Autor: Anne Bishop
Tradutor: Luís Coimbra
ISBN: 9789896374921
Editora: Edições Saída de Emergência (2013)
Sinopse:
Numa aldeia vizinha da cidade de Visão ninguém conhece o sabor da mágoa e da angústia, mas essa comunidade, aparentemente idílica, esconde um segredo tenebroso. Quando era pequena, Nalah não percebia porque a mandavam levar um bolo à menina muda a quem chamavam «A Voz» sempre que se sentia mal. Sabia apenas que isso a ajudava a melhorar. Já crescida, desvenda esse mistério e anseia por fugir da aldeia opressiva onde sempre viveu. Só depois de visitar a cidade de Visão e de conhecer o Templo das Mágoas, compreende o que tem de fazer para se libertar…
Opinião:
"Chamavam-lhe 'A Voz' porque a não tinha".
Inspirada no universo de Efémera, Anne Bishop apresenta A Voz, uma novela que explora a necessidade de utilizar o outro de modo a obter a própria felicidade.
A trama é narrada na primeira pessoa, por Nalah, uma rapariga comum que assiste a um episódio bastante perturbador aos 10 anos. A partir desse momento, Nalah não consegue esquecer o que viu e tenta procurar uma explicação para certas medidas do funcionamento da sua aldeia. A jovem reage de forma diferente a todas as outras pessoas da sua aldeia, já que o hábito é fechar os olhos à verdade de modo a não comprometer o bem estar geral. Mas a protagonista não aceita isso, o tempo faz com que a necessidade de obter resposta cresça, mas cada passo que na direção da verdade faz desenvolver a revolta.
Numa fase inicial, Nalah é uma menina igual a tantas outras, mas quando percebe que existe uma pessoa a ser usada em benefício de toda a aldeia começa a desenvolver uma alterar-se. Depois disso, conhecemos uma Nalah com 17 anos. A menina alegre e brincalhona deu lugar a uma jovem silenciosa, de poucos amigos e de formas pouco elegantes. Esta protagonista é a representação de quem questiona a sua sociedade, de quem não se conforma com a ordem imposta, de quem não intende a necessidade de os mais fracos sofrerem em benefício dos mais fortes. É fácil simpatizar com esta personagem que não fica incólume aos erros a que assiste.
Através da visão de Nalah conhecemos a Voz, uma rapariga muda e forçada a uma vida de servidão onde ninguém procura conhecer a sua opinião e os seus sentimentos. Anne Bishop criou esta personagem de forma a representar de que forma o sofrimento e a angústia são capazes de destruir um ser. A Voz é alimentada através de bolos que possuem no seu interior a dor dos aldeões, o que nos leva a pensar na forma como o ser humano pode sentir necessidade de empurrar para os outros os seus problemas. Também o papel da mulher volta a ser explorado por Anne Bishop neste livro, quer seja por as suas opiniões não serem consideradas tão fortes quanto as dos homens quer seja por ter de se sujeitar a relações abusivas.
Apesar de ser um livro curto, existe ainda espaço para simpatizar com mais personagens e para detestar outras. As amigas de infância de Nalah, Tahnee e Kobrah, mostram como as circunstâncias da vida podem mudar completamente uma pessoa, como podem transformá-la em alguém feliz e realizado ou alguém vingativo e destrutivo. E enquanto estas mulheres fazem surgir em nós sentimentos de compaixão, já Chayne e Dariden são dois rapazes que apenas desejamos ver castigados no final devido à crueldade das suas ações e pensamentos.
No final de ler este pequeno livro, pensei se não teria sido melhor se a autora tivesse explorado mais esta trama. Claro que fica sempre a vontade de conhecer e saber mais, até porque esta foi uma história que me agarrou, mas acabei por concluir que não, que assim ficou bem. Como está, percebemos bem o enredo, criamos empatia com as personagens, captamos a mensagem que a autora quer transmitir e ficamos satisfeitos com o desfecho. Está tudo na quantidade certa e existe um bom equilíbrio de elementos.
A escrita de Anne Bishop apresenta as características às quais já nos habituou. Entramos neste mundo sem grandes dificuldades, apreciamos a os cenários que a autora descreve assim como as emoções. A magia encontra-se presente, apesar de isso não ser feito de uma forma direta. Também os elementos peculiares de Efémera estão lá, mas de um modo bastante subtil.
A Voz é uma leitura rápida mas intensa que os fãs de Anne Bishop não vão querer perder. Recomendo.
Olá Cláudia,
ResponderEliminarNunca li nada desta uma escritora mas estou cada vez mais curiosa, embora não seja completamente apaixonada por este tipo de fantasia :)
Há algum livro dela que recomendes aos iniciantes? heheh :D
Beijinhos e boas leituras!
http://acortedoslivros.blogspot.pt
Olá Mira!
ResponderEliminarEsta é uma autora que eu gosto muito e, até agora, os livros dela que mais gostei de ler foram os da trilogia das Jóias Negra ("Filha do Sangue", "Herdeira das Sombras" e "Rainha das Trevas"), por isso são esses mesmo que aconselho para começar (até porque foi por eles que eu comecei). Contudo, se não te sentires à vontade de arriscar assim numa trilogia e se quiseres apenas ter uma ideia da escrita e do estilo da autora, aconselho "A Voz", por ser mais barato, por ter uma história completa e por explorar alguns dos campos mais desenvolvidos nos outros livros da autora.
Espero ter ajudado.
Bj*
P. S. - Já tinha visitado o teu blogue e adorei a forma como abordaste o tema histórico. Sou visitante assídua :)
Sim, ajudaste :)
ResponderEliminarOptei por comprar primeiro "A Voz", visto ser mais pequeno, vejo se gosto do género e depois decido se compro a masterpiece da autora :D
Obrigado pelo feedback :) És sempre muito bem-vinda ao blog!
Beijinhos!
Acabei agora mesmo de ler este livro e vim aqui ler a tua opinião.
ResponderEliminarMuito bem, Cláudia disseste tudo, grande análise :)
É de facto uma pequena grande história que nos faz pensar um pouco. Também gostei muito.
Obrigada Rita! E eu bem tinha dito que ias gostar (vamos lá saber porqueê...:P)
ResponderEliminarBj*
Pois, porque será?! Há com cada mistério... :p
ResponderEliminarBeijinho