está traçado desde sempre: servir incondicionalmente o seu patrono. Mas quando este é assassinado, a vida de Chrysabelle muda por completo. Finalmente pode ser livre, um sonho que nunca se permitira ter e que depressa se transforma num pesadelo. Ela é a principal suspeita do crime e do roubo de um anel mágico. O anel que a ambiciosa Tatiana está decidida a recuperar, custe o que custar. Chrysabelle atravessa o Atlântico para provar a sua inocência, e nesta demanda o seu caminho cruza-se com o de Malkolm, um poderoso e irresistível vampiro que foi renegado e alvo de uma maldição. Ambos tentam combater a inegável atração que os une. Mas o tempo urge. Ambos têm de unir esforços para travar os planos de Tatiana, que pretende acabar com o mundo tal como eles o conhecem e fundar um reino de trevas.

Opinião:


Sempre gostei muito de vampiros, e por essa razão, quando surge um livro que aborde o tema eu sinto-me muito tentada a ler. Por esse motivo, quando vi Direitos de Sangue não resisti.

Este é o primeiro volume de uma saga composta, até ao momento, por quatro livros. Quando o comecei a ler, fiquei muito interessada por saber mais sobre este universo. Kristen Painter dá-nos as boas-vindas à sua obra através de cenários negros e de uma sociedade oculta muito cativante. Existe um pacto secreto que separa a realidade humana da sobrenatural, de forma a criar harmonia e a garantir a segurança das duas fações. Ficamos a conhecer uma nova organização de sociedade que é composta por vampiros, fae, varcolai e outros seres. Apreciei a ligação entre estes elementos e o facto de a autora ainda associar a origem deste mundo à queda de anjos, numa inspiração religiosa.

Sendo assim, o cenário construído tem bastantes pontos fortes e podia servir de base para uma grande trama. Sim, escrevi “podia”, pois não foi isso que aconteceu.

A protagonista, Chrisabelle, é uma comarré, o que quer dizer que é uma humana criada e educada com o objetivo de servir e alimentar o nobre vampiro que pague os seus direitos de sangue. Chrisabelle é bonita, a sua pele está coberta de signums (um género de tatuagens douradas), é atlética, inteligente, corajosa, excelente lutadora e possui muitas mais qualidades. Conclusão: é desinteressante. Ao longo de todo o livro vemos esta heroína a mostrar o quão perfeita é sem nos sentirmos minimamente ligados a ela. A personalidade dela não convence e parece demasiado forçada, de modo a adaptar-se da melhor forma a todas as situações.

Depois de Chrisabelle, a personagem com maior foco é Malkolm. Malk é um vampiro marginal e constitui a típica personagem masculina com um físico extremamente atraente mas que é atormentado por um passado doloroso que não o leva a confiar facilmente em alguém. Como se tal não bastasse, ainda se debate com uma maldição que o torna perigoso e, por isso, não se considera digno de estar próximo da nossa bela heroína. Como seria de esperar, Chrisabelle e Malkolm sentem uma atração imediata. Durante todo o livro vemos eles os dois completamente rendidos um ao outro mas sem o confessarem.


Para além de vermos a trama sobre a perspetiva de Chrisabelle e Malkolm, também temos acesso ao ponto de vista de Tatiana, a vilã. Aqui, o único ponto interessante é a ligação que ela faz com os Castus, anjos caídos que deram origem aos vampiros. De resto, é apenas uma mulher má, muito má, que mata sem remorso, que gosta de torturar e que quer ser toda-poderosa. Querida Tatiana, todos nós já percebemos que és apenas mais um peão neste jogo, encontra outro hobbie.

Quanto à narrativa em si, o início é um pouco lento, muito centrado nas personagens e suas emoções. Já o desenrolar da ação é demasiado rápido, o que faz parecer que todas as dificuldades são ultrapassadas num estalar de dedos. Gostaria de ter visto mais impedimentos, mas não…



E se a história não está nada demais, as incongruências encontradas fazem-nos se alguém leu o livro antes de o publicar. Ora então vejam alguns exemplos:




Terminado o livro, fiquei com a sensação de que Direitos de Sangue tinha tudo para ser um bom livro. Gostaria de ter visto a mitologia mais explorada, personagens bem construídas e uma trama que fizesse sentido, mas tal não aconteceu.